Agora que as bolsas estão a recuperar, a gripe A se dissemina, e a corrida eleitoral acelera, as preocupações com a crise estão a passar para segundo plano.
E é pena. Para além dos factores resultantes da globalização, há problemas estruturais que nem estão, nem serão resolvidos, se tudo continuar na mesma.
Um país que compra mais do que vende, paga mais do que recebe, gasta mais do que tem, é inviável. Portugal tem uma economia terciarizada, mas sem estrutura que a suporte. Se continuarmos como até aqui estaremos a consumir o futuro.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Dicas para uma campanha eleitoral (3)
A equipa
A escolha de uma equipa para concorrer a quaisquer eleições é da maior importância porquanto não é só o primeiro nome que é importante. A equipa pode acrescentar, mas também pode diminuir.
Infelizmente é comum que as equipas sejam escolhidas com base em critérios que pouco ou nada têm que ver com a competência das pessoas. Ou se vai pelo compadrio político, ou pela necessidade (actual) de preencher quotas, ou porque uns fazem menos sombra do que outros.
O critério da competência e da adequação do perfil de cada um ao lugar que lhe pode vir a caber, que devia ser norma, é excepção e, por isso mesmo, a classe política tem sofrido a erosão que se sabe, a ponto de se ser mal-visto só por se manter actividade política, seja ela qual for.
A aposta na competência é um valor seguro.
A escolha de uma equipa para concorrer a quaisquer eleições é da maior importância porquanto não é só o primeiro nome que é importante. A equipa pode acrescentar, mas também pode diminuir.
Infelizmente é comum que as equipas sejam escolhidas com base em critérios que pouco ou nada têm que ver com a competência das pessoas. Ou se vai pelo compadrio político, ou pela necessidade (actual) de preencher quotas, ou porque uns fazem menos sombra do que outros.
O critério da competência e da adequação do perfil de cada um ao lugar que lhe pode vir a caber, que devia ser norma, é excepção e, por isso mesmo, a classe política tem sofrido a erosão que se sabe, a ponto de se ser mal-visto só por se manter actividade política, seja ela qual for.
A aposta na competência é um valor seguro.
A auto-avaliação dos professores
Levo trinta e cinco anos de carreira docente, dos quais vinte e quatro como formador de professores. Nunca encontrei ninguém que ao fazer a sua autoavaliação não se considere sempre num patamar de execução de nível de bom e muito bom, preferencialmente, neste último.
As autoavaliações são daquelas peças rituais que servem para enfeitar mas das quais pouco ou nada mais se aproveita.
Quem é que sabendo que tudo o que diga em seu desfavor será utilizado contra si, vai dizer algo? E é aqui que a hipocrisia institucional atinge todo o seu esplendor. Neste momento há milhares de professores a preencherem a ficha de autoavaliação e a dizerem que fazem tudo bem. O que haveriam de dizer?
Para que servem estas autoavaliações? Para pouco. Mas é assim que o sistema está montado.
Naturalmente que os processos de autoavaliação têm a maior importância e são indispensáveis em processos de avaliação do desempenho, mas exigem um referencial claro que exige, no mínimo, que o que se diz seja objectivamente comprovado, caso contrário, cada um espraia-se de acordo com a sua iniciativa.
Por outro lado, a autoavaliação é um processo estruturalmente formativo e, por isso mesmo, exige uma disponibilidade total dos avaliados e dos avaliadores para o encararem sem o ónus de daí advir qualquer prejuízo adicional para quem assume as suas insuficiências ou limitações. Sem isso, é uma farsa.
As autoavaliações são daquelas peças rituais que servem para enfeitar mas das quais pouco ou nada mais se aproveita.
Quem é que sabendo que tudo o que diga em seu desfavor será utilizado contra si, vai dizer algo? E é aqui que a hipocrisia institucional atinge todo o seu esplendor. Neste momento há milhares de professores a preencherem a ficha de autoavaliação e a dizerem que fazem tudo bem. O que haveriam de dizer?
Para que servem estas autoavaliações? Para pouco. Mas é assim que o sistema está montado.
Naturalmente que os processos de autoavaliação têm a maior importância e são indispensáveis em processos de avaliação do desempenho, mas exigem um referencial claro que exige, no mínimo, que o que se diz seja objectivamente comprovado, caso contrário, cada um espraia-se de acordo com a sua iniciativa.
Por outro lado, a autoavaliação é um processo estruturalmente formativo e, por isso mesmo, exige uma disponibilidade total dos avaliados e dos avaliadores para o encararem sem o ónus de daí advir qualquer prejuízo adicional para quem assume as suas insuficiências ou limitações. Sem isso, é uma farsa.
domingo, 19 de julho de 2009
CR9
Não tenho dúvidas de que identificou, de imediato, a personalidade a que se refere o título. Quem não conhece Cristiano Ronaldo e quem não sabe que passou a ser o titular da camisola número 9 do Real Madrid?
CR9 é o português contemporâneo mais conhecido em todo o planeta e um dos poucos cidadãos do mundo a conseguir juntar num estádio 80 mil pessoas, só para o ver.
CR9 já é muito mais do que um jogador de futebol, é um símbolo do poder da comunicação e um exemplo de como o talento e a sorte podem transformar um menino pobre num semi-deus. O berço é importante, não determinante.
CR9 é o português contemporâneo mais conhecido em todo o planeta e um dos poucos cidadãos do mundo a conseguir juntar num estádio 80 mil pessoas, só para o ver.
CR9 já é muito mais do que um jogador de futebol, é um símbolo do poder da comunicação e um exemplo de como o talento e a sorte podem transformar um menino pobre num semi-deus. O berço é importante, não determinante.
domingo, 12 de julho de 2009
Dicas para uma campanha eleitoral (2)
O programa
Sintético e ambicioso, são talvez as duas qualidades mais importantes de um programa eleitoral. Não quer dizer que não se elabore um documento mais extenso e detalhado com as metas que se pretendem alcançar, mas uma folha A4 deve bastar para comunicar o essencial.
Numa época em que todos estão habituados à comunicação mediática e a serem motivados pelos primeiros segundos de uma notícia ou de um videoclip, ninguém tem pachorra para ler extensos programas, recheados de banalidades e promessas em que ninguém acredita.
O essencial é captar o sentir maioritário dos eleitores e falar-lhes do que lhes interessa e de como se concretizarão as suas expectativas. Simultaneamente é necessário mostrar novos caminhos e mobilizar os eleitores para os fazerem conjuntamente.
O "Choque Tecnológico" de Sócrates, por muito que alguns se riam da ideia, constituiu uma verdadeira revolução e fica como exemplo de como uma ideia consistente pode ajudar a mudar um país.
Não são precisas muitas ideias, basta uma boa para alterar o curso da história.
Sintético e ambicioso, são talvez as duas qualidades mais importantes de um programa eleitoral. Não quer dizer que não se elabore um documento mais extenso e detalhado com as metas que se pretendem alcançar, mas uma folha A4 deve bastar para comunicar o essencial.
Numa época em que todos estão habituados à comunicação mediática e a serem motivados pelos primeiros segundos de uma notícia ou de um videoclip, ninguém tem pachorra para ler extensos programas, recheados de banalidades e promessas em que ninguém acredita.
O essencial é captar o sentir maioritário dos eleitores e falar-lhes do que lhes interessa e de como se concretizarão as suas expectativas. Simultaneamente é necessário mostrar novos caminhos e mobilizar os eleitores para os fazerem conjuntamente.
O "Choque Tecnológico" de Sócrates, por muito que alguns se riam da ideia, constituiu uma verdadeira revolução e fica como exemplo de como uma ideia consistente pode ajudar a mudar um país.
Não são precisas muitas ideias, basta uma boa para alterar o curso da história.
Barreto e a autonomia
Não é novidade que António Barreto é um dos mais lúcidos pensadores portugueses. Num texto que hoje publica no jornal Público, titulado "O eterno recomeço", faz uma síntese, na qual muitos certamente se revêm, do balanço possível do legado da actual equipa do ME. Cito apenas um pequeno passo que vem ao encontro do meu pensamento sobre a gestão do sistema escolar. "Com a maioria absoluta e a aparente contenção do poder sindical, parecia possível procurar outras vias, nomeadamente a autonomia das escolas e da sua devolução por inteiro às comunidades".
Inteiramente de acordo, mas ainda vamos ter um longo caminho a percorrer. Apesar dos contratos de autonomia, uma simples gota de água no sistema e, mesmo esta, muito ténue, quase tudo está ainda por fazer. Para complicar e dificultar ainda mais, há um receio profundamente arreigado em muita gente, professores incluídos, de que a autonomia possa significar poder dos munícipios sobre as escolas. Entre o Estado Central e o Estado Local, há muitos a preferir o primeiro.
Relativamente ao texto de Barreto, apenas uma discordância, não se pode devolver às comunidades o que nunca lhes pertenceu. A gestão escolar sempre foi prerrogativa do poder central, que depois de 1974 partilhou, por interesse estratégico, com os professores, o governo das escolas.
Formalmente, este paradigma só foi alterado, muito timidamente, com o actual decreto-lei regulamentador da gestão das escolas (75/2008) que colocou em minoria nos conselhos gerais, os professores, situação nunca antes ocorrida.
Inteiramente de acordo, mas ainda vamos ter um longo caminho a percorrer. Apesar dos contratos de autonomia, uma simples gota de água no sistema e, mesmo esta, muito ténue, quase tudo está ainda por fazer. Para complicar e dificultar ainda mais, há um receio profundamente arreigado em muita gente, professores incluídos, de que a autonomia possa significar poder dos munícipios sobre as escolas. Entre o Estado Central e o Estado Local, há muitos a preferir o primeiro.
Relativamente ao texto de Barreto, apenas uma discordância, não se pode devolver às comunidades o que nunca lhes pertenceu. A gestão escolar sempre foi prerrogativa do poder central, que depois de 1974 partilhou, por interesse estratégico, com os professores, o governo das escolas.
Formalmente, este paradigma só foi alterado, muito timidamente, com o actual decreto-lei regulamentador da gestão das escolas (75/2008) que colocou em minoria nos conselhos gerais, os professores, situação nunca antes ocorrida.
A política do bypass
Na política tudo é possível, tal como na vida. A concelhia de Leiria do PSD, escolheu um candidato à Câmara que não mereceu a aprovação das estruturas distritais nem nacionais. Nada a objectar, são os regulamentos.
A coisa complica-se quando é indicada uma (re)candidata, sem que a estrutura local reveja a sua posição ou seja destituída por se opor à escolha e militar contra ela.
Agora que a campanha se inicia, finge-se não existir estrutura local e monta-se uma paralela, fazendo-se uma espécie de bypass. Talvez seja a solução possível, mas será admissível? A ver vamos.
A coisa complica-se quando é indicada uma (re)candidata, sem que a estrutura local reveja a sua posição ou seja destituída por se opor à escolha e militar contra ela.
Agora que a campanha se inicia, finge-se não existir estrutura local e monta-se uma paralela, fazendo-se uma espécie de bypass. Talvez seja a solução possível, mas será admissível? A ver vamos.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Dicas para uma campanha eleitoral (1)
Uma campanha pela positiva.
Dizer mal dos adversários agrada aos adeptos, mas não entusiasma os eleitores e às vezes é desonesto.
Além do mais, quanto mais se fala dos adversários mais importância se lhes está a dar. Propostas credíveis é a receita mais eficaz e, sem o dizer explicitamente, propostas que façam o contraponto com o que os adversários não fizeram ou não propõem.
A seriedade é fundamental para dar suporte às propostas e mesmo quando alguns políticos, que podem ser considerados tudo menos sérios, ganham eleições é porque conseguem a proeza de fazer com que os eleitores acreditem em duas coisas - que não são tão maus como os pintam e que a sua capacidade de realização em benefício das populações está acima dos seus pecadilhos.
Lição número um: Seja sério(a), dê-se ao respeito, apresente propostas que cativem e evite a má língua. Os adversários existem, respeite-os, mas dê-lhes a menor importância possível, não faça o trabalho deles, preocupe-se com o seu. Uma campanha pela positiva é meio caminho andado.
Dizer mal dos adversários agrada aos adeptos, mas não entusiasma os eleitores e às vezes é desonesto.
Além do mais, quanto mais se fala dos adversários mais importância se lhes está a dar. Propostas credíveis é a receita mais eficaz e, sem o dizer explicitamente, propostas que façam o contraponto com o que os adversários não fizeram ou não propõem.
A seriedade é fundamental para dar suporte às propostas e mesmo quando alguns políticos, que podem ser considerados tudo menos sérios, ganham eleições é porque conseguem a proeza de fazer com que os eleitores acreditem em duas coisas - que não são tão maus como os pintam e que a sua capacidade de realização em benefício das populações está acima dos seus pecadilhos.
Lição número um: Seja sério(a), dê-se ao respeito, apresente propostas que cativem e evite a má língua. Os adversários existem, respeite-os, mas dê-lhes a menor importância possível, não faça o trabalho deles, preocupe-se com o seu. Uma campanha pela positiva é meio caminho andado.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
As autárquicas em Leiria
Aparentemente vamos ter mais do mesmo, quase que se pode dizer que é o "derby" do costume - Isabel vs Castro - mas talvez não seja bem assim, depende da capacidade de cada uma das candidaturas para apresentarem uma agenda nova, com propostas que vão ao encontro das expectativas dos munícipes e que projectem um futuro ambicioso para o concelho.
Se persistirem nos temas recorrentes do passado, saneamento, revisão do PDM e quejandos, estamos conversados.
O mundo mudou, os cidadãos também e a forma de fazer política idem. A blogosfera é um meio excelente de cada um dizer de sua justiça. Em vez de se ficar á espera que os líderes digam o que pensam, cada um pode dizer o que sente, apresentar propostas, gritar o que lhe vai na alma. Pela minha aparte é o que vou fazer e se quiserem aproveitar o espaço, sirvam-se à vontade.
Se persistirem nos temas recorrentes do passado, saneamento, revisão do PDM e quejandos, estamos conversados.
O mundo mudou, os cidadãos também e a forma de fazer política idem. A blogosfera é um meio excelente de cada um dizer de sua justiça. Em vez de se ficar á espera que os líderes digam o que pensam, cada um pode dizer o que sente, apresentar propostas, gritar o que lhe vai na alma. Pela minha aparte é o que vou fazer e se quiserem aproveitar o espaço, sirvam-se à vontade.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Candidaturas não acumuláveis
O PS está a digerir com alguma azia a deliberação de não serem acumuláveis candidaturas às autarquias e à Assembleia da Repúbica.
Depois da derrota traumática das europeias e dos chifres do ministro Pinho, a direcção faz um "manguito" aos esforçados candidatos e candidatas que se estavam a preparar para um difícil número de equilibrismo, com um pezinho no territótio autárquico e outro em São Bento.
A decisão só peca por tardia e Manuel Alegre faz muito bem em instar Ana Gomes e Elisa Ferreira a assumirem-se numa das suas duas qualidades -deputadas ao Parlamento Europeu ou candidatas, respectivamente, a Sintra e ao Porto.
É certo que a decisão já devia ter sido tomada há muito, mas vale mais tarde do que nunca e é tempo de se perceber que os eleitores não aceitam ser tratados como lixo e, muito menos, serem tomados por parvos.
Um candidato ou candidata é-o, por definição, a um cargo ou função, não a dois ou mais, como um apostador que quer aumentar as suas hipóteses de sucesso em caso de vitória e a precaver-se em caso de derrota.
Veja-se o caso emblemático de Elisa Ferreira. Ganhar o Porto é um desafio muito difícil, que obriga a um empenhamento total e a uma consciência muito clara de que se não ganhar tem de "comer o pó levantado pelos vencedores". Ora, se a derrota se traduzir no "exílio" europeu, é impossível que a candidata não faça a campanha com o sentimento de que o pior que lhe pode acontecer é ir tomar ares para o centro do continente. Confortável, não acham?
E o mesmo é válido, mutatis mutantis, para todos e todas que se abalançassem a duas candidaturas e que sempre pensariam numa dupla oportunidade para conseguirem um lugar.
Com toda a candura, uma candidata que sempre esteve nas primeiras linhas do PS veio dizer que se não ganhar precisa de um emprego para sobreviver pois ser vereador da oposição não enche barriga (a expressão é minha).
Pois, é verdade, mas toda a gente deve ter um emprego e não viver exclusivamente da política. É essa a essência da democracia. Uma das razões do empobrecimento da nossa vida política é, precisamente, o facto de alguns se servirem da política em vez de servirem o país. Sem qualidades para conseguirem um emprego decente, tornam-se "nossos representantes" nas autarquias, na Assembleia da República, no Governo e nos serviços públicos, enxameando a mesa do poder e sugando o erário público. E nesta matéria não há partidos inocentes, são todos iguais.
O PS fez bem em clarificar esta questão. Os dois amores que o Marco Paulo cantava pertencem ao mundo cor-de-rosa, salvo seja, não à política, quando esta respeita a ética e os eleitores.
Depois da derrota traumática das europeias e dos chifres do ministro Pinho, a direcção faz um "manguito" aos esforçados candidatos e candidatas que se estavam a preparar para um difícil número de equilibrismo, com um pezinho no territótio autárquico e outro em São Bento.
A decisão só peca por tardia e Manuel Alegre faz muito bem em instar Ana Gomes e Elisa Ferreira a assumirem-se numa das suas duas qualidades -deputadas ao Parlamento Europeu ou candidatas, respectivamente, a Sintra e ao Porto.
É certo que a decisão já devia ter sido tomada há muito, mas vale mais tarde do que nunca e é tempo de se perceber que os eleitores não aceitam ser tratados como lixo e, muito menos, serem tomados por parvos.
Um candidato ou candidata é-o, por definição, a um cargo ou função, não a dois ou mais, como um apostador que quer aumentar as suas hipóteses de sucesso em caso de vitória e a precaver-se em caso de derrota.
Veja-se o caso emblemático de Elisa Ferreira. Ganhar o Porto é um desafio muito difícil, que obriga a um empenhamento total e a uma consciência muito clara de que se não ganhar tem de "comer o pó levantado pelos vencedores". Ora, se a derrota se traduzir no "exílio" europeu, é impossível que a candidata não faça a campanha com o sentimento de que o pior que lhe pode acontecer é ir tomar ares para o centro do continente. Confortável, não acham?
E o mesmo é válido, mutatis mutantis, para todos e todas que se abalançassem a duas candidaturas e que sempre pensariam numa dupla oportunidade para conseguirem um lugar.
Com toda a candura, uma candidata que sempre esteve nas primeiras linhas do PS veio dizer que se não ganhar precisa de um emprego para sobreviver pois ser vereador da oposição não enche barriga (a expressão é minha).
Pois, é verdade, mas toda a gente deve ter um emprego e não viver exclusivamente da política. É essa a essência da democracia. Uma das razões do empobrecimento da nossa vida política é, precisamente, o facto de alguns se servirem da política em vez de servirem o país. Sem qualidades para conseguirem um emprego decente, tornam-se "nossos representantes" nas autarquias, na Assembleia da República, no Governo e nos serviços públicos, enxameando a mesa do poder e sugando o erário público. E nesta matéria não há partidos inocentes, são todos iguais.
O PS fez bem em clarificar esta questão. Os dois amores que o Marco Paulo cantava pertencem ao mundo cor-de-rosa, salvo seja, não à política, quando esta respeita a ética e os eleitores.
domingo, 5 de julho de 2009
Autonomia das escolas vs governação por contrato
Dia 3, no Centro Cultural de Belém, o Ministério da Educação organizou uma jornada de análise e reflexão sobre a autonomia das escolas.
A Ministra da Educação presidiu ao evento e considerou ser esta uma área em que a sua acção pessoal e política foi determinante para que existam cerca de vinte escolas com contratos de autonomia.
A jornada foi um misto de propaganda, relato de práticas (boas ou más, depende do ponto de vista) e de reflexão académica.
Independentemente de qualquer perspectiva crítica, tratou-se de uma iniciativa interessante e oportuna, embora tenham sido patentes alguns dos equívocos que contaminam este processo.
Em primeiro lugar há uma questão, bem levantada por Jorge Adelino Costa (Universidade de Aveiro), sobre a impossibilidade de as escolas não superiores terem autonomia, por lhes estar vedada nos termos da Lei de Bases do Sistema Educativo (1986).
João Formosinho (Universidade do Minho) utiliza preferencialmente a expressão "governação das escolas por contrato", conceito muito mais rigoroso e ajustado à realidade.
Uma segunda questão resulta do facto de se ter ignorado que a "autonomia das escolas" ou a "governação por contrato" não dispensam o concurso das autarquias. Lamentavelmente foram excluídas da jornada, ninguém (que eu tenha ouvido) se lhes referiu e não vi por lá nenhum representante "oficial".
Finalmente, o modelo de "autonomia" ou "governação por contrato" centra-se na descentralização de competências do ME para as escolas e a sua conceptualização coloca o escopo apenas nas escolas e/ou agrupamentos, continuando a ignorar-se a possibilidade de se criarem unidades de gestão de âmbito concelhio, nos casos em que existam mais de que uma escola e/ou agrupamento num município.
Também não se inova na possibilidade de rever a lógica centralista da administração escolar, procedendo à sua territorialização (municipalização), acabando de vez com o modelo único e com a gestão do ME, substituindo-a por uma gestão local fortemente ancorada em cada comunidade.
Os chamados "contratos de autonomia" são um passo tímido, é certo, mas positivo num caminho que é necessário fazer, mas que não pode ser ingenuamente concebido como se as escolas pudessem ser autónomas, isentas de um controlo social sobre o seu funcionamento e produtos, e a funcionar umbilicalmente ligadas ao ME, em vez de às comunidades que servem.
A revolução que está por fazer implica que o ME deixe de ser responsável pela gestão das escolas e que se conforme às importantes funções de planeamento macro do sistema e supervisão e controlo do seu funcionamento. A função de avaliação deve ser deixada à competência de uma agência independente, como já acontece para o Ensino Superior.
A Ministra da Educação presidiu ao evento e considerou ser esta uma área em que a sua acção pessoal e política foi determinante para que existam cerca de vinte escolas com contratos de autonomia.
A jornada foi um misto de propaganda, relato de práticas (boas ou más, depende do ponto de vista) e de reflexão académica.
Independentemente de qualquer perspectiva crítica, tratou-se de uma iniciativa interessante e oportuna, embora tenham sido patentes alguns dos equívocos que contaminam este processo.
Em primeiro lugar há uma questão, bem levantada por Jorge Adelino Costa (Universidade de Aveiro), sobre a impossibilidade de as escolas não superiores terem autonomia, por lhes estar vedada nos termos da Lei de Bases do Sistema Educativo (1986).
João Formosinho (Universidade do Minho) utiliza preferencialmente a expressão "governação das escolas por contrato", conceito muito mais rigoroso e ajustado à realidade.
Uma segunda questão resulta do facto de se ter ignorado que a "autonomia das escolas" ou a "governação por contrato" não dispensam o concurso das autarquias. Lamentavelmente foram excluídas da jornada, ninguém (que eu tenha ouvido) se lhes referiu e não vi por lá nenhum representante "oficial".
Finalmente, o modelo de "autonomia" ou "governação por contrato" centra-se na descentralização de competências do ME para as escolas e a sua conceptualização coloca o escopo apenas nas escolas e/ou agrupamentos, continuando a ignorar-se a possibilidade de se criarem unidades de gestão de âmbito concelhio, nos casos em que existam mais de que uma escola e/ou agrupamento num município.
Também não se inova na possibilidade de rever a lógica centralista da administração escolar, procedendo à sua territorialização (municipalização), acabando de vez com o modelo único e com a gestão do ME, substituindo-a por uma gestão local fortemente ancorada em cada comunidade.
Os chamados "contratos de autonomia" são um passo tímido, é certo, mas positivo num caminho que é necessário fazer, mas que não pode ser ingenuamente concebido como se as escolas pudessem ser autónomas, isentas de um controlo social sobre o seu funcionamento e produtos, e a funcionar umbilicalmente ligadas ao ME, em vez de às comunidades que servem.
A revolução que está por fazer implica que o ME deixe de ser responsável pela gestão das escolas e que se conforme às importantes funções de planeamento macro do sistema e supervisão e controlo do seu funcionamento. A função de avaliação deve ser deixada à competência de uma agência independente, como já acontece para o Ensino Superior.
Bota-abaixo
MFL já decidiu, se ganhar as eleições só se salva a política social. Tudo o resto que o PS andou a fazer vai para o caixote do lixo. Depois não digam que a Sr.ª não avisou.
Uma forma de abordar a política é o confronto, a outra é o consenso, a busca do máximo denominador comum, talvez a melhor forma de superar as fragilidades nacionais e a concorrência internacional.
Já agora, reavivem as memórias e vejam como foi MFL enquanto Ministra da Educação e, depois, das Finanças. O país não pode ser governado à custa dos humores mal resolvidos de quem tem o poder.
Uma forma de abordar a política é o confronto, a outra é o consenso, a busca do máximo denominador comum, talvez a melhor forma de superar as fragilidades nacionais e a concorrência internacional.
Já agora, reavivem as memórias e vejam como foi MFL enquanto Ministra da Educação e, depois, das Finanças. O país não pode ser governado à custa dos humores mal resolvidos de quem tem o poder.
O PS, Castro e os provérbios
A candidatura do PS à Câmara, protagonizada por Raul Castro, parece inspirar-se na ideia de que “Não há duas sem três”. A expectativa é alta, Castro sempre obteve bons resultados, tem uma boa rede alargada de contactos e motivação q.b.
Para o PS, ganhar a câmara de Leiria é como conquistar o Everest, o que exige liderança, coesão, trabalho e sacrifício, pelo que “Os fins justificam os meios”.
E se “Não há bem que sempre dure, nem mal que não se acabe”, e como “Quem porfia sempre alcança”, pode ser que o vaticínio se concretize. “À terceira é de vez”.
Para o PS, ganhar a câmara de Leiria é como conquistar o Everest, o que exige liderança, coesão, trabalho e sacrifício, pelo que “Os fins justificam os meios”.
E se “Não há bem que sempre dure, nem mal que não se acabe”, e como “Quem porfia sempre alcança”, pode ser que o vaticínio se concretize. “À terceira é de vez”.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Regresso
Um blogue é como um animal de estimação, necessita de atenção e carinhos. Confesso que nos últimos tempos descurei um e outros e me tenho limitado a postar os textos que publico no Região de Leiria.
A culpa é minha, naturalmente, mas em minha defesa posso invocar o "estado a que isto chegou", expressão que releva dos tempos do Estado Novo em que aquela expressão procurava qualificar, com ironia, a situação política do país.
A educação em Portugal é hoje, pouco mais do que isto, um silêncio sofrido na esperança de que a provação termine depressa. E de tal modo a situação é grave, que mesmo os especialistas não encontram motivos mais marcantes para caracterizar o que se passa no país do que assinalar a crispação que se sente por todo o lado, a quebra do laço afectivo entre os professores e quem os tutela.
Sindicatos e politiquices à parte, é disto que se trata, falta de liderança de quem, por completa ausência de expertise na gestão dos recursos humanos, delapidou o património mais valioso para realizar uma reforma de fundo de qualquer sistema educativo - os professores.
Também eu sucumbi à vontade de fingir que a realidade não é tão má como a pintamos, e deixei de escrever no blogue. No fundo, é uma forma de protesto como outra qualquer. Há momentos em que ignorar alguém ou alguma coisa é uma forma suprema de vingança. Talvez agora regresse.
Voto de silêncio
Seis portugueses em cada dez votaram em silêncio, abstendo-se. É certo que as maiorias silenciosas não formam governos, mas podem fazê-los cair. Não foi o caso, mas não deixou de ser um forte abanão.
Até o Primeiro-ministro já veio dizer que é preciso explicar melhor as políticas do Governo. Explicar? Os portugueses não são parvos, percebem as medidas, mas muitos não as aceitam.
A derrapagem do PS foi o resultado conjugado do descontentamento com algumas políticas e da falta de uma razão válida para ir votar. O silêncio transformou-se em alarido e a democracia ficou empobrecida.
Até o Primeiro-ministro já veio dizer que é preciso explicar melhor as políticas do Governo. Explicar? Os portugueses não são parvos, percebem as medidas, mas muitos não as aceitam.
A derrapagem do PS foi o resultado conjugado do descontentamento com algumas políticas e da falta de uma razão válida para ir votar. O silêncio transformou-se em alarido e a democracia ficou empobrecida.
Voto de silêncio
Seis portugueses em cada dez votaram em silêncio, abstendo-se. É certo que as maiorias silenciosas não formam governos, mas podem fazê-los cair. Não foi o caso, mas não deixou de ser um forte abanão.
Até o Primeiro-ministro já veio dizer que é preciso explicar melhor as políticas do Governo. Explicar? Os portugueses não são parvos, percebem as medidas, mas muitos não as aceitam.
A derrapagem do PS foi o resultado conjugado do descontentamento com algumas políticas e da falta de uma razão válida para ir votar. O silêncio transformou-se em alarido e a democracia ficou empobrecida.
Até o Primeiro-ministro já veio dizer que é preciso explicar melhor as políticas do Governo. Explicar? Os portugueses não são parvos, percebem as medidas, mas muitos não as aceitam.
A derrapagem do PS foi o resultado conjugado do descontentamento com algumas políticas e da falta de uma razão válida para ir votar. O silêncio transformou-se em alarido e a democracia ficou empobrecida.
terça-feira, 16 de junho de 2009
O sonho e o pesadelo
O projecto do centro comercial e da grande renovação da cidade, que lhe estava associada, morreram. Agora é tempo de procurar alternativas.
A prioridade deve ser rentabilizar o topo norte do estádio, que custou em 2005 cerca de onze milhões de euros, mais dois milhões e trezentos mil de juros até 2009 (dados da CML).
Por outro lado repensar o modelo de cidade comercial de Leiria, ancorando um projecto de renovação altamente qualificada a partir do centro histórico. As cidades enobrecem-se revitalizando o seu coração.
A prioridade deve ser rentabilizar o topo norte do estádio, que custou em 2005 cerca de onze milhões de euros, mais dois milhões e trezentos mil de juros até 2009 (dados da CML).
Por outro lado repensar o modelo de cidade comercial de Leiria, ancorando um projecto de renovação altamente qualificada a partir do centro histórico. As cidades enobrecem-se revitalizando o seu coração.
Europeias, o ruído como programa
Sabe-se que as eleições europeias interessam pouco ao comum dos cidadãos, apesar de serem evidentes as consequências da nossa integração na União Europeia.
Este momento seria muito propício a discutir as grandes questões da União, a reforçar a reflexão sobre as vantagens e prejuízos da integração, a mobilizar os eleitores para o espírito europeu.
O que se tem assistido é à chicana habitual, centrada no umbigo e nos insultos, evidenciando a pouca qualidade do debate e a falta de elevação de alguns protagonistas. É mais uma oportunidade perdida.
Este momento seria muito propício a discutir as grandes questões da União, a reforçar a reflexão sobre as vantagens e prejuízos da integração, a mobilizar os eleitores para o espírito europeu.
O que se tem assistido é à chicana habitual, centrada no umbigo e nos insultos, evidenciando a pouca qualidade do debate e a falta de elevação de alguns protagonistas. É mais uma oportunidade perdida.
domingo, 31 de maio de 2009
Leiria na Primeira Liga
O regresso da União Desportiva de Leiria ao primeiro escalão das competições nacionais merece uma referência e uma saudação a todos quantos contribuíram para alcançar este objectivo.
Ter uma equipa nesta competição é um elemento indispensável numa estratégia de afirmação global dos interesses de desenvolvimento do concelho e da região.
Este é um momento oportuno para repensar a relação do clube com os cidadãos em geral, com os poderes públicos locais e com as empresas, acentuando a ideia de parceria e reforçando a transparência de procedimentos.
Ter uma equipa nesta competição é um elemento indispensável numa estratégia de afirmação global dos interesses de desenvolvimento do concelho e da região.
Este é um momento oportuno para repensar a relação do clube com os cidadãos em geral, com os poderes públicos locais e com as empresas, acentuando a ideia de parceria e reforçando a transparência de procedimentos.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Da castidade ao sexo livre
A educação sexual é matéria controversa. O problema não são os factos, mas os valores que lhes andam associados e como pode a Escola intervir. Da castidade ao sexo livre há um mundo de hipóteses. E quem decide? E como se aborda? E onde se traça a fronteira?
Distribuir preservativos? Não será consensual, mas não se pensa distribuir máscaras contra a gripe? O problema não são os preservativos, é a educação que damos aos nossos filhos, ou que não damos.
As doenças sexualmente transmissíveis e as gravidezes precoces são um problema de saúde pública e não se combatem com moralismos, mas com educação
Distribuir preservativos? Não será consensual, mas não se pensa distribuir máscaras contra a gripe? O problema não são os preservativos, é a educação que damos aos nossos filhos, ou que não damos.
As doenças sexualmente transmissíveis e as gravidezes precoces são um problema de saúde pública e não se combatem com moralismos, mas com educação
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