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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

De novo, a avaliação

Só a gripe A disputa espaço noticioso à questão recorrente da avaliação dos professores. Aí estão, de novo, todas as baterias sindicais assestadas para a nova equipa do ME. Paulo Portas descobre a sua vocação para delegado sindical dos profs. e, substituindo-se aos especialistas, tira da cartola um novo modelo. Bom...sempre é um contributo.
O novo Secretário de Estado, Alexandre Ventura, era o presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores. Que pensar, que tens as mãos manchadas pelo processo como resultado das funções que desempenhava ou que é a pessoa que está em melhores condições para ajudar a pacificar o sector?
Sinceramente, tudo isto me parece estranho. A gestão da educação, no contexto actual, pós Maria de Lurdes Rodrigues, nada tem de técnica, é uma tarefa eminentemente política. Pois quem assume funções? Uma ministra e dois secretários de Estado que de políticos nada têm, que se saiba publicamente.
Entretanto as escolas estão em suspenso e os professores em desespero. Pobre educação...

domingo, 25 de outubro de 2009

Isabel Alçada

Tenho a melhor impressão pessoal sobre Isabel Alçada. Conheci-a, de perto, quando fizemos o mestrado em Boston. Aliás, este curso já deu, que me lembre, dois Secretários de Estado, Domingos Fernandes e Valter Lemos, para além de vários outros dirigentes do Ministério da Educação.
A nova ministra chega ao círculo mais restrito do poder com um prestígio inatacável, não tanto por ser professora, mas pela suas deambulações pelas aventuras da escrita. Ao contrário da antecessora, socióloga pura e dura, Isabel Alçada era, até agora a responsável pelo Plano Nacional de Leitura e é mais como escritora que o país a conhece.
Muitos jovens portugueses cresceram embalados nos sonhos aventurosos que Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães lhes foram propondo em inúmeras publicações, onde o despertar o gosto pela leitura se associava à descoberta de temas importantes para o seu crescimento como cidadãos.
Como qualquer novo governante, a nova ministra tem direito ao benefício da dúvida, mas devem assinalar-se dois aspectos que podem dificultar o seu mandato. Por um lado não se lhe conhece experiência de gestão, por outro não tem experiência nem peso político.
Se o primeiro aspecto não parece grave, para isso lá estarão directores gerais e assessores, já a questão política pode ser mais sensível. A gestão de um ministério como o da Educação, para mais na fase pós Lurdes Rodrigues, é tudo menos técnica. O cerne dos problemas é desatar os nós que os antecessores arranjaram, tarefa que exige um enorme jogo de cintura da ministra, o apoio sem reservas do Primeiro Ministro e do Governo, e uma ilimitada capacidade negocial para, na Assembleia da República, ganhar espaço de manobra para fazer vingar propostas, nas mesas de negociação com os sindicatos obter consensos e na "rua" conquistar as pessoas para as suas causas.
Como Helena André, a sindicalista, que vai para o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, também Isabel Alçada, a professora, não garante só por si a bondade das políticas que vai protagonizar, como bem observou Carvalho da Silva, a propósito da primeira.
A acção da ministra vai ser fortemente condicionada pela forma como conseguir romper o cerco dos sindicatos, falando directamente para os professores. Que ninguém tenha dúvidas, a política educativa concretiza-se através das escolas e dos professores e, sem estes, como já se viu, o destino é o desastre.
Ora, se os sindicatos são imprescindíveis e os parceiros negociais de eleição, os professores, como classe, estão muito para além dos sindicatos e o peso destes será tanto maior quanto o ME se afirmar por estar contra os professores e não por os estimar como colaboradores indispensáveis.
Consideração expressa em medidas concretas é o que os docentes esperam da ministra. Se passar no teste, o resto vem por acréscimo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Negociações envenenadas

Era inevitável. O ME e os sindicatos vão voltar à mesa das negociações. Aos sindicatos não interessava a mudança da equipa do ME, nunca forçaram essa nota. O perigo para estes advinha de uma nova equipa que falasse directamente para os professores, que fosse capaz de criar empatia com a classe menorizando os sindicatos.
Ora, como é sabido, o líder da plataforma sindical tem a sua própria agenda política e a FENPROF é apenas um dos instrumentos que usa para se promover na hierarquia do PCP e da CGTP.
Para Mário Nogueira é preferível a actual equipa do que uma rejuvenescida e que fosse capaz de restabelecer os vínculos afectivos com a classe docente. Como o desnorte impera na ME e já nem os presidentes dos conselhos executivos são interlocutores, restam os sindicatos para prosseguir a farsa negocial.
Neste momento A Ministra é a melhor aliada de Nogueira e vice-versa e os outros líderes sindicais vão atrás segurando o andor.
Como diria o Eça "isto é uma choldra" e até os deputados do PSD se marimbaram para a votação da proposta do CDS/PP que poderia ter parado o processo da avaliação e introduzido um dado novo na questão.
Para já foram decretadas tréguas de Natal e não se antevê nada de positivo no "sapatinho" dos professores. Quando era necessário manter a pressão, eis que os sindicatos abrem as válvulas e deixam esturricar o capital tão duramente conquistado.
Como já se percebeu os sindicatos cavalgam a onda quando há perigo de tsunami, mas desmontam logo que percebem que controlam a situação.
É por isso que esta luta não prescinde de ir muito além dos sindicatos, de se ancorar em cada escola, em cada professor, de merecer o apoio de cada pai, de cada autarca, de cada português que preserva a herança de uma escola que valoriza os professores, a sua experiência, os seus saberes e o seu empenhamento.
Os malefícios da escola portuguesa não são culpa dos professores.
Negociações? Certamente, mas com outra equipa e com outra política.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Não brinquem (mais) com os professores

Depois da greve história de ontem, a Ministra foi ao Parlamento dizer que está disponível para mudar o sistema de avaliação para o ano.
- Desculpe! V.ª Ex.ª disse "para o ano"?
Talvez valha a pena recordar que para o ano vai haver eleições e certamente mudanças nos ministérios.
A isto chama-se gozar com o parceiro, neste caso com todos os professores. Devia ser a isto que o "professor do ano 2007", galardoado com pompa e circunstância pela Ministra, ontem se referia na TSF como "coisas que lhe davam repugnância".
Haja decoro e sentido de Estado, que é coisa que a equipa do ME há muito perdeu. A revisão do estatuto e da famigerada avaliação eram para ontem, nunca "para o ano".
Como já se viu, a coisa vai mesmo ter de se extremar ainda mais e como na evolução das espécies resistem as que se adaptam, as outras extinguem-se, esta equipa do ME só pode mesmo ser uma espécie em vias de extinção, porque não é crível que sejam os professores a desaparecer.

domingo, 30 de novembro de 2008

O conflito na educação visto pelo prisma da liderança e da inteligência emocional

O Governo está completamente equivocado na forma como está a gerir o conflito com os docentes. Na verdade, o entendimento necessário não é com os sindicatos, mas com os professores. Bem pode o presidente da FENPROF acentuar que são os sindicatos que representam os professores, é verdade, mas só representam alguns e já há muito tempo que a dinâmica de rejeição das políticas e da atitude do ME para com toda a classe ultrapassa largamente a acção dos sindicatos.
Se o Governo quer pacificar o campo educativo, e só admito que o faça pelo diálogo, tem de perceber que o obstáculo não são os sindicatos nem os professores, mas a própria equipa do ME. Se o Primeiro Ministro quiser ser parte da solução e não do problema tem de demitir rapidamente a equipa que dirige o ME, por uma razão simples e que é do domínio das teorias da liderança e se fundamenta nos princípios da inteligência emocional.
Quebrou-se totalmente o vínculo emocional que liga os professores ao Ministério e o que devia ser ressonância (Goleman et al, 2003) tornou-se dissonância, o que impede qualquer entendimento ou colaboração. As emoções tóxicas tornaram-se dominantes e inviabilizam o restabelecimento da confiança e do diálogo.
Tal como na Saúde Correia de Campos percebeu isso e o Primeiro Ministro também, é forçoso que no conflito da Educação se entenda que não há saída para o problema sem mudança de caras e de procedimentos. Os professores perderam, há muito, a confiança em quem supostamente os devia liderar, e quando os líderes perdem a confiança dos liderados, deixam de o ser.
Espero, sinceramente, que não se caia na tentação de fazer da anunciada greve do dia 3 uma forma de tentar partir a espinha ao movimento de contestação docente, e que haja a iniciativa política suficiente para encontrar uma solução que resolva o problema de fundo e não qualquer cosmética de ocasião.

domingo, 9 de novembro de 2008

Tomar a nuvem por Juno

O comentário do Pedro B. é muito estimulante, mas já podia ter sido escrito para aí há vinte ou trinta anos. Ora se os professores como ele diz andam agora a esbracejar, são piores que os meus patrícios alentejanos e reagem muito ao ralenti.
O problema é a política educativa deste governo, não é a massificação, nem a proletarização, nem essas coisas interessantes que ele diz, mas que pouco têm a ver com o que se passa.
Corram lá com a Ministra, ponham gente no Ministério que saiba o que é uma escola e tenha espírito de professor, anulem o concurso para titulares, alterem a metodologia da avaliação e vamos ver que se acaba com as manifestações e com professores a reformarem-se ou a recorrerem ao psiquiatra para não irem às fuças dos alunos mal comportados e dos pais que lhes dão cobertura.
O problema de muitos professores socialistas é que tomam a nuvem por Juno, que é como quem diz, confundem manifestações genuínas de descontentamento com a política educativa como se de guerra política ao Governo se tratasse.
A política educativa deste Governo, na área objecto destes post é um desastre e isto tem de ser afirmado doa a quem doer, custe o que custar. Quem pôs a escolas a ferro e fogo foi a Ministra e os ajudantes, não foram os professores. E como diz um colega num comentário ao post inicial, a Sócrates só restam duas alternativas, ou faz cair a Ministra ou cai com ela. Por mim, há mais uma, é cair com a maioria relativa, porque acredito que as eleições ganha.

sábado, 8 de novembro de 2008

E se a Ministra da Educação custar a maioria absoluta ao PS?

Retenho duas imagens de hoje. A impressionante manifestação dos professores e a imagem patética da Ministra na TV a tentar demonstrar o indemonstrável, que as escolas estão a trabalhar no melhor dos mundos e que o processo é para continuar.

A realidade é que as escolas estão diminuidas na sua capacidade operativa e que os professores estão à beira de um ataque de nervos, com gravíssimos prejuízos para a serenidade que uma relação pedagógica construtiva exige e para a qualidade da mesma.

Independentemente do juízo que se faça sobre a política educativa deste Governo, é inquestionável que o mesmo deixou apoderecer o ambiente nas escolas, como jamais acontecera desde os tempos de brasa do PREC, nos idos de setenta, e os pais começam a sentir os efeitos nefastos deste desassossego que a Ministra atiça a cada intervenção.

Não se trata, como muitos dizem, de "teimosia" da Ministra, o que ocorre é que os objectivos políticos estão desenquadrados da realidade. Até podiam estar correctos, mas não existirem condições para os aplicar. Na realidade é impossível e prejudicial manter este braço de ferro com os professores.

Só um ignorante em matéria de gestão de organizações, e é suposto que um ministro o não seja, não percebe isto, ainda mais quando estamos perante uma "burocracia profissional", expressão técnica grafada por Mintzberg, que se aplica a professores, médicos, contabilista e outras classes profissionais, impossíveis de controlar segundo mecanismos hierárquicos que funcionam bem noutros contextos.

No limite, quem controla o que um professor faz dentro da sala de aula ou um médico na sua consulta? É isto e muito mais que escapa à Ministra e aos que a rodeiam, convencidos que gerir a Ministério da Educação requer a mesma atitude que comandar a GNR.

Politicamente falando, Sócrates arrisca-se a perder a maioria absoluta por causa da política educativa e da Ministra que escolheu. Valerá a pena? Se isto vier a acontecer, tudo o que esta equipa tentou fazer voltará à estaca zero.

Ora, Sócrates, que não é parvo e que quer ser reeleito com a dita maioria absoluta, devia fazer já três coisas:

1. Demitir a equipa do Ministério da Educação e substituí-la por gente fresca a capaz de conquistar a classe docente.
2. Anular o concurso para titulares e reverter, no possível, a situação das carreiras ao momento em que o concurso ocorreu.
3. Suspender o processo de avaliação e aproveitar a experiência para desenhar uma nova metodologia, entregando o processo às instituições de ensino superior com experiência na formação de professores, que negociariam, mais tarde, uma proposta final com as associações representativas dos docentes.
A ministra ia à vida dela, Sócrates saía por cima, a calma voltava às escolas e as reformas seguiriam com mais lentidão, mas com muito mais segurança.
A educação só tinha a ganhar e, politicamente, o PS reconciliava-se com muita gente que lhe faz falta para segurar os resultados eleitorais.

domingo, 29 de junho de 2008

Escolas ou reformatórios?

Um destes dias estive numa escola a fazer uma conferência a que dei o nome "Ser professor, uma profissão de risco e com riscos". Uma das coisa que mais me impressionou foi a atitude manifestada por alguns colegas acerca dos alunos "difíceis" eufemismo para classificar os corrécios que não estudam, prejudicam o ambiente e a aprendizagem dos outros e dão cabo da cabeça aos professores.
Claro que estes alunos não podem ser segregados pois a saída da Escola sem qualquer qualificação equivale a um passaporte para as franjas da sociedade e para trabalho desqualificado. Existem hoje alternativas formativas para estes alunos, com currículos adaptados às suas necessidades, mas continuam a faltar professores treinados para responder a estas situações.
E o problema reside aqui, não se pode lidar com estes alunos como se lida com os outros, a diferença existe e não vale a pena fingir que não é assim. Os holandeses, por exemplo, resolveram o problema com escolas especializadas em alunos "difíceis", é uma forma de resolver a questão. Em Portugal a doutrina oficial é a integração. Seja como for, o que importa é que o sistema funcione e não é isso que parece estar a acontecer entre nós.