segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Bolas sem creme

Nos meus tempos de menino, ir dos confins do Alentejo até à beira-mar, fazer praia, era sempre uma aventura e um tempo de experiências mágicas.
Para além dos prazeres marinhos, as batatas fritas, redondas e estaladiças, e as bolas de Berlim, bem recheadas de creme, faziam as delícias da criançada no intervalo das banhocas.
Hoje, comer batatas fritas é quase um crime de lesa coração e já ninguém as vende nas praias, quanto às bolas, só mesmo sem creme, ASAE dixit. As gerações do soft e do light não sabem o que perdem. A praia lá continua, mas não é a mesma coisa.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

E o terceiro mundo aqui tão perto

O hospital de Santo André é uma boa unidade de saúde. Alguns dos seus serviços são referências de excelência. Por razões familiares já conhecia as urgências obstétrica e pediátrica. Ambas de grande qualidade.
Numa destas noites vi-me obrigado a uma visita inesperada à urgência geral. Nem queria acreditar. Aquele não é o Santo André a que me habituei. A degradação das instalações é evidente e as condições de atendimento péssimas.
Sobrevive-se, é um facto, mas o ambiente lembra os hospitais do terceiro mundo. Algo está errado e a culpa não é, certamente, dos doentes.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Consumir o futuro

Agora que as bolsas estão a recuperar, a gripe A se dissemina, e a corrida eleitoral acelera, as preocupações com a crise estão a passar para segundo plano.
E é pena. Para além dos factores resultantes da globalização, há problemas estruturais que nem estão, nem serão resolvidos, se tudo continuar na mesma.
Um país que compra mais do que vende, paga mais do que recebe, gasta mais do que tem, é inviável. Portugal tem uma economia terciarizada, mas sem estrutura que a suporte. Se continuarmos como até aqui estaremos a consumir o futuro.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Dicas para uma campanha eleitoral (3)

A equipa

A escolha de uma equipa para concorrer a quaisquer eleições é da maior importância porquanto não é só o primeiro nome que é importante. A equipa pode acrescentar, mas também pode diminuir.
Infelizmente é comum que as equipas sejam escolhidas com base em critérios que pouco ou nada têm que ver com a competência das pessoas. Ou se vai pelo compadrio político, ou pela necessidade (actual) de preencher quotas, ou porque uns fazem menos sombra do que outros.
O critério da competência e da adequação do perfil de cada um ao lugar que lhe pode vir a caber, que devia ser norma, é excepção e, por isso mesmo, a classe política tem sofrido a erosão que se sabe, a ponto de se ser mal-visto só por se manter actividade política, seja ela qual for.
A aposta na competência é um valor seguro.

A auto-avaliação dos professores

Levo trinta e cinco anos de carreira docente, dos quais vinte e quatro como formador de professores. Nunca encontrei ninguém que ao fazer a sua autoavaliação não se considere sempre num patamar de execução de nível de bom e muito bom, preferencialmente, neste último.
As autoavaliações são daquelas peças rituais que servem para enfeitar mas das quais pouco ou nada mais se aproveita.
Quem é que sabendo que tudo o que diga em seu desfavor será utilizado contra si, vai dizer algo? E é aqui que a hipocrisia institucional atinge todo o seu esplendor. Neste momento há milhares de professores a preencherem a ficha de autoavaliação e a dizerem que fazem tudo bem. O que haveriam de dizer?
Para que servem estas autoavaliações? Para pouco. Mas é assim que o sistema está montado.
Naturalmente que os processos de autoavaliação têm a maior importância e são indispensáveis em processos de avaliação do desempenho, mas exigem um referencial claro que exige, no mínimo, que o que se diz seja objectivamente comprovado, caso contrário, cada um espraia-se de acordo com a sua iniciativa.
Por outro lado, a autoavaliação é um processo estruturalmente formativo e, por isso mesmo, exige uma disponibilidade total dos avaliados e dos avaliadores para o encararem sem o ónus de daí advir qualquer prejuízo adicional para quem assume as suas insuficiências ou limitações. Sem isso, é uma farsa.

domingo, 19 de julho de 2009

CR9

Não tenho dúvidas de que identificou, de imediato, a personalidade a que se refere o título. Quem não conhece Cristiano Ronaldo e quem não sabe que passou a ser o titular da camisola número 9 do Real Madrid?
CR9 é o português contemporâneo mais conhecido em todo o planeta e um dos poucos cidadãos do mundo a conseguir juntar num estádio 80 mil pessoas, só para o ver.
CR9 já é muito mais do que um jogador de futebol, é um símbolo do poder da comunicação e um exemplo de como o talento e a sorte podem transformar um menino pobre num semi-deus. O berço é importante, não determinante.

domingo, 12 de julho de 2009

Dicas para uma campanha eleitoral (2)

O programa

Sintético e ambicioso, são talvez as duas qualidades mais importantes de um programa eleitoral. Não quer dizer que não se elabore um documento mais extenso e detalhado com as metas que se pretendem alcançar, mas uma folha A4 deve bastar para comunicar o essencial.
Numa época em que todos estão habituados à comunicação mediática e a serem motivados pelos primeiros segundos de uma notícia ou de um videoclip, ninguém tem pachorra para ler extensos programas, recheados de banalidades e promessas em que ninguém acredita.
O essencial é captar o sentir maioritário dos eleitores e falar-lhes do que lhes interessa e de como se concretizarão as suas expectativas. Simultaneamente é necessário mostrar novos caminhos e mobilizar os eleitores para os fazerem conjuntamente.
O "Choque Tecnológico" de Sócrates, por muito que alguns se riam da ideia, constituiu uma verdadeira revolução e fica como exemplo de como uma ideia consistente pode ajudar a mudar um país.
Não são precisas muitas ideias, basta uma boa para alterar o curso da história.

Barreto e a autonomia

Não é novidade que António Barreto é um dos mais lúcidos pensadores portugueses. Num texto que hoje publica no jornal Público, titulado "O eterno recomeço", faz uma síntese, na qual muitos certamente se revêm, do balanço possível do legado da actual equipa do ME. Cito apenas um pequeno passo que vem ao encontro do meu pensamento sobre a gestão do sistema escolar. "Com a maioria absoluta e a aparente contenção do poder sindical, parecia possível procurar outras vias, nomeadamente a autonomia das escolas e da sua devolução por inteiro às comunidades".
Inteiramente de acordo, mas ainda vamos ter um longo caminho a percorrer. Apesar dos contratos de autonomia, uma simples gota de água no sistema e, mesmo esta, muito ténue, quase tudo está ainda por fazer. Para complicar e dificultar ainda mais, há um receio profundamente arreigado em muita gente, professores incluídos, de que a autonomia possa significar poder dos munícipios sobre as escolas. Entre o Estado Central e o Estado Local, há muitos a preferir o primeiro.
Relativamente ao texto de Barreto, apenas uma discordância, não se pode devolver às comunidades o que nunca lhes pertenceu. A gestão escolar sempre foi prerrogativa do poder central, que depois de 1974 partilhou, por interesse estratégico, com os professores, o governo das escolas.
Formalmente, este paradigma só foi alterado, muito timidamente, com o actual decreto-lei regulamentador da gestão das escolas (75/2008) que colocou em minoria nos conselhos gerais, os professores, situação nunca antes ocorrida.

A política do bypass

Na política tudo é possível, tal como na vida. A concelhia de Leiria do PSD, escolheu um candidato à Câmara que não mereceu a aprovação das estruturas distritais nem nacionais. Nada a objectar, são os regulamentos.
A coisa complica-se quando é indicada uma (re)candidata, sem que a estrutura local reveja a sua posição ou seja destituída por se opor à escolha e militar contra ela.
Agora que a campanha se inicia, finge-se não existir estrutura local e monta-se uma paralela, fazendo-se uma espécie de bypass. Talvez seja a solução possível, mas será admissível? A ver vamos.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Dicas para uma campanha eleitoral (1)

Uma campanha pela positiva.

Dizer mal dos adversários agrada aos adeptos, mas não entusiasma os eleitores e às vezes é desonesto.
Além do mais, quanto mais se fala dos adversários mais importância se lhes está a dar. Propostas credíveis é a receita mais eficaz e, sem o dizer explicitamente, propostas que façam o contraponto com o que os adversários não fizeram ou não propõem.
A seriedade é fundamental para dar suporte às propostas e mesmo quando alguns políticos, que podem ser considerados tudo menos sérios, ganham eleições é porque conseguem a proeza de fazer com que os eleitores acreditem em duas coisas - que não são tão maus como os pintam e que a sua capacidade de realização em benefício das populações está acima dos seus pecadilhos.

Lição número um: Seja sério(a), dê-se ao respeito, apresente propostas que cativem e evite a má língua. Os adversários existem, respeite-os, mas dê-lhes a menor importância possível, não faça o trabalho deles, preocupe-se com o seu. Uma campanha pela positiva é meio caminho andado.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

As autárquicas em Leiria

Aparentemente vamos ter mais do mesmo, quase que se pode dizer que é o "derby" do costume - Isabel vs Castro - mas talvez não seja bem assim, depende da capacidade de cada uma das candidaturas para apresentarem uma agenda nova, com propostas que vão ao encontro das expectativas dos munícipes e que projectem um futuro ambicioso para o concelho.
Se persistirem nos temas recorrentes do passado, saneamento, revisão do PDM e quejandos, estamos conversados.
O mundo mudou, os cidadãos também e a forma de fazer política idem. A blogosfera é um meio excelente de cada um dizer de sua justiça. Em vez de se ficar á espera que os líderes digam o que pensam, cada um pode dizer o que sente, apresentar propostas, gritar o que lhe vai na alma. Pela minha aparte é o que vou fazer e se quiserem aproveitar o espaço, sirvam-se à vontade.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Candidaturas não acumuláveis

O PS está a digerir com alguma azia a deliberação de não serem acumuláveis candidaturas às autarquias e à Assembleia da Repúbica.
Depois da derrota traumática das europeias e dos chifres do ministro Pinho, a direcção faz um "manguito" aos esforçados candidatos e candidatas que se estavam a preparar para um difícil número de equilibrismo, com um pezinho no territótio autárquico e outro em São Bento.
A decisão só peca por tardia e Manuel Alegre faz muito bem em instar Ana Gomes e Elisa Ferreira a assumirem-se numa das suas duas qualidades -deputadas ao Parlamento Europeu ou candidatas, respectivamente, a Sintra e ao Porto.
É certo que a decisão já devia ter sido tomada há muito, mas vale mais tarde do que nunca e é tempo de se perceber que os eleitores não aceitam ser tratados como lixo e, muito menos, serem tomados por parvos.
Um candidato ou candidata é-o, por definição, a um cargo ou função, não a dois ou mais, como um apostador que quer aumentar as suas hipóteses de sucesso em caso de vitória e a precaver-se em caso de derrota.
Veja-se o caso emblemático de Elisa Ferreira. Ganhar o Porto é um desafio muito difícil, que obriga a um empenhamento total e a uma consciência muito clara de que se não ganhar tem de "comer o pó levantado pelos vencedores". Ora, se a derrota se traduzir no "exílio" europeu, é impossível que a candidata não faça a campanha com o sentimento de que o pior que lhe pode acontecer é ir tomar ares para o centro do continente. Confortável, não acham?
E o mesmo é válido, mutatis mutantis, para todos e todas que se abalançassem a duas candidaturas e que sempre pensariam numa dupla oportunidade para conseguirem um lugar.
Com toda a candura, uma candidata que sempre esteve nas primeiras linhas do PS veio dizer que se não ganhar precisa de um emprego para sobreviver pois ser vereador da oposição não enche barriga (a expressão é minha).
Pois, é verdade, mas toda a gente deve ter um emprego e não viver exclusivamente da política. É essa a essência da democracia. Uma das razões do empobrecimento da nossa vida política é, precisamente, o facto de alguns se servirem da política em vez de servirem o país. Sem qualidades para conseguirem um emprego decente, tornam-se "nossos representantes" nas autarquias, na Assembleia da República, no Governo e nos serviços públicos, enxameando a mesa do poder e sugando o erário público. E nesta matéria não há partidos inocentes, são todos iguais.
O PS fez bem em clarificar esta questão. Os dois amores que o Marco Paulo cantava pertencem ao mundo cor-de-rosa, salvo seja, não à política, quando esta respeita a ética e os eleitores.

domingo, 5 de julho de 2009

Autonomia das escolas vs governação por contrato

Dia 3, no Centro Cultural de Belém, o Ministério da Educação organizou uma jornada de análise e reflexão sobre a autonomia das escolas.
A Ministra da Educação presidiu ao evento e considerou ser esta uma área em que a sua acção pessoal e política foi determinante para que existam cerca de vinte escolas com contratos de autonomia.
A jornada foi um misto de propaganda, relato de práticas (boas ou más, depende do ponto de vista) e de reflexão académica.
Independentemente de qualquer perspectiva crítica, tratou-se de uma iniciativa interessante e oportuna, embora tenham sido patentes alguns dos equívocos que contaminam este processo.
Em primeiro lugar há uma questão, bem levantada por Jorge Adelino Costa (Universidade de Aveiro), sobre a impossibilidade de as escolas não superiores terem autonomia, por lhes estar vedada nos termos da Lei de Bases do Sistema Educativo (1986).
João Formosinho (Universidade do Minho) utiliza preferencialmente a expressão "governação das escolas por contrato", conceito muito mais rigoroso e ajustado à realidade.
Uma segunda questão resulta do facto de se ter ignorado que a "autonomia das escolas" ou a "governação por contrato" não dispensam o concurso das autarquias. Lamentavelmente foram excluídas da jornada, ninguém (que eu tenha ouvido) se lhes referiu e não vi por lá nenhum representante "oficial".
Finalmente, o modelo de "autonomia" ou "governação por contrato" centra-se na descentralização de competências do ME para as escolas e a sua conceptualização coloca o escopo apenas nas escolas e/ou agrupamentos, continuando a ignorar-se a possibilidade de se criarem unidades de gestão de âmbito concelhio, nos casos em que existam mais de que uma escola e/ou agrupamento num município.
Também não se inova na possibilidade de rever a lógica centralista da administração escolar, procedendo à sua territorialização (municipalização), acabando de vez com o modelo único e com a gestão do ME, substituindo-a por uma gestão local fortemente ancorada em cada comunidade.
Os chamados "contratos de autonomia" são um passo tímido, é certo, mas positivo num caminho que é necessário fazer, mas que não pode ser ingenuamente concebido como se as escolas pudessem ser autónomas, isentas de um controlo social sobre o seu funcionamento e produtos, e a funcionar umbilicalmente ligadas ao ME, em vez de às comunidades que servem.
A revolução que está por fazer implica que o ME deixe de ser responsável pela gestão das escolas e que se conforme às importantes funções de planeamento macro do sistema e supervisão e controlo do seu funcionamento. A função de avaliação deve ser deixada à competência de uma agência independente, como já acontece para o Ensino Superior.

Bota-abaixo

MFL já decidiu, se ganhar as eleições só se salva a política social. Tudo o resto que o PS andou a fazer vai para o caixote do lixo. Depois não digam que a Sr.ª não avisou.
Uma forma de abordar a política é o confronto, a outra é o consenso, a busca do máximo denominador comum, talvez a melhor forma de superar as fragilidades nacionais e a concorrência internacional.
Já agora, reavivem as memórias e vejam como foi MFL enquanto Ministra da Educação e, depois, das Finanças. O país não pode ser governado à custa dos humores mal resolvidos de quem tem o poder.

O PS, Castro e os provérbios

A candidatura do PS à Câmara, protagonizada por Raul Castro, parece inspirar-se na ideia de que “Não há duas sem três”. A expectativa é alta, Castro sempre obteve bons resultados, tem uma boa rede alargada de contactos e motivação q.b.
Para o PS, ganhar a câmara de Leiria é como conquistar o Everest, o que exige liderança, coesão, trabalho e sacrifício, pelo que “Os fins justificam os meios”.
E se “Não há bem que sempre dure, nem mal que não se acabe”, e como “Quem porfia sempre alcança”, pode ser que o vaticínio se concretize. “À terceira é de vez”.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Regresso

Um blogue é como um animal de estimação, necessita de atenção e carinhos. Confesso que nos últimos tempos descurei um e outros e me tenho limitado a postar os textos que publico no Região de Leiria.
A culpa é minha, naturalmente, mas em minha defesa posso invocar o "estado a que isto chegou", expressão que releva dos tempos do Estado Novo em que aquela expressão procurava qualificar, com ironia, a situação política do país.
A educação em Portugal é hoje, pouco mais do que isto, um silêncio sofrido na esperança de que a provação termine depressa. E de tal modo a situação é grave, que mesmo os especialistas não encontram motivos mais marcantes para caracterizar o que se passa no país do que assinalar a crispação que se sente por todo o lado, a quebra do laço afectivo entre os professores e quem os tutela.
Sindicatos e politiquices à parte, é disto que se trata, falta de liderança de quem, por completa ausência de expertise na gestão dos recursos humanos, delapidou o património mais valioso para realizar uma reforma de fundo de qualquer sistema educativo - os professores.
Também eu sucumbi à vontade de fingir que a realidade não é tão má como a pintamos, e deixei de escrever no blogue. No fundo, é uma forma de protesto como outra qualquer. Há momentos em que ignorar alguém ou alguma coisa é uma forma suprema de vingança. Talvez agora regresse.

Voto de silêncio

Seis portugueses em cada dez votaram em silêncio, abstendo-se. É certo que as maiorias silenciosas não formam governos, mas podem fazê-los cair. Não foi o caso, mas não deixou de ser um forte abanão.
Até o Primeiro-ministro já veio dizer que é preciso explicar melhor as políticas do Governo. Explicar? Os portugueses não são parvos, percebem as medidas, mas muitos não as aceitam.
A derrapagem do PS foi o resultado conjugado do descontentamento com algumas políticas e da falta de uma razão válida para ir votar. O silêncio transformou-se em alarido e a democracia ficou empobrecida.

Voto de silêncio

Seis portugueses em cada dez votaram em silêncio, abstendo-se. É certo que as maiorias silenciosas não formam governos, mas podem fazê-los cair. Não foi o caso, mas não deixou de ser um forte abanão.
Até o Primeiro-ministro já veio dizer que é preciso explicar melhor as políticas do Governo. Explicar? Os portugueses não são parvos, percebem as medidas, mas muitos não as aceitam.
A derrapagem do PS foi o resultado conjugado do descontentamento com algumas políticas e da falta de uma razão válida para ir votar. O silêncio transformou-se em alarido e a democracia ficou empobrecida.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O sonho e o pesadelo

O projecto do centro comercial e da grande renovação da cidade, que lhe estava associada, morreram. Agora é tempo de procurar alternativas.
A prioridade deve ser rentabilizar o topo norte do estádio, que custou em 2005 cerca de onze milhões de euros, mais dois milhões e trezentos mil de juros até 2009 (dados da CML).
Por outro lado repensar o modelo de cidade comercial de Leiria, ancorando um projecto de renovação altamente qualificada a partir do centro histórico. As cidades enobrecem-se revitalizando o seu coração.

Europeias, o ruído como programa

Sabe-se que as eleições europeias interessam pouco ao comum dos cidadãos, apesar de serem evidentes as consequências da nossa integração na União Europeia.
Este momento seria muito propício a discutir as grandes questões da União, a reforçar a reflexão sobre as vantagens e prejuízos da integração, a mobilizar os eleitores para o espírito europeu.
O que se tem assistido é à chicana habitual, centrada no umbigo e nos insultos, evidenciando a pouca qualidade do debate e a falta de elevação de alguns protagonistas. É mais uma oportunidade perdida.

domingo, 31 de maio de 2009

Leiria na Primeira Liga

O regresso da União Desportiva de Leiria ao primeiro escalão das competições nacionais merece uma referência e uma saudação a todos quantos contribuíram para alcançar este objectivo.
Ter uma equipa nesta competição é um elemento indispensável numa estratégia de afirmação global dos interesses de desenvolvimento do concelho e da região.
Este é um momento oportuno para repensar a relação do clube com os cidadãos em geral, com os poderes públicos locais e com as empresas, acentuando a ideia de parceria e reforçando a transparência de procedimentos.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Da castidade ao sexo livre

A educação sexual é matéria controversa. O problema não são os factos, mas os valores que lhes andam associados e como pode a Escola intervir. Da castidade ao sexo livre há um mundo de hipóteses. E quem decide? E como se aborda? E onde se traça a fronteira?
Distribuir preservativos? Não será consensual, mas não se pensa distribuir máscaras contra a gripe? O problema não são os preservativos, é a educação que damos aos nossos filhos, ou que não damos.
As doenças sexualmente transmissíveis e as gravidezes precoces são um problema de saúde pública e não se combatem com moralismos, mas com educação

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O tetra de Pinto da Costa

Diz-se que o Porto ganhou o campeonato. É verdade, mas a equipa e o seu treinador, Jesualdo Ferreira, são apenas os agentes concretizadores de uma estratégia.
O verdadeiro vencedor, o artífice da vitória, é o presidente Pinto da Costa, e a carreira fabulosa do Porto, nos últimos vinte anos, é apenas a expressão de uma liderança sem paralelo em equipas portuguesas.
No Porto não são os jogadores nem os treinadores que fazem a diferença, é o presidente, ou seja, aqueles são importantes, mas o presidente é que é determinante.

sábado, 9 de maio de 2009

A política do confronto

O confronto é, para alguns, o tónico que faz avançar as sociedades. O consenso é deletério, dizem, porque não acicata os ânimos, não clarifica, não produz rupturas.
Um dia destes, um dos gurus do Ministério da Educação, assinalava que quando a luta com os professores alcançava picos, o PS se aproximava da maioria absoluta. “São as sondagens que o comprovam”, perorava alto.
O diabo é que os problemas da educação e do país não se resolvem à bruta, e os malefícios do confronto perdurarão muito para além dos seus mais activos cultores.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Uma aliança virtuosa

Para lá das polémicas sobre o estádio de Leiria, importa rentabilizar o investimento feito, resolvendo o impasse do topo norte e explorando as potencialidades do complexo e do campo de treinos adjacente.
Os dois equipamentos podem servir de base a um projecto de excelência na área do atletismo, alavancado pela recente criação, no IPL, de uma unidade de investigação em Motricidade Humana.
As infra-estruturas existentes, o treino científico, a competência investigativa, podem constituir uma aliança virtuosa e criar em Leiria um novo nicho de desenvolvimento.

sábado, 25 de abril de 2009

Até tu Chávez!

Na cimeira das Américas a notícia foi o aperto de mão Chávez-Obama. O presidente da Venezuela deu o sinal que faltava para a conversão ao estilo Obama - afirmativo, empático e caloroso.
Fiel Castro já avisara que era importante olhar para a nova liderança americana e Raul, o homem a quem foi confiada a espinhosa tarefa da transição, já disse que tudo pode ser negociado, incluindo direitos humanos e prisioneiros políticos.
Cuba já pode receber as reservas dos seus emigrantes e as viagens foram liberalizadas. O fim do bloqueio não vai tardar. É o início de um novo ciclo na América Latina.

terça-feira, 21 de abril de 2009

A Justiça faz-de-conta

A Justiça é um dos mais fiáveis indicadores de desenvolvimento dos países. Sem um sistema de justiça que funcione com eficiência de processos e eficácia de resultados não há sociedades saudáveis.
A situação portuguesa é bem a ilustração disto e o caso Freeport o último episódio. A questão essencial continua por esclarecer, mas nasceu um spin off, o caso das pressões sobre os magistrados.
Para além da quebra do segredo de justiça são agora os próprios agentes da Justiça a engalfinhar-se. É tempo de a Justiça tirar a venda e encarar a realidade, se não se dá ao respeito, quem a respeitará?

sábado, 11 de abril de 2009

Sede de liderança

A viagem do Presidente Obama à Europa afirma a nobreza da política e evidencia que boas lideranças são o que se precisa para ultrapassar a grave crise em que o mundo mergulhou.
A empatia gerada por Obama e por Michelle, que se tornaram já verdadeiros ícones populares, não deixou indiferente a rainha Isabel II nem o povo anónimo.
Os mercados reagiram favoravelmente ao pacote de apoios aprovado nos EUA e a liderança de Obama faz o resto, alavanca o optimismo, traça um rumo, dá segurança. O desarmamento nuclear foi retomado e o compromisso ecológico afirmado. O mundo está a mudar, desta vez para melhor.

domingo, 5 de abril de 2009

Boas práticas

Hoje moderei um debate sobre boas práticas na educação. Organização da ADLEI, realizou-se na livraria Arquivo (quem não conhece deve descobrir o espaço, toma-se um café, degustam-se livros, surfa-se na net, há exposições e tertúlias).
O cabeça de cartaz, David Justino, rebentou o carro a não chegou a Leiria. Ficámos todos a perder, mas os carros ainda avariam.
Célia Santos, Nery Capucho, irmã Maria Manuel, Colégio de Nossa Senhora de Fátima, Carlos Ferreira, Raúl Proença, Ilídio Baptista, Escola Tecnológica e Profissional de Sicó, Andrea Sousa, ISLA, Luciano de Almeida, IPL e António Rodrigues, Centro de Competência da Batalha, falaram das boas práticas das suas organizações.
Henrique Neto, António Frazão e Guilherme Valente (GRADIVA) deram contributos muito oportunos. Ribeiro Vieira, presidente da ADLEI, abriu e encerrou os trabalhos com a queda que se lhe reconhece.
Num ambiente descontraído falou-se de coisas importantes, com conhecimento e experiência. A educação não é um pântano e os exemplos ali trazidos ilustram-no bem. O sistema de ensino é o território onde se constrói o futuro e, pelo que ali se disse, podemos estar optimistas.
Acabe-se com o discurso do caos, estudem-se as boas práticas (benchmarking) e vá-se em frente. Nunca como hoje houve tantos professores tão bem preparados, escolas com tão boas condições e tantos alunos nas escolas.
Então o que é que falta para melhorar os resultados? Expectativas altas, regras e valores e liderança. Mãos à obra.

27 votos

Para que conste, 27 votos dos membros da comissão concelhia de Leiria do Partido Socialista foram os bastantes para que Raúl Castro seja de novo o candidato do PS à Câmara de Leiria.
É bom dizer que o concelho tem mais de cem mil votantes. Não será difícil perceber a razão por que as pessoas estão cada vez mais desinteressadas da vida política. Se um candidato a uma câmara, com um universo eleitoral tão amplo, é escolhido por um número tão restrito de pessoas isto só pode significar que o processo é restritivo, pouco participado e que dificilmente pode ser mobilizador.
Ao candidato só posso desejar felicidades e que obtenha um bom resultado, neste caso a vitória, pois qualquer outro será mau.

Fundação IPL

O Conselho Geral do IPLeiria aprovou ontem o pedido ao MCTES para se abrir o processo de discussão prévia necessário para ajuizar se se justifica a transformação em fundação. É o primeiro politécnico a fazê-lo e, provavelmente, o único. Mais um desafio aliciante.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A democracia preguiçosa

Já pensou nas próximas autárquicas? Será que vai votar no seu/sua candidato/a ou em alguém que escolheram por si? Arranjam-lhe um candidato e você só põe a cruz (!). É a chamada democracia preguiçosa.
Para que a coisa funcione, faz-se uma sondagem. Há lá coisa mais democrática! Claro que só quem entra na sondagem pode ser candidato, e aí você começa a perceber como é que a coisa funciona.
Pronto, tem candidato/a, por exclusão de partes. A partir daqui é elogiar o/a candidato/a e votar na cor preferida, que o mal é geral. O/a candidato/a não serve? Não faça perguntas inconvenientes. Vote e cale-se!!!

domingo, 29 de março de 2009

O Papa e os dramas de África

A viagem de Bento XVI a África salda-se por muitos sucessos e por um perigoso equívoco. A defesa da paz, a emancipação das mulheres, a luta contra a discriminação, ficam a ecoar como palavras de esperança.
O mesmo se não poderá dizer da condenação do uso de preservativos. Conhecidos que são os princípios da Igreja Católica sobre a matéria, não se espera que o Papa os renegue. Mas insinuar que aqueles podem contribuir para o agravamento da epidemia, é ignorar o que a medicina comprova.
A castidade é preferível aos preservativos, mas perante as fraquezas da carne não se conhece melhor meio de defesa.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O topo norte

O topo norte do estádio de Leiria é um monumento emblemático. Qual escultura modernista, interpela-nos acerca das virtudes e incapacidades do poder. Representa a euforia do EURO 2004 e o seu contrário, o despesismo e o endividamento numa obra majestática e subaproveitada.
Pensado para rentabilizar comercialmente o empreendimento, transformou-se no oposto, um destroço caro e improdutivo, um sumidouro de dinheiros públicos, uma evidência de incapacidade.
O cidadão olha e encolhe os ombros, como se não saísse do bolso de todos o pecúlio que ajuda a pagar o serviço da dívida, sem qualquer contrapartida. É o fado português no seu melhor.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Líderes e lideranças em escolas portuguesas. Trajectos individuais e impactos organizacionais.

Para os que se interessam pelo tema, deixo-vos o resumo da minha tese de doutoramento. Se alguém estiver interessado na versão integral, basta pedir-ma para: jmsilva@esecs.ipleiria.pt

RESUMO
Com esta investigação visa-se aprofundar o conhecimento sobre presidentes de conselhos executivos de escolas secundárias públicas estatais portuguesas, reconstituindo os seus trajectos pessoais e profissionais, caracterizando a forma como desempenham os seus cargos, identificando as suas características de liderança, avaliando os impactos organizacionais daí decorrentes e a influência que esta multiplicidades de factores exercem nos resultados globais dos alunos.

RESUMEN
Con esta investigación, nuestra intención es progresar en el conocimiento sobre los presidentes de los conselhos executivos de las escuelas secundarias públicas del Estado en Portugal, reconstituyendo sus trayectos personales y profesionales, caracterizando la manera de desempeñar sus funciones, identificando sus características de liderazgo, valorando los consiguientes impactos organizacionales y la influencia que esta multiplicidad de factores ejercen en los resultados globales de los alumnos.

SUMMARY
This investigation aims to further the knowledge about Executive Board Directors of Portuguese state secondary schools, reconstituting their personal and professional paths, characterizing the way they deal with their positions, identifying their leadership characteristics, evaluating the organizational impacts resulting from these factors and the influence that this multiplicity of factors has on students’ global results.

Palavras chave: Educação, administração da educação, gestão da educação, organizações, líderes, liderança.

sábado, 14 de março de 2009

Anonimatos

Manter o anonimato é um direito que assiste a qualquer cidadão, mas subscrever as opiniões que se defendem não escondendo a cara na sombra é um dever cívico que tolera muito poucas excepções.
Este blogue é um espaço de liberdade, não uma tribuna para anónimos.

O grau zero da política

A política é feita de discussão e de opções e é, precisamente, o facto de as pessoas poderem optar e sentirem que a sua escolha pode ser determinante que as motiva e torna participativas.
O contrário leva ao alheamento, à desmotivação e ao descrédito da política e da democracia, tendência inegável em Portugal, onde se estreita progressivamente o crédito da actividade cívica.
Agora virou moda tirar candidatos da cartola, como se de ilusionismo se tratasse, escolher de acordo com sondagens prévias e centralizar a escolha até dos candidatos locais. Aos eleitores resta apenas votar. Não será pouco?

Ser ou não ser...fundação

É o tema do momento no Instituto Politécnico de Leiria. Decorre um processo de esclarecimento/auscultação conduzido pelo Presidente, no final do qual este apresentará...,ou não, um pedido formal ao Conselho Geral para que se inicie o processo de negociação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.O simples facto de o assunto estar a ser discutido significa que o IPL é um instituto de excepção. É que em matéria de poder aspirar a ser fundação, não é quem quer, mas quem pode, isto é, quem possui os requisitos necessários para se abalançar à negociação.O IPL tem sido pioneiro em muitas áreas, nomeadamente na formação dos seus docentes, tendo organizado o único programa colectivo de doutoramentos entre todas as instituições de ensino superior, que envolve quase quatro centenas de docentes.Já o está a ser também relativamente ao regime fundacional.

domingo, 8 de março de 2009

A mexicanização do sindicalismo docente

Falando um dia deste com um consultor internacional, que esteve em missão recente no México, dizia-me ele que o sindicato dos professores é a maior força de pressão do país, controla cerca de 10 milhões de votos, constituiu um partido político e é, verdadeiramente, quem controla a educação no país. Usando uma expressão forte "vende os votos a quem lhe assegurar mais regalias".
Lembrei-me disto a propósito do "cordão humano" e do aproximar das eleições. O fantasma da perturbação das actividades lectivas e avaliativas no terceiro período começa a inquietar os pais, mas não perturba menos os partidos ante a perspectiva de terem de lidar com a agitação escolar em vésperas de três actos eleitorais.
A estratégia dos sindicatos, ou da FENPROF (?), começa a ser perceptível, fazer sentir aos partidos que os votos dos professores podem ser decisivos para as suas aspirações. Quem prometer mais...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Mulheres

Não é necessário ser profeta ou futurólogo para que se possa afirmar que o século XXI vai ficar marcado pela conquista definitiva da plena igualdade entre mulheres e homens, nas chamadas sociedades ocidentais.
Nas restantes continuará a existir uma acentuada diferenciação, ainda que em graus desiguais, pois a questão da igualdade de género assenta em conceitos não universais e que, manifestamente, não encontram suporte incontestado.
Às vezes há a tentação etnocêntrica de considerar o mundo à nossa imagem e semelhança, mas a realidade é muito mais rica e complexa do que se pretende. Talvez alguns acreditem numa cruzada, mas que não se tenham ilusões, os crentes são sempre menos do que os bárbaros.

domingo, 1 de março de 2009

Os pobres que paguem a crise

Quando a crise começou não se imaginava o cortejo de negociatas, manobras financeiras e fugas ao fisco, que respeitáveis banqueiros e gestores, gente do jet set, beneméritos e comendadores tramavam para engordar as respectivas contas bancárias e fazerem de parvo quem trabalha e tem os impostos em dia.
De repente o mundo revelou-se como um enorme casino e descobriu-se uma vulgar bandidagem disfarçada de elite, que ao roubo por esticão prefere meios mais sofisticados e eficientes.
Não surpreende, pois, que sejam os mais pobres a pagarem a crise, a irem para a rua e a serem espoliados dos empregos. Responsabilidade social das empresas, o que é isso?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Terça-feira gorda

Um dia celestial. Um Sol fulgurante e um friso de pessoas que passam. Sentado num banco de jardim observo a condição humana. Por momentos esqueço-me de tudo e concentro-me nos tipos que passam. O lastro de ruralidade, mesmo nas cidades, persiste.
Pego no jornal e cá está a prova do nosso atraso, evoluimos, mas muito lentamente, não é um problema de gerações, é muito mais fundo, é de cultura.
O programa mais visto nas televisões, no domingo, foi o "Não há crise". Afinal o riso é a melhor terapia. Ganhou a "Equador", e está tudo dito.
Em Viseu, numa feira, a polícia apreendeu um livro de arte porque na capa tinha imagens pornográficas.
O moralismo é terrível, já noutro dia uma ilustre procuradora mandara tapar um Magalhães porque tinha "mulheres nuas" no ecrã. A censura volta a atacar.
Simplesmente, nem as imagens dos magalhães eram obcenas nem as do livro de arte pornográficas. Neste caso, tratava-se tão só de uma reprodução do magnífico quadro de Courbet, pintor francês do século XIX, "A Origem do Mundo", que retrata uma mulher nua e evidencia as suas zonas mais erógenas. O quadro está exposto no Museu de Orsay, em Paris, e não há notícia de que, a não ser os polícias dos bons costumes, alguém se tenha incomodado perante a nudez da maternidade.
É isto Portugal, um país onde o programa de televisão mais visto é um repositório de situações que suscitam o riso e onde a polícia ainda persegue as obras de arte. Para terça-feira gorda, não se arranjaria melhor!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Faz-de-conta

É sabido que a política e os políticos estão desacreditados aos olhos da maior parte das pessoas e que já quase ninguém acredita na seriedade de quem desempenha cargos político-partidários.
Também se sabe que os políticos não são uma espécie rara, são apenas representantes da população em geral, pelo que quando alguém se olha ao espelho da política se vê lá reflectido enquanto parte deste povo que somos.
Afinal todos nós sabemos que a falta de participação gera a mediocridade, que a desistência corrói, que a maledicência é o húmus do negativismo e que o faz-de-conta não alimenta consciências livres.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Liberdade para morrer

Nascer não é um acto de vontade, é um arbítrio. Ao contrário, morrer pode ser um arbítrio ou um acto de vontade, do próprio ou de terceiros. Apesar da controvérsia, é cada vez mais amplo o movimento para que se reconheça o direito a uma morte digna e desejada.
Um ser humano é corpo e espírito/consciência. O corpo é instrumental, a consciência substantiva. Há quem viva preso no corpo, mas um corpo, só por si, não é ninguém, é apenas uma coisa com nome.
Quando a consciência desaparece fica somente um corpo sem préstimo. Eluana Englaro foi exemplo disso. Negar o direito a uma morte que libertasse aquele corpo seria um acto de opressão e Deus nunca pode estar do lado dos opressores.

Liberdade para morrer

Nascer não é um acto de vontade, é um arbítrio. Ao contrário, morrer pode ser um arbítrio ou um acto de vontade, do próprio ou de terceiros. Apesar da controvérsia, é cada vez mais amplo o movimento para que se reconheça o direito a uma morte digna e desejada.
Um ser humano é corpo e espírito/consciência. O corpo é instrumental, a consciência substantiva. Há quem viva preso no corpo, mas um corpo, só por si, não é ninguém, é apenas uma coisa com nome.
Quando a consciência desaparece fica somente um corpo sem préstimo. Eluana Englaro foi exemplo disso. Negar o direito a uma morte que libertasse aquele corpo seria um acto de opressão e Deus nunca pode estar do lado dos opressores.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Um país de corruptos

Se olharmos para o nosso país através do filtro mediador da comunicação social sentimo-nos a viver num país de corruptos. Mais, parece que a corrupção tem maior importância do que a crise gravíssima em que estamos mergulhados.
Longe de mim desvalorizar a luta contra a corrupção ou minimizar o efeito deletério que esta assume em qualquer sociedade, mas também não me parece benéfico, nem para o futuro do país nem para a auto-estima dos portugueses, que se instale a ideia de que a corrupção é o nosso principal problema.
O que o país precisa é de um pacto para afrontar a crise e não que nos distraiam do essencial.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Voluntariado

O voluntariado docente é uma prática muito comum pelo mundo fora. A ideia do ME seria de saudar, e uso o condicional pois não é este o tempo nem é este o governo de quem se possa aceitar uma tal proposta.
Como todos sabem, este governo não tem os professores em grande conta e tudo tem feito para mandar embora os mais experientes.
A que propósito voltariam agora à escola? Só se fossem masoquistas.
O voluntariado é uma prática nobre mas como não é com vinagre que se apanham moscas, a proposta é deslocada, está fora de tempo e é quase uma provocação vinda de quem vem.
Mas, para além da ideia, fica a demonstração da mentalidade normativa de quem dirige o ME. Até o voluntariado tem de ser regulado mesmo nos mais ínfimos pormenores. Na sanha regulamentadora e avaliadora que agora faz escola, nao faltava mais nada a não ser um concurso para voluntários e a consequente auto-avaliação. Safa! como dizia Cavaco Silva nos bons velhos tempos do Cavaquistão.
Já agora, onde é que fica a autonomia das escolas?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Curso em Direcção, administração e gestão de organizações escolares

É já no dia 6 de Março que se inicia o curso de formação especializada/pós-graduação em Direcção, administração e gestão de organizações escolares, que vai funcionar na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (nova denominação da ESE) do Instituto Politécnico de Leiria.
Assumidamente destinado à formação de líderes e gestores escolares, tem um plano de estudos adaptado às necessidades fundamentais, teóricas e práticas, de quem se quer qualificar para dirigir e gerir escolas e um corpo docente onde o compromisso entre académicos, técnicos e gestores escolares experientes é evidente.
Concebido por forma a proporcionar oportunidades de reflexão numa perspectiva internacional, o curso conta com a participação especial de dois professores catedráticos de universidades espanholas, Manuel Lorenzo Delgado, da Universidade de Granada, uma referência na área da liderança, e Tomás Banegil Palácios, da Universidade da Extremadura, especialista em gestão de recursos humanos.
Também dão o seu contributo inestimável Edmundo Gomes, Director do Gabinete de Gestão Financeira do Ministério da Educação, João Paulo Mineiro, presidente de um conselho executivo e galardoado com o prémio de liderança 2008, atribuído pelo ME, Rodrigo Queiróz e Melo, da Universidade Católica e especialista em questões do ensino particular e cooperativo, Fernando Pina, chefe de serviços administrativos e com larga experiência em contabilidade escolar, Maria João Braga da Costa jurista especializada em questões educativas e Marco Trindade, especialista em software de apoio à gestão escolar.
Alzira Marques, Antónia Barreto, Brites Ferreira, Lúcia Oliveira e José Manuel Silva, professores do IPLeiria, completam o corpo docente do curso.
O funcionamento será quinzenal para facilitar a frequência por parte de pessoas que não sejam da região e tenham de pernoitar em Leiria de sexta-feira para sábado, dias em que o curso terá sessões. O alojamento a preços reduzidos será possível nas residências e pousada do IPL, assim como a alimentação.
Mais informações em http://www.esecs.ipleiria.pt/

Avaliação internacional do 1.º ciclo

Para os que se interessam por ir ao fundo das questões e não apenas pelos soud bites da comunicação social, é imperativo ler com toda a atenção o relatório elaborado por peritos internacionais.
Para que não haja desculpas, aqui fica o link:
http://www.governo.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Ministerios/ME/Comunicacao/Notas_de_Imprensa/20090126_ME_Com_Avaliacao_Basico.htm

Para além da euforia do Governo, ficam as apreciações críticas da comissão que elaborou o relatório sobre muitas questões que todos consideram merecedoras de reparo.
Naturalmente que num ou noutro passo, o relatório evidencia perspectivas que resultam de uma apreciação feita com olhos "de fora" e que nem sempre se compaginam com a cultura escolar portuguesa.
Dou um exemplo, a solução unipessoal para as direcções das escolas. De um ponto de vista meramente técnico, a solução director é recomendável como geradora de lideranças mais fortes, requisito considerado essencial para assegurar uma direcção estratégica das organizações mais eficaz. Esta perspectiva é reforçada por muitas experiências internacionais que consagram este modelo e que acham surrealista o formato que vigorou em Portugal nas últimas três décadas.
No entanto, é muito difícil encontrar nas escolas portuguesas quem concorde com a nova solução, sejam professores, sejam os próprios gestores escolares e quase todos afirmam preferir o modelo anterior, por o considerarem mais democrático e participativo.
"É a cultura, estúpido", como diria Clinton. Só não percebe quem olha para a realidade e não consegue compreender que esta existe independentemente da nossa vontade, o que acontece com os reformadores do ME, convencidos que mudam tudo de acordo com a sua orientação política, como quem muda as peças de um lego.
Este relatório é um documento útil e deve ser lido e reflectido como tal e não encarado como um frete ao governo e, por isso, lançado ao caixote do lixo, sem mais.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O porto inseguro de Sócrates

O Freeport tornou-se o porto inseguro de Sócrates. Acredito na sua inocência e não posso deixar de me recordar da história do lobo e do cordeiro. " - Se não foste tu, foi o teu pai (tio e primo, neste caso)", mesmo que ainda nada se tenha provado de substantivo relativamente a qualquer deles.
Qual crise, qual desemprego galopante, qual colapso de milhares de economias familiares. O Freeport é que parece ser a verdadeira preocupação do país.
Em momentos de tormenta torna-se ainda mais premente um timoneiro. Alguém vê outro melhor do que Sócrates? Então por quê esta sanha de o atirarem ao tapete sem indícios palpáveis, apenas com base em suposições e declarações inócuas? E a justiça? Não é essa a sede própria para tratar do assunto?
Custa-me imenso ver os jornalistas a fazer o papel de investigadores, tanto mais que em sede própria há meios de defesa e na comunicação social resta a fogueira, como nos tempos da Santa Inquisição.
Que não se goste de Sócrates é uma liberdade que cada um administra como quer, mas crucificá-lo assim é uma imoralidade e um atentado aos mais elementares princípios que devem reger uma sociedade democrática.
A liberdade de informação nem sempre se compagina com a necessidade de aumentar as tiragens e as vendas.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O milagre do Hudson

A amaragem de um avião com cento e cinquenta passageiros a bordo é um feito invulgar, ainda mais quando todos se salvam e apenas um sofre ferimentos dignos de registo.
Como todos pudemos observar em directo pela CNN, o socorro foi imediato, ficando para a história a imagem inusitada de dezenas de passageiros em cima das asas, aguardando calmamente na “fila” para embarcarem rumo à margem.
Tudo pareceu simples e rotineiro e o drama vivido nos poucos minutos que o avião esteve no ar ficou em segundo plano face à capacidade do piloto, à proximidade do rio, à calma das águas, à rapidez da evacuação, à sorte. Às vezes há milagres.

Os casamentos de homosexuais

O tema foi anunciado como um dos tópicos fracturantes que o PS vai colocar à consideração dos portugueses nas próximas legislativas. Só num país ainda refém de um lastro de ideias obsoletas é que esta matéria suscita excitação. Até os nossos vizinhos espanhóis já arrumaram este assunto.
Mário Soares não perdeu tempo e veio dizer que o tema não é prioritário que o que se deve discutir são as assimetrias sociais e dar mais importância a trabalhadores e sindicatos.
Ora bem, que eu saiba, os nossos concidadãos, homens e mulheres, que têm uma orientação sexual deste tipo também são trabalhadores, alguns são sindicalizados, uns com bons empregos, outros desempregados.
Quero eu dizer que não me parece muito justo que quando se fala deste tema sempre alguém venha dizer que não é oportuno discuti-lo, que há outras prioridades mais importantes. Claro que há coisas mais importantes, por isso mesmo, resolva-se o assunto e passe-se adiante.
O casamento é um contrato e, como tal, qualquer pessoa deve ser livre de o celebrar.
Quanto aos aspectos religiosos da questão, que se resolvam no âmbito de cada congregação. Ninguém é obrigado a ter devoção a N.Sr.ª de Fátima, mas também ninguém é impedido de o fazer.
Se duas pessoas do mesmo sexo se querem casar, devem poder fazê-lo livremente, como livremente todos os heterosexuais o fazem. Que sejam muito felizes, é o que lhes desejo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Voltando à vaca fria

Hoje estive à conversa com uma amiga e militante do PS. A avaliação dos professores foi o prato forte. Ela a favor, eu contra. De um lado a retórica oficial do PS, do outro um militante desalinhado.
Claro que sou suspeito, fui professor do secundário durante mais de uma década e sou formador de professores há mais de duas. Para além disso sou sindicalizado e fui fundador do sindicato onde sou filiado. Tudo graves predicados que não abonam a favor de um crítico do processo de avaliação do desempenho dos professores e militante do PS.
Tenho, no entanto, um argumento moral, a experiência prática de avaliar centenas de candidatos a professores e de professores no activo. Acho que sei alguma coisa do assunto, não só teoria, mas também de experiência vivida.
Acresce que não sou directamente interessado no assunto, pois não estou em causa enquanto avaliado, o que me reconforta para poder ter uma posição independente da defendida oficialmente pelo partido onde milito.
Tudo visto e somado, por que haveria eu de ter a posição que tenho se não fosse por convicção e por esta decorrer de uma análise fundamentada da realidade portuguesa? Claro que não sou contra a avaliação dos professores, pelo contrário, acho-a indispensável. Quando ainda pouco se falava do assunto orientei mesmo seminários sobre a matéria, numa perspectiva de sensibilização, mas a forma como o processo se desenrolou tornou-o quase inviável.
Ninguém no seu perfeito juízo pode pensar em generalizar um processo destes passando uma esponja sobre o passado, pois por muito que a propaganda o queira esconder, já havia avaliação de professores e se o processo não era o melhor a culpa não foi dos avaliados, mas dos decisores políticos.
Para além disto, o processo foi inteiramente concebido por técnicos do ME sem intervenção de especialistas com currículo reconhecido na matéria e sem qualquer discussão digna desse nome com as associações e sindicatos que representam os professores.
Depois, ignorou-se a realização de qualquer prática experimental que contribuísse para aferir os instrumentos e aperfeiçoar todo o processo.
Finalmente, matou-se a sua credibilidade, antes mesmo deste estar em prática, ao ter-se feito um concurso para titulares, cuja arbitrariedade técnica e ausência de escrúpulos éticos ao nível da concepção e da aplicação, o tornaram num aborto em que ninguém se revê, à excepção de quem o concebeu e de quem julga poder tirar algum partido da sua existência.
É por tudo isto que se chegou ao ponto em que estamos e, verdadeiramente, ninguém sabe como se há-de sair deste atasqueiro.
Perdoem-me a insistência, mas a única saída airosa era a substituição da equipa do ME por uma mais fresca e isenta de culpas neste cartório, capaz de ganhar a confiança da classe docente e de conseguir um entendimento com ela, sem vencedores nem vencidos, consensualizando uma solução transitória e fazendo caminho para pôr de pé um processo de avaliação mais consentâneo com as metodologias internacionalmente mais vulgarizadas e com a realidade das escolas portuguesas. E, claro, reformulando a questão dos titulares.
Pacificavam-se as escolas e o PS reconquistava uma parte do eleitorado que alienou, ou vai alienar, se este braço-de-ferro continuar.
Sinceramente, ninguém consegue fazer chegar esta mensagem ao Primeiro Ministro? A minha teoria é que ele anda enganado por assessores e pela equipa do ME, porque o homem é determinado (alguns dizem teimoso) e um bocado arrogante, mas não é parvo nem quer perder a maioria absoluta.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Obama - Um presidente global

O mundo contemporâneo é fertil em situações inusitadas que só a revolução científica e tecnológica permanente a que assistimos permite e justifica.
A posse de Obama é um acontecimento global e este já se transformou num ícone, à semelhança de uma estrela pop, de um desportista de topo, de uma princesa do jet set.
Por isso Barack Obama vai ser hoje empossado como o 1.º Presidente Global, e em todo o mundo homens e mulheres de todas as raças, credos e orientações se revêem nele como, provavelmente, se não revêem nos respectivos governantes.
Alguns dirão que ele lidera uma tribo global, sedenta de liderança e de energia transformadora. Os profetas da desgraça entoam ladaínhas sobre a incapacidade de Obama corresponder às expectativas criadas, por demasiado elevadas.
Seja como for, We can! é um hino à autoconfiança que, segundo Buda, é o maior tesouro de cada pessoa.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Por favor enterrem a avaliação

O direito à indignação concretizou-se mais uma vez na elevada taxa de adesão à greve. Pouco importa a guerra dos números, quando só os que não querem ver podem pretender esconder a realidade.
As escolas pararam, os putos gozaram o dia sem aulas de substituição e os pais tiveram mais uma dor de cabeça para resolver.
A greve soou como o gong para mais um round desta disputa que o ME e o Governo, ou o contrário, teimosamente mantém como se não houvesse escola para além da avaliação, como diria Jorge Sampaio.
Dos Açores chega a notícia de que o processo foi suspenso, ou tão simplificado que vai dar no mesmo. Na Madeira já Jardim resolvera dar Bom a todos os docentes. A miopia do ME está a tranformar uma coisa que devia ser séria numa autêntica ópera bufa, descredibilizando a própria matriz que um processo desta natureza pressupõe.
A avaliação do desempenho é um cadáver putrefacto que os professores, por misericórdia, devem enterrar rapidamente, juntando-lhe o concurso para titulares, única forma de se devolver à escola estatal portuguesa a dignidade perdida.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Dia D

Amanhã se saberá como vai evoluir a luta dos professores. A adesão à greve condiciona o futuro. Como alguém diz num mail que anda por aí a circular "quem não aderir à greve é porque já está morto". Assim mesmo, sem rodeios.
E como dos fracos não reza a História e os mortos não se revoltam, esperemos que a indignação seja mais forte que a desesperança.

A audácia da esperança

Tomo de empréstimo o título de um livro de Barack Obama, cuja leitura vivamente recomendo por ser um texto que nos ajuda a conhecer melhor o presidente eleito dos EUA e os eixos fundamentais do seu pensamento enquanto homem e político.
A partir do dia 20 o mundo vai ser diferente porque a Casa Branca passa a ser ocupada por um homem filho de mãe branca e de pai negro, que teve um padrasto indonésio e foi educado pelos avós brancos, se casou com uma negra culta e de forte personalidade, e cuja avó paterna ainda hoje vive numa aldeia do Quénia.
O Presidente Obama corporiza a esperança de todos os que acreditam num mundo melhor e protagoniza o exemplo de um rapaz pobre que chega a líder do mundo.

domingo, 11 de janeiro de 2009

O inferno em Gaza

Israel tem o direito de se defender, mas não de massacrar. A desproporção de meios e de mortos não deixa dúvidas e o combate ao terrorismo é uma questão política e não essencialmente militar.
Mas a realidade é que perante a apatia internacional fica para Israel a tarefa suja de exterminar o Hamas, peão dos interesses árabes fundamentalistas, que nem a liderança palestiniana respeita.
O que está em causa é a fronteira entre estados terroristas e terrorismo de estado, entre o pior fundamentalismo muçulmano e o modelo democrático de organização das sociedades, entre o martírio como forma de libertação e a paz como bem supremo da Humanidade.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Avaliação simplificada e gratificações de gestão

Jacques Monod escreveu, já há muitos anos, um livro brilhante sobre a evolução biológica intitulado "O acaso e a necessidade" que, em termos muito simples, procura demonstrar que foram o acaso, nuns casos, e a necessidade de adaptação às condições do meio, noutros, que determinaram a evolução das espécies.
Lembrei-me disto a apropósito da publicação simultânea, com data de 5 de Janeiro, dos decretos regulamentares que estabelecem, repectivamente, os princípios da avaliação simplificada e as gratificações de gestão dos novos directores.
Acaso ou necessidade?
É que nos entretantos da batalha que se avizinha, deixar uns milhares de candidatos a directores e subdirectores a pensar que podem vir a ganhar mais umas centenas de euros - de 600 a 750 para directores e de 310 a 400 para subs - é mais uma medida de acalmia no mar encapelado onde voga a educação.
Dir-se-á que os professores, ou alguns, não se deixam comprar. Mas não é disso que se trata, apenas de reconhecer que para ter bons gestores é preciso pagar-lhes melhor e as gratificações agora aprovadas constituem um bom incentivo. Nada que se compare à banca, é certo, mas...
O novo ano avizinha-se prenhe de desafios e como se diz nos casinos "os dados estão lançados...façam os vossos jogos".

Avaliar a avaliação

Numa perspectiva estritamente de cidadania vale a pena olhar para o conflito entre o ME e os professores e interrogarmo-nos sobre os seus resultados para o reforço da qualidade das escolas e das aprendizagens e a pergunta óbvia é se não teria sido mais eficaz o caminho do diálogo e da negociação desde o início.
Por muito que alguns não queiram ver e aceitar, o ambiente de aprendizagem degradou-se e as escolas estão hoje piores do que há um ano atrás. O ME e o Governo podem ganhar o braço-de-ferro com os professores - contra a força não há argumentos - mas os alunos e o país não ganham nada com isso.

Trinta dinheiros

Um partido Madeirense distribuiu trinta euros por idoso como forma de chamar a atenção para o facto de a Assembleia Regional ter aumentado as subvenções aos partidos políticos locais.
Foi uma forma original e útil de protesto e talvez nunca um partido tenha conseguido um impacto mediático tão grande e uma aprovação tão generalizada com um investimento tão pequeno.
A medida suscitou dúvidas constitucionais ao representante do PR na Madeira, mas não parece ter perturbado a boa consciência de quem lá manda. Nos tempos difíceis que se atravessam nada melhor para reforçar a confiança na classe política do que aumentar-lhe o soldo. A Madeira é um jardim e sabe-se como a manutenção fica cara.

domingo, 28 de dezembro de 2008

O cerco à escola

O episódio da escola do Cerco é bem ilustrativo da completa inversão de valores a que, em muitos casos, se chegou nos estabelecimentos de ensino.

Um grupo de alunos aponta uma pistola à cabeça da professora, por acaso era de plástico, um camaraman de ocasião filma, ainda bem se não nunca se saberia da ocorrência, e os responsáveis educativos desvalorizam e falam em "brincadeira de mau gosto".

Brincadeira? Insubordinação face aos regulamentos e ofensa à professora é o que é. É por estas e por outras semelhantes que os professores se sentem cercados, para não usar calão, e mal pagos.

Isto faz-me lembrar a história do puto que parte um vidro. Em tempos seria castigado, eventualmente a família obrigada a pagar o vidro. Hoje o mais certo é alguém perguntar "por que razão está o miúdo a chamar a atenção?".

Educar exige firmeza, valores, balizas. Hoje, em muitas escolas, tudo isto desapareceu e a"ideologia" oficial é o laxismo, ainda a melhor forma de evitar males maiores para os professores, esmagados entre a má educação e os comportamentos inadequados de muitos alunos e a olímpica indiferença dos responsáveis a quem competia agir para estancar o mal que ameaça gangrenar todo o sistema.

Nada disto é novo e sabe-se como o fenómeno se combate, nos países, nas cidades e nas escolas. Com tolerância zero para os infractores.

Infelizmente em Portugal, ao mais alto nível, parece que só o Procurador Geral da República percebe o que se passa nas escolas e o atentado a uma cidadania activa e responsável que isso significa.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O impasse na educação

As férias do Natal são pouco dadas a grandes reflexões já que anda tudo ocupado na orgia das prendas e no consumo generoso de iguarias e bebidas. Mas a vida não pára e os problemas na educação também não.
A greve anunciada para dia 19 é o sinal de partida para o ano eleitoral. Ninguém está interessado nela (é uma opinião). Os professores começam a estar cansados porque nada de verdadeiramete importante, para além de terem demonstrado a sua força, resultou do braço de ferro dos últimos meses e é sabido que a força ou se usa para produzir efeitos palpáveis ou é como se não existisse.
Pelo lado do Governo já deve haver a consciência de que o arrastar da crise se transformou numa espécie de récita trágico-cómica em que o ME dá todos os dias o dito pelo não dito, aos bocadinhos, mas sem ir ao essencial da questão.
Ambos os contendores têm interesse em desatar alguns nós antes do dia 19, os sindicatos porque nada lhes garante que a elevadíssima taxa de adesão à greve se mantenha nos níveis anteriores, o que a acontecer, será sempre uma derrota; O ME porque corre o risco de se descredibilizar politicamente ainda mais num momento em que qualquer passo em falso pode ter consequências ainda mais dramáticas para a sua credibilidade.
O que resulta de tudo isto é a confirmação de que o impulso reformador dos governos não dispensa a adesão dos profissionais dos sectores em que se querem introduzir reformas. Pode-se não contar com todos, não se pode é ter quase todos contra.
Parece que há uma dúzia de professores que apoiam as políticas do ME. É pouco, tão pouco que se o ME tivesse juízo fingia que não sabia de nada. Há apoios que só incomodam e põem a ridículo os apoiados.
Pode ser que a humildade do Governo floresça neste tempo de Paz e Amor e o Novo Ano comece com um louvor à equipa do ME pelos elevados serviços prestados à Pátria e a sua substituição por uma task force refrescada e capaz de ganhar a confiança dos professores, sem a qual nenhum governo vai longe nas reformas que quiser empreender.

O lado bom da crise

Lembram-se do tempo em que o petróleo subia imparavelmente e se olhava para o facto como uma inevitabilidade. Acabara o tempo do petróleo barato. Viu-se, hoje custa menos cem dólares o barril.
Agora a besta apocalíptica deixou de ser o crude, substituído pelo colapso financeiro e pela infecção que provocou na economia. A crise assola o mundo desenvolvido com todo o cortejo de consequências conhecidas e os analistas prevêem o pior para 2009.
Mas o que valem hoje as previsões? Pouco, como se sabe. Importante é mesmo reagir, olhar em frente e ver o lado positivo da derrocada, afinal vivíamos num mundo com pés de barro. Foi a crise que nos trouxe de volta à realidade.

O exemplo da Grécia

A Grécia tem estado a ferro e fogo e os jovens estão na primeira linha de ataque. Não é o primeiro país europeu a sofrer distúrbios violentos deste tipo, nem será o último e, se o rastilho difere, as causas são mais ou menos comuns.
De repente, a morte de um jovem despoletou uma quase insurreição, que o governo se mostrou incapaz de estancar, não tendo conseguido impedir actos de destruição de uma dimensão incomum e prejuízos incalculáveis.
Há nisto tudo implicações políticas, mas há, sobretudo, um mal do tempo, uma juventude que se sente num beco, uma sociedade aparentemente bloqueada, um mundo que não oferece perspectivas. Foi na Grécia, mas pode vir a acontecer cá.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Óbidos “Vila criatividade”

O título é uma réplica do nome do “produto” actualmente à venda em Óbidos, “Vila Natal”, e que atrai todos os dias milhares de visitantes com proveitos evidentes para o comércio e para a consolidação da imagem do concelho.
O que tem Óbidos a ver com o Natal que não tenha qualquer outra vila do país? O mesmo se poderá dizer do chocolate, outro produto que hoje lhe está emblematicamente associado.
O que Óbidos prova é que criatividade, inovação, risco são ingredientes de uma receita de sucesso, seja para vender chocolate, o Natal ou qualquer outro produto ou serviço. E o que é válido para as empresas é válido para as autarquias.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A política do sabonete

Há tempos, um célebre publicitário disse que “vender” um político é o mesmo que “vender sabonetes”. Sócrates aprendeu a lição e ganhou a primeira maioria absoluta para o PS.
De então para cá o “show” nunca mais parou e a política espectáculo instalou-se para gáudio de apoiantes e de opositores. Os primeiros porque vibram e se orgulham das qualidades e da obra do líder; os segundos porque encontram nesse estilo matéria para crítica e contra-propaganda.
Manuela Ferreira Leite não quer ser um “sabonete” e recusa-se a alinhar na mediatização da política. Está no seu direito. Mas fica no ar uma pergunta óbvia, como quer a Sr.ª ganhar eleições?

Negociações envenenadas

Era inevitável. O ME e os sindicatos vão voltar à mesa das negociações. Aos sindicatos não interessava a mudança da equipa do ME, nunca forçaram essa nota. O perigo para estes advinha de uma nova equipa que falasse directamente para os professores, que fosse capaz de criar empatia com a classe menorizando os sindicatos.
Ora, como é sabido, o líder da plataforma sindical tem a sua própria agenda política e a FENPROF é apenas um dos instrumentos que usa para se promover na hierarquia do PCP e da CGTP.
Para Mário Nogueira é preferível a actual equipa do que uma rejuvenescida e que fosse capaz de restabelecer os vínculos afectivos com a classe docente. Como o desnorte impera na ME e já nem os presidentes dos conselhos executivos são interlocutores, restam os sindicatos para prosseguir a farsa negocial.
Neste momento A Ministra é a melhor aliada de Nogueira e vice-versa e os outros líderes sindicais vão atrás segurando o andor.
Como diria o Eça "isto é uma choldra" e até os deputados do PSD se marimbaram para a votação da proposta do CDS/PP que poderia ter parado o processo da avaliação e introduzido um dado novo na questão.
Para já foram decretadas tréguas de Natal e não se antevê nada de positivo no "sapatinho" dos professores. Quando era necessário manter a pressão, eis que os sindicatos abrem as válvulas e deixam esturricar o capital tão duramente conquistado.
Como já se percebeu os sindicatos cavalgam a onda quando há perigo de tsunami, mas desmontam logo que percebem que controlam a situação.
É por isso que esta luta não prescinde de ir muito além dos sindicatos, de se ancorar em cada escola, em cada professor, de merecer o apoio de cada pai, de cada autarca, de cada português que preserva a herança de uma escola que valoriza os professores, a sua experiência, os seus saberes e o seu empenhamento.
Os malefícios da escola portuguesa não são culpa dos professores.
Negociações? Certamente, mas com outra equipa e com outra política.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Não brinquem (mais) com os professores

Depois da greve história de ontem, a Ministra foi ao Parlamento dizer que está disponível para mudar o sistema de avaliação para o ano.
- Desculpe! V.ª Ex.ª disse "para o ano"?
Talvez valha a pena recordar que para o ano vai haver eleições e certamente mudanças nos ministérios.
A isto chama-se gozar com o parceiro, neste caso com todos os professores. Devia ser a isto que o "professor do ano 2007", galardoado com pompa e circunstância pela Ministra, ontem se referia na TSF como "coisas que lhe davam repugnância".
Haja decoro e sentido de Estado, que é coisa que a equipa do ME há muito perdeu. A revisão do estatuto e da famigerada avaliação eram para ontem, nunca "para o ano".
Como já se viu, a coisa vai mesmo ter de se extremar ainda mais e como na evolução das espécies resistem as que se adaptam, as outras extinguem-se, esta equipa do ME só pode mesmo ser uma espécie em vias de extinção, porque não é crível que sejam os professores a desaparecer.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Barack Obama - Cortesia, boas maneiras e investimento na educação

Estou a ler um livro de Barack Obama - A Audácia da Esperança. Vale a pena conhecer melhor o homem, para além do político. Ficam aqui dois pequenos excertos pela actualidade e relação com a escola.
«..dou valor às boas maneiras. Sempre que conheço um miúdo que fala com clareza e me olha olhos nos olhos, que me diz "sim, senhor" e "obrigado", "por favor" e "desculpe" sinto-me mais esperançoso em relação ao nosso país. Penso que não sou só eu que sente isto. Não posso legislar sobre boas maneiras, mas posso encorajá-las sempre que me dirijo a um grupo de jovens.» (pp. 72-73)
" Não há dinheiro no mundo que chegue para fazer disparar o sucesso dos estudantes, se os pais não se esforçarem para lhes inculcar os valores do trabalho e do adiamento da gratificação". (p. 74)
A questão do "adiamento da gratificação" é central na motivação dos estudantes, representa a consciência de que a educação é um investimento a prazo e aquilo que pode parecer uma "seca" é o passaporte para um futuro melhor.
O facto de muitas crianças das clases socialmente mais desfavorecidas apresentarem elevados níveis de desmotivação e falta de empenho escolar tem a ver com a incapacidade familiar para pensar a educação em termos de investimento, dadas as dificuldades de subsistência quotidianas, que os levam a focar-se no imediato e a serem incapazes de perspectivar o futuro.

domingo, 30 de novembro de 2008

O conflito na educação visto pelo prisma da liderança e da inteligência emocional

O Governo está completamente equivocado na forma como está a gerir o conflito com os docentes. Na verdade, o entendimento necessário não é com os sindicatos, mas com os professores. Bem pode o presidente da FENPROF acentuar que são os sindicatos que representam os professores, é verdade, mas só representam alguns e já há muito tempo que a dinâmica de rejeição das políticas e da atitude do ME para com toda a classe ultrapassa largamente a acção dos sindicatos.
Se o Governo quer pacificar o campo educativo, e só admito que o faça pelo diálogo, tem de perceber que o obstáculo não são os sindicatos nem os professores, mas a própria equipa do ME. Se o Primeiro Ministro quiser ser parte da solução e não do problema tem de demitir rapidamente a equipa que dirige o ME, por uma razão simples e que é do domínio das teorias da liderança e se fundamenta nos princípios da inteligência emocional.
Quebrou-se totalmente o vínculo emocional que liga os professores ao Ministério e o que devia ser ressonância (Goleman et al, 2003) tornou-se dissonância, o que impede qualquer entendimento ou colaboração. As emoções tóxicas tornaram-se dominantes e inviabilizam o restabelecimento da confiança e do diálogo.
Tal como na Saúde Correia de Campos percebeu isso e o Primeiro Ministro também, é forçoso que no conflito da Educação se entenda que não há saída para o problema sem mudança de caras e de procedimentos. Os professores perderam, há muito, a confiança em quem supostamente os devia liderar, e quando os líderes perdem a confiança dos liderados, deixam de o ser.
Espero, sinceramente, que não se caia na tentação de fazer da anunciada greve do dia 3 uma forma de tentar partir a espinha ao movimento de contestação docente, e que haja a iniciativa política suficiente para encontrar uma solução que resolva o problema de fundo e não qualquer cosmética de ocasião.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A conflitualidade escolar


As escolas são hoje locais de elevada conflitualidade entre professores, alunos e pais. O fenómeno é geral. O mau comportamento, o desrespeito pelos professores e as agressões tornaram-se comuns.
Em Inglaterra tentam travar o fenómeno com multas pesadas a alunos e pais. Fernando Savater assinala como causa maior a erosão da autoridade familiar e a desresponsabilização desta pelos comportamentos das suas crianças e jovens.
Por cá os professores desesperam e sentem-se abandonados à sua sorte. Mas não tem de ser assim. As escolas são organizações e como tal devem funcionar, não numa base individual, mas colectiva.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O exemplo Britânico

Os pais dos alunos com comportamentos violentos nas escolas britânicas vão passar a ser multados num valor que pode ir até aos 1450 euros. 'As intimidações verbais e físicas não podem continuar a ser toleradas nas nossas escolas, seja quais forem as motivações' sublinhou a Secretária de Estado para as Escolas.
Disse também que ' as crianças têm de distinguir o bem e o mal e saber que haverá consequências se ultrapassarem a fronteira'. Acrescentou ainda que 'vão reforçar a autoridade dos professores, dando-lhes confiança e apoio para que tomem atitudes firmes face a todas formas de má conduta por parte dos alunos'.
A governante garantiu que 'as novas regras transmitem aos pais uma mensagem bem clara para que percebam que a escola não vai tolerar que eles não assumam as suas responsabilidades em caso de comportamento violento dos seus filhos. Estas medidas serão sustentadas em ordens judiciais para que assumam os seus deveres de pais e em cursos de educação para os pais, com multas que podem chegar às mil libras se não cumprirem as decisões dos tribunais'.
O Livro Branco dá ainda aos professores um direito 'claro' de submeter os alunos à disciplina> e de usar a força de modo razoável para a obter, se> necessário.
Em Portugal, como todos sabemos, o panorama é radicalmente diferente. Por cá, continua a vingar a teoria do coitadinho: há que desculpabilizar as crianças até ao limite do possível, pois considera-se que o aluno é intrinsecamente bem formado, o que o leva a assumir comportamentos desviantes são factores externos (contexto> social e familiar) que ele coitado não consegue superar.
Temos assim que o aluno raramente é penalizado e quando o é, os castigos ficam-se na sua maioria por penas ligeiras, não vá correr-se o risco de o menino/a sofrer traumas que o podem marcar para o resto da vida. As notícias sobre actos de vandalismo, de agressão, de indisciplina e de violência praticados em contexto escolar que, com progressiva frequência vamos conhecendo, deviam merecer da parte de quem tutela a educação, medidas mais enérgicas que infelizmente tardam em chegar. (Anónimo, em circulação na net)

Aumento da violência nas escolas reflecte cise de autoridade familiar

Embora o texto que se segue diga respeito à indisciplina nas escolas espanholas, realidade que desconheço, estou em crer que a generalidade dos professores do ensino básico e secundário português o subscreveria, considerando-o uma análise muito lúcida do actual estado do nosso ensino.
Especialistas reunidos em Espanha consideram que o aumento da violência nas escolas reflecte a crise de autoridade familiar. Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.'
As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo FernandoSavater.' As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.
Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade',preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e semconflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para osprofessores. No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador,'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre osfilhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa..'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'. Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola'deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação demuitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.
A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.' A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e umprivilégio'.
'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa .Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.' Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou. Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam. Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres. (Anónimo em circulação na net)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O drama do desemprego


Nesta sociedade de contrastes há os que passam incólumes pela crise e os que perdem tudo, alguns até a dignidade. A grande maioria tenta resistir como pode, mas cada vez com mais dificuldade.
O desemprego é um espectro em crescimento e a erosão social e familiar que origina, num país em que a Segurança Social está longe de assegurar padrões satisfatórios de subsistência, assume a dimensão de drama humano.Quem não consegue encontrar emprego ou perde o que tem vê o mundo desmoronar-se à sua volta, mas só há um caminho, ir à luta, ter ideias positivas, acreditar numa oportunidade e não se deixar abater.

Os gigolôs da banca


O caso BCP e agora o do BPN, levantam problemas sérios de confiança sobre muitos dos administradores dos bancos, alguns dos quais foram membros de governos e referências na sociedade.
Politicamente o debate tem-se centrado nas responsabilidades do Governo e do Regulador, mas os verdadeiros culpados são os banqueiros corruptos que agem como qualquer gigolô que se preze e, como estes, ficam na sombra.
O fenómeno não é só português, mas importa credibilizar o exercício da gestão ao mais alto nível. A operação furacão não passou de uma simples brisa e mãos limpas, nem vê-las. É pouco e, sobretudo, é imoral.
(Nota, este texto foi publicado no Região de Leiria do passado dia 14)

sábado, 15 de novembro de 2008

Para que serve um Conselho Executivo?

O título pode parecer provocatório, mas não é. A pergunta ganha ainda mais actualidade no actual contexto.
Um Conselho Executivo, executa. O quê, perguntar-se-á. Certamente o que decorre da lei e dos normativos, mas um CE não se pode preocupar apenas com o respeito pelas conformidades e pelos calendários.
Um Conselho Executivo deve ter como preocupação primeira liderar a organização e, sobretudo, dar atenção às questões pedagógicas.
O que se passa, e não é novo, é que muitos conselhos executivos, são uma espécie de piloto automático, que por qualquer acaso do destino, estão mal direccionados e conduzem as escolas para o abismo.
Incapazes de darem solidez à organização, de mobilizarem os professores, de meterem os alunos na ordem, de enquadrarem a acção das associações de pais, limitam-se "ao expediente".
Nunca gostei de separar a escola pública, a que prefiro chamar estatal, da privada, uma vez que esta também presta um serviço público, e até é paga para tal através dos contratos de associação, mas pelo andar da carruagem a escola pública-estatal passará mesmo a ser de segunda, guettizada e transformada num território de confrontos de todos contra todos, ao passo que as privadas serão cada vez mais óasis de paz, sossego e aprendizagem.
É por isso que a pergunta título faz sentido, um dos desafios é que os directores se assumam como verdadeiros líderes escolares, para dentro e para fora das escolas e, para que isso aconteça, não basta serem eleitos, é preciso que sejam reconhecidos como tal.
A liderança faz a diferença e, se duvidam, procurem bons exemplos e comparem.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

o vórtice da avaliação

A avaliação ameaça engolir os professores. A ministra canta de galo e Sócrates aplaude. Os verdadeiros problemas das escolas são esquecidos, os professores são atirados literalmente "aos bichos", as direcções das escolas não permitem reuniões cívicas de professores e estes, em vez de protestarem e fazerem as reuniões dentro das escolas, vão pedir asilo para outro lado.
Mas que país é este? Como se explica que cento e muitos mil professores protestem em Lisboa e não protestem dentro das suas escolas? Que dirigentes escolares são estes que fecham a porta aos colegas? São ordens do Ministério? E se as não cumprirem?
Uma escola é uma instalação pública, aberta á comunidade e, por maioria de razão a quem lá trabalha. Se o deputado da Madeira não pode ser impedido de entrar no Parlamento Regional, quem pode impedir os professores de se reunirem nas suas escolas para discutirem assuntos do seu interesse? As escolas são do Estado, não são do Governo.
Se os professores de uma dada escola não conseguem sequer protestar contra a infâmia que é um Conselho Executivo proibir-lhes que se reúnam no seu local de trabalho, como querem ser levados a sério nos seus protestos contra a avaliação ou contra o que quer que seja.
A avaliação está a tranformar-se num vórtice que vai engolir a maioria dos docentes, capazes de gritarem a plenos pulmões em Lisboa contra o Governo, mas que se aquietam e se deixam insultar sem um pio nos seus locais de trabalho. Assim, não vão lá.

domingo, 9 de novembro de 2008

Tomar a nuvem por Juno

O comentário do Pedro B. é muito estimulante, mas já podia ter sido escrito para aí há vinte ou trinta anos. Ora se os professores como ele diz andam agora a esbracejar, são piores que os meus patrícios alentejanos e reagem muito ao ralenti.
O problema é a política educativa deste governo, não é a massificação, nem a proletarização, nem essas coisas interessantes que ele diz, mas que pouco têm a ver com o que se passa.
Corram lá com a Ministra, ponham gente no Ministério que saiba o que é uma escola e tenha espírito de professor, anulem o concurso para titulares, alterem a metodologia da avaliação e vamos ver que se acaba com as manifestações e com professores a reformarem-se ou a recorrerem ao psiquiatra para não irem às fuças dos alunos mal comportados e dos pais que lhes dão cobertura.
O problema de muitos professores socialistas é que tomam a nuvem por Juno, que é como quem diz, confundem manifestações genuínas de descontentamento com a política educativa como se de guerra política ao Governo se tratasse.
A política educativa deste Governo, na área objecto destes post é um desastre e isto tem de ser afirmado doa a quem doer, custe o que custar. Quem pôs a escolas a ferro e fogo foi a Ministra e os ajudantes, não foram os professores. E como diz um colega num comentário ao post inicial, a Sócrates só restam duas alternativas, ou faz cair a Ministra ou cai com ela. Por mim, há mais uma, é cair com a maioria relativa, porque acredito que as eleições ganha.

sábado, 8 de novembro de 2008

E se a Ministra da Educação custar a maioria absoluta ao PS?

Retenho duas imagens de hoje. A impressionante manifestação dos professores e a imagem patética da Ministra na TV a tentar demonstrar o indemonstrável, que as escolas estão a trabalhar no melhor dos mundos e que o processo é para continuar.

A realidade é que as escolas estão diminuidas na sua capacidade operativa e que os professores estão à beira de um ataque de nervos, com gravíssimos prejuízos para a serenidade que uma relação pedagógica construtiva exige e para a qualidade da mesma.

Independentemente do juízo que se faça sobre a política educativa deste Governo, é inquestionável que o mesmo deixou apoderecer o ambiente nas escolas, como jamais acontecera desde os tempos de brasa do PREC, nos idos de setenta, e os pais começam a sentir os efeitos nefastos deste desassossego que a Ministra atiça a cada intervenção.

Não se trata, como muitos dizem, de "teimosia" da Ministra, o que ocorre é que os objectivos políticos estão desenquadrados da realidade. Até podiam estar correctos, mas não existirem condições para os aplicar. Na realidade é impossível e prejudicial manter este braço de ferro com os professores.

Só um ignorante em matéria de gestão de organizações, e é suposto que um ministro o não seja, não percebe isto, ainda mais quando estamos perante uma "burocracia profissional", expressão técnica grafada por Mintzberg, que se aplica a professores, médicos, contabilista e outras classes profissionais, impossíveis de controlar segundo mecanismos hierárquicos que funcionam bem noutros contextos.

No limite, quem controla o que um professor faz dentro da sala de aula ou um médico na sua consulta? É isto e muito mais que escapa à Ministra e aos que a rodeiam, convencidos que gerir a Ministério da Educação requer a mesma atitude que comandar a GNR.

Politicamente falando, Sócrates arrisca-se a perder a maioria absoluta por causa da política educativa e da Ministra que escolheu. Valerá a pena? Se isto vier a acontecer, tudo o que esta equipa tentou fazer voltará à estaca zero.

Ora, Sócrates, que não é parvo e que quer ser reeleito com a dita maioria absoluta, devia fazer já três coisas:

1. Demitir a equipa do Ministério da Educação e substituí-la por gente fresca a capaz de conquistar a classe docente.
2. Anular o concurso para titulares e reverter, no possível, a situação das carreiras ao momento em que o concurso ocorreu.
3. Suspender o processo de avaliação e aproveitar a experiência para desenhar uma nova metodologia, entregando o processo às instituições de ensino superior com experiência na formação de professores, que negociariam, mais tarde, uma proposta final com as associações representativas dos docentes.
A ministra ia à vida dela, Sócrates saía por cima, a calma voltava às escolas e as reformas seguiriam com mais lentidão, mas com muito mais segurança.
A educação só tinha a ganhar e, politicamente, o PS reconciliava-se com muita gente que lhe faz falta para segurar os resultados eleitorais.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O mundo mudou



Há acontecimentos que pela sua importância e dimensão fazem mudar o mundo. É o caso da eleição do Presidente Obama. De um dia para o outro o mundo tornou-se diferente, o pessimismo deu lugar à esperança, os pobres e desfavorecidos sabem que contam com mais um apoio de peso, a geopolítica internacional passa da crispação à distensão.
“Quando um homem sonha, o mundo pula e avança”, diz Gedeão. Foi o que aconteceu, Obama sonhou, e com ele milhões de americanos e biliões de cidadãos do mundo inteiro, que o tomam também como o “seu” presidente de um mundo melhor.
Quanto a McCain, é um herói de guerra e, para estes, não há derrotas.

domingo, 2 de novembro de 2008

A Língua Portuguesa


Em mais uma cimeira Luso-Brasileira, ocorrida esta semana no Brasil, foi referenciada como questão fundamental o reforço das acções conducentes à divulgação da Língua Portuguesa no mundo, o que inclui a facilitação do acesso à sua aprendizagem.
Exceptuando o Brasil, em todos os outros países de língua oficial portuguesa o número de falantes de Português é reduzido e os apoios à sua divulgação, aprendizagem e aperfeiçoamento, muito aquém do necessário.
É caso para dizer em bom Português que “sobram palavras e faltam resultados”. Resta a esperança de mais uma mão cheia de promessas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Uma pila de fora

Contou-me um colega, com muitos anos de serviço e basta experiência, que o ano passado um aluno de um curso dos chamados difíceis, obviamente dos profissionais, tirou a pila para fora durante uma aula numa demonstração de virilidade e de desafio à ordem e boas maneiras que devem ser regra nas aulas.
"E a coisa acabou por não dar em nada", confessou, quase conformado o colega.
É certo que os costumes mudaram, e hoje quase tudo anda à mostra, agora a pila, por favor, guardem-na para quem devem.
Passando a ironia, não sei o que mais me espanta, se a imbecilidade do aluno se a falta de resposta da escola.
Mais, até quando vão as escolas, que por acaso são organizações e não ajuntamentos de professores individualmente considerados, tolerar coisas deste calibre e deixarem que aulas e espaços de recreio se transformem em territórios onde meia dúzia de marginais impôem a lei da insubordinação e o desprestígio permanente de quem é pago para ensinar e não para se substituir à polícia ou ao Instituto de Reinserção Social?
Já é tempo de terminar com a demagogia da integração a qualquer preço. Quem frequenta as escolas tem de se subordinar a regras; quem não as cumpre tem de ser tratado em conformidade, se necessário, como delinquente e estes são um caso para a polícia e para os tribunais, não para os professores e para as escolas.

Centro de Línguas e Cultura Chinesas

Prafrente pergunta se o Centro está aberto ao público? Está.
Nesta fase preliminar basta contactar a ESE. Futuramente terá mesmo um horário de funcionamento autónomo.

Um Presidente para Leiria II

A proposta que fiz no meu "Telegrama", título da nota semanal que publico no Região de Leiria, sobre a candidatura do actual presidente do Instituto Politécnico de Leiria à presidência da Câmara Municipal de Leiria deu origem, como esperava, aos mais diversos comentários.
A escolha de um candidato a uma câmara não é, ou não deve ser, considerada como um assunto interno de um partido político.
A importância do que está em jogo não se compadece com uma escolha entre meia dúzia de pessoas, muitas vezes funcionando em circuito fechado. Aliás, a possibilidade de ser realizado um processo aberto de escolha interna, com amplos reflexos no exterior, tipo"eleições primárias", já tem sido discutido e, em minha opinião, devia ser experimentado.
O único argumento que ouvi contra a proposta fundamenta-se no alegado desconhecimento, por parte da população, sobre quem é Luciano de Almeida. Ora, salvo o devido respeito, e dando de barato que Luciano de Almeida não é tão conhecido como outros hipotéticos candidatos, esta é a mais frágil razão contra a sua eventual candidatura.
Assumisse-a o PS e num mês Luciano de Almeida seria mais conhecido no concelho do que qualquer dos outros candidatos.
Uma personalidade que preside há dez anos à mais importante instituição de Ensino Superior do Distrito, sob cuja liderança se tornou uma das principais do país, cuja qualidade é reconhecida por todas as instâncias nacionais e internacionais de avaliação, que tem sido pioneira em áreas de captação de novos públicos, com licenciaturas únicas a nível nacional, com uma acção investigativa que começa a ser relevante, com relações e mobilidade internacionais que envolvem anualmente muitas centenas de jovens, docentes e dirigentes, que tem cerca de onze mil alunos e mais de um milhar de colaboradores docentes e não docentes, é obra.
Também tem sido Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, estrutura de coordenação nacional de todos os institutos.
A sua acção foi reconhecida como altamente meritória, muito recente e publicamente, pelo Ministro Mariano Gago.
Por via das funções que desempenha e das posições que tem assumido em nome do CCISP, tem tido acesso regular à comunicação nacional.
Uma personalidade destas facilmente se torna familiar ao universo de eleitores do concelho com uma estratégia de comunicação adequada.
Acresce que Luciano de Almeida poderia protagonizar uma candidatura transversal aos vários partidos, introduzindo factores de inovação e credibilização na proposta política autárquica do PS.
Mas esta é apenas a minha proposta e o meu contributo para a discussão, sem que nada me mova contra outros candidatos. Apenas gostaria que Leiria e os leirienses viessem a ter um presidente competente, capaz de pensar estrategicamente o concelho e trabalhar com todos para alcançar os objectivos de desenvolvimento que se impõem.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Um presidente para Leiria


O PSD já tem candidato, é José António Silva, e pense-se sobre ele o que se pensar é bom não o menosprezar. Por mim, desejo-lhe felicidades.
Quanto ao PS, proponho Luciano de Almeida. Deixa uma obra notável no IPL, conhece bem o concelho, é um gestor experimentado, um negociador exímio e uma personalidade de dimensão nacional.
Sem transigir com politiquices bacocas, com liberdade para constituir uma equipa e apoio empenhado dos órgãos locais e da direcção nacional, pode ser o melhor candidato e, seguramente, um excelente presidente.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Centro de Línguas e Cultura Chinesas

Leiria dispõe, desde o dia 15, de um Centro de Línguas e Cultura Chinesas, instalado num edifício de traça oriental, mandado construir pelo Instituto Politécnico de Leiria no espaço adjacente à Escola Superior de Educação.
É a concretização de uma vontade comum, partilhada com o Instituto Politécnico de Macau, que vem reforçar os laços académicos e culturais entre as duas instituições e, sobretudo, um melhor conhecimento dos dois países.
Leiria passa a constar do roteiro mundial de cidades onde a cultura milenar chinesa é objecto de estudo e o Centro abre-se como mais uma janela com vista para o Oriente.

domingo, 12 de outubro de 2008

O crash americano e o dinheiro dos contribuintes


Duas coisas ficaram muito claras nesta crise que está a assolar os Estados Unidos da América e a contagiar o resto do mundo.
Primeiro, o despudor e a completa ausência de respeito pelos direitos de terceiros de muitos gestores de topo que não só agiram em proveito próprio como desbarataram os fundos que era suposto rentabilizarem.
Segundo, a consciência muito aguda dos americanos de que o dinheiro gerido pelo Governo é dos contribuintes e não pode ser mal gasto. Por cá, é o contrário, tem-se a sensação de que o dinheiro é do Governo e que este faz com ele o que lhe apetece. O mesmo se passa com as autarquias, infelizmente.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Noite tranquila


Ao vinho tinto são atribuídos benefícios para a saúde desde tempos imemoriais e, mais recentemente, há quem o recomende na prevenção dos acidentes cardiovasculares.
Como quase tudo o que se come ou bebe, o vinho tinto deve ter uma mão cheia de efeitos positivos e outra de negativos, competindo a cada apreciador fazer as suas escolhas.
Num jantar recente, uma jovem adolescente chinesa confessou, para surpresa geral, que na China todas as noites bebia um pouco antes de ir para a cama “para dormir melhor”. A sabedoria chinesa não se discute.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O Magalhães é bué fixe e os stôres sofrem


O novo computador dos pequeninos já começou a ser distribuído gratuitamente nas escolas do 1.º ciclo. Tudo quanto se faça pela literacia informática vale a pena, mas cuidado, os computadores são um recurso, um auxiliar mais do trabalho pedagógico coordenado pelos professores e talvez menos importantes do que se está a fazer crer.
Pena é que a principal preocupação nas escolas portuguesas não seja o Magalhães, nem sequer os alunos ou a qualidade do ensino, mas sim o frenesim com que os professores se avaliam uns aos outros e que ameaça transformar as escolas no contrário do que deviam ser.
Já agora, vejam http://www.youtube.com/watch?v=glmSEAgSsok.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O PISA e o mito finlandês


No Programa de Avaliação Internacional de Alunos (PISA), a Finlândia ocupa consistentemente o 1.º lugar e Portugal é um dos últimos.
Numa conferência internacional, no passado sábado, Jouni Välïjärvi, director do departamento de investigação educativa de uma das mais prestigiadas universidades finlandesas atribuiu à consideração social de que gozam os professores na Finlândia e à sua competência a razão do sucesso.
Afinal, o mito finlandês é feito de uma receita simples e antiga, bons professores, muito considerados socialmente, com excelentes condições de trabalho e altamente motivados. Se os professores portugueses não são piores do que outros, adivinhe onde falha o sistema.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Angola democrática

As eleições foram ”livres e justas”, reconheceram os observadores internacionais. A vitória do MPLA foi esmagadora, o que não sendo surpreendente, não deixa de impressionar. A UNITA ficou muito aquém das expectativas.
A democracia ainda vai ter muito que andar, mas é um começo promissor, embora ninguém tenha dúvidas sobre a hegemonia da máquina de influência e propaganda do MPLA, que controla o país há décadas e até recusou vistos a jornalistas portugueses, o que é inaceitável.
Angola sempre foi uma paixão para os portugueses, é uma terra de oportunidades e merece respeito acrescido por ter entrado para o clube das democracias emergentes.

sábado, 6 de setembro de 2008

A roleta russa

A intervenção Russa na Geórgia é um salto de cavalo no xadrez entre Washington e o Kremlin, que assim come dois peões, a Ossétia do Sul e a Abecásia.
A hipótese de a Ucrânia e a Geórgia aderirem á NATO, e de na primeira ser instalado um sistema americano de vigilância militar entendido pela Rússia como hostil, azedou a distensão leste-oeste e desenterrou fantasmas adormecidos.
Acresce que alguns países da EU, com o beneplácito de Bush, reconheceram a independência do Kosovo, inaceitável pela Sérvia velha aliada da Rússia. Ainda não é um conflito aberto, apenas escaramuças. Mas o sinal está dado.