domingo, 29 de março de 2009

O Papa e os dramas de África

A viagem de Bento XVI a África salda-se por muitos sucessos e por um perigoso equívoco. A defesa da paz, a emancipação das mulheres, a luta contra a discriminação, ficam a ecoar como palavras de esperança.
O mesmo se não poderá dizer da condenação do uso de preservativos. Conhecidos que são os princípios da Igreja Católica sobre a matéria, não se espera que o Papa os renegue. Mas insinuar que aqueles podem contribuir para o agravamento da epidemia, é ignorar o que a medicina comprova.
A castidade é preferível aos preservativos, mas perante as fraquezas da carne não se conhece melhor meio de defesa.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O topo norte

O topo norte do estádio de Leiria é um monumento emblemático. Qual escultura modernista, interpela-nos acerca das virtudes e incapacidades do poder. Representa a euforia do EURO 2004 e o seu contrário, o despesismo e o endividamento numa obra majestática e subaproveitada.
Pensado para rentabilizar comercialmente o empreendimento, transformou-se no oposto, um destroço caro e improdutivo, um sumidouro de dinheiros públicos, uma evidência de incapacidade.
O cidadão olha e encolhe os ombros, como se não saísse do bolso de todos o pecúlio que ajuda a pagar o serviço da dívida, sem qualquer contrapartida. É o fado português no seu melhor.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Líderes e lideranças em escolas portuguesas. Trajectos individuais e impactos organizacionais.

Para os que se interessam pelo tema, deixo-vos o resumo da minha tese de doutoramento. Se alguém estiver interessado na versão integral, basta pedir-ma para: jmsilva@esecs.ipleiria.pt

RESUMO
Com esta investigação visa-se aprofundar o conhecimento sobre presidentes de conselhos executivos de escolas secundárias públicas estatais portuguesas, reconstituindo os seus trajectos pessoais e profissionais, caracterizando a forma como desempenham os seus cargos, identificando as suas características de liderança, avaliando os impactos organizacionais daí decorrentes e a influência que esta multiplicidades de factores exercem nos resultados globais dos alunos.

RESUMEN
Con esta investigación, nuestra intención es progresar en el conocimiento sobre los presidentes de los conselhos executivos de las escuelas secundarias públicas del Estado en Portugal, reconstituyendo sus trayectos personales y profesionales, caracterizando la manera de desempeñar sus funciones, identificando sus características de liderazgo, valorando los consiguientes impactos organizacionales y la influencia que esta multiplicidad de factores ejercen en los resultados globales de los alumnos.

SUMMARY
This investigation aims to further the knowledge about Executive Board Directors of Portuguese state secondary schools, reconstituting their personal and professional paths, characterizing the way they deal with their positions, identifying their leadership characteristics, evaluating the organizational impacts resulting from these factors and the influence that this multiplicity of factors has on students’ global results.

Palavras chave: Educação, administração da educação, gestão da educação, organizações, líderes, liderança.

sábado, 14 de março de 2009

Anonimatos

Manter o anonimato é um direito que assiste a qualquer cidadão, mas subscrever as opiniões que se defendem não escondendo a cara na sombra é um dever cívico que tolera muito poucas excepções.
Este blogue é um espaço de liberdade, não uma tribuna para anónimos.

O grau zero da política

A política é feita de discussão e de opções e é, precisamente, o facto de as pessoas poderem optar e sentirem que a sua escolha pode ser determinante que as motiva e torna participativas.
O contrário leva ao alheamento, à desmotivação e ao descrédito da política e da democracia, tendência inegável em Portugal, onde se estreita progressivamente o crédito da actividade cívica.
Agora virou moda tirar candidatos da cartola, como se de ilusionismo se tratasse, escolher de acordo com sondagens prévias e centralizar a escolha até dos candidatos locais. Aos eleitores resta apenas votar. Não será pouco?

Ser ou não ser...fundação

É o tema do momento no Instituto Politécnico de Leiria. Decorre um processo de esclarecimento/auscultação conduzido pelo Presidente, no final do qual este apresentará...,ou não, um pedido formal ao Conselho Geral para que se inicie o processo de negociação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.O simples facto de o assunto estar a ser discutido significa que o IPL é um instituto de excepção. É que em matéria de poder aspirar a ser fundação, não é quem quer, mas quem pode, isto é, quem possui os requisitos necessários para se abalançar à negociação.O IPL tem sido pioneiro em muitas áreas, nomeadamente na formação dos seus docentes, tendo organizado o único programa colectivo de doutoramentos entre todas as instituições de ensino superior, que envolve quase quatro centenas de docentes.Já o está a ser também relativamente ao regime fundacional.

domingo, 8 de março de 2009

A mexicanização do sindicalismo docente

Falando um dia deste com um consultor internacional, que esteve em missão recente no México, dizia-me ele que o sindicato dos professores é a maior força de pressão do país, controla cerca de 10 milhões de votos, constituiu um partido político e é, verdadeiramente, quem controla a educação no país. Usando uma expressão forte "vende os votos a quem lhe assegurar mais regalias".
Lembrei-me disto a propósito do "cordão humano" e do aproximar das eleições. O fantasma da perturbação das actividades lectivas e avaliativas no terceiro período começa a inquietar os pais, mas não perturba menos os partidos ante a perspectiva de terem de lidar com a agitação escolar em vésperas de três actos eleitorais.
A estratégia dos sindicatos, ou da FENPROF (?), começa a ser perceptível, fazer sentir aos partidos que os votos dos professores podem ser decisivos para as suas aspirações. Quem prometer mais...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Mulheres

Não é necessário ser profeta ou futurólogo para que se possa afirmar que o século XXI vai ficar marcado pela conquista definitiva da plena igualdade entre mulheres e homens, nas chamadas sociedades ocidentais.
Nas restantes continuará a existir uma acentuada diferenciação, ainda que em graus desiguais, pois a questão da igualdade de género assenta em conceitos não universais e que, manifestamente, não encontram suporte incontestado.
Às vezes há a tentação etnocêntrica de considerar o mundo à nossa imagem e semelhança, mas a realidade é muito mais rica e complexa do que se pretende. Talvez alguns acreditem numa cruzada, mas que não se tenham ilusões, os crentes são sempre menos do que os bárbaros.

domingo, 1 de março de 2009

Os pobres que paguem a crise

Quando a crise começou não se imaginava o cortejo de negociatas, manobras financeiras e fugas ao fisco, que respeitáveis banqueiros e gestores, gente do jet set, beneméritos e comendadores tramavam para engordar as respectivas contas bancárias e fazerem de parvo quem trabalha e tem os impostos em dia.
De repente o mundo revelou-se como um enorme casino e descobriu-se uma vulgar bandidagem disfarçada de elite, que ao roubo por esticão prefere meios mais sofisticados e eficientes.
Não surpreende, pois, que sejam os mais pobres a pagarem a crise, a irem para a rua e a serem espoliados dos empregos. Responsabilidade social das empresas, o que é isso?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Terça-feira gorda

Um dia celestial. Um Sol fulgurante e um friso de pessoas que passam. Sentado num banco de jardim observo a condição humana. Por momentos esqueço-me de tudo e concentro-me nos tipos que passam. O lastro de ruralidade, mesmo nas cidades, persiste.
Pego no jornal e cá está a prova do nosso atraso, evoluimos, mas muito lentamente, não é um problema de gerações, é muito mais fundo, é de cultura.
O programa mais visto nas televisões, no domingo, foi o "Não há crise". Afinal o riso é a melhor terapia. Ganhou a "Equador", e está tudo dito.
Em Viseu, numa feira, a polícia apreendeu um livro de arte porque na capa tinha imagens pornográficas.
O moralismo é terrível, já noutro dia uma ilustre procuradora mandara tapar um Magalhães porque tinha "mulheres nuas" no ecrã. A censura volta a atacar.
Simplesmente, nem as imagens dos magalhães eram obcenas nem as do livro de arte pornográficas. Neste caso, tratava-se tão só de uma reprodução do magnífico quadro de Courbet, pintor francês do século XIX, "A Origem do Mundo", que retrata uma mulher nua e evidencia as suas zonas mais erógenas. O quadro está exposto no Museu de Orsay, em Paris, e não há notícia de que, a não ser os polícias dos bons costumes, alguém se tenha incomodado perante a nudez da maternidade.
É isto Portugal, um país onde o programa de televisão mais visto é um repositório de situações que suscitam o riso e onde a polícia ainda persegue as obras de arte. Para terça-feira gorda, não se arranjaria melhor!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Faz-de-conta

É sabido que a política e os políticos estão desacreditados aos olhos da maior parte das pessoas e que já quase ninguém acredita na seriedade de quem desempenha cargos político-partidários.
Também se sabe que os políticos não são uma espécie rara, são apenas representantes da população em geral, pelo que quando alguém se olha ao espelho da política se vê lá reflectido enquanto parte deste povo que somos.
Afinal todos nós sabemos que a falta de participação gera a mediocridade, que a desistência corrói, que a maledicência é o húmus do negativismo e que o faz-de-conta não alimenta consciências livres.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Liberdade para morrer

Nascer não é um acto de vontade, é um arbítrio. Ao contrário, morrer pode ser um arbítrio ou um acto de vontade, do próprio ou de terceiros. Apesar da controvérsia, é cada vez mais amplo o movimento para que se reconheça o direito a uma morte digna e desejada.
Um ser humano é corpo e espírito/consciência. O corpo é instrumental, a consciência substantiva. Há quem viva preso no corpo, mas um corpo, só por si, não é ninguém, é apenas uma coisa com nome.
Quando a consciência desaparece fica somente um corpo sem préstimo. Eluana Englaro foi exemplo disso. Negar o direito a uma morte que libertasse aquele corpo seria um acto de opressão e Deus nunca pode estar do lado dos opressores.

Liberdade para morrer

Nascer não é um acto de vontade, é um arbítrio. Ao contrário, morrer pode ser um arbítrio ou um acto de vontade, do próprio ou de terceiros. Apesar da controvérsia, é cada vez mais amplo o movimento para que se reconheça o direito a uma morte digna e desejada.
Um ser humano é corpo e espírito/consciência. O corpo é instrumental, a consciência substantiva. Há quem viva preso no corpo, mas um corpo, só por si, não é ninguém, é apenas uma coisa com nome.
Quando a consciência desaparece fica somente um corpo sem préstimo. Eluana Englaro foi exemplo disso. Negar o direito a uma morte que libertasse aquele corpo seria um acto de opressão e Deus nunca pode estar do lado dos opressores.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Um país de corruptos

Se olharmos para o nosso país através do filtro mediador da comunicação social sentimo-nos a viver num país de corruptos. Mais, parece que a corrupção tem maior importância do que a crise gravíssima em que estamos mergulhados.
Longe de mim desvalorizar a luta contra a corrupção ou minimizar o efeito deletério que esta assume em qualquer sociedade, mas também não me parece benéfico, nem para o futuro do país nem para a auto-estima dos portugueses, que se instale a ideia de que a corrupção é o nosso principal problema.
O que o país precisa é de um pacto para afrontar a crise e não que nos distraiam do essencial.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Voluntariado

O voluntariado docente é uma prática muito comum pelo mundo fora. A ideia do ME seria de saudar, e uso o condicional pois não é este o tempo nem é este o governo de quem se possa aceitar uma tal proposta.
Como todos sabem, este governo não tem os professores em grande conta e tudo tem feito para mandar embora os mais experientes.
A que propósito voltariam agora à escola? Só se fossem masoquistas.
O voluntariado é uma prática nobre mas como não é com vinagre que se apanham moscas, a proposta é deslocada, está fora de tempo e é quase uma provocação vinda de quem vem.
Mas, para além da ideia, fica a demonstração da mentalidade normativa de quem dirige o ME. Até o voluntariado tem de ser regulado mesmo nos mais ínfimos pormenores. Na sanha regulamentadora e avaliadora que agora faz escola, nao faltava mais nada a não ser um concurso para voluntários e a consequente auto-avaliação. Safa! como dizia Cavaco Silva nos bons velhos tempos do Cavaquistão.
Já agora, onde é que fica a autonomia das escolas?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Curso em Direcção, administração e gestão de organizações escolares

É já no dia 6 de Março que se inicia o curso de formação especializada/pós-graduação em Direcção, administração e gestão de organizações escolares, que vai funcionar na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (nova denominação da ESE) do Instituto Politécnico de Leiria.
Assumidamente destinado à formação de líderes e gestores escolares, tem um plano de estudos adaptado às necessidades fundamentais, teóricas e práticas, de quem se quer qualificar para dirigir e gerir escolas e um corpo docente onde o compromisso entre académicos, técnicos e gestores escolares experientes é evidente.
Concebido por forma a proporcionar oportunidades de reflexão numa perspectiva internacional, o curso conta com a participação especial de dois professores catedráticos de universidades espanholas, Manuel Lorenzo Delgado, da Universidade de Granada, uma referência na área da liderança, e Tomás Banegil Palácios, da Universidade da Extremadura, especialista em gestão de recursos humanos.
Também dão o seu contributo inestimável Edmundo Gomes, Director do Gabinete de Gestão Financeira do Ministério da Educação, João Paulo Mineiro, presidente de um conselho executivo e galardoado com o prémio de liderança 2008, atribuído pelo ME, Rodrigo Queiróz e Melo, da Universidade Católica e especialista em questões do ensino particular e cooperativo, Fernando Pina, chefe de serviços administrativos e com larga experiência em contabilidade escolar, Maria João Braga da Costa jurista especializada em questões educativas e Marco Trindade, especialista em software de apoio à gestão escolar.
Alzira Marques, Antónia Barreto, Brites Ferreira, Lúcia Oliveira e José Manuel Silva, professores do IPLeiria, completam o corpo docente do curso.
O funcionamento será quinzenal para facilitar a frequência por parte de pessoas que não sejam da região e tenham de pernoitar em Leiria de sexta-feira para sábado, dias em que o curso terá sessões. O alojamento a preços reduzidos será possível nas residências e pousada do IPL, assim como a alimentação.
Mais informações em http://www.esecs.ipleiria.pt/

Avaliação internacional do 1.º ciclo

Para os que se interessam por ir ao fundo das questões e não apenas pelos soud bites da comunicação social, é imperativo ler com toda a atenção o relatório elaborado por peritos internacionais.
Para que não haja desculpas, aqui fica o link:
http://www.governo.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Ministerios/ME/Comunicacao/Notas_de_Imprensa/20090126_ME_Com_Avaliacao_Basico.htm

Para além da euforia do Governo, ficam as apreciações críticas da comissão que elaborou o relatório sobre muitas questões que todos consideram merecedoras de reparo.
Naturalmente que num ou noutro passo, o relatório evidencia perspectivas que resultam de uma apreciação feita com olhos "de fora" e que nem sempre se compaginam com a cultura escolar portuguesa.
Dou um exemplo, a solução unipessoal para as direcções das escolas. De um ponto de vista meramente técnico, a solução director é recomendável como geradora de lideranças mais fortes, requisito considerado essencial para assegurar uma direcção estratégica das organizações mais eficaz. Esta perspectiva é reforçada por muitas experiências internacionais que consagram este modelo e que acham surrealista o formato que vigorou em Portugal nas últimas três décadas.
No entanto, é muito difícil encontrar nas escolas portuguesas quem concorde com a nova solução, sejam professores, sejam os próprios gestores escolares e quase todos afirmam preferir o modelo anterior, por o considerarem mais democrático e participativo.
"É a cultura, estúpido", como diria Clinton. Só não percebe quem olha para a realidade e não consegue compreender que esta existe independentemente da nossa vontade, o que acontece com os reformadores do ME, convencidos que mudam tudo de acordo com a sua orientação política, como quem muda as peças de um lego.
Este relatório é um documento útil e deve ser lido e reflectido como tal e não encarado como um frete ao governo e, por isso, lançado ao caixote do lixo, sem mais.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O porto inseguro de Sócrates

O Freeport tornou-se o porto inseguro de Sócrates. Acredito na sua inocência e não posso deixar de me recordar da história do lobo e do cordeiro. " - Se não foste tu, foi o teu pai (tio e primo, neste caso)", mesmo que ainda nada se tenha provado de substantivo relativamente a qualquer deles.
Qual crise, qual desemprego galopante, qual colapso de milhares de economias familiares. O Freeport é que parece ser a verdadeira preocupação do país.
Em momentos de tormenta torna-se ainda mais premente um timoneiro. Alguém vê outro melhor do que Sócrates? Então por quê esta sanha de o atirarem ao tapete sem indícios palpáveis, apenas com base em suposições e declarações inócuas? E a justiça? Não é essa a sede própria para tratar do assunto?
Custa-me imenso ver os jornalistas a fazer o papel de investigadores, tanto mais que em sede própria há meios de defesa e na comunicação social resta a fogueira, como nos tempos da Santa Inquisição.
Que não se goste de Sócrates é uma liberdade que cada um administra como quer, mas crucificá-lo assim é uma imoralidade e um atentado aos mais elementares princípios que devem reger uma sociedade democrática.
A liberdade de informação nem sempre se compagina com a necessidade de aumentar as tiragens e as vendas.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O milagre do Hudson

A amaragem de um avião com cento e cinquenta passageiros a bordo é um feito invulgar, ainda mais quando todos se salvam e apenas um sofre ferimentos dignos de registo.
Como todos pudemos observar em directo pela CNN, o socorro foi imediato, ficando para a história a imagem inusitada de dezenas de passageiros em cima das asas, aguardando calmamente na “fila” para embarcarem rumo à margem.
Tudo pareceu simples e rotineiro e o drama vivido nos poucos minutos que o avião esteve no ar ficou em segundo plano face à capacidade do piloto, à proximidade do rio, à calma das águas, à rapidez da evacuação, à sorte. Às vezes há milagres.

Os casamentos de homosexuais

O tema foi anunciado como um dos tópicos fracturantes que o PS vai colocar à consideração dos portugueses nas próximas legislativas. Só num país ainda refém de um lastro de ideias obsoletas é que esta matéria suscita excitação. Até os nossos vizinhos espanhóis já arrumaram este assunto.
Mário Soares não perdeu tempo e veio dizer que o tema não é prioritário que o que se deve discutir são as assimetrias sociais e dar mais importância a trabalhadores e sindicatos.
Ora bem, que eu saiba, os nossos concidadãos, homens e mulheres, que têm uma orientação sexual deste tipo também são trabalhadores, alguns são sindicalizados, uns com bons empregos, outros desempregados.
Quero eu dizer que não me parece muito justo que quando se fala deste tema sempre alguém venha dizer que não é oportuno discuti-lo, que há outras prioridades mais importantes. Claro que há coisas mais importantes, por isso mesmo, resolva-se o assunto e passe-se adiante.
O casamento é um contrato e, como tal, qualquer pessoa deve ser livre de o celebrar.
Quanto aos aspectos religiosos da questão, que se resolvam no âmbito de cada congregação. Ninguém é obrigado a ter devoção a N.Sr.ª de Fátima, mas também ninguém é impedido de o fazer.
Se duas pessoas do mesmo sexo se querem casar, devem poder fazê-lo livremente, como livremente todos os heterosexuais o fazem. Que sejam muito felizes, é o que lhes desejo.