domingo, 22 de junho de 2008

Obama, you can!

O mundo é um lugar perigoso e a metáfora de que se uma borboleta bate as asas na Ásia, provoca um tornado nos Estados Unidos, nunca foi tão verdadeira, com a agravante de que ao chegar cá o tornado já virou tsunami.
Por isso é tão importante a escolha do Presidente dos USA, sabendo-se como pode influenciar o rumo do mundo, para o melhor ou para o pior e ninguém, consciente, pode ficar indiferente a tão importante acontecimento.
Diz-se que McCain tem experiência e que Obama é um idealista. Por isso mesmo é que chegou até aqui, porque as pessoas estão sedentas de alguém que as inspire e as faça acreditar num mundo melhor. De gestores do quotidiano estamos todos fartos. Que regressem os ideais.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Que se lixe a taça!

Ao contrário das notícias a verdadeira história do Europeu é que portugal ganhou à Alemanha. A verdade é que rematámos mais e tivemos a bola mais tempo. Eles só meteram mais golos do que nós, mas o que é que isso interessa? Nós é que somos os verdadeiros campeões...da posse de bola.
Já tirei a bandeira e guardei o cachecol. Durante uns tempos vão ficar na naftalina não vão as traças tecê-las. É por isso que eu gosto de ser português, ganhamos sempre...mesmo quando se perde e a naftalina purifica.
Adeus Scolari, vamos ter saudades tuas. Aqui está outro que ganha sempre, mesmo quando perde. Ouviram falar em sete milhões e meio no Chelsea? Também mais milhão menos milhão que influência é que isso tem no salário mínimo nacional?
Viva a Selecção que nos (desa)anima o coração.

domingo, 15 de junho de 2008

Funcionários para as autarquias

Aqui está a lista da "entente" para a exportação do pessoal não docente para as autarquias.

O processo negocial relativo à transferência de competências para os municípios em matéria de gestão de pessoal não docente das escolas básicas e da educação pré-escolar foi concluído, no dia 4 de Junho, entre o Ministério da Educação (ME), a Secretaria de Estado da Administração Local, a Frente de Sindicatos da União Geral de Trabalhadores e o Sindicato de Quadros Técnicos do Estado.

Os sindicatos entram nesta ópera bufa como idiotas úteis ou para tentar fazer dos outros idiotas? É que o processo, tal como tem sido conduzido, é uma aberração de consequências nefastas para as escolas e para as autarquias.

Do PREC a Utreque. A saga do petróleo

Nos tempos do PREC (1975), com o petróleo ao preço do ouro, o Governo chegou a admitir um embargo às importações de automóveis. Desabafo de um líder operário - “Querem tirar aos trabalhadores o único luxo que temos - um carrito”.
Trinta anos depois em Utreque (Holanda), procurava uma morada, e perguntei a vários pessoas como lá chegar. Todas me aconselharam a ir de autocarro e nem uma me sugeriu um táxi.
Há muitos anos que se sabe que o actual modelo energético está condenado, mas continuamos dependentes do petróleo. Então porque não se deu/dá prioridade absoluta aos transportes públicos e ao modo ferroviário? Porque a mentalidade é a mesma e o lobby das petrolíferas e dos fabricantes de automóveis também .

Funcionários para as autarquias

Com a benção de alguns sindicatos, o ME e a Secretaria de Estado da Administração Local lá consumaram o acto de transferência dos funcionários não docentes para a tutela das autarquias. Percebo a posição do Ministério, de se querer ver livre de um problema que não pára de crescer, mas não entendo a das autarquias, muito menos a dos sindicatos. Também não encontro explicação para o silêncio ensurdecedor das escolas sobre o assunto. Será que, como diria o Scolari, "O burro sou eu?".
Ou estou enganado ou não tardará muito para que, nalguns casos, passem a mandar mais nas escolas os presidentes das câmaras do que os futuros directores.

Dia do diploma

O Ministério da Educação (ME) vai criar o Dia do Diploma no próximo ano lectivo, conforme informação disponibilizada às organizações sindicais, no âmbito da audição relativa ao calendário escolar do próximo ano lectivo.
Com a consagração deste Dia, o ME pretende valorizar a importância da conclusão do Ensino Secundário, nível que o Governo estabeleceu como referência para a qualificação da população portuguesa.
No mesmo sentido, o ME criará um Prémio de Mérito para os melhores alunos dos cursos científico-humanísticos e cursos profissionais em cada escola.
Num país onde impera a síndrome do "canudo" tenho dúvidas que o "dia do diploma" possa ser uma mais-valia, mas como diz o outro "o povo quer é folclore".
Quanto aos prémios, quem não gosta de os receber? Não será por aqui que o sistema muda, mas como se dizia na minha terra acerca dos medicamentos que um farmacêutico receitava "se não fizerem bem, mal também não".

Publicações sobre Educação Pré-escolar


A Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) acaba de disponibilizar quatro publicações nos domínios da Matemática, Linguagem Oral e Abordagem à Escrita, que se constituem como um recurso para a acção do educador de infância e têm o objectivo de proporcionar uma melhor compreensão e operacionalização das Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar.
Intituladas A Descoberta da Escrita, Linguagem e Comunicação no Jardim-de-Infância, Geometria e Sentido do Número e Organização de Dados, as brochuras estão disponíveis no sítio da DGIDC, em
http://sitio.dgidc.min-edu.pt/PressReleases/Paginas/BrochurasEdPreEscolar.aspx.

Encontro Internacional sobre Educação Especial

Hoje é dia de serviço público...Mais informação do Gabinete de Comunicação do ME


As comunicações apresentadas no Encontro Internacional sobre Educação Especial, realizado em Lisboa no passado dia 07 de Junho, já estão disponíveis no sítio da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC), em http://sitio.dgidc.min-edu.pt/PressReleases/Paginas/EncontroTematico–EducacaoEspecial.aspx.

Avaliação de desempenho dos professores

Como este blogue também presta serviço público, fica aqui informação que me chegou do Gabinete de Comunicação do ME e que interessa a muita gente.


Publicado o diploma sobre regime transitório

O diploma que regulamenta o regime transitório de avaliação de desempenho
dos professores e os respectivos efeitos durante o primeiro ciclo de avaliação,
que se conclui no final do ano civil de 2009, foi publicado no Diário da República.
Tendo em conta a experiência da aplicação deste regime transitório, desde a data em que entrou em vigor, e o Memorando de Entendimento celebrado com as associações sindicais representativas dos professores, este decreto regulamentar tem como objectivo regular o primeiro ciclo de avaliação de desempenho, que se desenvolve nos anos escolares de 2007/2008 e de 2008/2009.
Assim, de acordo com este diploma, as escolas devem realizar as acções necessárias à aplicação do sistema de avaliação de desempenho dos professores, durante o ano escolar de 2007/2008, designadamente através da alteração dos respectivos projectos educativos para a fixação de objectivos e de metas, da fixação dos indicadores de medida e do estabelecimento do calendário anual de desenvolvimento do processo de avaliação.
No que diz respeito aos docentes que sejam objecto de avaliação só até ao final do ano civil de 2009, as escolas devem proceder, em 2007/2008, à recolha de todos os elementos constantes dos registos administrativos dos estabelecimentos.
Relativamente aos professores que, neste ano escolar, necessitam de ser avaliados para progredirem na carreira ou para efeitos de renovação ou de celebração de novo contrato, o órgão de gestão procede à aplicação de um procedimento de avaliação simplificado, que inclui:

* a ficha de auto-avaliação;

* a avaliação dos seguintes parâmetros pertencentes à avaliação efectuada pelo órgão de direcção: nível de assiduidade, cumprimento do serviço distribuído e acções de formação contínua.

Neste primeiro ciclo de avaliação, são reforçadas as garantias dos avaliados, nomeadamente no que se refere aos efeitos da atribuição das classificações de Regular e de Insuficiente.
Deste modo, os efeitos da atribuição destas menções qualitativas ficam condicionados aos resultados de uma nova avaliação, a ser realizada no ano escolar seguinte, não se concretizando, caso a classificação do docente nessa avaliação seja, no mínimo, de Bom.
Ainda segundo as regras definidas, os professores que sejam avaliados, em 2007/2008, para efeitos de progressão na carreira, são novamente avaliados em 2008/2009.
Quanto aos docentes contratados, pode ser aplicado, a seu pedido, o regime de avaliação simplificado, no ano escolar de 2007/2008. Este regime também pode ser aplicado, a partir de 2008/2009, aos professores com um contrato celebrado por menos de 120 dias.
No primeiro ciclo de avaliação, os coordenadores de departamento curricular ou os coordenadores do conselho de docentes são avaliados pelo presidente do conselho executivo ou director, enquanto os vice-presidentes e os adjuntos das direcções executivas ou o subdirector e os adjuntos são avaliados pelo órgão de direcção executiva.
A comissão paritária, criada com o objectivo de garantir o acompanhamento do regime de avaliação de desempenho dos professores, pelas associações representativas dos docentes, tem acesso a todos os documentos de reflexão e de avaliação produzidos pelas escolas e pelo Conselho Científico para a Avaliação dos Professores.

Para mais informações, consultar o decreto regulamentar publicado no Diário da República, em
http://www.dre.pt/pdf1sdip/2008/05/09900/0292802930.PDF.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A escola da Apelação

Alguns devem ter visto a reportagem que passou ontem sobre a escola da Apelação no concelho de Loures, a mesma onde no ano passado foram filmadas cenas impróprias de violência inaudita. Na altura o ME até processou a gestão por ter autorizado a RTP a colocar câmaras dissimuladas, mas a verdade é que a reportagem-choque produziu efeitos, a acreditar no que ontem se viu também na RTP.
Não se percebeu se os órgãos de gestão foram substituídos, fiquei com a ideia que sim, mas a escola foi considerada um TEIP (Território Educativo de Intervenção Prioritária) e dispõe hoje de um corpo técnico e de mediadores que conseguiram, conjuntamente com os professores, transformar a escola num local que os alunos passaram a respeitar e onde os problemas disciplinares diminuiram drasticamente.
Em simultâneo a escola reforçou a sua ligação ao bairro social que lhe fica próximo, e de onde é originária a maioria dos alunos, tendo-se estabelecido uma interacção muito estreita e, sempre acreditando no que foi dito, a escola é hoje considerada como parte integrante do bairro com o que isso implica de sentidmento de identidade mútua.
Mesmo que nem tudo seja tão cor de rosa como foi descrito, fica a prova, mais uma, de que não estamos condenados a ter escolas de marginais. Os meios existem, os recursos humanos também, o que falta mesmo, às vezes, é organização e liderança.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Os patrões camionistas

Os patrões camionistas têm direito de se defender da crise, mas não têm o direito de paralisar o país. Já não é a primeira vez que isto acontece e a Europa vive refém destes senhores que já mostraram ser capazes de parar o continente e que infundem pavor aos governos de todas as latitudes.
Seja como for, o Governo, que tem sido tão lesto a tomar medidas contra os professores, que não peque agora por cobardia e faça o que tem a fazer e rapidamente, repor a legalidade no país, que é como quem diz, restabelecer o direito de circulação para todos.

domingo, 8 de junho de 2008

Programa Integrado de Educação e Formação

O PIEF é uma fronteira entre a escola e o nada. Por isso todos quantos se envolvem neste programa são heróis, sejam as escolas, os professores, os técnicos e, sobretudo, os alunos. Infelizmente a sensibilidade para acolher os alunos PIEF não é muita por isso quero aqui deixer o exemplo da escola Correia Mateus, em Leiria, que acolhe as duas únicas turmas de todo o distrito de Leiria e que, na semana passada, organizou uma interessantíssima conferência sobre a temática da exclusão e o papel dos cursos PIEF.
É com coragem para enfrentar desafios difíceis, com equipas multidisciplinares e com capacidade para potenciar as sinergias da comunidade que se muda a Escola.
Num tempo em que abandono escolar significa entrar num submundo de incertezas, às escolas compete tudo fazer para que nem um aluno saia sem um nível de escolaridade e aptidão profissional mínimo.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Os portugueses pobres

Os pessimistas dizem que há dois milhões de portugueses pobres, os optimistas admitem ser apenas um milhão e oitocentos mil. Em todo o caso são imensos.
O mais importante é que para além das estatísticas estão pessoas, idosos, gente de meia-idade, jovens, crianças, famílias que não conseguem auto sustentar-se, situações sociais terríveis, fome e privações de toda a espécie.
A pobreza não é uma realidade virtual, está mesmo aqui ao nosso lado, dá-nos os bons dias, cruza-se connosco na rua e, sobretudo, nas consciências. Apesar de tudo há quem durma descansado. É este o país que queremos?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O folclore da avaliação

Não sei se sabem, o ME pediu aos Centros de Formação que indicassem representantes para participarem nuns seminários realizados em regime residencial durante três dias em unidades hoteleiras de grande nível para "aprenderem" a ser formadores de avaliação do desempenho docente.
Nos grupos havia de tudo, desde docentes quase sem experiência significativa até professores universitários, numa verdadeira afirmação de que tudo o que vem à rede é peixe.
A partir de agora, são esses docentes que vão desmultiplicar pelo país a metodologia da avaliação. É a segunda edição, revista e aumentada, da bagunça absurda do concurso para titulares. Que legitimidade têm estes colegas para irem "vender" a avaliação aos outros? Terem estado num seminário onde foram ungidos com os óleos sagrados do poder e recebido as "tábuas dos mandamentos avaliativos" dos seus ideólogos?
Quem disse que o ME não era capaz de formar os avaliadores? A resposta aí está, pode até dar-se o caso de um colega nunca ter tido contacto com metodologias de avaliação do desempenho, mas depois deste seminário ficou especialista e habilitado a fazer formação para outros. Era assim que se fazia na tropa quando eu por lá andei e era necessário preparar carne para canhão, que a guerra era exigente em matéria de números. Pelos vistos continuamos em guerra.
E os sindicatos, o que dizem disto? E as associações de professores? E as Universidades e Escolas Superiores de Educação? E todos os outros especialistas? E os professores que vão aprender a avaliar e a ser avaliados?
Este país ensandeceu ou a avaliação do desempenho docente transformou-se numa actividade próxima da produção de salsichas?

domingo, 1 de junho de 2008

Eurite aguda

Nada melhor para regenerar as ambições nacionais do que uma futebolada a sério. Os craques já estão na Suiça e a loucura já começou. Quero lá saber da crise, das angústias existenciais dos professores portugueses, do aumento dos combustíveis, dos dois milhões de pobres, ou serão só um milhão e oitocentos mil (?), dos direitos humanos no Tibete ou no Darfur, da fome que regressou em força à Etiópia e a muitos outros sítios, eu quero lá saber de desgraças, que se lixem os pobres e oprimidos, se não saem da miséria é porque também não merecem mais.
Eu quero é saber dos nossos heróis da bola, que descansem, que comam bem, não os incomodem, os homens merecem tudo, aliás deviam até ganhar mais, com a carestia que para aí vai a federação devia-lhes até aumentar os prémios, o Scolari que se inspire, convoque-se a virgem do Caravagio, de que o homem é devoto, mas a Nossa Senhora de Fátima que não seja esquecida, tudo a bem da Nação, nada contra a Nação, nós somos bons carago e vamos ganhar a essa canalha que se nos atravesse.
Façam promessas, façam figas, façam vudu, façam candomblé, façam tudo o que souberem, sacrifiquem uns galos pretos, esfreguem-se com alho, munam-se de uma pata de coelho, de uma ferradura, vocês hão-se saber, mas, por favor, façam com que a selecção ganhe o campeonato. Devemos isso ao Vasco da Gama, se o homem chegou à Índia estes gajos não são capazes de chegar á Europa? Era só o que faltava.

sábado, 31 de maio de 2008

O tripé do PSD

O PSD virou tripé. Depois da confusão menezista, o tripé Leitista.
É certo que Passos já estendeu a mão, certo de que essa é a melhor forma de ganhar terreno. Santana não lhe resta outra alternativa a não ser a contrária, distanciamento e à primeira escorregadela ele lá estará para tirar as devidas ilações.
Se Sócrates escorregar muito e cheirar a poder, Manuela vai poder navegar, mesmo que à bolina; caso contrário, vai arder ingloriamente em lume brando até às eleições.
Resta uma consolação para o povo laranja, pior do que estava o PSD não fica. Quanto ao PS, só não pode dormir descansado porque a malvada crise veio para ficar. Esta é que é a verdadeira adversária, não Ferreira Leite.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

O dragão chinês e a união ibérica

Um grupo de alunos do 12.º ano procurou-me para ouvir as minhas opiniões para um trabalho. A sua tese era ingenuamente imbatível; os chineses estão a tomar conta do nosso comércio e a solução é unirmo-nos aos espanhóis.
Bom, este não é o ponto, mas fica a ideia estimulante da união ibérica, já em curso em muitos domínios e inevitável para um conjunto de povos com um património histórico e geográfico comum.
Quanto à China, a caminho de se tornar a maior potência mundial do século XXI, não pode ser vista como uma ameaça, mas como uma oportunidade. Como diz Toffler “A China é agora parte de todos nós”.


In Região de Leiria, 30-05-08

2 milhões de pobres

Eu sei que quem governa o país é o Partido Socialista. Também sei que, historicamente, os partidos de matriz socialista estão mais próximos dos mais desfavorecidos e é suposto implemetarem políticas com um pendor social mais acentuado exactamente para corresponder aos interesses dos que constitutem a sua base de apoio e neles se revêem. E sei ainda que, sendo tudo isto verdade, nem sempre as coisas se passam como era suposto acontecerem.
Então... gostava de perceber onde param as preocupações sociais deste governo, não me refiro aos pequenos apoios a isto e àquilo, mas a verdadeiras políticas que defendam os fracos, os desempregados, os mais carentes, enfim, os que esperam dos socialistas que os defendam melhor do que um governo ancorado noutros sectores sociais.
Um país com 2 milhões de pobres exige políticas ousadas no sentido da afirmação de mais justiça social, mais igualdade, mais apoios aos carentes e desempregados. É tempo de inverter políticas que reduzem direitos e nível de vida e deixam prosperar maiores assimetrias sociais.

Ser Professor

João Ruivo ((Coord.) João Sebastião, José Rafael, Paulo Afonso e Sara Nunes deram à estapa, em edição do Instituto Politécnico de Castelo Branco e da Associação Nacional de Professores, Ser professor. Satisfação profissional e papel das organizações de docentes.
De um universo de 148750 docentes (educadores de infância e professores dos vários graus de ensino não superior) trabalharam com uma amostra estratificada de 3252. A recolha de dados foi feita através de questionários enviados e recolhidos entre Abril e Maio de 2006.
Conclusões
- Docentes maioritariamente do sexo feminino, licenciados, profissionalizados, trabalham há mais de vinte anos, são sócios de um sindicato ou associação sindical e têm um vínculo estável.
- Sentem-se satisfeitos quando avaliam a sua auto-estima e a sua imagem profissional, mas sentem que a sociedade não reconhece o seu trabalho e consideram insuficiente o seu estatuto remuneratório e revelam apreensão relativamente ao futuro.
- Mostram-se satisfeitos com a escola e com os alunos e referem positivamente a gestão, as condições de trabalho e o bom ambiente aí vivido, mas manifestam-se insatisfeitos com a falta de empenho dos alunos na aprendizagem e com a política educativa.
- Um número expressivo não voltaria a escolher a profissão se tivesse que começar de novo, "até porque consideram que a carreira de professor não é prestigiante".
- Concordam com a criação de uma Ordem dos Professores e mostram-se insatisfeitos com os sindicatos e com as condições de progressão na carreira.
É um retrato interessante, embora com contradições evidentes nas próprias conclusões, o que não espanta, sabendo-se como se tornou contraditório ser professor em Portugal. Um bom contributo para um melhor conhecimento da classe e um estudo a ler com atenção.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Assim não vamos lá

A colega Safira deixou um post bem oportuno sobre a não existência em muitas escolas das condições necessárias para o início do processo de transição para o novo modelo de gestão.
Não surpreende. O novo modelo vem ao arrepio de trinta anos de experiência de gestão dita "democrática" e altera profundamente o paradigma igualitarista vigente.
No meio de toda a turbulência gerada pela forma canhestra como a equipa do ME tem lidado com os professores e dirigido o Ministério, cada vez mais centralizado, apesar de falarem cada vez mais em autonomia, a nova gestão só pode suscitar desconfianças e boicotes.
Continuo com a minha, a solução é a territorialização da gestão na base nas áreas correspondentes aos municípios. O novo decreto está condenado ao insucesso, mesmo que o consigam implantar "a martelo".

terça-feira, 27 de maio de 2008

Mudar o paradigma

Há coisas intrigantes nas escolas, as novas tecnologias estão por todo o lado, os alunos dominam-nas, os professores para lá caminham, mas há um lastro de rotineirismo que permanece quase inamovível.
Sejamos honestos, o paradigma anterior à revolução do conhecimento permanece como a ferramenta básica e o fosso entre a escola e a sociedade, nalguns casos, adensa-se.
A internet tornou-se uma ferramenta básica em dois sentidos, sempre à mão, mas utilizada frequentemente de forma primária.
Precisa-de de um novo paradigma de ensino, sob pena de a escola se continuar a desqualificar se isso não acontecer.

domingo, 25 de maio de 2008

Foi você que falou em autonomia?

O ME diz-se apostado em avançar com os contratos de autonomia. Existem umas comissões de acompanhamento do processo, uma para cada escola. Algumas escolas, simpaticamente, convidaram-me para fazer parte das suas comissões de acompanhamento, o que muito me honrou.
Um dia destes recebi um convite da DREC para uma reunião, assim de um dia para o outro, como se não tivesse mais nada para fazer. Não pude comparecer pois já tinha outros compromissos inadiáveis.
Até hoje não sei o que lá de passou, mas sei duas coisas, a lei não está a ser cumprida quanto aos requisitos de funcionamento das ditas comissões e ninguém pensou quem suporta as despesas com a participação dos vários membros nessas reuniões. Estão a ver um sujeito fazer centenas de quilómetros, por exemplo, mais almoços, jantares, eventualmente dormida, e pagar tudo do seu bolso?
Pois é, a autonomia custa dinheiro, mas pelos vistos ninguém pensou no assunto. Diz-se que há assessores no ME pagos a peso de ouro, mas para se participar nas reuniões das comissões de autonomia se calhar estão a pensar que cada um paga as suas despesas. Ou será que só lá querem alguns? Os que fazem os fretes ao ME e são pagos por isso?

sábado, 24 de maio de 2008

Aterrados

Finalmente um jurista, num douto parecer, veio dizer aquilo que é do mais elementar bom senso, um aterro sanitário não pode andar em bolandas, de concelho para concelho, como um circo ou uma barraca de comes e bebes, pelo que o aterro de Leiria e arredores deve ficar onde está.
O populismo às vezes gera esta urticária. Claro que ninguém quer aterros à porta, mas fechá-los só mesmo quando as suas condições de utilização tenham atingido os limites de exploração.
Quando é que os nossos decisores passam a agir mais com a cabeça no bolso dos contribuintes do que no voto dos eleitores?


In Região de Leiria, 23-05-2008

Silêncio

Nada pior nos blogues, como nas relações, do que quando deixamos que o silêncio se torne a norma. É certo que o silêncio é a mais poderosa forma de comunicação que a espécie humana inventou, mas não é desse que trato aqui e agora.
Uma viagem para terras distantes, a falta de acesso à rede e um sindroma gripal têm-me impedido de cuidar do blogue. Também não é hoje que me redimo da falta, estou sem disposição para bloguices e vou apenas deixar o post do texto desta semana do Região de Leiria.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O poder da escrita e a existência virtual

Há dois anos que deixei de escrever no RL, mas algumas pessoas tentam convencer-me do contrário. Quando me encontram disparam-me: “Há muito tempo que não o via, mas leio todas as semanas os seus artigos”.
Achei que não podia continuar a alimentar esta ficção e era aborrecido dizer às pessoas que estavam enganadas, para não dizer que eram mentirosas.
Solução, voltar aos textos, mas com uma condição auto imposta, coisa curta, de leitura simples e fácil digestão, como a dieta mediterrânica.
Telegrama. Voltei stop é um prazer regressar stop espero-te aqui todas as semanas stop
In Região de Leiria, 16-05-2008
Nota: Com este texto reinicio uma colaboração semanal no Região de Leiria, interrompida quando fui para a DREC e agora retomada depois de uma espécie de período de nojo. A rubrica que serve de enquadramento aos texto denomina-se Telegrama e insere-se na página 2 e na secção Praça Pública.
São textos muito curtos e procuram abordar questões de actualidade, muitas delas apenas compreensíveis para quem conhece o contexto local, de uma forma bem disposta, embora com seriedade e procurando apelar à reflexão.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A majoração da estupidez avaliativa

Segundo o Diário de Notícias e com a devida vénia...

Quotas de Excelente e Muito Bom irão variar entre estabelecimentos

O resultado da avaliação externa das escolas, que o Ministério da Educação está a conduzir, vai ter consequências na carreira dos professores que ali leccionam. Isto porque, segundo anunciou ontem o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, os estabelecimentos que registem melhores desempenhos serão discriminados positivamente na percentagem de classificações de "Excelente" e "Muito Bom" que poderão dar aos seus docentes, sendo que estas notas permitem progredir mais rapidamente na carreira.A revelação de Jorge Pedreira surgiu no final da primeira reunião da comissão paritária de acompanhamento do processo de avaliação, que inclui o Ministério e representantes de doze estruturas sindicais. O secretário de Estado explicou que as quotas para atribuição das melhores notas serão "muito aproximadas" das que se aplicam na generalidade da administração pública. Ou seja: os valores deverão situar-se nos 5% para as classificações máximas e 20% para as imediatamente inferiores. O governante admitiu, no entanto, que "haverá também, neste caso, majorações para as escolas que tenham melhor avaliação externa".

Um puxão de orelhas

Sou de uma geração habituada a conviver com símbolos muito especiais. Quando entrei na escola primária as referências que mais me marcaram foi o odor muito característico daquela sala, entre o cheiro a madeira encerada e a pés mal lavados, as fotografias do Marechal Carmona, Presidente da República, e do Prof. Oliveira Salazar, Presidente do Conselho, como então se dizia, um crucifixo entre as duas, a marcar o ponto central da simetria da parede fronteira, um quadro preto por baixo e abaixo deste o estrado onde se destacava em todo o seu esplendor a secretária do professor, por acaso uma professora, já com uma idade provecta e que se deixava dormir nas aulas, quando fazíamos as contas. Os símbolos dos símbolos eram um ponteiro de cana da Índia e uma régua de bom porte e de madeira rija.
A professora não fazia mal a uma mosca, mas não me lembro que a Sr.ª me tenha ensinado nada durante a 1.ª classe, sei que estou a ser injusto, mas sincero, mas como aprendi a ler, escrever e contar deve ter sido ela que me ensinou.
Tudo mudou na 2.ª classe quando o marido nos veio dar aulas. O ponteiro e a régua tornaram-se instrumentos de uma pedagogia cirúrgica que actuava onde doía mais, nas mãos, particularmente nos nós dos dedos, e nas orelhas. Era um vê se te avias de reguada e ponteirada e quando a coisa ficava feia eram bofetões, calduços (em alentejano da época cachações) e pontapés no traseiro quando a malta se punha a jeito.
Por incrivel que possa parecer adorávamos o professor e no meia daquela pancadaria toda, hoje inimaginável, ainda nos sobrava tempo para fazer as mais incríveis tropelias. Era seguramente uma versão do "quanto mais me bates, mais gosto de ti", hoje completamente fora de moda.
Agora um simples puxão de orelhas é quase crime e o professor que se atrever a isso ou num acto desesperado não se controlar conta, pela certa, com uma sanção disciplinar pesada. Este facto só reforça a necessidade de não se pereder de vista a responsabilidade do colectivo de cada escola na manutenção da disciplina necessária ao bom desenvolvimento das actividades de ensino e aprendizagem, não remetendo para cada professor, individualmente considerado, o ónus de sozinho resolver um problema que em muito o ultrapassa.
Os casos comportamentalmente mais graves que se registam nas escolas ocorrem naquelas onde não há uma estrutura sólida de resposta colectiva, onde os regulamentos são letra morta, onde não há trabalho preventivo com os alunos e as respectivas famílias e onde os professores são, literalmente, atirados para a fogueira.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Queres fazer amor comigo?

E se um aluno, assim sem mais, faz uma proposta destas a uma professora em plena aula? Como se pode reagir? E depois, que relacionamento se pode manter com o aluno se este continuar na turma?
Vá lá, não te acanhes, dá a tua opinião, ajuda a lidar com estes problemas. O melhor antídoto é uma estratégia preventiva. Será que não acreditas que estas coisas se aprendem? Para dar aulas não chega ter conhecimento científico ou dominar as metodologias de ensino, é preciso ser expert em relações humanas.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Autonomia das escolas

O processo volta a mexer. Depois de meses de hibernação o ME acordou. Mais vale tarde do que nunca, mas esperemos que o processo não descarrile com a pressa que agora parece ter chegado às estruturas do Ministério.
O ambiente geral é de algum cepticismo acerca do processo. Eu quero ser optimista mas ou as escolas passam a falar mais grosso ou a autonomia será sempre uma miragem. Como todos sabem, a autonomia conquista-se, não se outorga.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Pais responsáveis

Ultimamente tenho encontrado muitos colegas que me falam constantemente da responsabilidade dos pais na educação escolar dos filhos. Estamos todos de acordo que as famílias têm uma enorme importância e que sem o seu concurso a escolarização das crianças e jovens, e tudo o que isso implica, fica muito muito mais difícil.
Mas quando os pais, pelas mais diversas razões, não podem ou não querem colaborar com a escola o que fazemos? Acusamo-los e condenamos os filhos ao fracasso ou temos de continuar a fazer o nosso serviço o melhor que sabemos e podemos e deixar-nos de lamentações que não resolvem problemas?
Pois é, de tanto se quererem responsabilizar os pais até parece que queremos ser nós a desresponsabilizar-nos.

domingo, 11 de maio de 2008

Liderança escolar na América Latina

A Rede de Liderança Escolar é uma das redes através das quais se dá continuidade ao Projeto Regional de Educação (PRELAC) no Escritório Regional de Educação da UNESCO para a América Latina e o Caribe (UNESCO/Santiago). A rede surge de diversas constatações, entre as quais se destacam:
.: Apesar de vultosos investimentos, a qualidade da educação nestes países mantém-se baixa.
.: O director e as equipes directoras desempenham um papel-chave na implementação eficaz das mudanças propostas pelas reformas educacionais.
.: As escolas de qualidade têm projetos institucionais próprios, assumidos e geridos coletivamente, com directores-líderes e intensa participação da comunidade.
Por isso, o objetivo primordial da RedLIDER está centrado no fortalecimento das capacidades de liderança técnico-institucional dos directores de centros escolares e suas equipes de direcção.
Dê uma vista olhos e constate que lá, como cá, a liderança escolar tem de estar na primeira linha. Sem liderança não há escola com qualidade.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Vocação ou expiação

Pois é, o colega que comentou o post anterior, a propósito da vocação, colocou o dedo na ferida, mas deixe-me dizer-lhe que o problema dos professores, nos tempos que vão correndo, não é apenas de vocação ou falta dela.
O cerne da desmotivação, que assume também o aspecto da aparente falta de vocação, é a consequência de uma política de desvalorização dos recursos humanos, da incapacidade para criar um laço afectivo com a classe por parte dos responsáveis do ME.
Fosse outra a política, outro o respeito pelos professores, outras as condições de trabalho, outra a perspectiva de carreira e iria ver como as vocações voltavam a florescer.
Eu sei que isto não lhe serve de consolo, mas ser professor ameaça deixar de ser uma vocação para se transformar numa autêntica expiação.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Formação ou deformação?

O ME, em colaboração com as Instituições de Ensino Superior tem vindo a desenvolver três programas de formação contínua em Português, Matemática e Ciências, destinados a docentes do 1.º ciclo do Ensino Básico.
Os professores têm acesso a formação de qualidade, que é completamente gratuita, aumentam o seu conhecimento científico e treinam novas competencias metodológicas e práticas.
Pergunta.
Porque é que tantos professores acham um frete esta formação, a encaram como um peso e passam a vida a protestar?
Hipóteses de resposta.
a) Acham que já sabem tudo e que não precisam de aprender nada.
b) Queriam ter de pagar a formação porque não gostam de borlas.
c) Preferiam ter formação ao fim-de-semana quando os alunos não estão nas escolas.
d) Nenhuma das anteriores.

Cartas na mesa

A Ministra da Educação teve ontem a sua melhor prestação televisiva. Descontraída, segura, até sorridente, respondeu sem dificuldades deixando uma excelente imagem da sua gestão. A entrevistadora, Constança Cunha e Sá, preparou mal a entrevista e sabe pouco de educação, o que contribuiu para o "brilho" da Ministra.
A pergunta que não foi feita era a mais importante - os critérios absurdos do concurso para titulares. Será que não se percebe que a contestação da avaliação radica (também) na total iniquidade dos critérios que presidiram àquele concurso e que inquinaram em definitivo tudo o que veio, e venha, a seguir em matéria de carreira e avaliação?
O manto de silêncio que existe à volta deste assunto é um dos insondáveis mistérios da galáxia educativa.
Na prova da entrevista, ponderados todos os critérios, dou medíocre (assim mesmo, à antiga) à entrevistadora e excelente à Ministra.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Avaliação paritária

Na comunidade científica a avaliação de professores é, sobretudo, uma questão técnica, mas para o ME, depois de toda a balbúrdia que ele mesmo criou, a avaliação de professores passou a ser uma questão, sobretudo, laboral.
A Comissão Paritária (13 representantes sindicais e 13 representantes da Administração Educativa) vai "preparar a negociação de eventuais alterações".
Os especialistas da educação não são para aqui chamados, de um lado está o Governo e quem o representa, do outro os representantes dos professores sindicalizados. Os professores que não se revêem no Governo nem nos sindicatos ficam sem representantes.
É tudo uma questão de representatividade. Quanto à avaliação, é como a arbitragem, somos todos especialistas. Como diz a canção "Cá vamos, cantando e rindo...".

domingo, 4 de maio de 2008

SIDA

A beleza dos corpos e o erotismo ao serviço da vida. As imagens podem ser provocantes, mas as consequências da SIDA são bem mais chocantes.
http://www.lepoison.com/sidaction/

sábado, 3 de maio de 2008

O lince da Malcata, o Algarve e o défice

Desculpem-me mas hoje não vou falar de educação, não é que não me apeteça, simplesmente há coisas mais importantes para comentar como, por exemplo, um ecologíssimo programa de reintrodução do Lince da Malcata no Algarve.
Sou um fã do Lince da Malcata há muitos anos e acho que o bicho simboliza muito do "ser português". Primeiro é um animal bisonho, desde 2001 que ninguém sabe nada dele e mesmo nesse ano só foi possível encontrar excrementos. Segundo, como se supõe que o facto de não se deixar ver é um protesto contra as condições de interioridade da serra da Malcata, o Governo, sempre lesto a apoiar os mais desfavorecidos e os descontentes, vai criar instalações no Algarve para o acolher e, mais do que isso, para que as amenas temperaturas da região lhe aqueçam o sangue e o bicho se reproduza para que a espécie não desapareça.
A causa é nobre, evidentemente, e aplaudo o esforço do Governo ao financiar tão arrojado plano com 4 a 5 milhões de euros, leu bem - milhões, ouvi eu dizer na televisão ao Secretário de Estado do Ambiente Humberto Rosa, pessoa por quem tenho a maior consideração e apreço e que também pertence ao clube de fãs do lince.
Mas não consigo deixar de pensar que, e citando o insuspeito jornal Expresso de hoje, p. 11, 18% da população portuguesa tem um rendimento abaixo do limiar da pobreza, ou seja temos 1,8 milhões de pobres em Portugal, embora não haja confirmação científica de que este tipo de portugueses estejam à beira da extinção.
Assim sendo, justifica-se apoiar o lince com políticas públicas activas visando a reabilitação de habitats capazes não só de assegurar a sua subsistência mas, sobretudo, de constituirem um suporte adequado para uma política de fomento à natalidade do bicho, agora comprometida com os frios da Malcata e o stress provocado pela diminuição do desejo das fêmeas, em grande parte resultante da possibilidade de as SCUT passarem a ser portajadas e Lisboa ficar ainda mais longe. O Algarve trará longa e regalada vida ao lince, às linças e aos respectivos lincinhos.
Quanto aos portugueses pobres, que meditem no bom exemplo do lince. Quando deles só restarem excrementos poderão ter a certeza de que o seu fadário estará a terminar. Então abrir-se-ão as portas do Allgarve para que a espécie se não perca e se possa reproduzir nas melhores condições.
Nota de rodapé: O primeiro Ministro foi ao Algarve apresentar o novo hospital. Parece que a cerimónia custou uns troquitos, coisa pouca, 50 mil euros. Não seja mal intencionado, julga que não concordo que o Estado delapide assim os dinheiros públicos? Pelo contrário, acho muito bem, acho mal é haver funcionários públicos a mais e ainda por cima muito bem pagos, por isso é que o défice custa a ir ao lugar.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Escolas eficazes

Em conversa com uma colega que integra as equipas de avaliação de escolas, confessou-me ela que os inspectores que as integram têm uma preocupação especial com os resultados alcançados pelos alunos. É uma perspectiva, tem as suas limitações, já que a aprendizagem é muito mais do que apenas os resultados, mas estes têm de ser encarados com a relevância que lhes é própria.
Por absurdo será possível pensar numa escola óptima, onde os alunos são péssimos? Ou numa péssima, onde os alunos são óptimos? Claro que não, a qualidade das escolas mede-se por um conjunto diversificado de indicadores, mas os resultados vêm à cabeça.
É certo que os resultados dos alunos não dependem apenas de factores escolares, mas não deixa de ser verdade que o peso da escola nos resultados é enorme. Para além dos factores individuais, contam a competência dos professores, o funcionamento da turma, a organização da escola e a interacção com o contexto. A estruturação do ensino e a gestão da turma são elementos decisivos para bons resultados de aprendizagem, como também o são a liderança da escola, a disciplina e a existência de um quadro sólido de valores, bem como uma boa relação com os pais e com a própria comunidade.
As escolas não são todas iguais e os resultados dos alunos estão relacionados com a maior ou menor qualidade que elas evidenciam. É bom que todos tenhamos consciência disso, não para confirmar o facto, mas para agir em prol da melhoria das aprendizagens e da eficácia das escolas.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Manuela Ferreira Leite

Depois da experiência com Maria de Lurdes Rodrigues só faltava aos professores o regresso à ribalta de Manuela Ferreira Leite.

Talvez muitos já não se lembrem, mas enquanto Ministra da Educação de Cavaco Silva (1993-95) também não deixou boa memória. Adepta do exercício musculado do poder pouca consideração demonstrou pelos professores e pelas escolas, tendo inclusive garrotado economicamente as escolas profissionais, que então estiveram meses e meses sem receber um cêntimo, lançando gente no desemprego e diminuindo a qualidade da formação.

No geral o sistema sofreu com a gestão de Ferreira Leite que, em comum com Lurdes Rodrigues, parece ter um desprezo de estimação por direitos dos professores e olha com indiferença para o essencial da governação democrática - o respeito pelos parceiros sociais - o que ficou amplamente comprovado quando sob a direcção do Primeiro Ministro Durão Barroso foi Ministra de Estado e das Finanças.

Manuela Ferreira Leite, para além de candidata a Presidente do PSD, é aspirante a Primeira Ministra, o que justifica uma evocação dos tempos em que foi Ministra. Como dizia a canção "para pior já basta assim".

terça-feira, 29 de abril de 2008

Os jovens e a política

A propósito das comemorações do 25 de Abril o Presidente da República constatou, através de um estudo da Universidade Católica, que os jovens portugueses são ignorantes em política. Só os jovens? Se tivessem feito as perguntas aos adultos receio que o resultado fosse ainda pior.
A política está transformada numa forma mais ou menos espúria de gestão pragmática, cada vez mais despida de ideologia e o "centrão", que é um pântano sôfrego, afoga tudo e todos.
Agora mandas tu, logo mando eu, e depois vamos ambos para grandes empresas estatais, ou com quem fizémos negócios em nome do Estado, tratar da nossa reforma.
Neste caldo de cultura é mais interessante saber as notícias das revistas côr de rosa que infestam as bancas do que saber quantos países constituem a União Europeia ou quem foi o "cota" eleito pela primeira vez Presidente da República.
Entre sms, shotes e umas pastilhinhas para manter o espírito desperto na rave de sexta-feira não cabem considerações elevadas sobre como governar as sociedades, reduzir as injustiças ou acabar com a pobreza no mundo.
O que nos salva é que os jovens são o futuro.

domingo, 27 de abril de 2008

Lembram-se do "Vai-te f....!"

A frase chocou algumas pessoas. É natural, mas a linguagem dos alunos às vezes é agreste. Mais do que nos chocarmos, é necessário sabermos lidar com ela.
Pois o rapaz acabou por passar incólume, porque não se provou que a frase fosse para o professor. As testemunhas, naturalmente todos alunos, foram unânimes em afirmar que o dito tinha sido para um colega que estava à frente. E a coisa morreu por ali.
Moral da história, se o professor não consegue resolver uma questão destas na sala de aula, deve certificar-se que pode provar a sua versão, caso contrário acaba diminuído perante os alunos.
E o colega, já pensou como agiria se fosse consigo?

Ainda as unidades de gestão escolar de base concelhia

Admito que em certos concelhos o número de escolas e agrupamentos é elevado, mas o problema em termos de gestão é sempre de escala. O essencial no modelo que defendo não é a escala, mas o princípio. O que se passa com o modelo actual é que cada escola ou agrupamento é uma unidade de gestão autónoma, o que só faz sentido nos concelhos onde não existem mais estabelecimentos de ensino.
Mas veja-se o que acontece nos outros casos. Alguém ou alguma entidade coordena as várias escolas e agrupamentos de um mesmo concelho? Não. Cada uma gere-se como sabe e pode, não há articulação curricular, não há gestão conjunta de recursos, sejam materiais, sejam humanos. Há até formas diversas de tratar os mesmos assuntos, de lidar com os alunos, com os pais, e por aí fora...
Há países onde estas questões estão resolvidas há muitos anos, naturalmente que cada escola continua a ter uma direcção própria, só que subordinada a uma direcção concelhia a quem compete a administração educativa a nível local.
Sei que não é esta a nossa tradição, mas não tenho dúvidas que o caminho é por aqui. Há quase vinte anos, quando responsável pelo pelouro da educação da Câmara de Leiria e quando ainda ninguém por cá falava em escolas básicas integradas já eu defendia a criação na Maceira de um "Complexo Escolar Integrado".
Na altura a DREC invocou que não era possível porque a legislação o não previa, o que era em parte verdade, mas se não previa e a realidade aconselhava (já nesse tempo coexistiam num espaço contíguo todas as valências educativas do centro da freguesia) era por aí que se devia ter ido.
Assim aconteceu com Roberto Carneiro e com a criação das EBI e assim veio a acontecer com a criação dos agrupamentos de escolas de nível concelhio, que já são hoje mais de 40% do parque escolar estatal do país.
Por isso, não desisto da ideia e estou convicto que esse será um próximo passo.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Agregação de agrupamentos

DecretoLei n.º 75/2008, de 22 de Abril de 2008

Artigo 7.º

Agregação de agrupamentos

Para fins específicos, designadamente para efeitos da
organização da gestão do currículo e de programas, da avaliação
da aprendizagem, da orientação e acompanhamento
dos alunos, da avaliação, formação e desenvolvimento
profissional do pessoal docente, pode a administração
educativa, por sua iniciativa ou sob proposta dos agrupamentos
de escolas e escolas não agrupadas, constituir
unidades administrativas de maior dimensão por agregação
de agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas.
Aqui está uma parte da solução que defendo - unidades de gestão integrada de base concelhia - pena é que o governo tenha sido tão tímido e aquilo que devia ser a regra seja apenas a excepção. Se esta solução fosse generalizada teríamos uma revolução equivalente à que ocorreu com a criação dos agrupamentos e estaríamos no caminho certo para mudar a face da administração educativa. Só isto não chega, mas já seria um grande passo.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Aí está o novo modelo de gestão

Foi hoje publicado o Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de Abril, que "aprova o regime de autonomia administração e gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário".
É uma nova página que se inicia e uma mudança de paradigma das direcções colegiais, herança da revolução de 74, para o órgão unipessoal - director. Este é apenas um aspecto simbólico porquanto é toda uma filosofia de gestão e de organização das escolas que agora começa a mudar.
Fica a referência e mais tarde voltaremos ao assunto com uma apreciação crítica.
Infelizmente continua-se a deixar a gestão das escolas atomizada e não se avançou para o que seria uma verdadeira revolução no sistema se se tivessem criado já unidades de gestão de base territorial concelhia. É certo que 40% do país já dispõe de agrupamentos de escolas concelhios, mas devia-se ter aproveitado o momento para tornar regra a gestão integrada de todas as estruturas escolares estatais em cada concelho, independentemente do seu nível.

domingo, 20 de abril de 2008

Caius Julius Lacer

É sempre uma enorme emoção poder contemplar um monumento grandioso e que dezoito séculos depois de ter sido construído ainda continua a desempenhar a sua função de ligar as margens do poderoso Tejo e deixar passar pessoas e bens.
O mundo mudou muito desde então, mas a ponte de Alcántara lá continua sólida e esbelta sem que as águas do rio lhe provoquem mossa.
Por isso a minha modesta homenagem ao ilustre arquitecto Caius Julius Lacer que, como ele próprio escreveu, construiu "uma ponte para todos os séculos".
Ver mais em:

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Virar a página

A Ministra da Educação fala em "virar a página". Mais vale tarde do que nunca.
O ME, através do Gabinete de Comunicação, fez circular um comunicado em que, a propósito do entendimento com os sindicatos, vem elencar o que de positivo, na sua opinião, se fez até agora.
Fez algumas coisas importantes, é verdade, mas nada desculpa nem justifica os prejuízos deliberados ocasionados na imagem social dos professores que, desde o primeiro momento, foram, estupidamente, tratados como as ervas daninhas do sistema.
Tinha sido possível fazer o que o ME acha positivo e muito mais se a relação com os professores tivesse sido diferente. É assim que as contas têm de ser feitas.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Entendimento ME-Sindicatos

Se quiserem saber mais sobre o assunto...é só clicar.

1 – Memorando disponível em http://www.min-edu.pt/np3/1900.html.

2 – Dossier Estatuto da Carreira Docente em http://www.min-edu.pt/np3/56.

De Espanha nem bom vento...

"De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento!", assim se dizia em tempos e talvez alguns, mais patrioteiros, continuem a dizer. Mas a Espanha de hoje pouco tem que ver com a Espanha que conheci na minha infância, ainda a sarar as feridas da guerra civil e tanto ou mais conservadora do que Portugal.
Por razões de serviço tenho estado por aqui numa universidade e estou alojado numa residência de estudantes que tem um quarto para professores.
As refeições são tomadas na cantina da residência e no primeiro dia que aqui cheguei sentei-me discretamente numa mesa de quatro lugares e preparei-me para comer sozinho pois não conhecia ninguém e os outros comensais eram apenas alunos.
Qual não é o meu espanto quando três alunos se dirigem para a mesa, me cumprimentam e se instalam como se todos fôssemos velhos conhecidos. Pensei que tinha sido um acaso mas verifiquei que ninguém se levantou até eu ter terminado.
Como sempre que me sentava vinham alunos para a mesa, resolvi perguntar se era habitual. E assim fiquei a saber que nesta residência não se deixam pessoas comer sozinhas, por educação e porque nesta região se mantém o hábito de a família se juntar à hora das refeições.
Estes alunos, na generalidade oriundos de famílias não muito abonadas, muitos deles são bolseiros, o que lhes permite pagar os cerca de 550 € de mensalidade, deixaram-me verdadeiramente sensibilizado.
Ainda perguntei se isto era uma imposição da direcção, mas um dos alunos do 1.º ano, portanto novato aqui, logo se apressou a explicar que quando aqui chegou "aprendeu" com os mais velhos que era importante não apenas ter o "seu grupo", mas aproveitar as refeições para conviver com outros colegas, e uma forma de o fazer era juntar-se sempre a quem estivesse sozinho. Ora aqui está uma lição de civismo que jamais esquecerei. Os alunos têm muito para nos ensinar e a Espanha também.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A farra vista por quem a pratica

Estava eu a escrever o post anterior quando me cai na caixa de correio um verdadeiro furo jornalístico. O Região de Leiria (http://www.regiaodeleiria.pt/), um dos melhores semanários regionais do país, teve uma ideia verdadeiramente interessante. Pediu a duas alunas do Instituto Politécnico de Leiria, uma caloira e uma finalista, que passassem para blogues pessoais algumas das suas experiências e emoções decorrentes das vivências da semana académica, que está em curso.
O resultado é deveras curioso. São dois testemunhos que nos ajudam a perceber melhor o mundo dos alunos e isto, só por si, vale uma espreitadela.

As guerras perdidas dos alunos do superior

De repente, as propinas vieram de novo à superfície e, pasme-se, Bolonha. Com tanta coisa por onde podiam pegar, agarram-se a "uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma".

Quanto às primeiras, muito teríamos de discutir sobre o assunto, mas o que é verdade é que todos os dias temos provas evidentes de que muitos alunos não só não percebem a responsabilidade social que lhes incumbe por poderem beneficiar de estudarem no ensino superior, como ainda resulta claro que desperdiçam oportunidades e delapidam dinheiros públicos quando, por exemplo, se lhes criam cursos de recuperação e a maioria não põe lá os pés. "Contra as propinas!" é um bom slogan, mas Contra o mau uso que certos alunos fazem do ensino superior !" também.

Relativamente a Bolonha, em que mundo vivem este alunos? Ainda não perceberam que são cidadãos do mundo e que Bolonha é o passaporte para a sua inserção como estudantes e profissionais num mercado cada vez mais global? Se tivessem vivido no tempo do Estado Novo quando o país se limitava a olhar para o umbigo, isolado de tudo e de todos, talvez apreciassem mais o bem que têm e que desaproveitam

terça-feira, 15 de abril de 2008

Acordos e desacordos

Era fatal como o destino. A unidade dos professores sempre foi uma ilusão conjuntural fundada na revolta mas sem solução de continuidade. Todos o sabiam, embora agora alguns façam por ignorar. Cada dia que passa a imagem dos professores fica ainda mais afectada e agora já não é a Ministra, o ME ou o Governo, são os próprios professores (alguns, já se vê) a encarregar-se disso, com os sindicatos á frente.
No fundo, o que se pensa é que os professores não querem ser avaliados, que os sindicatos têm a sua agenda própria condicionada a questões políticas e muito pouco a matérias educativas, que a classe que foi capaz de se mobilizar para uma manifestação não consegue uma saída construtiva para o atoleiro a que a conduziram as políticas do ME e a acção dos sindicatos.
O novo decreto de gestão já foi promulgado. É mais uma peça do puzzle que o ME vem construindo. Entretanto a sociedade começa a ficar farta do ambiente de agitação que se vive no ensino em geral e os professores recomeçam a ser apontados como os maus da fita.
Começa a ser tempo de cada escola olhar para si e procurar soluções para os problemas que a afectam. Parece contraditório, mas é uma espécie de princípio de realidade. Se há escolas que funcionam bem no universo que todos conhecemos é porque é possível encontrar soluções mesmo num contexto pouco favorável. As boas práticas de outros podem ser a chave para os problemas de terceiros.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Outros países, os mesmos problemas

Em Portugal o Superior está em polvorosa. Foi Bolonha, cujos ecos hão-se perdurar por muitos e bons anos, agora são os novos estatutos, não tarda serão as novas carreiras; estas talvez fiquem para a próxima legislatura que agora a ordem é para apagar fogos e não para os atear.
Pelo meio há as questões do financiamento, do reajustamento da rede, dos consórcios, para já não falar dos cursos inviáveis por falta de alunos e dos professores excedentários, entre outros.
Mas se passarmos a fronteira a situação não é melhor, talvez até seja pior, pois em Espanha a politização das instituições de ensino superior, que aqui dependem das autoridades regionais, é bem superior ao que se passa em Portugal.
Com o novo regime jurídico veremos o que vai acontecer, designadamente com a Presidência do Conselho Geral entregue a uma personalidade externa às instituições e o reforço da "sociedade civil" no governo de universidades e politécnicos.
Sabendo-se que não há soluções perfeitas, o retrato do que se passa em Espanha é francamente desanimador ou então são os meus interlocutores que são muito pessimistas.
Idêntica é a má opinião dos políticos, mas este é um problema que vem de muito longe e que só é abafado nas ditaduras. Assim sendo, dizer mal dos políticos é bom sinal. Viva a democracia.

domingo, 13 de abril de 2008

A rentabilidade dos cursos superiores

Portugal é um dos países em que tirar um curso superior mais compensa. Em média, um licenciado português recebe 80% mais do que um trabalhador que tenha concluído apenas o ensino secundário. É um dos dados de um relatório da OCDE noticiados esta terça-feira pelo jornal "Público".
Na análise "
Education at a Glance 2007", a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) compara vários indicadores relativos aos sistemas de ensino dos 25 Estados-membros da organização. E, se é um facto aplicável a todos os países que o salário e a facilidade em encontrar emprego crescem à medida que aumentam as habilitações académicas, esta relação é "particularmente forte" em Portugal, nota o jornal.
Portugal registou também um aumento significativo no número de inscritos do superior. Na faixa etária entre os 25 e os 34 anos, 19% tem licenciatura. Mesmo assim, o valor ainda está bastante abaixo da média da OCDE (32%).
Apesar dos progressos, Portugal é o país com "maior selectividade no acesso ao ensino superior", para a qual contribui o baixo estatuto socioeconómico de muitos países
(sic)[pais/famílias]. Já em países como a Irlanda, Espanha e Finlândia as habilitações académicas dos pais têm pouca influência no percurso dos filhos.
Ineficácia do sistema
Nos ensinos básico e secundário a despesa com cada estudante aumentou 50% entre 1995 e 2004. Mas no superior a despesa por estudante caiu. O investimento do Estado português em cada estudante do superior é de 6.703 euros, quando a média da OCDE se situa nos 9.613 euros.
Ao todo, 5,4% do Produto Interno Bruto do país é dedicado à educação, mais quatro pontos percentuais do que em 1995. Mesmo assim, graças a vários factores (como as características socioeconómicas dos alunos), o sistema é ineficiente, apresentando piores resultados do que países com menor investimento.


Ver mais:
http://jpn.icicom.up.pt/2007/09/18/ocde_portugal_e_dos_paises_em_que_a_formacao_superior_mais_compensa.html

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A estratégia do pau e da cenoura

Pois é, agora estamos já, claramente, no tempo da cenoura. Diálogo com os sindicatos, há divergências mas adivinha-se que as coisas se vão compor, com as autarquias, já não se fecham escolas sem o parecer positivo das autarquias, a postura é seráfica, os elogios às escolas e aos professores substituiram-se às anteriores acusações e faltas de respeito profissional.
Ainda bem, não aproveitava a ninguém o clima de crispação que se foi agudizando ao longo da gestão desta equipa do ME. Os desafios colocados ao sistema de ensino português são muitos e todos relevantes para que gastemos o nosso tempo em discussões que só nos podem dividir e distrair do essencial.
Mas é necessário não perder as referências e a atitude de diálogo não é suficiente para branquear os imensos prejuízos para a imagem social dos professores decorrentes da verdadeira ofensiva contra eles levada a cabo metódica e sistematicamente durante quase três anos, nem para anular as injustiças, muito em particular, do concurso para titulares.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Vai-te foder!

Voltemos ao tema da gestão de turma. Mais um caso verídico.
Um professor, por acaso de Inglês, participa à direcção da escola que o aluno x, durante a aula y, lhe disse "Vai-te foder!". Perante a situação o professor mandou o aluno sair da aula, mas este não acatou e negou ter dito a frase dirigida ao professor. O professor não apresentou testemunhas dizendo que todos os alunos tinham ouvido o que o outro dissera.
De imediato a direcção instaura um processo de averiguações. O aluno é ouvido, nega e defende-se dizendo que a frase tinha sido dita para o colega da frente que o estava a chatear, reforçando o depoimento com a indicação de dois ou três alunos que estavam em mesas próximas e que podiam confirmar o que dizia.
Ouvidos os outros alunos, todos confirmam a versão do presumível infractor. Ouvido, de novo, o professor e perante os depoimentos dos alunos testemunhas sugere que sejam ouvidos outros alunos. O instrutor do processo dirige-se á turma e questiona se alguém mais está disponível para prestar declarações. Mais alguns alunos confirmam que a frase foi dita para o aluno da frente, os restantes ou não se manifestaram ou declararam não ter ouvido.
- Qual teria sido a decisão da direcção? (Depois revelo)
- Se fosse o professor como teria agido?

quarta-feira, 9 de abril de 2008

As propostas do ME

O Gabinete de Comunicação do Ministério da Educação divulgou uma nota de imprensa sobre a reunião ontem realizada com os sindicatos. Sem comentários, trancreve-se o essencial.

O Ministério da Educação apresentou propostas no sentido de continuar a melhorar as condições de concretização da avaliação de desempenho do pessoal docente, designadamente reforçando as garantias dos avaliados. Assim, propôs que os eventuais efeitos negativos resultantes das classificações de regular e de insuficiente atribuídas no final do primeiro ciclo de avaliação só se produzam efectivamente se essas classificações forem confirmadas numa segunda avaliação intercalar a realizar no ano imediato. De igual modo, propôs-se criar condições para a participação das associações sindicais no acompanhamento e monitorização do sistema de avaliação de desempenho docente e para a negociação de um crédito de horas destinado à organização da avaliação de desempenho no próximo ano lectivo.

Para além de matérias relativas à avaliação de desempenho do pessoal docente, o Ministério da Educação apresentou propostas no sentido de melhorar as condições de trabalho dos professores, nomeadamente em matéria de horários. Propôs a fixação de um número mínimo de horas para a componente não lectiva de trabalho individual, isto é, para o tempo, dentro do horário de trabalho, destinado à preparação de aulas, elaboração e correcção de provas, realização de estudos e outras actividades afins. Do mesmo modo, mostrou-se disponível para negociar as circunstâncias em que a formação contínua deve ser considerada no horário de trabalho dos professores.

O Ministério da Educação apresentou ainda propostas que permitirão melhorar as perspectivas de desenvolvimento da carreira, tanto dos professores titulares como dos professores contratados. Por um lado, por meio da criação de um escalão adicional da categoria de professor titular, no topo da carreira, criando a oportunidade de progressão. Por outro, abrindo a possibilidade de que todos os professores contratados, mediante avaliação, possam ver considerado o tempo de serviço para efeitos de integração na carreira.

Finalmente, propôs-se definir regras especiais de acesso à categoria de professor titular para os professores em exercício de funções ou actividades de interesse público.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Gritos sufocados nas gargantas

Os ecos da manif dos cem mil são cada vez mais frágeis e ao ver nos telejornais a representação dos sindicatos que andam em reuniões com o ME não consigo deixar de pensar que estamos perante mais um daqueles momentos em que a esperança dos professores vai morrer ingloriamente face a uma ópera-bufa em que sindicatos e ME representam cada um o seu papel, uns ameaçando, outros reivindicando, uns seráficos, outros ameaçadores, enquanto nas escolas o rolo compressor da máquina administrativa e a política do pau e da cenoura fazem marchar o sistema sem grandes alterações nem alaridos.

Os gritos de ontem já começam a sufocar nas gargantas e a força das ruas está em vias de ser derrotada pela burocracia reivindicativa sem soluções nem alternativas que não sejam mais folclóricas do que eficazes porquanto não se antevê como vão as escolas resistir à chantagem da avaliação obrigatória dos contratados. "As escolas estão todas a trabalhar", diz a Ministra e ninguém duvida. Havia de ser diferente? Alguém acredita que os professores estejam em condições de suportar um movimento reivindicativo que vá até às últimas consequências?

Quando se fizer a história deste período lá constará que o problema foi a forma inábil como foi negociado o novo estatuto de carreira, mais o famigerado concurso para titulares, agora objecto de referência de inconstitucionalidade numa norma (só numa norma Srs Conselheiros?). Chegados à avaliação já não há recuo, a teia já é suficientemente forte para romper e o terceiro período joga a favor do Governo. Como eu gostaria de estar enganado.

domingo, 6 de abril de 2008

Henry Mintzberg e as descobertas do ME

Para quem não conhece, Mintzberg é um dos gurus dos estudos das organizações e elaborou uma classificação que se tornou clássica e é uma referência incontornável.
Entre as configurações organizacionais por ele conceptualizadas estão as Burocracia Profissionais, onde se incluem as escolas. Não vou aqui tratar do assunto, mas para quem o quiser aprofundar pode consultar Mintzberg, H. (1995). Estrutura e dinâmica das organizações. Lisboa: Publicações D. Quixote.
Trago aqui o assunto apenas para deixar uma pequena reflexão sobre tudo o que está a acontecer na educação em Portugal e ao clima de crispação generalizada que pauta as relações da equipa dirigente do ME com os professores, na perspectiva reformadora.
Diz o autor;
Na Burocracia Profissional, a mudança não provém de novos administradores que tomam os seus postos e anunciam reformas maiores, nem das tecnoestruturas governamentais que procuram controlar os profissionais. A mudança parte mais do processo, lento, de mudança dos profissionais - dos procedimentos de avaliação dos candidatos, da formação (ideais assim como competências e conhecimentos), e depois disso, da motivação dos candidatos no aperfeiçoamento dos seus conhecimentos profissionais.
E mais,
(...) os controlos externos podem ter como consequência reduzir a incitação ao aperfeiçoamento, e mesmo a incitação à inovação (que já é fraca, mesmo nos melhores momentos da Burocracia Profissional).
Comparem-se as opiniões de um dos maiores conhecedores das organizações com a forma como o ME gere as questões profissionais dos docentes e uma de duas, ou Mintzberg está errado e é preciso avisá-lo ou o ME anda a tentar inventar uma roda quadrada convencido de que está a prestar um grande favor ao País.
Você decide.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Liderança, liderança, liderança

Dois ex-ministros da educação, Roberto Carneiro e Marçal Grilo, aliás duas referências enquanto governantes, vieram a público em entrevistas dizer coisas semelhantes sobre uma das falhas graves do sistema de administração e gestão escolar em Portugal - a falta de liderança nas escolas.
Já aqui tenho falado do tema e nesta matéria até estou em sintonia com a equipa do ME, não há escolas boas sem bons líderes e o sistema de gestão que temos não fomenta propriamente o aparecimento de lideranças de qualidade.
Apesar disso há bons líderes escolares em Portugal e nas escolas que dirigem os problemas existem como nas outras mas têm dimensões significativamente diferentes. Por razões investigativas conheço muito bem duas escolas modelares a vários títulos. Não quero ser injusto para todas as outras que não conheço tão bem, mas estas são um exemplo e os seus presidentes são líderes de primeira água com quem todos temos a aprender.
Estudá-las é um exercício estimulante, tomar contacto com as suas boas práticas um imperativo, perceber como podem dois presidentes, rodeados de boas equipas e com professores mobilizados transformar a regularidade em excepcionalidade, uma necessidade para se encontrarem melhores soluções para todos.
Por favor tentem conhecer, se não conhecem já, o Carlos Monteiro e o João Paulo Mineiro e não deixem de visitar a escola Joaquim de Carvalho, na Figueira da Foz, e a Quinta das Palmeiras, na Covilhã. Vão ver que não se arrependem e certamente encontrarão inspiração e estímulo.
Claro que conheço outros bons líderes escolares, mas não os refiro porque não disponho da informação que tenho sobre estes dois colegas e sobre as suas escolas e deixo este espaço aberto a quem queira sinalizar outros exemplos de grandes lideranças e bons projectos educativos.

Mãos ao ar!

O Procurador Geral da República foi falar com o Presidente da República sobre a violência nas escolas. À saída do Palácio de Belém disse coisas interessantes, que o Presidente está preocupado e muito bem informado e que há alunos que vão para as escolas com armas de grosso calibre " para já não falar nas facas".
Se o Presidente está bem informado, não parece. Ou só agora é que se informou? Quem é que já se esqueceu que o Presidente apoiava publicamente a Ministra, se é que ainda não apoia, que sistematicamente tem desvalorizado o problema, assim como toda a equipa do ME?
Não sei porquê lembrei-me de quando era director de uma escola e uma professora acabada de chegar perguntou "Qual é a política da escola em relação à pastilha elástica?" Bons tempos!
Hoje a pergunta podia ser "Qual é a política da escola em relação às armas brancas?" Ou num caso mais radical, "em relação às 9mm (pistolas de guerra)?"
Se fosse a Ministra a responder, não tenho dúvidas, seria qualquer coisa deste género "Quais armas brancas, quais pistolas de guerra, aqui a malta só masca pastilhas elásticas!!!", o que certamente surpreenderia o Procurador, que está muito preocupado, e o Presidente da República, que está muito bem informado.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Carta aberta a Sua Excelência a Sr.ª Ministra da Educação

Com a devida vénia transcrevo a carta de um colega devidamente identificado. Curto e duro, mas melhora o humor, como diria o meu tio Juvenal.

Ílhavo, 24 de Março de 2008

Segunda carta aberta à Sra Ministra da Educação

Senhora Ministra da Educação

Excelência:

Há dias, uma jornalista tentava relacionar o acontecido na Escola Carolina Michaelis ( se fosse viva morreria de vergonha…) com o Estatuto do Aluno e V. Excia perguntava-lhe se o facto de haver um Código da Estrada impedia que houvesse acidentes de automóvel. A jornalista não lhe respondeu mas vou responder-lhe eu.

1. É evidente que o Código da Estrada não impede os acidentes de automóvel se os instruendos puderem faltar às aulas desse código e se no fim obtiverem a carta sem esforço.
É evidente que não impede se os instruendos puderem faltar ao respeito ao instrutor porque no fim ele vai ter de o aprovar para não prejudicar as estatísticas.

2. V. Excia é muito esperta mas parece não ter a inteligência suficiente para se aperceber da situação incontrolável que criou desrespeitando, humilhando e atirando para cima dos professores as culpas de tudo o que está mal nas escolas.
Mais uma vez V. Excia não tem uma palavra para dizer aos alunos e suas famílias como parte interessada no problema. A culpa, segundo o governo, é sempre dos professores e todos os outros estão inocentes e imaculados. V. Excia continua a dar carapau a um chefe de cozinha e a exigir-lhe que prepare lagosta suada para o jantar. E percebe-se facilmente porquê: porque o que interessa é desmoralizar os professores e diminuí-los aos olhos do povo para depois se lhes poder pagar pouco e não permitir que progridam na carreira. “Não merecem!, Não fazem nada!, Nem os nossos filhos conseguem educar!”

3. “Força, Ministra!”, continue a desculpar despudoradamente os alunos e as suas famílias e estará a criar uma geração que, para além de ignorante, não respeitará ninguém no autocarro, na rua, no trabalho, em casa.
“Força, Ministra!”, continue a hostilizar os professores se acha que foi desmoralizando os seus soldados que os generais ganharam batalhas.
“Força, Ministra!”, continue surda aos gritos de “a velha vai cair, altamente!” e, em breve, as salas de aula passarão do circo actual para coliseus onde os professores serão imolados para gáudio de alguns adolescentes imbelicizados por telenovelas e publicidade idiotas.
“Força, Ministra!”, continue a dizer que a Oposição está a fazer aproveitamento político da situação e um dia estará mais só e indefesa do que a Professora de Francês mas nesse dia não conte comigo para lhe estender a mão.

Neste momento V. Excia lembra-me um pastor perdido na serra a quem as ovelhas há muito não respeitam. A seu lado só tem os cães mas esses não fazem parte do rebanho…

Grato pela atenção



Domingos Freire Cardoso
Rua José António Vidal, nº 25 C
3830 - 203 ÍLHAVO
Tel. 234 185 375
E-mail: dfcardos@gmail.com

terça-feira, 1 de abril de 2008

Estatal versus privado

Um bloguista anónimo entendeu fazer alguns comentários sobre as minhas opções familiares em matéria de escolha da escola para os filhos. Naturalmente que quem se expõe sujeita-se a comentários de toda a ordem e eu aprendi já há muitos anos a conviver bem com isto.
No entanto, acho oportuno esclarecer que defendo o direito inalienável à privacidade e entendo que o ter-se actividade pública não autoriza quem quer que seja a devassar a nossa intimidade.
Posto isto, não tenho qualquer rebuço em deixar claro que considero que numa sociedade moderna o ensino estatal e o privado são ambos opções legítimas, sendo que Portugal, como muitos outros países, promovem o direito à educação através de escolas geridas directamente pelo Estado e escolas geridas por entidades privadas, embora subvencionadas para que possam prestar um serviço equivalente às estatais.
O preconceito contra o ensino privado não faz parte do meu portfólio de ideias e práticas e respeito igualmente um e outro, bem como os profissionais que prestam serviço em cada um. Sou um homem da escola pública, onde sou professor há mais de trinta anos, o que nunca me inibiu de colaborar com o ensino privado sempre que para isso houve oportunidade.
Enquanto cidadão e pai escolho as escolas para os meus filhos em função de critérios de qualidade, seja de ensino seja de serviços complementares prestados. Se são estatais ou privadas é irrelevante.

segunda-feira, 31 de março de 2008

A aprendizagem da Matemática nos USA

A aprendizagem da Matemática preocupa o Governo dos Estados Unidos da América, que mandou elaborar um relatório sobre o assunto. O relatório pode ser consultado, com grande proveito, em
E por cá, o que se faz? Formação contínua no básico. E chega? E as metodologias não se discutem? Não é só disto, mas também que se fala no relatório americano.

domingo, 30 de março de 2008

Factores de eficácia escolar

Os exemplos dos outros servem-nos de reflexão. A América Latina tem muito para nos oferecer e ao contrário do que às vezes se pensa na Europa estão muito à frente em domínios educativos.

A notícia que reproduzimos, da responsabilidade de Amanda Cieglinski, Repórter da Agência Brasil, é disso exemplo.

Brasília - Os 37 municípios apontados pela pesquisa Redes de Aprendizagem foram escolhidos com base no cruzamento de informações socioeconômicas dos alunos e dos municípios com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O objetivo era destacar localidades em que, apesar das adversidades, o direito de aprender é garantido. A pesquisa, feita pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), foi divulgada na semana passada.Durante dois meses, pesquisadores entrevistaram dirigentes municipais de educação, diretores, coordenadores, professores, pais e alunos, que apontaram as razões do bom desempenho das escolas. São dez os fatores apontados na pesquisa:
1. Foco na aprendizagem – Em todas as redes analisadas, a gestão é direcionada para a aprendizagem e baseada em um conjunto de práticas focadas nessa finalidade. Essa é a primeira diretriz do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).
2. Gestão com consciência e práticas de rede – As escolas trabalham em parceria e existe um sentimento de coletividade. A liderança da Secretaria Municipal de Educação é considerada fundamental nesse aspecto. Cabe ao gestor municipal identificar as necessidades de cada colégio, participando do dia-a-dia dos alunos e professores.
3. Planejamento – Cada ação é planejada, com metas e prazos. Vinte e cinco das 37 redes citaram a importância do planejamento compartilhado. Nele, o professor troca experiências com outros colegas, sentindo-se mais seguro e preparado.
4. Avaliação – É o retorno imediato do trabalho desenvolvido. A cobrança de resultados é fator comum entre todas as redes participantes. Professores fazem avaliações periódicas, que orientam os projetos e ações de cada escola. O índice de evasão e repetência são controlados de perto.
5. O valor do professor – Para os alunos, o professor é parte fundamental e tem papel importante no processo de aprendizado. 6. Formação dos docentes – O investimento na formação dos professores foi apontado como fator fundamental por quase todos os municípios avaliados pela Unicef.
7. Valorização da leitura – Projetos de valorização da leitura são desenvolvidos em quase 80% dos 37 municípios. Muitas vezes são idéias simples, mas eficazes, que incentivam o prazer de ler. 8. Atenção individual ao aluno – Não desistir nunca de um aluno é regra nas escolas avaliadas pela pesquisa. O atendimento individualizado, respeitando o ritmo de cada criança, é ferramenta importante para que nenhum estudante fique para trás.
9. Atividades complementares – A escola vai além do que é exigido e oferece atividades extras que complementam a formação do aluno e fortalecem seu vínculo com a escola.
10. Parcerias – As redes analisadas na pesquisa abrem espaço, sempre que necessário, para atores externos à comunidade escolar, tanto do setor privado quanto de universidades ou organizações não-governamentais.

Assim não se é cidadão

Voltemos ao tema da disputa pelo telemóvel na Carolina Michaëlis. A fazer fé no que li nalguma comunicação social, alguns dos alunos da turma em causa aproveitaram os seus blogues para mandarem mensagens uns aos outros despedindo-se, afirmando a sua solidariedade e criticando a professora que "deu cabo de tudo".
Passados vários dias da ocorrência mais mediática alguma vez presenciada numa sala de aulas em Portugal, que foi objecto generalizado de crítica, aqueles aprendizes de cidadãos ainda não compreenderam o que aconteceu e não hesitam em agir com arrogância e pesporrência quando se esperaria que fizessem mea culpa e adoptassem um comportamento discreto e uma postura humilde.
Dir-se-á que é a solidariedade própria dos grupos de pares, que são adolescentes, que é próprio da fase de desenvolvimento em que se encontram desafiar as regras sociais, os adultos, os poderes.
Pois é, mas a família e a escola entre as suas mais nobres missões tem precisamente a de educar, a de preparar as crianças e os jovens para se tornarem cidadãos de pleno direito, integrados numa actividade profissional e autónomos enquanto pessoas.
Aparentemente uma e outra estão a falhar nestes casos. Não só não conseguiram incutir-lhes comportamentos e valores adequados, como também não conseguiram levá-los a reflectir sobre o seu comportamento impróprio.
O que se seguirá? A transferência de alguns, sem mais? E para os outros? Mais do mesmo? E as famílias como estão a lidar com os seus "meninos"? E o que vão fazer no futuro?
O que se passou e todas as repercussões que se conhecem, aconselham a que se faça uma ampla reflexão, sem preconceitos nem tabus, sobre o que está em jogo que sendo, nalguns casos, do foro judicial é, sobretudo, um problema de cidadania.
O que estão as famílias e as escolas a fazer pela educação dos nossos jovens? Para sermos mais realistas, de alguns dos nossos jovens, pois embora a situação seja delicada é bom não generalizar e sobretudo não tomar "a nuvem por Juno".

sexta-feira, 28 de março de 2008

O Marco e o papelinho

Como o prometido é devido, vamos à análise do caso do "papelinho".

A professora ao ler o papel ficou indignada e fez queixa à direcção. Sejamos objectivos, que matéria havia para reagir? Um papel, se quiserem, um papel que circulava de carteira em carteira e uns risos. O papel era ofensivo? Não. Houve intenção de ofender a professora? Não. Se ela se tivesse limitado a interromper a circulação do papel e o tivesse mandado deitar para o lixo ou o tivesse guardado e lido mais tarde, o incidente teria ficado por ali.

Foi esta a análise que se fez com a professora, que era relativamente inexperiente, e que percebeu imediatamente que a forma utilizada em vez de esvaziar o incidente o avolumou e criou mesmo um problema onde ele não existia. A leitura do papel na sala é que criou uma situação delicada para a professora, que se sentiu ofendida com o seu conteúdo quando, objectivamente, a ela não era destinado.
Moral da história. O(a) professor(a) não deve avolumar os incidentes. A sua acção deve ser preventiva e dissuasora, nunca potenciadora de problemas.

Mas admitamos que o(a) professor(a), num gesto impulsivo, lê o papel. Seja qual for o seu conteúdo, só lhe resta reagir com naturalidade, de preferência utilizando pedagogicamente a situação. A professora podia ter perguntado se o aluno estava doente, se necessitava de ir "lá fora", podia mesmo acrescentar que nalgumas situações "libertar um gaz" era uma necessidade inadiável por razões de saúde, embora se devesse evitar fazê-lo na presença de outras pessoas. Enfim, cada um pode pensar nas milhentas coisas que se podiam comentar invertendo a situação a favor do professor.
O que nunca se pode fazer é perder o controlo e deixar escapar a oportunidade de afirmar a liderança do(a) professor(a).

No caso da outra colega que reagiu envergonhadamente a um comentário sobre o seu belo "rabo", podia também ter encarado o facto com naturalidade, realçando as preocupações estéticas do aluno mas fazendo-lhe ver e à turma que era deslocado e prejudicial para os alunos perder o fio condutor da aula e estar a preocupar-se com matéria que podiam observar em qualquer outra ocasião.
O(a) professor(a) tem de mostrar segurança e domínio das situações.

Num próximo post voltarei com casos mais complicados. Os colegas podem aproveitar para contar as vossas experiências ou casos que vos tenham sido relatados e todos os podemos ir comentando.

terça-feira, 25 de março de 2008

A face oculta da indisciplina

Quando fui DREC mandei fazer um levantamento em todas as escolas da Região Centro sobre incidentes críticos, vulgo situações de indisciplina ou violência, ocorridos desde o início do ano lectivo de 2005/6 até Março, envolvendo alunos dos 2.º/3.º ciclos e secundária e participados aos órgãos de gestão.
Com surpresa constatou-se que num universo de 119709 alunos só tinham sido participados incidentes envolvendo 753 alunos, ou seja, 0,63/ do total daquela população escolar. Naturalmente que a realidade oficialmente relatada e a estatística resultante não correspondiam à informação que nos chegava por várias vias, sempre informais.
Lembrei-me disto a propósito do alerta do Procurador Geral da República para a necessidade de se participarem todas as situações que pela sua gravidade justifiquem a intervenção do Ministério Público.
Vou mais longe, devem ser participadas aos órgãos competentes das escolas, depois logo se verá se se justifica o recurso ao MP, todas as situações de indisciplina, obstrução ou violência praticadas por alunos ou encarregados de educação que o professor considere que afectam o exercício da sua actividade docente.
Em linguagem mais corriqueira devia adoptar-se "tolerância zero" até a situação estabilizar em níveis considerados aceitáveis. Naturalmente que a situação é muito diversa de escola para escola, sendo claro que onde há lideranças fortes a ocorrência de incidentes é quase inexistente.
A par disto é urgente, já o ando a defender há muito tempo, formação acrescida dos professores na área da gestão de turma (classroom management). Eu próprio ja fiz muita formação neste domínio e sei, por experiência própria, que num primeiro momento ninguém tem problemas. Depois, soltam-se as línguas e é uma torrente.
Deixo-vos um exercício, baseado numa situação real, para que cada um possa pensar como resolveria o caso.
Uma professora vê uma folha de papel dobrada andar de mão-em-mão pela sala de aula. À medida que o papel circula risos mais ou menos dissimulados vão acompanhando o seu percurso. A professora resolve intervir e obriga um aluno a dar-lhe o papel. Este começa por recusar, mas após a insistência da docente, cede. A professora desdobra a folha e depara-se com este texto "O Marco cagou-se, está aqui um cheiro do caralho."
Pergunta 1 : O que fez a professora?
Pergunta 2: O que teria feito o/a colega se esta situação se tivesse passado consigo?

Incidentes críticos na sala de aula

O texto que se segue é parte de uma notícia do jornal Público de 10 de Novembro de 2001. A sua actualidade é indiscutível e a obra referenciada merece leitura atenta, embora julgue que está esgotada.

O objectivo é declarado: "criar algum ruído no sistema educativo". Na sua base reside um "aviso à navegação": "Atenção que os professores estão a perder autoridade na sala de aula." Carlos Fernandes, professor e investigador em Psicologia na Universidade do Minho, editou com dois colegas (Paulo Nossa e Jorge Silvério) um manual sobre "Incidentes Críticos na Sala de Aula", vulgarmente conhecidos por indisciplina. O resultado é do menos politicamente correcto possível, mas não se inventou nada, apenas se recorreu à Análise Comportamental Aplicada (ACA), para desconstruir a "teoria do coitadinho" e as "modas psicopedagógicas".
Depois de 20 anos a dar formação a professores de escola em escola, Carlos Fernandes concluiu que se passou "de um extremo ao outro". Dos tempos da palmatória salazarista transitou-se para "teorias pseudocientíficas", que assentam na ideia de que o aluno deve ser poupado, sob pena de sofrer "traumas" que o marquem para toda a vida.
O abismo que se cavou entre a velha guarda de professores e uma vaga mais jovem é flagrante. Um exemplo basta para que se perceba até que ponto. Um aluno dito problemático tornou-se o herói do dia ao deitar o tabuleiro da comida ao chão, em plena cantina. Um grupo de professores sugeriu que ele limpasse o que havia sujado. Um outro grupo considerou que tal seria humilhante para o adolescente. No final, a comida espalhada foi limpa pelo contínuo de serviço.
Ao longo do seu trabalho, Carlos Fernandes tem-se esforçado por provar que atitudes como esta não têm nenhuma base de sustentação científica e que, em termos educativos, se está a fazer tudo ao contrário do que diz a psicologia ao nível do comportamento. É certo que um professor não pode ignorar as consequências dos contextos sociais e familiares no aluno, mas, segundo o investigador, esses factores não devem servir para justificar tudo. Este é um princípio do conhecimento científico: "informar a prática de aplicação, não justificá-la", explicita o manual editado pela Quarteto.
Incidentes Críticos na Sala de Aula
Análise Comportamental Aplicada (ACA)
Carlos Fernandes da Silva, Paulo Nuno Sousa Nossa e Jorge Manuel Amaral Silvério
Editora Quarteto

segunda-feira, 24 de março de 2008

Línguas de bacalhau

Imagine o que sucederia, em Portugal, se alguém descobrisse que uma criança de sete anos, todos os dias depois da escola, ia para um matadouro cortar, por exemplo, línguas de coelho, que devem ser mais ou menos do tamanho das do bacalhau corrente. Claro que sabemos que algumas cosem sapatos e outras devem fazer coisas piores, mas agora estamos a tratar de línguas.
Pois na Noruega não só é aceitável, como pedagógico. Faço fé no que li hoje no Metro, aquele jornal gratuito que se diz "Líder absoluto com 774 mil leitores diários", (fica a publicidade em troca da matéria noticiosa).
Ali se conta que na cidade de Rost ( a grafia não está correcta, mas o meu computador não tem letras norueguesas), situada nas ilhas Lofoten, acima do círculo polar ártico, "Cortar as línguas do bacalhau é um hobby para as crianças. Não é encarado como trabalho infantil". Até nos apresentam Preben, um menino de 12 anos que corta líguas desde os sete. Como só tem TPCs aos fins-de-semana, ocupa as tardes de semana a cortar as línguas numa fábrica onde se processa o bacalhau acabado de pescar, chegando a juntar mil euros por mês.
Claro que é um hobby... e muitos pais portugueses, que ganham menos de quinhentos euros por mês, não se importariam nada que os filhos tivessem um hobby destes em vez de irem frequentar as AECs.
Mas para que não restem dúvidas, a Ministra da Educação da Noruega, Helga Pedersen, concorda, pois acha importante que as crianças "conheçam o peixe", acrescentando "Tem a ver com a identidade, é uma tradição. Se os jovens não souberem como o peixe é, ou como é produzido, é mais difícil convencê-los a serem pescadores, exportadores de peixe, ou a trabalhar na indústria".
Não vale a pena olhar para esta realidade com os olhos postos em Portugal, o mundo é plural e as identidades são o que são. O sistema educativo norueguês é dos mais eficientes do mundo e as suas práticas podem ser muito inspiradoras. Por hoje, fiquemo-nos pelas línguas de bacalhau e pelo hobby do menino Preben.

domingo, 23 de março de 2008

Afinal a culpa foi do telemóvel

O Conselho das Escolas, ou o seu presidente, já encontraram solução para evitar situações idênticas à que ocorreu na Escola Carolina Michaélis - acabar com os telemóveis nas escolas.
Não fosse a existências deste aparelhos incómodos e nada daquilo se teria passado, portanto uma medida radical só mesmo impedir os alunos de os levar para a escola.
Já agora podia seguir-se idêntico processo com os computadores, os projectores de vídeo, talvez mesmo os rectroprojectores e com diligência chegaríamos mesmo aos livros que, como se sabe, costumam ser queimados por conterem ideias perigosas.
A aluna pode dormir descansada, a professora pode curar calmamente as feridas e sentir-se vingada, "não mais telemóveis nas escolas", pois, como fica provado, foi este o culpado do sucedido, é este o verdadeiro réu do processo, é sobre este que se deve abater a censura pública.
Correndo o risco de ser retro, esta "anedota" lembra-me aquela história do puto que parte um vidro. Antigamente era responsabilizado e, eventualmente, castigado. Hoje, alguém muito preocupado perguntará "por que estará ele a querer chamar a atenção?".
Afinal quem é que está a ver o mundo e os valores de pernas para o ar?

sábado, 22 de março de 2008

A 1.ª reunião do CCAP

O Gabinete de Comunicação do ME fez divulgar a nota seguinte, que reproduzo sem comentários, embora não me dispense de sublinhar a ironia fina que, involuntariamente, estou certo, percorre o último parágrafo.
O Conselho Científico para a Avaliação de Professores realizou a sua primeira reunião plenária na passada sexta-feira, dia 14 de Março.

Durante o encontro, os conselheiros analisaram a missão do Conselho, bem como o seu papel no acompanhamento e monitorização do regime de avaliação de desempenho dos professores.

Entre as suas decisões está a aprovação das Recomendações sobre a elaboração e aprovação pelos Conselhos Pedagógicos de instrumentos de registo normalizados previstos no DR 2/2008, formuladas pela presidente, Conceição Castro Ramos, em 25 de Janeiro de 2008 (ver
http://www.min-edu.pt/np3/1605.html).

Estas Recomendações serão agora aprofundadas e desenvolvidas, à luz dos princípios orientadores de autonomia e diversidade, equidade e justiça, flexibilidade e adequação à realidade e de simplificação de procedimentos.

quinta-feira, 20 de março de 2008

O telemóvel da disputa

As televisões passaram hoje este vídeo, gravado por um aluno, com um episódio quase inacreditável.
Uma professora retirou um telemóvel a uma aluna que, presume-se, o estava a utilizar indevidamente. Esta não se conforma e, para além de protestar, exige à professora que lho devolva, tratando-a por tu e agarrando-se a ela, tentando tirar-lho. A professora ainda tenta chegar à porta, provavelmente para pedir ajuda, mas a aluna consegue apoderar-se do telemóvel depois de uma quase luta corpo-a-corpo com a docente, envolvendo outros alunos que não se percebe se tentavam ajudar a aluna ou serenar os ânimos.
Entretanto um aluno grava a cena e outros incentivam ou, simplesmente, riem à gargalhada.
O episódio vale como ilustração do estado a que as nossas escolas já chegaram, da insubordinação dos alunos, da incapacidade de muitos professores em assegurarem um controlo mínimo da gestão das turmas, da total ineficácia dos regulamentos internos como garantes da disciplina necessária.
Para além de tudo isto é intrigante que a professora abusada não tenha apresentado queixa. Para não se sujeitar a mais enxovalhos? Porque não acredita na justiça escolar? Ou simplesmente porque este tipo de comportamentos se tornou rotina? E o ME, A DREN (a escola é do Porto), a direcção da escola, fizeram alguma coisa? Ou deixaram a professora entregue a si própria, para não dizer aos "bichos"?