Amanhã se saberá como vai evoluir a luta dos professores. A adesão à greve condiciona o futuro. Como alguém diz num mail que anda por aí a circular "quem não aderir à greve é porque já está morto". Assim mesmo, sem rodeios.
E como dos fracos não reza a História e os mortos não se revoltam, esperemos que a indignação seja mais forte que a desesperança.
domingo, 18 de janeiro de 2009
A audácia da esperança
Tomo de empréstimo o título de um livro de Barack Obama, cuja leitura vivamente recomendo por ser um texto que nos ajuda a conhecer melhor o presidente eleito dos EUA e os eixos fundamentais do seu pensamento enquanto homem e político.
A partir do dia 20 o mundo vai ser diferente porque a Casa Branca passa a ser ocupada por um homem filho de mãe branca e de pai negro, que teve um padrasto indonésio e foi educado pelos avós brancos, se casou com uma negra culta e de forte personalidade, e cuja avó paterna ainda hoje vive numa aldeia do Quénia.
O Presidente Obama corporiza a esperança de todos os que acreditam num mundo melhor e protagoniza o exemplo de um rapaz pobre que chega a líder do mundo.
A partir do dia 20 o mundo vai ser diferente porque a Casa Branca passa a ser ocupada por um homem filho de mãe branca e de pai negro, que teve um padrasto indonésio e foi educado pelos avós brancos, se casou com uma negra culta e de forte personalidade, e cuja avó paterna ainda hoje vive numa aldeia do Quénia.
O Presidente Obama corporiza a esperança de todos os que acreditam num mundo melhor e protagoniza o exemplo de um rapaz pobre que chega a líder do mundo.
domingo, 11 de janeiro de 2009
O inferno em Gaza
Israel tem o direito de se defender, mas não de massacrar. A desproporção de meios e de mortos não deixa dúvidas e o combate ao terrorismo é uma questão política e não essencialmente militar.
Mas a realidade é que perante a apatia internacional fica para Israel a tarefa suja de exterminar o Hamas, peão dos interesses árabes fundamentalistas, que nem a liderança palestiniana respeita.
O que está em causa é a fronteira entre estados terroristas e terrorismo de estado, entre o pior fundamentalismo muçulmano e o modelo democrático de organização das sociedades, entre o martírio como forma de libertação e a paz como bem supremo da Humanidade.
Mas a realidade é que perante a apatia internacional fica para Israel a tarefa suja de exterminar o Hamas, peão dos interesses árabes fundamentalistas, que nem a liderança palestiniana respeita.
O que está em causa é a fronteira entre estados terroristas e terrorismo de estado, entre o pior fundamentalismo muçulmano e o modelo democrático de organização das sociedades, entre o martírio como forma de libertação e a paz como bem supremo da Humanidade.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Avaliação simplificada e gratificações de gestão
Jacques Monod escreveu, já há muitos anos, um livro brilhante sobre a evolução biológica intitulado "O acaso e a necessidade" que, em termos muito simples, procura demonstrar que foram o acaso, nuns casos, e a necessidade de adaptação às condições do meio, noutros, que determinaram a evolução das espécies.
Lembrei-me disto a apropósito da publicação simultânea, com data de 5 de Janeiro, dos decretos regulamentares que estabelecem, repectivamente, os princípios da avaliação simplificada e as gratificações de gestão dos novos directores.
Acaso ou necessidade?
É que nos entretantos da batalha que se avizinha, deixar uns milhares de candidatos a directores e subdirectores a pensar que podem vir a ganhar mais umas centenas de euros - de 600 a 750 para directores e de 310 a 400 para subs - é mais uma medida de acalmia no mar encapelado onde voga a educação.
Dir-se-á que os professores, ou alguns, não se deixam comprar. Mas não é disso que se trata, apenas de reconhecer que para ter bons gestores é preciso pagar-lhes melhor e as gratificações agora aprovadas constituem um bom incentivo. Nada que se compare à banca, é certo, mas...
O novo ano avizinha-se prenhe de desafios e como se diz nos casinos "os dados estão lançados...façam os vossos jogos".
Avaliar a avaliação
Numa perspectiva estritamente de cidadania vale a pena olhar para o conflito entre o ME e os professores e interrogarmo-nos sobre os seus resultados para o reforço da qualidade das escolas e das aprendizagens e a pergunta óbvia é se não teria sido mais eficaz o caminho do diálogo e da negociação desde o início.
Por muito que alguns não queiram ver e aceitar, o ambiente de aprendizagem degradou-se e as escolas estão hoje piores do que há um ano atrás. O ME e o Governo podem ganhar o braço-de-ferro com os professores - contra a força não há argumentos - mas os alunos e o país não ganham nada com isso.
Por muito que alguns não queiram ver e aceitar, o ambiente de aprendizagem degradou-se e as escolas estão hoje piores do que há um ano atrás. O ME e o Governo podem ganhar o braço-de-ferro com os professores - contra a força não há argumentos - mas os alunos e o país não ganham nada com isso.
Trinta dinheiros
Um partido Madeirense distribuiu trinta euros por idoso como forma de chamar a atenção para o facto de a Assembleia Regional ter aumentado as subvenções aos partidos políticos locais.
Foi uma forma original e útil de protesto e talvez nunca um partido tenha conseguido um impacto mediático tão grande e uma aprovação tão generalizada com um investimento tão pequeno.
A medida suscitou dúvidas constitucionais ao representante do PR na Madeira, mas não parece ter perturbado a boa consciência de quem lá manda. Nos tempos difíceis que se atravessam nada melhor para reforçar a confiança na classe política do que aumentar-lhe o soldo. A Madeira é um jardim e sabe-se como a manutenção fica cara.
Foi uma forma original e útil de protesto e talvez nunca um partido tenha conseguido um impacto mediático tão grande e uma aprovação tão generalizada com um investimento tão pequeno.
A medida suscitou dúvidas constitucionais ao representante do PR na Madeira, mas não parece ter perturbado a boa consciência de quem lá manda. Nos tempos difíceis que se atravessam nada melhor para reforçar a confiança na classe política do que aumentar-lhe o soldo. A Madeira é um jardim e sabe-se como a manutenção fica cara.
domingo, 28 de dezembro de 2008
O cerco à escola
O episódio da escola do Cerco é bem ilustrativo da completa inversão de valores a que, em muitos casos, se chegou nos estabelecimentos de ensino.
Um grupo de alunos aponta uma pistola à cabeça da professora, por acaso era de plástico, um camaraman de ocasião filma, ainda bem se não nunca se saberia da ocorrência, e os responsáveis educativos desvalorizam e falam em "brincadeira de mau gosto".
Brincadeira? Insubordinação face aos regulamentos e ofensa à professora é o que é. É por estas e por outras semelhantes que os professores se sentem cercados, para não usar calão, e mal pagos.
Isto faz-me lembrar a história do puto que parte um vidro. Em tempos seria castigado, eventualmente a família obrigada a pagar o vidro. Hoje o mais certo é alguém perguntar "por que razão está o miúdo a chamar a atenção?".
Educar exige firmeza, valores, balizas. Hoje, em muitas escolas, tudo isto desapareceu e a"ideologia" oficial é o laxismo, ainda a melhor forma de evitar males maiores para os professores, esmagados entre a má educação e os comportamentos inadequados de muitos alunos e a olímpica indiferença dos responsáveis a quem competia agir para estancar o mal que ameaça gangrenar todo o sistema.
Nada disto é novo e sabe-se como o fenómeno se combate, nos países, nas cidades e nas escolas. Com tolerância zero para os infractores.
Infelizmente em Portugal, ao mais alto nível, parece que só o Procurador Geral da República percebe o que se passa nas escolas e o atentado a uma cidadania activa e responsável que isso significa.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
O impasse na educação
As férias do Natal são pouco dadas a grandes reflexões já que anda tudo ocupado na orgia das prendas e no consumo generoso de iguarias e bebidas. Mas a vida não pára e os problemas na educação também não.
A greve anunciada para dia 19 é o sinal de partida para o ano eleitoral. Ninguém está interessado nela (é uma opinião). Os professores começam a estar cansados porque nada de verdadeiramete importante, para além de terem demonstrado a sua força, resultou do braço de ferro dos últimos meses e é sabido que a força ou se usa para produzir efeitos palpáveis ou é como se não existisse.
Pelo lado do Governo já deve haver a consciência de que o arrastar da crise se transformou numa espécie de récita trágico-cómica em que o ME dá todos os dias o dito pelo não dito, aos bocadinhos, mas sem ir ao essencial da questão.
Ambos os contendores têm interesse em desatar alguns nós antes do dia 19, os sindicatos porque nada lhes garante que a elevadíssima taxa de adesão à greve se mantenha nos níveis anteriores, o que a acontecer, será sempre uma derrota; O ME porque corre o risco de se descredibilizar politicamente ainda mais num momento em que qualquer passo em falso pode ter consequências ainda mais dramáticas para a sua credibilidade.
O que resulta de tudo isto é a confirmação de que o impulso reformador dos governos não dispensa a adesão dos profissionais dos sectores em que se querem introduzir reformas. Pode-se não contar com todos, não se pode é ter quase todos contra.
Parece que há uma dúzia de professores que apoiam as políticas do ME. É pouco, tão pouco que se o ME tivesse juízo fingia que não sabia de nada. Há apoios que só incomodam e põem a ridículo os apoiados.
Pode ser que a humildade do Governo floresça neste tempo de Paz e Amor e o Novo Ano comece com um louvor à equipa do ME pelos elevados serviços prestados à Pátria e a sua substituição por uma task force refrescada e capaz de ganhar a confiança dos professores, sem a qual nenhum governo vai longe nas reformas que quiser empreender.
A greve anunciada para dia 19 é o sinal de partida para o ano eleitoral. Ninguém está interessado nela (é uma opinião). Os professores começam a estar cansados porque nada de verdadeiramete importante, para além de terem demonstrado a sua força, resultou do braço de ferro dos últimos meses e é sabido que a força ou se usa para produzir efeitos palpáveis ou é como se não existisse.
Pelo lado do Governo já deve haver a consciência de que o arrastar da crise se transformou numa espécie de récita trágico-cómica em que o ME dá todos os dias o dito pelo não dito, aos bocadinhos, mas sem ir ao essencial da questão.
Ambos os contendores têm interesse em desatar alguns nós antes do dia 19, os sindicatos porque nada lhes garante que a elevadíssima taxa de adesão à greve se mantenha nos níveis anteriores, o que a acontecer, será sempre uma derrota; O ME porque corre o risco de se descredibilizar politicamente ainda mais num momento em que qualquer passo em falso pode ter consequências ainda mais dramáticas para a sua credibilidade.
O que resulta de tudo isto é a confirmação de que o impulso reformador dos governos não dispensa a adesão dos profissionais dos sectores em que se querem introduzir reformas. Pode-se não contar com todos, não se pode é ter quase todos contra.
Parece que há uma dúzia de professores que apoiam as políticas do ME. É pouco, tão pouco que se o ME tivesse juízo fingia que não sabia de nada. Há apoios que só incomodam e põem a ridículo os apoiados.
Pode ser que a humildade do Governo floresça neste tempo de Paz e Amor e o Novo Ano comece com um louvor à equipa do ME pelos elevados serviços prestados à Pátria e a sua substituição por uma task force refrescada e capaz de ganhar a confiança dos professores, sem a qual nenhum governo vai longe nas reformas que quiser empreender.
O lado bom da crise
Lembram-se do tempo em que o petróleo subia imparavelmente e se olhava para o facto como uma inevitabilidade. Acabara o tempo do petróleo barato. Viu-se, hoje custa menos cem dólares o barril.
Agora a besta apocalíptica deixou de ser o crude, substituído pelo colapso financeiro e pela infecção que provocou na economia. A crise assola o mundo desenvolvido com todo o cortejo de consequências conhecidas e os analistas prevêem o pior para 2009.
Mas o que valem hoje as previsões? Pouco, como se sabe. Importante é mesmo reagir, olhar em frente e ver o lado positivo da derrocada, afinal vivíamos num mundo com pés de barro. Foi a crise que nos trouxe de volta à realidade.
Agora a besta apocalíptica deixou de ser o crude, substituído pelo colapso financeiro e pela infecção que provocou na economia. A crise assola o mundo desenvolvido com todo o cortejo de consequências conhecidas e os analistas prevêem o pior para 2009.
Mas o que valem hoje as previsões? Pouco, como se sabe. Importante é mesmo reagir, olhar em frente e ver o lado positivo da derrocada, afinal vivíamos num mundo com pés de barro. Foi a crise que nos trouxe de volta à realidade.
O exemplo da Grécia
A Grécia tem estado a ferro e fogo e os jovens estão na primeira linha de ataque. Não é o primeiro país europeu a sofrer distúrbios violentos deste tipo, nem será o último e, se o rastilho difere, as causas são mais ou menos comuns.
De repente, a morte de um jovem despoletou uma quase insurreição, que o governo se mostrou incapaz de estancar, não tendo conseguido impedir actos de destruição de uma dimensão incomum e prejuízos incalculáveis.
Há nisto tudo implicações políticas, mas há, sobretudo, um mal do tempo, uma juventude que se sente num beco, uma sociedade aparentemente bloqueada, um mundo que não oferece perspectivas. Foi na Grécia, mas pode vir a acontecer cá.
De repente, a morte de um jovem despoletou uma quase insurreição, que o governo se mostrou incapaz de estancar, não tendo conseguido impedir actos de destruição de uma dimensão incomum e prejuízos incalculáveis.
Há nisto tudo implicações políticas, mas há, sobretudo, um mal do tempo, uma juventude que se sente num beco, uma sociedade aparentemente bloqueada, um mundo que não oferece perspectivas. Foi na Grécia, mas pode vir a acontecer cá.
domingo, 14 de dezembro de 2008
Óbidos “Vila criatividade”
O título é uma réplica do nome do “produto” actualmente à venda em Óbidos, “Vila Natal”, e que atrai todos os dias milhares de visitantes com proveitos evidentes para o comércio e para a consolidação da imagem do concelho.
O que tem Óbidos a ver com o Natal que não tenha qualquer outra vila do país? O mesmo se poderá dizer do chocolate, outro produto que hoje lhe está emblematicamente associado.
O que Óbidos prova é que criatividade, inovação, risco são ingredientes de uma receita de sucesso, seja para vender chocolate, o Natal ou qualquer outro produto ou serviço. E o que é válido para as empresas é válido para as autarquias.
O que tem Óbidos a ver com o Natal que não tenha qualquer outra vila do país? O mesmo se poderá dizer do chocolate, outro produto que hoje lhe está emblematicamente associado.
O que Óbidos prova é que criatividade, inovação, risco são ingredientes de uma receita de sucesso, seja para vender chocolate, o Natal ou qualquer outro produto ou serviço. E o que é válido para as empresas é válido para as autarquias.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
A política do sabonete
Há tempos, um célebre publicitário disse que “vender” um político é o mesmo que “vender sabonetes”. Sócrates aprendeu a lição e ganhou a primeira maioria absoluta para o PS.
De então para cá o “show” nunca mais parou e a política espectáculo instalou-se para gáudio de apoiantes e de opositores. Os primeiros porque vibram e se orgulham das qualidades e da obra do líder; os segundos porque encontram nesse estilo matéria para crítica e contra-propaganda.
Manuela Ferreira Leite não quer ser um “sabonete” e recusa-se a alinhar na mediatização da política. Está no seu direito. Mas fica no ar uma pergunta óbvia, como quer a Sr.ª ganhar eleições?
De então para cá o “show” nunca mais parou e a política espectáculo instalou-se para gáudio de apoiantes e de opositores. Os primeiros porque vibram e se orgulham das qualidades e da obra do líder; os segundos porque encontram nesse estilo matéria para crítica e contra-propaganda.
Manuela Ferreira Leite não quer ser um “sabonete” e recusa-se a alinhar na mediatização da política. Está no seu direito. Mas fica no ar uma pergunta óbvia, como quer a Sr.ª ganhar eleições?
Negociações envenenadas
Era inevitável. O ME e os sindicatos vão voltar à mesa das negociações. Aos sindicatos não interessava a mudança da equipa do ME, nunca forçaram essa nota. O perigo para estes advinha de uma nova equipa que falasse directamente para os professores, que fosse capaz de criar empatia com a classe menorizando os sindicatos.
Ora, como é sabido, o líder da plataforma sindical tem a sua própria agenda política e a FENPROF é apenas um dos instrumentos que usa para se promover na hierarquia do PCP e da CGTP.
Para Mário Nogueira é preferível a actual equipa do que uma rejuvenescida e que fosse capaz de restabelecer os vínculos afectivos com a classe docente. Como o desnorte impera na ME e já nem os presidentes dos conselhos executivos são interlocutores, restam os sindicatos para prosseguir a farsa negocial.
Neste momento A Ministra é a melhor aliada de Nogueira e vice-versa e os outros líderes sindicais vão atrás segurando o andor.
Como diria o Eça "isto é uma choldra" e até os deputados do PSD se marimbaram para a votação da proposta do CDS/PP que poderia ter parado o processo da avaliação e introduzido um dado novo na questão.
Para já foram decretadas tréguas de Natal e não se antevê nada de positivo no "sapatinho" dos professores. Quando era necessário manter a pressão, eis que os sindicatos abrem as válvulas e deixam esturricar o capital tão duramente conquistado.
Como já se percebeu os sindicatos cavalgam a onda quando há perigo de tsunami, mas desmontam logo que percebem que controlam a situação.
É por isso que esta luta não prescinde de ir muito além dos sindicatos, de se ancorar em cada escola, em cada professor, de merecer o apoio de cada pai, de cada autarca, de cada português que preserva a herança de uma escola que valoriza os professores, a sua experiência, os seus saberes e o seu empenhamento.
Os malefícios da escola portuguesa não são culpa dos professores.
Negociações? Certamente, mas com outra equipa e com outra política.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Não brinquem (mais) com os professores
Depois da greve história de ontem, a Ministra foi ao Parlamento dizer que está disponível para mudar o sistema de avaliação para o ano.
- Desculpe! V.ª Ex.ª disse "para o ano"?
Talvez valha a pena recordar que para o ano vai haver eleições e certamente mudanças nos ministérios.
A isto chama-se gozar com o parceiro, neste caso com todos os professores. Devia ser a isto que o "professor do ano 2007", galardoado com pompa e circunstância pela Ministra, ontem se referia na TSF como "coisas que lhe davam repugnância".
Haja decoro e sentido de Estado, que é coisa que a equipa do ME há muito perdeu. A revisão do estatuto e da famigerada avaliação eram para ontem, nunca "para o ano".
Como já se viu, a coisa vai mesmo ter de se extremar ainda mais e como na evolução das espécies resistem as que se adaptam, as outras extinguem-se, esta equipa do ME só pode mesmo ser uma espécie em vias de extinção, porque não é crível que sejam os professores a desaparecer.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Barack Obama - Cortesia, boas maneiras e investimento na educação
Estou a ler um livro de Barack Obama - A Audácia da Esperança. Vale a pena conhecer melhor o homem, para além do político. Ficam aqui dois pequenos excertos pela actualidade e relação com a escola.
«..dou valor às boas maneiras. Sempre que conheço um miúdo que fala com clareza e me olha olhos nos olhos, que me diz "sim, senhor" e "obrigado", "por favor" e "desculpe" sinto-me mais esperançoso em relação ao nosso país. Penso que não sou só eu que sente isto. Não posso legislar sobre boas maneiras, mas posso encorajá-las sempre que me dirijo a um grupo de jovens.» (pp. 72-73)
" Não há dinheiro no mundo que chegue para fazer disparar o sucesso dos estudantes, se os pais não se esforçarem para lhes inculcar os valores do trabalho e do adiamento da gratificação". (p. 74)
A questão do "adiamento da gratificação" é central na motivação dos estudantes, representa a consciência de que a educação é um investimento a prazo e aquilo que pode parecer uma "seca" é o passaporte para um futuro melhor.
O facto de muitas crianças das clases socialmente mais desfavorecidas apresentarem elevados níveis de desmotivação e falta de empenho escolar tem a ver com a incapacidade familiar para pensar a educação em termos de investimento, dadas as dificuldades de subsistência quotidianas, que os levam a focar-se no imediato e a serem incapazes de perspectivar o futuro.
domingo, 30 de novembro de 2008
O conflito na educação visto pelo prisma da liderança e da inteligência emocional
O Governo está completamente equivocado na forma como está a gerir o conflito com os docentes. Na verdade, o entendimento necessário não é com os sindicatos, mas com os professores. Bem pode o presidente da FENPROF acentuar que são os sindicatos que representam os professores, é verdade, mas só representam alguns e já há muito tempo que a dinâmica de rejeição das políticas e da atitude do ME para com toda a classe ultrapassa largamente a acção dos sindicatos.
Se o Governo quer pacificar o campo educativo, e só admito que o faça pelo diálogo, tem de perceber que o obstáculo não são os sindicatos nem os professores, mas a própria equipa do ME. Se o Primeiro Ministro quiser ser parte da solução e não do problema tem de demitir rapidamente a equipa que dirige o ME, por uma razão simples e que é do domínio das teorias da liderança e se fundamenta nos princípios da inteligência emocional.
Quebrou-se totalmente o vínculo emocional que liga os professores ao Ministério e o que devia ser ressonância (Goleman et al, 2003) tornou-se dissonância, o que impede qualquer entendimento ou colaboração. As emoções tóxicas tornaram-se dominantes e inviabilizam o restabelecimento da confiança e do diálogo.
Tal como na Saúde Correia de Campos percebeu isso e o Primeiro Ministro também, é forçoso que no conflito da Educação se entenda que não há saída para o problema sem mudança de caras e de procedimentos. Os professores perderam, há muito, a confiança em quem supostamente os devia liderar, e quando os líderes perdem a confiança dos liderados, deixam de o ser.
Espero, sinceramente, que não se caia na tentação de fazer da anunciada greve do dia 3 uma forma de tentar partir a espinha ao movimento de contestação docente, e que haja a iniciativa política suficiente para encontrar uma solução que resolva o problema de fundo e não qualquer cosmética de ocasião.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
A conflitualidade escolar
As escolas são hoje locais de elevada conflitualidade entre professores, alunos e pais. O fenómeno é geral. O mau comportamento, o desrespeito pelos professores e as agressões tornaram-se comuns.
Em Inglaterra tentam travar o fenómeno com multas pesadas a alunos e pais. Fernando Savater assinala como causa maior a erosão da autoridade familiar e a desresponsabilização desta pelos comportamentos das suas crianças e jovens.
Por cá os professores desesperam e sentem-se abandonados à sua sorte. Mas não tem de ser assim. As escolas são organizações e como tal devem funcionar, não numa base individual, mas colectiva.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
O exemplo Britânico
Os pais dos alunos com comportamentos violentos nas escolas britânicas vão passar a ser multados num valor que pode ir até aos 1450 euros. 'As intimidações verbais e físicas não podem continuar a ser toleradas nas nossas escolas, seja quais forem as motivações' sublinhou a Secretária de Estado para as Escolas.
Disse também que ' as crianças têm de distinguir o bem e o mal e saber que haverá consequências se ultrapassarem a fronteira'. Acrescentou ainda que 'vão reforçar a autoridade dos professores, dando-lhes confiança e apoio para que tomem atitudes firmes face a todas formas de má conduta por parte dos alunos'.
A governante garantiu que 'as novas regras transmitem aos pais uma mensagem bem clara para que percebam que a escola não vai tolerar que eles não assumam as suas responsabilidades em caso de comportamento violento dos seus filhos. Estas medidas serão sustentadas em ordens judiciais para que assumam os seus deveres de pais e em cursos de educação para os pais, com multas que podem chegar às mil libras se não cumprirem as decisões dos tribunais'.
O Livro Branco dá ainda aos professores um direito 'claro' de submeter os alunos à disciplina> e de usar a força de modo razoável para a obter, se> necessário.
Em Portugal, como todos sabemos, o panorama é radicalmente diferente. Por cá, continua a vingar a teoria do coitadinho: há que desculpabilizar as crianças até ao limite do possível, pois considera-se que o aluno é intrinsecamente bem formado, o que o leva a assumir comportamentos desviantes são factores externos (contexto> social e familiar) que ele coitado não consegue superar.
Temos assim que o aluno raramente é penalizado e quando o é, os castigos ficam-se na sua maioria por penas ligeiras, não vá correr-se o risco de o menino/a sofrer traumas que o podem marcar para o resto da vida. As notícias sobre actos de vandalismo, de agressão, de indisciplina e de violência praticados em contexto escolar que, com progressiva frequência vamos conhecendo, deviam merecer da parte de quem tutela a educação, medidas mais enérgicas que infelizmente tardam em chegar. (Anónimo, em circulação na net)
Aumento da violência nas escolas reflecte cise de autoridade familiar
Embora o texto que se segue diga respeito à indisciplina nas escolas espanholas, realidade que desconheço, estou em crer que a generalidade dos professores do ensino básico e secundário português o subscreveria, considerando-o uma análise muito lúcida do actual estado do nosso ensino.
Especialistas reunidos em Espanha consideram que o aumento da violência nas escolas reflecte a crise de autoridade familiar. Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.'
As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo FernandoSavater.' As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.
Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade',preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e semconflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para osprofessores. No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador,'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre osfilhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa..'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'. Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola'deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação demuitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.
A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.' A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e umprivilégio'.
'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa .Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.' Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou. Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam. Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres. (Anónimo em circulação na net)
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
O drama do desemprego
Nesta sociedade de contrastes há os que passam incólumes pela crise e os que perdem tudo, alguns até a dignidade. A grande maioria tenta resistir como pode, mas cada vez com mais dificuldade.
O desemprego é um espectro em crescimento e a erosão social e familiar que origina, num país em que a Segurança Social está longe de assegurar padrões satisfatórios de subsistência, assume a dimensão de drama humano.Quem não consegue encontrar emprego ou perde o que tem vê o mundo desmoronar-se à sua volta, mas só há um caminho, ir à luta, ter ideias positivas, acreditar numa oportunidade e não se deixar abater.
Subscrever:
Mensagens (Atom)