sábado, 14 de março de 2009

O grau zero da política

A política é feita de discussão e de opções e é, precisamente, o facto de as pessoas poderem optar e sentirem que a sua escolha pode ser determinante que as motiva e torna participativas.
O contrário leva ao alheamento, à desmotivação e ao descrédito da política e da democracia, tendência inegável em Portugal, onde se estreita progressivamente o crédito da actividade cívica.
Agora virou moda tirar candidatos da cartola, como se de ilusionismo se tratasse, escolher de acordo com sondagens prévias e centralizar a escolha até dos candidatos locais. Aos eleitores resta apenas votar. Não será pouco?

Ser ou não ser...fundação

É o tema do momento no Instituto Politécnico de Leiria. Decorre um processo de esclarecimento/auscultação conduzido pelo Presidente, no final do qual este apresentará...,ou não, um pedido formal ao Conselho Geral para que se inicie o processo de negociação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.O simples facto de o assunto estar a ser discutido significa que o IPL é um instituto de excepção. É que em matéria de poder aspirar a ser fundação, não é quem quer, mas quem pode, isto é, quem possui os requisitos necessários para se abalançar à negociação.O IPL tem sido pioneiro em muitas áreas, nomeadamente na formação dos seus docentes, tendo organizado o único programa colectivo de doutoramentos entre todas as instituições de ensino superior, que envolve quase quatro centenas de docentes.Já o está a ser também relativamente ao regime fundacional.

domingo, 8 de março de 2009

A mexicanização do sindicalismo docente

Falando um dia deste com um consultor internacional, que esteve em missão recente no México, dizia-me ele que o sindicato dos professores é a maior força de pressão do país, controla cerca de 10 milhões de votos, constituiu um partido político e é, verdadeiramente, quem controla a educação no país. Usando uma expressão forte "vende os votos a quem lhe assegurar mais regalias".
Lembrei-me disto a propósito do "cordão humano" e do aproximar das eleições. O fantasma da perturbação das actividades lectivas e avaliativas no terceiro período começa a inquietar os pais, mas não perturba menos os partidos ante a perspectiva de terem de lidar com a agitação escolar em vésperas de três actos eleitorais.
A estratégia dos sindicatos, ou da FENPROF (?), começa a ser perceptível, fazer sentir aos partidos que os votos dos professores podem ser decisivos para as suas aspirações. Quem prometer mais...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Mulheres

Não é necessário ser profeta ou futurólogo para que se possa afirmar que o século XXI vai ficar marcado pela conquista definitiva da plena igualdade entre mulheres e homens, nas chamadas sociedades ocidentais.
Nas restantes continuará a existir uma acentuada diferenciação, ainda que em graus desiguais, pois a questão da igualdade de género assenta em conceitos não universais e que, manifestamente, não encontram suporte incontestado.
Às vezes há a tentação etnocêntrica de considerar o mundo à nossa imagem e semelhança, mas a realidade é muito mais rica e complexa do que se pretende. Talvez alguns acreditem numa cruzada, mas que não se tenham ilusões, os crentes são sempre menos do que os bárbaros.

domingo, 1 de março de 2009

Os pobres que paguem a crise

Quando a crise começou não se imaginava o cortejo de negociatas, manobras financeiras e fugas ao fisco, que respeitáveis banqueiros e gestores, gente do jet set, beneméritos e comendadores tramavam para engordar as respectivas contas bancárias e fazerem de parvo quem trabalha e tem os impostos em dia.
De repente o mundo revelou-se como um enorme casino e descobriu-se uma vulgar bandidagem disfarçada de elite, que ao roubo por esticão prefere meios mais sofisticados e eficientes.
Não surpreende, pois, que sejam os mais pobres a pagarem a crise, a irem para a rua e a serem espoliados dos empregos. Responsabilidade social das empresas, o que é isso?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Terça-feira gorda

Um dia celestial. Um Sol fulgurante e um friso de pessoas que passam. Sentado num banco de jardim observo a condição humana. Por momentos esqueço-me de tudo e concentro-me nos tipos que passam. O lastro de ruralidade, mesmo nas cidades, persiste.
Pego no jornal e cá está a prova do nosso atraso, evoluimos, mas muito lentamente, não é um problema de gerações, é muito mais fundo, é de cultura.
O programa mais visto nas televisões, no domingo, foi o "Não há crise". Afinal o riso é a melhor terapia. Ganhou a "Equador", e está tudo dito.
Em Viseu, numa feira, a polícia apreendeu um livro de arte porque na capa tinha imagens pornográficas.
O moralismo é terrível, já noutro dia uma ilustre procuradora mandara tapar um Magalhães porque tinha "mulheres nuas" no ecrã. A censura volta a atacar.
Simplesmente, nem as imagens dos magalhães eram obcenas nem as do livro de arte pornográficas. Neste caso, tratava-se tão só de uma reprodução do magnífico quadro de Courbet, pintor francês do século XIX, "A Origem do Mundo", que retrata uma mulher nua e evidencia as suas zonas mais erógenas. O quadro está exposto no Museu de Orsay, em Paris, e não há notícia de que, a não ser os polícias dos bons costumes, alguém se tenha incomodado perante a nudez da maternidade.
É isto Portugal, um país onde o programa de televisão mais visto é um repositório de situações que suscitam o riso e onde a polícia ainda persegue as obras de arte. Para terça-feira gorda, não se arranjaria melhor!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Faz-de-conta

É sabido que a política e os políticos estão desacreditados aos olhos da maior parte das pessoas e que já quase ninguém acredita na seriedade de quem desempenha cargos político-partidários.
Também se sabe que os políticos não são uma espécie rara, são apenas representantes da população em geral, pelo que quando alguém se olha ao espelho da política se vê lá reflectido enquanto parte deste povo que somos.
Afinal todos nós sabemos que a falta de participação gera a mediocridade, que a desistência corrói, que a maledicência é o húmus do negativismo e que o faz-de-conta não alimenta consciências livres.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Liberdade para morrer

Nascer não é um acto de vontade, é um arbítrio. Ao contrário, morrer pode ser um arbítrio ou um acto de vontade, do próprio ou de terceiros. Apesar da controvérsia, é cada vez mais amplo o movimento para que se reconheça o direito a uma morte digna e desejada.
Um ser humano é corpo e espírito/consciência. O corpo é instrumental, a consciência substantiva. Há quem viva preso no corpo, mas um corpo, só por si, não é ninguém, é apenas uma coisa com nome.
Quando a consciência desaparece fica somente um corpo sem préstimo. Eluana Englaro foi exemplo disso. Negar o direito a uma morte que libertasse aquele corpo seria um acto de opressão e Deus nunca pode estar do lado dos opressores.

Liberdade para morrer

Nascer não é um acto de vontade, é um arbítrio. Ao contrário, morrer pode ser um arbítrio ou um acto de vontade, do próprio ou de terceiros. Apesar da controvérsia, é cada vez mais amplo o movimento para que se reconheça o direito a uma morte digna e desejada.
Um ser humano é corpo e espírito/consciência. O corpo é instrumental, a consciência substantiva. Há quem viva preso no corpo, mas um corpo, só por si, não é ninguém, é apenas uma coisa com nome.
Quando a consciência desaparece fica somente um corpo sem préstimo. Eluana Englaro foi exemplo disso. Negar o direito a uma morte que libertasse aquele corpo seria um acto de opressão e Deus nunca pode estar do lado dos opressores.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Um país de corruptos

Se olharmos para o nosso país através do filtro mediador da comunicação social sentimo-nos a viver num país de corruptos. Mais, parece que a corrupção tem maior importância do que a crise gravíssima em que estamos mergulhados.
Longe de mim desvalorizar a luta contra a corrupção ou minimizar o efeito deletério que esta assume em qualquer sociedade, mas também não me parece benéfico, nem para o futuro do país nem para a auto-estima dos portugueses, que se instale a ideia de que a corrupção é o nosso principal problema.
O que o país precisa é de um pacto para afrontar a crise e não que nos distraiam do essencial.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Voluntariado

O voluntariado docente é uma prática muito comum pelo mundo fora. A ideia do ME seria de saudar, e uso o condicional pois não é este o tempo nem é este o governo de quem se possa aceitar uma tal proposta.
Como todos sabem, este governo não tem os professores em grande conta e tudo tem feito para mandar embora os mais experientes.
A que propósito voltariam agora à escola? Só se fossem masoquistas.
O voluntariado é uma prática nobre mas como não é com vinagre que se apanham moscas, a proposta é deslocada, está fora de tempo e é quase uma provocação vinda de quem vem.
Mas, para além da ideia, fica a demonstração da mentalidade normativa de quem dirige o ME. Até o voluntariado tem de ser regulado mesmo nos mais ínfimos pormenores. Na sanha regulamentadora e avaliadora que agora faz escola, nao faltava mais nada a não ser um concurso para voluntários e a consequente auto-avaliação. Safa! como dizia Cavaco Silva nos bons velhos tempos do Cavaquistão.
Já agora, onde é que fica a autonomia das escolas?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Curso em Direcção, administração e gestão de organizações escolares

É já no dia 6 de Março que se inicia o curso de formação especializada/pós-graduação em Direcção, administração e gestão de organizações escolares, que vai funcionar na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (nova denominação da ESE) do Instituto Politécnico de Leiria.
Assumidamente destinado à formação de líderes e gestores escolares, tem um plano de estudos adaptado às necessidades fundamentais, teóricas e práticas, de quem se quer qualificar para dirigir e gerir escolas e um corpo docente onde o compromisso entre académicos, técnicos e gestores escolares experientes é evidente.
Concebido por forma a proporcionar oportunidades de reflexão numa perspectiva internacional, o curso conta com a participação especial de dois professores catedráticos de universidades espanholas, Manuel Lorenzo Delgado, da Universidade de Granada, uma referência na área da liderança, e Tomás Banegil Palácios, da Universidade da Extremadura, especialista em gestão de recursos humanos.
Também dão o seu contributo inestimável Edmundo Gomes, Director do Gabinete de Gestão Financeira do Ministério da Educação, João Paulo Mineiro, presidente de um conselho executivo e galardoado com o prémio de liderança 2008, atribuído pelo ME, Rodrigo Queiróz e Melo, da Universidade Católica e especialista em questões do ensino particular e cooperativo, Fernando Pina, chefe de serviços administrativos e com larga experiência em contabilidade escolar, Maria João Braga da Costa jurista especializada em questões educativas e Marco Trindade, especialista em software de apoio à gestão escolar.
Alzira Marques, Antónia Barreto, Brites Ferreira, Lúcia Oliveira e José Manuel Silva, professores do IPLeiria, completam o corpo docente do curso.
O funcionamento será quinzenal para facilitar a frequência por parte de pessoas que não sejam da região e tenham de pernoitar em Leiria de sexta-feira para sábado, dias em que o curso terá sessões. O alojamento a preços reduzidos será possível nas residências e pousada do IPL, assim como a alimentação.
Mais informações em http://www.esecs.ipleiria.pt/

Avaliação internacional do 1.º ciclo

Para os que se interessam por ir ao fundo das questões e não apenas pelos soud bites da comunicação social, é imperativo ler com toda a atenção o relatório elaborado por peritos internacionais.
Para que não haja desculpas, aqui fica o link:
http://www.governo.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Ministerios/ME/Comunicacao/Notas_de_Imprensa/20090126_ME_Com_Avaliacao_Basico.htm

Para além da euforia do Governo, ficam as apreciações críticas da comissão que elaborou o relatório sobre muitas questões que todos consideram merecedoras de reparo.
Naturalmente que num ou noutro passo, o relatório evidencia perspectivas que resultam de uma apreciação feita com olhos "de fora" e que nem sempre se compaginam com a cultura escolar portuguesa.
Dou um exemplo, a solução unipessoal para as direcções das escolas. De um ponto de vista meramente técnico, a solução director é recomendável como geradora de lideranças mais fortes, requisito considerado essencial para assegurar uma direcção estratégica das organizações mais eficaz. Esta perspectiva é reforçada por muitas experiências internacionais que consagram este modelo e que acham surrealista o formato que vigorou em Portugal nas últimas três décadas.
No entanto, é muito difícil encontrar nas escolas portuguesas quem concorde com a nova solução, sejam professores, sejam os próprios gestores escolares e quase todos afirmam preferir o modelo anterior, por o considerarem mais democrático e participativo.
"É a cultura, estúpido", como diria Clinton. Só não percebe quem olha para a realidade e não consegue compreender que esta existe independentemente da nossa vontade, o que acontece com os reformadores do ME, convencidos que mudam tudo de acordo com a sua orientação política, como quem muda as peças de um lego.
Este relatório é um documento útil e deve ser lido e reflectido como tal e não encarado como um frete ao governo e, por isso, lançado ao caixote do lixo, sem mais.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O porto inseguro de Sócrates

O Freeport tornou-se o porto inseguro de Sócrates. Acredito na sua inocência e não posso deixar de me recordar da história do lobo e do cordeiro. " - Se não foste tu, foi o teu pai (tio e primo, neste caso)", mesmo que ainda nada se tenha provado de substantivo relativamente a qualquer deles.
Qual crise, qual desemprego galopante, qual colapso de milhares de economias familiares. O Freeport é que parece ser a verdadeira preocupação do país.
Em momentos de tormenta torna-se ainda mais premente um timoneiro. Alguém vê outro melhor do que Sócrates? Então por quê esta sanha de o atirarem ao tapete sem indícios palpáveis, apenas com base em suposições e declarações inócuas? E a justiça? Não é essa a sede própria para tratar do assunto?
Custa-me imenso ver os jornalistas a fazer o papel de investigadores, tanto mais que em sede própria há meios de defesa e na comunicação social resta a fogueira, como nos tempos da Santa Inquisição.
Que não se goste de Sócrates é uma liberdade que cada um administra como quer, mas crucificá-lo assim é uma imoralidade e um atentado aos mais elementares princípios que devem reger uma sociedade democrática.
A liberdade de informação nem sempre se compagina com a necessidade de aumentar as tiragens e as vendas.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O milagre do Hudson

A amaragem de um avião com cento e cinquenta passageiros a bordo é um feito invulgar, ainda mais quando todos se salvam e apenas um sofre ferimentos dignos de registo.
Como todos pudemos observar em directo pela CNN, o socorro foi imediato, ficando para a história a imagem inusitada de dezenas de passageiros em cima das asas, aguardando calmamente na “fila” para embarcarem rumo à margem.
Tudo pareceu simples e rotineiro e o drama vivido nos poucos minutos que o avião esteve no ar ficou em segundo plano face à capacidade do piloto, à proximidade do rio, à calma das águas, à rapidez da evacuação, à sorte. Às vezes há milagres.

Os casamentos de homosexuais

O tema foi anunciado como um dos tópicos fracturantes que o PS vai colocar à consideração dos portugueses nas próximas legislativas. Só num país ainda refém de um lastro de ideias obsoletas é que esta matéria suscita excitação. Até os nossos vizinhos espanhóis já arrumaram este assunto.
Mário Soares não perdeu tempo e veio dizer que o tema não é prioritário que o que se deve discutir são as assimetrias sociais e dar mais importância a trabalhadores e sindicatos.
Ora bem, que eu saiba, os nossos concidadãos, homens e mulheres, que têm uma orientação sexual deste tipo também são trabalhadores, alguns são sindicalizados, uns com bons empregos, outros desempregados.
Quero eu dizer que não me parece muito justo que quando se fala deste tema sempre alguém venha dizer que não é oportuno discuti-lo, que há outras prioridades mais importantes. Claro que há coisas mais importantes, por isso mesmo, resolva-se o assunto e passe-se adiante.
O casamento é um contrato e, como tal, qualquer pessoa deve ser livre de o celebrar.
Quanto aos aspectos religiosos da questão, que se resolvam no âmbito de cada congregação. Ninguém é obrigado a ter devoção a N.Sr.ª de Fátima, mas também ninguém é impedido de o fazer.
Se duas pessoas do mesmo sexo se querem casar, devem poder fazê-lo livremente, como livremente todos os heterosexuais o fazem. Que sejam muito felizes, é o que lhes desejo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Voltando à vaca fria

Hoje estive à conversa com uma amiga e militante do PS. A avaliação dos professores foi o prato forte. Ela a favor, eu contra. De um lado a retórica oficial do PS, do outro um militante desalinhado.
Claro que sou suspeito, fui professor do secundário durante mais de uma década e sou formador de professores há mais de duas. Para além disso sou sindicalizado e fui fundador do sindicato onde sou filiado. Tudo graves predicados que não abonam a favor de um crítico do processo de avaliação do desempenho dos professores e militante do PS.
Tenho, no entanto, um argumento moral, a experiência prática de avaliar centenas de candidatos a professores e de professores no activo. Acho que sei alguma coisa do assunto, não só teoria, mas também de experiência vivida.
Acresce que não sou directamente interessado no assunto, pois não estou em causa enquanto avaliado, o que me reconforta para poder ter uma posição independente da defendida oficialmente pelo partido onde milito.
Tudo visto e somado, por que haveria eu de ter a posição que tenho se não fosse por convicção e por esta decorrer de uma análise fundamentada da realidade portuguesa? Claro que não sou contra a avaliação dos professores, pelo contrário, acho-a indispensável. Quando ainda pouco se falava do assunto orientei mesmo seminários sobre a matéria, numa perspectiva de sensibilização, mas a forma como o processo se desenrolou tornou-o quase inviável.
Ninguém no seu perfeito juízo pode pensar em generalizar um processo destes passando uma esponja sobre o passado, pois por muito que a propaganda o queira esconder, já havia avaliação de professores e se o processo não era o melhor a culpa não foi dos avaliados, mas dos decisores políticos.
Para além disto, o processo foi inteiramente concebido por técnicos do ME sem intervenção de especialistas com currículo reconhecido na matéria e sem qualquer discussão digna desse nome com as associações e sindicatos que representam os professores.
Depois, ignorou-se a realização de qualquer prática experimental que contribuísse para aferir os instrumentos e aperfeiçoar todo o processo.
Finalmente, matou-se a sua credibilidade, antes mesmo deste estar em prática, ao ter-se feito um concurso para titulares, cuja arbitrariedade técnica e ausência de escrúpulos éticos ao nível da concepção e da aplicação, o tornaram num aborto em que ninguém se revê, à excepção de quem o concebeu e de quem julga poder tirar algum partido da sua existência.
É por tudo isto que se chegou ao ponto em que estamos e, verdadeiramente, ninguém sabe como se há-de sair deste atasqueiro.
Perdoem-me a insistência, mas a única saída airosa era a substituição da equipa do ME por uma mais fresca e isenta de culpas neste cartório, capaz de ganhar a confiança da classe docente e de conseguir um entendimento com ela, sem vencedores nem vencidos, consensualizando uma solução transitória e fazendo caminho para pôr de pé um processo de avaliação mais consentâneo com as metodologias internacionalmente mais vulgarizadas e com a realidade das escolas portuguesas. E, claro, reformulando a questão dos titulares.
Pacificavam-se as escolas e o PS reconquistava uma parte do eleitorado que alienou, ou vai alienar, se este braço-de-ferro continuar.
Sinceramente, ninguém consegue fazer chegar esta mensagem ao Primeiro Ministro? A minha teoria é que ele anda enganado por assessores e pela equipa do ME, porque o homem é determinado (alguns dizem teimoso) e um bocado arrogante, mas não é parvo nem quer perder a maioria absoluta.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Obama - Um presidente global

O mundo contemporâneo é fertil em situações inusitadas que só a revolução científica e tecnológica permanente a que assistimos permite e justifica.
A posse de Obama é um acontecimento global e este já se transformou num ícone, à semelhança de uma estrela pop, de um desportista de topo, de uma princesa do jet set.
Por isso Barack Obama vai ser hoje empossado como o 1.º Presidente Global, e em todo o mundo homens e mulheres de todas as raças, credos e orientações se revêem nele como, provavelmente, se não revêem nos respectivos governantes.
Alguns dirão que ele lidera uma tribo global, sedenta de liderança e de energia transformadora. Os profetas da desgraça entoam ladaínhas sobre a incapacidade de Obama corresponder às expectativas criadas, por demasiado elevadas.
Seja como for, We can! é um hino à autoconfiança que, segundo Buda, é o maior tesouro de cada pessoa.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Por favor enterrem a avaliação

O direito à indignação concretizou-se mais uma vez na elevada taxa de adesão à greve. Pouco importa a guerra dos números, quando só os que não querem ver podem pretender esconder a realidade.
As escolas pararam, os putos gozaram o dia sem aulas de substituição e os pais tiveram mais uma dor de cabeça para resolver.
A greve soou como o gong para mais um round desta disputa que o ME e o Governo, ou o contrário, teimosamente mantém como se não houvesse escola para além da avaliação, como diria Jorge Sampaio.
Dos Açores chega a notícia de que o processo foi suspenso, ou tão simplificado que vai dar no mesmo. Na Madeira já Jardim resolvera dar Bom a todos os docentes. A miopia do ME está a tranformar uma coisa que devia ser séria numa autêntica ópera bufa, descredibilizando a própria matriz que um processo desta natureza pressupõe.
A avaliação do desempenho é um cadáver putrefacto que os professores, por misericórdia, devem enterrar rapidamente, juntando-lhe o concurso para titulares, única forma de se devolver à escola estatal portuguesa a dignidade perdida.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Dia D

Amanhã se saberá como vai evoluir a luta dos professores. A adesão à greve condiciona o futuro. Como alguém diz num mail que anda por aí a circular "quem não aderir à greve é porque já está morto". Assim mesmo, sem rodeios.
E como dos fracos não reza a História e os mortos não se revoltam, esperemos que a indignação seja mais forte que a desesperança.