segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Uma pila de fora

Contou-me um colega, com muitos anos de serviço e basta experiência, que o ano passado um aluno de um curso dos chamados difíceis, obviamente dos profissionais, tirou a pila para fora durante uma aula numa demonstração de virilidade e de desafio à ordem e boas maneiras que devem ser regra nas aulas.
"E a coisa acabou por não dar em nada", confessou, quase conformado o colega.
É certo que os costumes mudaram, e hoje quase tudo anda à mostra, agora a pila, por favor, guardem-na para quem devem.
Passando a ironia, não sei o que mais me espanta, se a imbecilidade do aluno se a falta de resposta da escola.
Mais, até quando vão as escolas, que por acaso são organizações e não ajuntamentos de professores individualmente considerados, tolerar coisas deste calibre e deixarem que aulas e espaços de recreio se transformem em territórios onde meia dúzia de marginais impôem a lei da insubordinação e o desprestígio permanente de quem é pago para ensinar e não para se substituir à polícia ou ao Instituto de Reinserção Social?
Já é tempo de terminar com a demagogia da integração a qualquer preço. Quem frequenta as escolas tem de se subordinar a regras; quem não as cumpre tem de ser tratado em conformidade, se necessário, como delinquente e estes são um caso para a polícia e para os tribunais, não para os professores e para as escolas.

Centro de Línguas e Cultura Chinesas

Prafrente pergunta se o Centro está aberto ao público? Está.
Nesta fase preliminar basta contactar a ESE. Futuramente terá mesmo um horário de funcionamento autónomo.

Um Presidente para Leiria II

A proposta que fiz no meu "Telegrama", título da nota semanal que publico no Região de Leiria, sobre a candidatura do actual presidente do Instituto Politécnico de Leiria à presidência da Câmara Municipal de Leiria deu origem, como esperava, aos mais diversos comentários.
A escolha de um candidato a uma câmara não é, ou não deve ser, considerada como um assunto interno de um partido político.
A importância do que está em jogo não se compadece com uma escolha entre meia dúzia de pessoas, muitas vezes funcionando em circuito fechado. Aliás, a possibilidade de ser realizado um processo aberto de escolha interna, com amplos reflexos no exterior, tipo"eleições primárias", já tem sido discutido e, em minha opinião, devia ser experimentado.
O único argumento que ouvi contra a proposta fundamenta-se no alegado desconhecimento, por parte da população, sobre quem é Luciano de Almeida. Ora, salvo o devido respeito, e dando de barato que Luciano de Almeida não é tão conhecido como outros hipotéticos candidatos, esta é a mais frágil razão contra a sua eventual candidatura.
Assumisse-a o PS e num mês Luciano de Almeida seria mais conhecido no concelho do que qualquer dos outros candidatos.
Uma personalidade que preside há dez anos à mais importante instituição de Ensino Superior do Distrito, sob cuja liderança se tornou uma das principais do país, cuja qualidade é reconhecida por todas as instâncias nacionais e internacionais de avaliação, que tem sido pioneira em áreas de captação de novos públicos, com licenciaturas únicas a nível nacional, com uma acção investigativa que começa a ser relevante, com relações e mobilidade internacionais que envolvem anualmente muitas centenas de jovens, docentes e dirigentes, que tem cerca de onze mil alunos e mais de um milhar de colaboradores docentes e não docentes, é obra.
Também tem sido Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, estrutura de coordenação nacional de todos os institutos.
A sua acção foi reconhecida como altamente meritória, muito recente e publicamente, pelo Ministro Mariano Gago.
Por via das funções que desempenha e das posições que tem assumido em nome do CCISP, tem tido acesso regular à comunicação nacional.
Uma personalidade destas facilmente se torna familiar ao universo de eleitores do concelho com uma estratégia de comunicação adequada.
Acresce que Luciano de Almeida poderia protagonizar uma candidatura transversal aos vários partidos, introduzindo factores de inovação e credibilização na proposta política autárquica do PS.
Mas esta é apenas a minha proposta e o meu contributo para a discussão, sem que nada me mova contra outros candidatos. Apenas gostaria que Leiria e os leirienses viessem a ter um presidente competente, capaz de pensar estrategicamente o concelho e trabalhar com todos para alcançar os objectivos de desenvolvimento que se impõem.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Um presidente para Leiria


O PSD já tem candidato, é José António Silva, e pense-se sobre ele o que se pensar é bom não o menosprezar. Por mim, desejo-lhe felicidades.
Quanto ao PS, proponho Luciano de Almeida. Deixa uma obra notável no IPL, conhece bem o concelho, é um gestor experimentado, um negociador exímio e uma personalidade de dimensão nacional.
Sem transigir com politiquices bacocas, com liberdade para constituir uma equipa e apoio empenhado dos órgãos locais e da direcção nacional, pode ser o melhor candidato e, seguramente, um excelente presidente.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Centro de Línguas e Cultura Chinesas

Leiria dispõe, desde o dia 15, de um Centro de Línguas e Cultura Chinesas, instalado num edifício de traça oriental, mandado construir pelo Instituto Politécnico de Leiria no espaço adjacente à Escola Superior de Educação.
É a concretização de uma vontade comum, partilhada com o Instituto Politécnico de Macau, que vem reforçar os laços académicos e culturais entre as duas instituições e, sobretudo, um melhor conhecimento dos dois países.
Leiria passa a constar do roteiro mundial de cidades onde a cultura milenar chinesa é objecto de estudo e o Centro abre-se como mais uma janela com vista para o Oriente.

domingo, 12 de outubro de 2008

O crash americano e o dinheiro dos contribuintes


Duas coisas ficaram muito claras nesta crise que está a assolar os Estados Unidos da América e a contagiar o resto do mundo.
Primeiro, o despudor e a completa ausência de respeito pelos direitos de terceiros de muitos gestores de topo que não só agiram em proveito próprio como desbarataram os fundos que era suposto rentabilizarem.
Segundo, a consciência muito aguda dos americanos de que o dinheiro gerido pelo Governo é dos contribuintes e não pode ser mal gasto. Por cá, é o contrário, tem-se a sensação de que o dinheiro é do Governo e que este faz com ele o que lhe apetece. O mesmo se passa com as autarquias, infelizmente.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Noite tranquila


Ao vinho tinto são atribuídos benefícios para a saúde desde tempos imemoriais e, mais recentemente, há quem o recomende na prevenção dos acidentes cardiovasculares.
Como quase tudo o que se come ou bebe, o vinho tinto deve ter uma mão cheia de efeitos positivos e outra de negativos, competindo a cada apreciador fazer as suas escolhas.
Num jantar recente, uma jovem adolescente chinesa confessou, para surpresa geral, que na China todas as noites bebia um pouco antes de ir para a cama “para dormir melhor”. A sabedoria chinesa não se discute.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O Magalhães é bué fixe e os stôres sofrem


O novo computador dos pequeninos já começou a ser distribuído gratuitamente nas escolas do 1.º ciclo. Tudo quanto se faça pela literacia informática vale a pena, mas cuidado, os computadores são um recurso, um auxiliar mais do trabalho pedagógico coordenado pelos professores e talvez menos importantes do que se está a fazer crer.
Pena é que a principal preocupação nas escolas portuguesas não seja o Magalhães, nem sequer os alunos ou a qualidade do ensino, mas sim o frenesim com que os professores se avaliam uns aos outros e que ameaça transformar as escolas no contrário do que deviam ser.
Já agora, vejam http://www.youtube.com/watch?v=glmSEAgSsok.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O PISA e o mito finlandês


No Programa de Avaliação Internacional de Alunos (PISA), a Finlândia ocupa consistentemente o 1.º lugar e Portugal é um dos últimos.
Numa conferência internacional, no passado sábado, Jouni Välïjärvi, director do departamento de investigação educativa de uma das mais prestigiadas universidades finlandesas atribuiu à consideração social de que gozam os professores na Finlândia e à sua competência a razão do sucesso.
Afinal, o mito finlandês é feito de uma receita simples e antiga, bons professores, muito considerados socialmente, com excelentes condições de trabalho e altamente motivados. Se os professores portugueses não são piores do que outros, adivinhe onde falha o sistema.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Angola democrática

As eleições foram ”livres e justas”, reconheceram os observadores internacionais. A vitória do MPLA foi esmagadora, o que não sendo surpreendente, não deixa de impressionar. A UNITA ficou muito aquém das expectativas.
A democracia ainda vai ter muito que andar, mas é um começo promissor, embora ninguém tenha dúvidas sobre a hegemonia da máquina de influência e propaganda do MPLA, que controla o país há décadas e até recusou vistos a jornalistas portugueses, o que é inaceitável.
Angola sempre foi uma paixão para os portugueses, é uma terra de oportunidades e merece respeito acrescido por ter entrado para o clube das democracias emergentes.

sábado, 6 de setembro de 2008

A roleta russa

A intervenção Russa na Geórgia é um salto de cavalo no xadrez entre Washington e o Kremlin, que assim come dois peões, a Ossétia do Sul e a Abecásia.
A hipótese de a Ucrânia e a Geórgia aderirem á NATO, e de na primeira ser instalado um sistema americano de vigilância militar entendido pela Rússia como hostil, azedou a distensão leste-oeste e desenterrou fantasmas adormecidos.
Acresce que alguns países da EU, com o beneplácito de Bush, reconheceram a independência do Kosovo, inaceitável pela Sérvia velha aliada da Rússia. Ainda não é um conflito aberto, apenas escaramuças. Mas o sinal está dado.

domingo, 31 de agosto de 2008

A humilhação dos vencidos

Enquanto em Beijing os recordes iam caindo, Portugal assistia, entre o atónito e o divertido, a uma espécie de campeonato humorístico com as justificações dos maus resultados obtidos por alguns dos nossos atletas.
É certo que foram inconvenientes, mas alguém tinha obrigação de os ter poupado à humilhação. Eles não são especialistas em comunicação, a pressão era enorme e ninguém os deve ter ajudado a lidar com a derrota.
Todos vibrámos com o sucesso do Nelson e da Vanessa, mas é uma injustiça não perceber que cada atleta fez o melhor que pôde. Afinal não eram eles os principais interessados em fazer boa figura?

domingo, 24 de agosto de 2008

O fingimento é a arte da fuga

Agosto tem este fascínio, o de ser um limbo onde tudo adormece durante o tempo em que o país pára para férias e os problemas descansam. Em Setembro logo se vê.
Sintomas de crise nem vê-los, a prosperidade aí está nos carros topo de gama que aceleram nas auto-estradas, nos hotéis lotados, nos restaurantes com filas à porta, nos programas de férias em destinos exóticos esgotados.
É certo que tudo não passa de uma ilusão, afinal há cerca de dois milhões de pobres em Portugal e muitos outros que o não sendo vêem as suas condições de vida agravar-se todos os dias, mas o fingimento é a arte da fuga.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O regresso do Império do Meio

Por estes dias Pequim volta a ser a capital do Império do Meio, uma forma de dizer que é o centro do mundo, hoje como consequência de ser a anfitriã dos Jogos Olímpicos, outrora porque a dimensão territorial e o imenso poder do Imperador não admitiam outro posicionamento.
Estes jogos não são apenas um acontecimento desportivo, mediático e uma oportunidade para dinamizar a economia chinesa e de muitos outros países, mas um acontecimento político da maior importância.
Eles constituem um marco para a afirmação definitiva de uma China moderna, próspera, politicamente ambiciosa e que é cada vez mais uma das grandes potências emergentes do século XXI. Portugal tem aqui mais um desafio, saber rentabilizar o que aprendeu durante séculos em Macau.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O medo dos ciganos

Nas últimas semanas o país redescobriu os ciganos e os medos e ódios ancestrais que lhes andam associados e confirmou-os como a comunidade menos bem amada da sociedade portuguesa.
Num mundo onde a diversidade cultural é pedra de toque de sociedades abertas e num país que “abriu novos mundos ao mundo” não deixa de ser irónico e preocupante que se trate uma comunidade de portugueses, com uma forte identidade ancestral, como sendo constituída por um bando de marginais.
Hoje, como ontem, os ciganos acantonam-se para se defender a si e ao seu modo de vida e o resto da sociedade escorraça-os como forma de se defender deles. É tempo de quebrar este ciclo de incompreensão.

sábado, 2 de agosto de 2008

O regresso a casa dos três pára-quedistas

Os funerais de três pára-quedistas mortos na Guiné durante a guerra colonial, e só agora trasladados para Portugal, é um daqueles acontecimentos que envergonha um país.
Os israelitas trouxeram para casa, em circunstâncias bem penosas, dois cadáveres de soldados raptados e mortos pelo Hezbolah, há dois anos, “porque os judeus não deixam para trás os seus mortos”.
Em Portugal não foi assim. O Estado que os enviou desapareceu e o Estado Democrático pouco se incomodou com os mortos que ficaram por sepultar na terra mãe. Quantos ainda haverá nas mesmas condições? Não será obrigação imprescritível do Estado trazê-los para casa?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O casamento segundo MFL

Parece que houve umas pessoas que não apreciaram o meu texto sobre os casamentos homossexuais. É natural, ainda devem ter apreciado menos a mera hipótese que levantava da possibilidade de poderem vir a ser adoptantes.
Tenho o maior respeito pelas opiniões alheias e espero que tenham o mesmo respeito para com as minhas, o que não deve inibir ninguém de defender os pontos de vista em que acredita.
Manuela Ferreira Leite já deu um imenso contributo para a elevação do debate político em Portugal e mostrou ser uma mulher arejada e em linha com o tempo que passa. Para ela o casamento é para assegurar a procriação. Não, não foi uma frase truncada, um pequeno lapsus linguae a necessitar de uma explicaçãozinha complementar.
Naquele seu estilo de Padeira de Aljubarrota confirmou tudo, mesmo que isso a faça perder alguns votos, sublinhou, para que ninguém tenha dúvidas. Adoro pessoas assim, convictas, que lideram partidos no século XXI, mas se comportam como damas do século XIX, que iam virgens para o casamento, o encaravam como uma interminável maratona de procriação e se fechavam em casa cobertas de preto se acaso o esposo as deixava viúvas e sem utilidade prática a não ser para completar a obra procriadora, criar os filhos, entenda-se.
Como Luís Filipe Menezes e Santana Lopes, os seus arquiadversários, não encaixam no modelo de casamento procriador tão ao gosto de MFL, esta tomada de posição deve ter uma explicação eminentemente política, como quem diz, comigo voltaram os bons costumes ao PSD depois da desbunda anterior.
Acho bem, já era tempo de alguém por as coisas no sítio certo e deve ser por se inspirarem em MFL que a maior parte dos jovens já não se casam, juntam-se para irem ganhando prática e quando, finalmente, sentem ter atingido o patamar de verdadeiros procriadores, aí sim, inspirados na Madrinha, dão o nó.
Só uma dúvida. Este país de MFL existe mesmo ou não passa de uma ópera bufa?

domingo, 27 de julho de 2008

Casamentos homossexuais e adopções

Em Portugal, o casamento civil é um contrato celebrado entre duas pessoas, de sexos diferentes, que implica um determinado conjunto de direitos e deveres mutuamente aceites.
Naturalmente que um casal pode ser adoptante de crianças, mediante determinados requisitos, independentemente da forma como vive e regula a sua relação afectiva e material.
Tudo indica que num futuro próximo o casamento, nesta perspectiva civil contratual, seja estendido aos homossexuais e que o direito de adopção também lhes não seja negado. Ou será preferível manter as crianças institucionalizadas, quando podem ser adoptadas por casais legalmente constituídos?

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Conversa de praia

Uma praia portuguesa com certeza. Avós, filha e netos (2 miúdos pequenos). Os putos jogam à bola. Comentário da avó para o neto mais velho "Isso filho, vai para futebolista, em vez de te matares a estudar". As avós é que sabem...se estudar mata, imaginem ensinar. Melhor mesmo é ir para "Figo" ou "Cristiano Ronaldo", porque futebolista é coisa menor.

Esconjurar os fantasmas

Quase quarenta anos depois da morte, António de Oliveira Salazar, o homem que presidiu aos destinos do país durante 48 anos, continua a assombrar os espíritos de alguns portugueses. A ideia de lhe dedicar um museu na terra natal desencadeia paixões, intolerâncias e antifascismos serôdios.
O país que glorifica o Marquês de Pombal, um dos maiores déspotas que governaram o país, e que mantém a fé na mesma Igreja que criou e geriu a Inquisição, cuja ignomínia não tem perdão, é o mesmo que se atiça contra Salazar. É tempo de esconjurar mais este fantasma. A História não se nega, nem se apaga, estuda-se.