quarta-feira, 8 de julho de 2009

As autárquicas em Leiria

Aparentemente vamos ter mais do mesmo, quase que se pode dizer que é o "derby" do costume - Isabel vs Castro - mas talvez não seja bem assim, depende da capacidade de cada uma das candidaturas para apresentarem uma agenda nova, com propostas que vão ao encontro das expectativas dos munícipes e que projectem um futuro ambicioso para o concelho.
Se persistirem nos temas recorrentes do passado, saneamento, revisão do PDM e quejandos, estamos conversados.
O mundo mudou, os cidadãos também e a forma de fazer política idem. A blogosfera é um meio excelente de cada um dizer de sua justiça. Em vez de se ficar á espera que os líderes digam o que pensam, cada um pode dizer o que sente, apresentar propostas, gritar o que lhe vai na alma. Pela minha aparte é o que vou fazer e se quiserem aproveitar o espaço, sirvam-se à vontade.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Candidaturas não acumuláveis

O PS está a digerir com alguma azia a deliberação de não serem acumuláveis candidaturas às autarquias e à Assembleia da Repúbica.
Depois da derrota traumática das europeias e dos chifres do ministro Pinho, a direcção faz um "manguito" aos esforçados candidatos e candidatas que se estavam a preparar para um difícil número de equilibrismo, com um pezinho no territótio autárquico e outro em São Bento.
A decisão só peca por tardia e Manuel Alegre faz muito bem em instar Ana Gomes e Elisa Ferreira a assumirem-se numa das suas duas qualidades -deputadas ao Parlamento Europeu ou candidatas, respectivamente, a Sintra e ao Porto.
É certo que a decisão já devia ter sido tomada há muito, mas vale mais tarde do que nunca e é tempo de se perceber que os eleitores não aceitam ser tratados como lixo e, muito menos, serem tomados por parvos.
Um candidato ou candidata é-o, por definição, a um cargo ou função, não a dois ou mais, como um apostador que quer aumentar as suas hipóteses de sucesso em caso de vitória e a precaver-se em caso de derrota.
Veja-se o caso emblemático de Elisa Ferreira. Ganhar o Porto é um desafio muito difícil, que obriga a um empenhamento total e a uma consciência muito clara de que se não ganhar tem de "comer o pó levantado pelos vencedores". Ora, se a derrota se traduzir no "exílio" europeu, é impossível que a candidata não faça a campanha com o sentimento de que o pior que lhe pode acontecer é ir tomar ares para o centro do continente. Confortável, não acham?
E o mesmo é válido, mutatis mutantis, para todos e todas que se abalançassem a duas candidaturas e que sempre pensariam numa dupla oportunidade para conseguirem um lugar.
Com toda a candura, uma candidata que sempre esteve nas primeiras linhas do PS veio dizer que se não ganhar precisa de um emprego para sobreviver pois ser vereador da oposição não enche barriga (a expressão é minha).
Pois, é verdade, mas toda a gente deve ter um emprego e não viver exclusivamente da política. É essa a essência da democracia. Uma das razões do empobrecimento da nossa vida política é, precisamente, o facto de alguns se servirem da política em vez de servirem o país. Sem qualidades para conseguirem um emprego decente, tornam-se "nossos representantes" nas autarquias, na Assembleia da República, no Governo e nos serviços públicos, enxameando a mesa do poder e sugando o erário público. E nesta matéria não há partidos inocentes, são todos iguais.
O PS fez bem em clarificar esta questão. Os dois amores que o Marco Paulo cantava pertencem ao mundo cor-de-rosa, salvo seja, não à política, quando esta respeita a ética e os eleitores.

domingo, 5 de julho de 2009

Autonomia das escolas vs governação por contrato

Dia 3, no Centro Cultural de Belém, o Ministério da Educação organizou uma jornada de análise e reflexão sobre a autonomia das escolas.
A Ministra da Educação presidiu ao evento e considerou ser esta uma área em que a sua acção pessoal e política foi determinante para que existam cerca de vinte escolas com contratos de autonomia.
A jornada foi um misto de propaganda, relato de práticas (boas ou más, depende do ponto de vista) e de reflexão académica.
Independentemente de qualquer perspectiva crítica, tratou-se de uma iniciativa interessante e oportuna, embora tenham sido patentes alguns dos equívocos que contaminam este processo.
Em primeiro lugar há uma questão, bem levantada por Jorge Adelino Costa (Universidade de Aveiro), sobre a impossibilidade de as escolas não superiores terem autonomia, por lhes estar vedada nos termos da Lei de Bases do Sistema Educativo (1986).
João Formosinho (Universidade do Minho) utiliza preferencialmente a expressão "governação das escolas por contrato", conceito muito mais rigoroso e ajustado à realidade.
Uma segunda questão resulta do facto de se ter ignorado que a "autonomia das escolas" ou a "governação por contrato" não dispensam o concurso das autarquias. Lamentavelmente foram excluídas da jornada, ninguém (que eu tenha ouvido) se lhes referiu e não vi por lá nenhum representante "oficial".
Finalmente, o modelo de "autonomia" ou "governação por contrato" centra-se na descentralização de competências do ME para as escolas e a sua conceptualização coloca o escopo apenas nas escolas e/ou agrupamentos, continuando a ignorar-se a possibilidade de se criarem unidades de gestão de âmbito concelhio, nos casos em que existam mais de que uma escola e/ou agrupamento num município.
Também não se inova na possibilidade de rever a lógica centralista da administração escolar, procedendo à sua territorialização (municipalização), acabando de vez com o modelo único e com a gestão do ME, substituindo-a por uma gestão local fortemente ancorada em cada comunidade.
Os chamados "contratos de autonomia" são um passo tímido, é certo, mas positivo num caminho que é necessário fazer, mas que não pode ser ingenuamente concebido como se as escolas pudessem ser autónomas, isentas de um controlo social sobre o seu funcionamento e produtos, e a funcionar umbilicalmente ligadas ao ME, em vez de às comunidades que servem.
A revolução que está por fazer implica que o ME deixe de ser responsável pela gestão das escolas e que se conforme às importantes funções de planeamento macro do sistema e supervisão e controlo do seu funcionamento. A função de avaliação deve ser deixada à competência de uma agência independente, como já acontece para o Ensino Superior.

Bota-abaixo

MFL já decidiu, se ganhar as eleições só se salva a política social. Tudo o resto que o PS andou a fazer vai para o caixote do lixo. Depois não digam que a Sr.ª não avisou.
Uma forma de abordar a política é o confronto, a outra é o consenso, a busca do máximo denominador comum, talvez a melhor forma de superar as fragilidades nacionais e a concorrência internacional.
Já agora, reavivem as memórias e vejam como foi MFL enquanto Ministra da Educação e, depois, das Finanças. O país não pode ser governado à custa dos humores mal resolvidos de quem tem o poder.

O PS, Castro e os provérbios

A candidatura do PS à Câmara, protagonizada por Raul Castro, parece inspirar-se na ideia de que “Não há duas sem três”. A expectativa é alta, Castro sempre obteve bons resultados, tem uma boa rede alargada de contactos e motivação q.b.
Para o PS, ganhar a câmara de Leiria é como conquistar o Everest, o que exige liderança, coesão, trabalho e sacrifício, pelo que “Os fins justificam os meios”.
E se “Não há bem que sempre dure, nem mal que não se acabe”, e como “Quem porfia sempre alcança”, pode ser que o vaticínio se concretize. “À terceira é de vez”.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Regresso

Um blogue é como um animal de estimação, necessita de atenção e carinhos. Confesso que nos últimos tempos descurei um e outros e me tenho limitado a postar os textos que publico no Região de Leiria.
A culpa é minha, naturalmente, mas em minha defesa posso invocar o "estado a que isto chegou", expressão que releva dos tempos do Estado Novo em que aquela expressão procurava qualificar, com ironia, a situação política do país.
A educação em Portugal é hoje, pouco mais do que isto, um silêncio sofrido na esperança de que a provação termine depressa. E de tal modo a situação é grave, que mesmo os especialistas não encontram motivos mais marcantes para caracterizar o que se passa no país do que assinalar a crispação que se sente por todo o lado, a quebra do laço afectivo entre os professores e quem os tutela.
Sindicatos e politiquices à parte, é disto que se trata, falta de liderança de quem, por completa ausência de expertise na gestão dos recursos humanos, delapidou o património mais valioso para realizar uma reforma de fundo de qualquer sistema educativo - os professores.
Também eu sucumbi à vontade de fingir que a realidade não é tão má como a pintamos, e deixei de escrever no blogue. No fundo, é uma forma de protesto como outra qualquer. Há momentos em que ignorar alguém ou alguma coisa é uma forma suprema de vingança. Talvez agora regresse.

Voto de silêncio

Seis portugueses em cada dez votaram em silêncio, abstendo-se. É certo que as maiorias silenciosas não formam governos, mas podem fazê-los cair. Não foi o caso, mas não deixou de ser um forte abanão.
Até o Primeiro-ministro já veio dizer que é preciso explicar melhor as políticas do Governo. Explicar? Os portugueses não são parvos, percebem as medidas, mas muitos não as aceitam.
A derrapagem do PS foi o resultado conjugado do descontentamento com algumas políticas e da falta de uma razão válida para ir votar. O silêncio transformou-se em alarido e a democracia ficou empobrecida.

Voto de silêncio

Seis portugueses em cada dez votaram em silêncio, abstendo-se. É certo que as maiorias silenciosas não formam governos, mas podem fazê-los cair. Não foi o caso, mas não deixou de ser um forte abanão.
Até o Primeiro-ministro já veio dizer que é preciso explicar melhor as políticas do Governo. Explicar? Os portugueses não são parvos, percebem as medidas, mas muitos não as aceitam.
A derrapagem do PS foi o resultado conjugado do descontentamento com algumas políticas e da falta de uma razão válida para ir votar. O silêncio transformou-se em alarido e a democracia ficou empobrecida.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O sonho e o pesadelo

O projecto do centro comercial e da grande renovação da cidade, que lhe estava associada, morreram. Agora é tempo de procurar alternativas.
A prioridade deve ser rentabilizar o topo norte do estádio, que custou em 2005 cerca de onze milhões de euros, mais dois milhões e trezentos mil de juros até 2009 (dados da CML).
Por outro lado repensar o modelo de cidade comercial de Leiria, ancorando um projecto de renovação altamente qualificada a partir do centro histórico. As cidades enobrecem-se revitalizando o seu coração.

Europeias, o ruído como programa

Sabe-se que as eleições europeias interessam pouco ao comum dos cidadãos, apesar de serem evidentes as consequências da nossa integração na União Europeia.
Este momento seria muito propício a discutir as grandes questões da União, a reforçar a reflexão sobre as vantagens e prejuízos da integração, a mobilizar os eleitores para o espírito europeu.
O que se tem assistido é à chicana habitual, centrada no umbigo e nos insultos, evidenciando a pouca qualidade do debate e a falta de elevação de alguns protagonistas. É mais uma oportunidade perdida.

domingo, 31 de maio de 2009

Leiria na Primeira Liga

O regresso da União Desportiva de Leiria ao primeiro escalão das competições nacionais merece uma referência e uma saudação a todos quantos contribuíram para alcançar este objectivo.
Ter uma equipa nesta competição é um elemento indispensável numa estratégia de afirmação global dos interesses de desenvolvimento do concelho e da região.
Este é um momento oportuno para repensar a relação do clube com os cidadãos em geral, com os poderes públicos locais e com as empresas, acentuando a ideia de parceria e reforçando a transparência de procedimentos.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Da castidade ao sexo livre

A educação sexual é matéria controversa. O problema não são os factos, mas os valores que lhes andam associados e como pode a Escola intervir. Da castidade ao sexo livre há um mundo de hipóteses. E quem decide? E como se aborda? E onde se traça a fronteira?
Distribuir preservativos? Não será consensual, mas não se pensa distribuir máscaras contra a gripe? O problema não são os preservativos, é a educação que damos aos nossos filhos, ou que não damos.
As doenças sexualmente transmissíveis e as gravidezes precoces são um problema de saúde pública e não se combatem com moralismos, mas com educação

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O tetra de Pinto da Costa

Diz-se que o Porto ganhou o campeonato. É verdade, mas a equipa e o seu treinador, Jesualdo Ferreira, são apenas os agentes concretizadores de uma estratégia.
O verdadeiro vencedor, o artífice da vitória, é o presidente Pinto da Costa, e a carreira fabulosa do Porto, nos últimos vinte anos, é apenas a expressão de uma liderança sem paralelo em equipas portuguesas.
No Porto não são os jogadores nem os treinadores que fazem a diferença, é o presidente, ou seja, aqueles são importantes, mas o presidente é que é determinante.

sábado, 9 de maio de 2009

A política do confronto

O confronto é, para alguns, o tónico que faz avançar as sociedades. O consenso é deletério, dizem, porque não acicata os ânimos, não clarifica, não produz rupturas.
Um dia destes, um dos gurus do Ministério da Educação, assinalava que quando a luta com os professores alcançava picos, o PS se aproximava da maioria absoluta. “São as sondagens que o comprovam”, perorava alto.
O diabo é que os problemas da educação e do país não se resolvem à bruta, e os malefícios do confronto perdurarão muito para além dos seus mais activos cultores.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Uma aliança virtuosa

Para lá das polémicas sobre o estádio de Leiria, importa rentabilizar o investimento feito, resolvendo o impasse do topo norte e explorando as potencialidades do complexo e do campo de treinos adjacente.
Os dois equipamentos podem servir de base a um projecto de excelência na área do atletismo, alavancado pela recente criação, no IPL, de uma unidade de investigação em Motricidade Humana.
As infra-estruturas existentes, o treino científico, a competência investigativa, podem constituir uma aliança virtuosa e criar em Leiria um novo nicho de desenvolvimento.

sábado, 25 de abril de 2009

Até tu Chávez!

Na cimeira das Américas a notícia foi o aperto de mão Chávez-Obama. O presidente da Venezuela deu o sinal que faltava para a conversão ao estilo Obama - afirmativo, empático e caloroso.
Fiel Castro já avisara que era importante olhar para a nova liderança americana e Raul, o homem a quem foi confiada a espinhosa tarefa da transição, já disse que tudo pode ser negociado, incluindo direitos humanos e prisioneiros políticos.
Cuba já pode receber as reservas dos seus emigrantes e as viagens foram liberalizadas. O fim do bloqueio não vai tardar. É o início de um novo ciclo na América Latina.

terça-feira, 21 de abril de 2009

A Justiça faz-de-conta

A Justiça é um dos mais fiáveis indicadores de desenvolvimento dos países. Sem um sistema de justiça que funcione com eficiência de processos e eficácia de resultados não há sociedades saudáveis.
A situação portuguesa é bem a ilustração disto e o caso Freeport o último episódio. A questão essencial continua por esclarecer, mas nasceu um spin off, o caso das pressões sobre os magistrados.
Para além da quebra do segredo de justiça são agora os próprios agentes da Justiça a engalfinhar-se. É tempo de a Justiça tirar a venda e encarar a realidade, se não se dá ao respeito, quem a respeitará?

sábado, 11 de abril de 2009

Sede de liderança

A viagem do Presidente Obama à Europa afirma a nobreza da política e evidencia que boas lideranças são o que se precisa para ultrapassar a grave crise em que o mundo mergulhou.
A empatia gerada por Obama e por Michelle, que se tornaram já verdadeiros ícones populares, não deixou indiferente a rainha Isabel II nem o povo anónimo.
Os mercados reagiram favoravelmente ao pacote de apoios aprovado nos EUA e a liderança de Obama faz o resto, alavanca o optimismo, traça um rumo, dá segurança. O desarmamento nuclear foi retomado e o compromisso ecológico afirmado. O mundo está a mudar, desta vez para melhor.

domingo, 5 de abril de 2009

Boas práticas

Hoje moderei um debate sobre boas práticas na educação. Organização da ADLEI, realizou-se na livraria Arquivo (quem não conhece deve descobrir o espaço, toma-se um café, degustam-se livros, surfa-se na net, há exposições e tertúlias).
O cabeça de cartaz, David Justino, rebentou o carro a não chegou a Leiria. Ficámos todos a perder, mas os carros ainda avariam.
Célia Santos, Nery Capucho, irmã Maria Manuel, Colégio de Nossa Senhora de Fátima, Carlos Ferreira, Raúl Proença, Ilídio Baptista, Escola Tecnológica e Profissional de Sicó, Andrea Sousa, ISLA, Luciano de Almeida, IPL e António Rodrigues, Centro de Competência da Batalha, falaram das boas práticas das suas organizações.
Henrique Neto, António Frazão e Guilherme Valente (GRADIVA) deram contributos muito oportunos. Ribeiro Vieira, presidente da ADLEI, abriu e encerrou os trabalhos com a queda que se lhe reconhece.
Num ambiente descontraído falou-se de coisas importantes, com conhecimento e experiência. A educação não é um pântano e os exemplos ali trazidos ilustram-no bem. O sistema de ensino é o território onde se constrói o futuro e, pelo que ali se disse, podemos estar optimistas.
Acabe-se com o discurso do caos, estudem-se as boas práticas (benchmarking) e vá-se em frente. Nunca como hoje houve tantos professores tão bem preparados, escolas com tão boas condições e tantos alunos nas escolas.
Então o que é que falta para melhorar os resultados? Expectativas altas, regras e valores e liderança. Mãos à obra.

27 votos

Para que conste, 27 votos dos membros da comissão concelhia de Leiria do Partido Socialista foram os bastantes para que Raúl Castro seja de novo o candidato do PS à Câmara de Leiria.
É bom dizer que o concelho tem mais de cem mil votantes. Não será difícil perceber a razão por que as pessoas estão cada vez mais desinteressadas da vida política. Se um candidato a uma câmara, com um universo eleitoral tão amplo, é escolhido por um número tão restrito de pessoas isto só pode significar que o processo é restritivo, pouco participado e que dificilmente pode ser mobilizador.
Ao candidato só posso desejar felicidades e que obtenha um bom resultado, neste caso a vitória, pois qualquer outro será mau.