domingo, 27 de setembro de 2009
Vamos a votos
Daqui a poucas horas se saberá que novos desafios se nos colocam. Até lá votem com convicção e esperemos que os portugueses, nós todos, saibamos encontrar a solução que o país precisa. Felizmente que em democracia há sempre uma alternativa, e como nós somos parte interessada, a altura é de participação, empenho e avaliação construtiva.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Campanha
Hoje fui dar uma mãozinha à campanha do PS (legislativas). Nem bandeiras, nem bombos, só uns quantos militantes e candidatos. O cabeça de lista, Luís Amado, faltou.
Cumpriu-se o calendário mas... o que vale uma acção de campanha destas? Uma dúzia de pessoas a distribuir propaganda, sem animação e quase na clandestinidade. As campanhas já não são o que eram. Tenho saudades dos tempos em que campanha era sinónimo de festa, animação, um gozo danado.
Hoje tudo se concentra nos líderes e nas televisões e o resto é quase para cumprir rotinas.
A propósito, os Gato Fedorento tornaram-se, a par dos cabeças de lista dos vários partidos, nos grandes animadores desta campanha. É uma lufada de ar fresco na cinzentice politiqueira. Espero que para além de gargalhadas consigam também mobilizar eleitores. A democracia faz-se de participação embora, lamentavelmente, em Portugal o alheamento abstencionista ganhe um terreno cada vez maior.
A fechar, o Presidente da República anda a ouvir vozes do além. Suspeita-se das secretas a mando do Governo. Um jornal publica a caxa, um assessor é demitido, Cavaco é apanhado em falso. Avizinham-se tempos difíceis. A paranoia política está ao rubro.
Cumpriu-se o calendário mas... o que vale uma acção de campanha destas? Uma dúzia de pessoas a distribuir propaganda, sem animação e quase na clandestinidade. As campanhas já não são o que eram. Tenho saudades dos tempos em que campanha era sinónimo de festa, animação, um gozo danado.
Hoje tudo se concentra nos líderes e nas televisões e o resto é quase para cumprir rotinas.
A propósito, os Gato Fedorento tornaram-se, a par dos cabeças de lista dos vários partidos, nos grandes animadores desta campanha. É uma lufada de ar fresco na cinzentice politiqueira. Espero que para além de gargalhadas consigam também mobilizar eleitores. A democracia faz-se de participação embora, lamentavelmente, em Portugal o alheamento abstencionista ganhe um terreno cada vez maior.
A fechar, o Presidente da República anda a ouvir vozes do além. Suspeita-se das secretas a mando do Governo. Um jornal publica a caxa, um assessor é demitido, Cavaco é apanhado em falso. Avizinham-se tempos difíceis. A paranoia política está ao rubro.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Ensino Profissional
Hoje estive no Fundão num encontro inserido nas comemorações dos vinte anos do Ensino Profissional. Esteve também o Prof. Joaqum de Azevedo, um dos responsáveis pelo seu lançamento, quando era Ministro Roberto Carneiro.
A mobilização das comunidades locais e a autonomia das escolas são duas ideias base deste modelo que conseguiu afirmar-se apesar de nem sempre apoiado como se justificava.
Ao completar duas décadas de existência, atingiu a maioridade, é uma formação credível e tão relevante que foi estendida às secundárias estatais.
O grande desafio para estas é serem capazes de fazer tão bem ou melhor que as suas precursoras.
Uma palavra de solidariedade para o João Santos Costa, uma das referências da escola Profissional do Fundão, actualmente a lutar com uma doença grave.
A mobilização das comunidades locais e a autonomia das escolas são duas ideias base deste modelo que conseguiu afirmar-se apesar de nem sempre apoiado como se justificava.
Ao completar duas décadas de existência, atingiu a maioridade, é uma formação credível e tão relevante que foi estendida às secundárias estatais.
O grande desafio para estas é serem capazes de fazer tão bem ou melhor que as suas precursoras.
Uma palavra de solidariedade para o João Santos Costa, uma das referências da escola Profissional do Fundão, actualmente a lutar com uma doença grave.
domingo, 6 de setembro de 2009
Um país insano
Felizmente que o cabo nos traz as têvês de todo o mundo. É a forma de percebermos melhor a nossa dimensão e a singularidade dos debates nacionais.
O grande drama em Portugal não são os desempregados, é a Manuela Moura Guedes. O que ela fazia era bom jornalismo? Então deixem-se de hipocrisias! O Marinho Pinto é que lhe pôs os pontos nos iis. O Sócrates fez o que qualquer outro faria, protestou. E fez bem.
A Prisa e o Cebrian sabem o que andam a fazer.
Siga a campanha eleitoral que a Moura Guedes já teve a sua glória.
O grande drama em Portugal não são os desempregados, é a Manuela Moura Guedes. O que ela fazia era bom jornalismo? Então deixem-se de hipocrisias! O Marinho Pinto é que lhe pôs os pontos nos iis. O Sócrates fez o que qualquer outro faria, protestou. E fez bem.
A Prisa e o Cebrian sabem o que andam a fazer.
Siga a campanha eleitoral que a Moura Guedes já teve a sua glória.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Finalmente o mea culpa de Sócrates
Era previsível, Sócrates veio, finalmente, dizer o que já devia ter assumido há muito, que a gestão da relação com os professores foi errada e que tudo fará para restabelecer um clima de confiança se...for reeleito.Talvez seja um pouco tarde, mas mais vale tarde do que nunca.
O problema é que nestas matérias não há muito espaço para erros grosseiros como o que se cometeu ao longo deste súltimos quatro anos e não deixa de ser surpreendente o manto de silêncio pesado que dentro do PS este assunto delicado suscitou.
Foram muito poucos os que assumiram a divergência com a gestão que o Governo fez do relacionamento com a classe docente e o esforço dos responsáveis foi sempre o de tentar desacreditar as razões dos professores. Infelizmente as sementes da obediência cega, resquício de experiências de repressão antigas, ainda continuam por aí a germinar.
Está, pois, levantado o lábéu oficial sobre os professores e enterrado o machado de guerra. Ficam por fazer as contas por perdas e danos para a classe, para o sistema educativo e para o País, que esta atitude insensata provocou.
Sendo certo que este pedido oficial de desculpas à classe, por parte do Primeiro Ministro, pode ser interpretado como "uma manobra eleitoral", não é menos verdade que ele é também uma reparação moral justíssima e, nesta medida, merece ser tomado em devida consideração.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Chamem a polícia
A praça Rodrigues Lobo, em Leiria, tornou-se um must desde que lá se instalou o Chico Lobo, o bar mais cool das noites da cidade. Depois vieram outros, alguns cafés antigos reconverteram-se e, a pouco e pouco, o antigo centro cívico foi ganhando vida e animação e mostrando uma nova faceta de Leiria, cidade bem tradicionalista e conservadora até há bem poucos anos.
Quem não conhece, é urgente que lá dê uma saltada, e tomar um copo no Chico é obrigatório.
Mas onde é que entra a polícia nesta história? Bem, podia entrar de várias formas, mas hoje vamos ao estacionamento.
A zona é servida por estacionamento à superfície e por dois parques subterrâneos. Mesmo junto à praça existe um parque para cargas e descargas, interdito a estacionamento privado. Claro está que à boa moda do Portugal incorrigível muita gente prefere ignorar a proibição e dar uma gorgeta aos arrumadores de serviço do que cumprir a obrigação cívica de respeitar a lei.
Todos os dias o local está repleto de carros, para meu grande espanto e de todas as pessoas que cumprem o código da estrada. Eis senão hoje que chega a polícia e multa todos os automóveis que lá estavam. Apanhados na rede, cada um dos infractores teve a surpresa de uma multazita para pagar depois do copo da praxe.
Isto aconteceu por volta das dez da noite. Como habitualmente, "depois de casa arrombada, trancas na porta", quem foi multado zarpou rapidamente, talvez para tentar cantar a canção do bandido aos polícias e poupar a multa. Mas uma hora depois, já o dito parque estava repleto e um arrumador ordenava o tráfego.
Como diaria o Scolári, de boa memória. "O burro sou eu?" O parque é interdito? É! Então não se pode estacionar, certo? Errado. Pode! Mas então a polícia não multa? Às vezes, quando se lembra.
Esta história parece comprida para coisa de somenos. Não é verdade. O que aqui se relata ilustra um comportamento típico de desrespeito pela lei e a forma aleatória como a polícia actua. É suposto que a polícia todos os dias vigia as ruas, mas apenas de vez em quando multa os infractores, embora saiba que todos os dias lá existem. Qando está de serviço uma equipa mais zelosa? Um agente que tem objectivos para cumprir? Um polícia mal disposto? Eu sei lá, pode haver milhentas explicações.
Se calhar sou eu que estou a ver mal a questão, mas então deixem estacionar e pronto. Já agora até podem assumir que se trata de serviço social. Em vez de pagarem multas, que vão para o Estado, que depois tem de sustentar os arrumadores, pagam directamente a estes e ainda sai mais barato.
É por estas e por outras que Portugal é um país castiço. "Não às multas, sim aos arrumadores".
Quem não conhece, é urgente que lá dê uma saltada, e tomar um copo no Chico é obrigatório.
Mas onde é que entra a polícia nesta história? Bem, podia entrar de várias formas, mas hoje vamos ao estacionamento.
A zona é servida por estacionamento à superfície e por dois parques subterrâneos. Mesmo junto à praça existe um parque para cargas e descargas, interdito a estacionamento privado. Claro está que à boa moda do Portugal incorrigível muita gente prefere ignorar a proibição e dar uma gorgeta aos arrumadores de serviço do que cumprir a obrigação cívica de respeitar a lei.
Todos os dias o local está repleto de carros, para meu grande espanto e de todas as pessoas que cumprem o código da estrada. Eis senão hoje que chega a polícia e multa todos os automóveis que lá estavam. Apanhados na rede, cada um dos infractores teve a surpresa de uma multazita para pagar depois do copo da praxe.
Isto aconteceu por volta das dez da noite. Como habitualmente, "depois de casa arrombada, trancas na porta", quem foi multado zarpou rapidamente, talvez para tentar cantar a canção do bandido aos polícias e poupar a multa. Mas uma hora depois, já o dito parque estava repleto e um arrumador ordenava o tráfego.
Como diaria o Scolári, de boa memória. "O burro sou eu?" O parque é interdito? É! Então não se pode estacionar, certo? Errado. Pode! Mas então a polícia não multa? Às vezes, quando se lembra.
Esta história parece comprida para coisa de somenos. Não é verdade. O que aqui se relata ilustra um comportamento típico de desrespeito pela lei e a forma aleatória como a polícia actua. É suposto que a polícia todos os dias vigia as ruas, mas apenas de vez em quando multa os infractores, embora saiba que todos os dias lá existem. Qando está de serviço uma equipa mais zelosa? Um agente que tem objectivos para cumprir? Um polícia mal disposto? Eu sei lá, pode haver milhentas explicações.
Se calhar sou eu que estou a ver mal a questão, mas então deixem estacionar e pronto. Já agora até podem assumir que se trata de serviço social. Em vez de pagarem multas, que vão para o Estado, que depois tem de sustentar os arrumadores, pagam directamente a estes e ainda sai mais barato.
É por estas e por outras que Portugal é um país castiço. "Não às multas, sim aos arrumadores".
O Verão da avaliação de professores
O Presidente promulgou o diploma do Governo. O que havia de fazer? A versão simplificada da avaliação é a tábua de salvação da equipa do ME. É o que resta depois de tudo o que já foi deitado para o caixote do lixo de um processo que nasceu torto.
Infelizmente a política educativa deste Governo, que até tem aspectos muito positivos, vai ficar para a história como um mar de antagonismos com os professores. Daqui a uns anos ninguém se vai lembrar de mais nada, à excepção do conflito com a classe que, apesar da politização sindical e do aproveitamento partidário da oposição, não deixou de ser um genuino protesto da esmagadora maioria dos professores, que se sentiram ofendidos e humilhados com medidas, algumas necessárias, aplicadas de forma tecnicamente incorrecta e politicamente inábil.
Tal como os amores de Verão, a versão simplificada da avaliação, agora promulgada, não resistirá à chegada do Outono.
Infelizmente a política educativa deste Governo, que até tem aspectos muito positivos, vai ficar para a história como um mar de antagonismos com os professores. Daqui a uns anos ninguém se vai lembrar de mais nada, à excepção do conflito com a classe que, apesar da politização sindical e do aproveitamento partidário da oposição, não deixou de ser um genuino protesto da esmagadora maioria dos professores, que se sentiram ofendidos e humilhados com medidas, algumas necessárias, aplicadas de forma tecnicamente incorrecta e politicamente inábil.
Tal como os amores de Verão, a versão simplificada da avaliação, agora promulgada, não resistirá à chegada do Outono.
domingo, 16 de agosto de 2009
O Portugal incorrigível
Em Portugal, há comportamentos atávicos que, nem a evolução dos tempos nem a formação escolar e profissional, são capazes de erradicar. É sabida a importãncia do turismo na economia do país e, nas suas múltiplas ofertas, os serviços de restauração desempenham um papel fundamental na dinamização do sector.
Seria, pois, de esperar que, com tanta sensibilização e múltiplas ofertas de formação, os serviços prestados fossem, generalizadamente, de qualidade aceitável e os profissionais do sector verdadeiramente dignos deste qualificativo. Mas não é assim. Dois exemplos ocorridos recentemente no Algarve.
Num restaurante que pratica preços bastante elevados e que passa por ser uma das melhores escolhas para quem quer degustar um bom peixe grelhado, um comentário de um cliente motivado pelo atraso no serviço, mereceu do empregado encarregado da mesa o seguinte e instrutivo desabafo:
- "Pois, é muita gente".
Moral da história. O empregado não lhe ocorre que é o restaurante que se tem de adaptar aos clientes e ao seu fluxo, inclusive a não aceitar mais clientes se a sua capacidade não chega para tanto, já que devia estar obrigado a manter padrões de atendimento compatíveis com os preços que pratica. O mais óbvio que lhe ocorreu foi responsabilizar os clientes "Que vêm todos ao mesmo tempo".
Noutro restaurante, este popular, aconteceu um autêntico descalabro, com os clientes a esperarem horas (em sentido real) para serem (mal)servidos, os funcionários sem qualquer formação específica para o serviço de mesas e sem qualquer conhecimento do peixe que serviam, um nem sequer sabia distinguir um carapau de uma dourada e foi à mesa pedir aos clientes que o ajudassem a destrinçar e o que se supunha ser o gerente, e tentava dar alguma ordem àquela completa bagunça, acabou por confessar que estava ali a fazer um biscate e que trabalhava na secção de peças de uma empresa do ramo automóvel.
Não fora a descontracção própria das férias o homem não teria acabado a noite a conversar alegremente com os clientes sobre as virtudes e defeitos das máquinas topo de gama comercializadas pela empresa para a qual trabalhava e sim a explicar à autoridade competente a sua presença como (i)rresponsável de um restaurante sem rei nem roque.
Em ambos os casos, o nacional-porreirismo, a falta de profissionalismo, o desrrespeito pelos clientes (que pagam como se fossem bem servidos) são o reflexo de uma cultura empresarial de vão de escada que não dignifica nem a região, nem o país, e que exibe a marca deprimente de um sector vital mas carente de quadros e de qualidade.
Seria, pois, de esperar que, com tanta sensibilização e múltiplas ofertas de formação, os serviços prestados fossem, generalizadamente, de qualidade aceitável e os profissionais do sector verdadeiramente dignos deste qualificativo. Mas não é assim. Dois exemplos ocorridos recentemente no Algarve.
Num restaurante que pratica preços bastante elevados e que passa por ser uma das melhores escolhas para quem quer degustar um bom peixe grelhado, um comentário de um cliente motivado pelo atraso no serviço, mereceu do empregado encarregado da mesa o seguinte e instrutivo desabafo:
- "Pois, é muita gente".
Moral da história. O empregado não lhe ocorre que é o restaurante que se tem de adaptar aos clientes e ao seu fluxo, inclusive a não aceitar mais clientes se a sua capacidade não chega para tanto, já que devia estar obrigado a manter padrões de atendimento compatíveis com os preços que pratica. O mais óbvio que lhe ocorreu foi responsabilizar os clientes "Que vêm todos ao mesmo tempo".
Noutro restaurante, este popular, aconteceu um autêntico descalabro, com os clientes a esperarem horas (em sentido real) para serem (mal)servidos, os funcionários sem qualquer formação específica para o serviço de mesas e sem qualquer conhecimento do peixe que serviam, um nem sequer sabia distinguir um carapau de uma dourada e foi à mesa pedir aos clientes que o ajudassem a destrinçar e o que se supunha ser o gerente, e tentava dar alguma ordem àquela completa bagunça, acabou por confessar que estava ali a fazer um biscate e que trabalhava na secção de peças de uma empresa do ramo automóvel.
Não fora a descontracção própria das férias o homem não teria acabado a noite a conversar alegremente com os clientes sobre as virtudes e defeitos das máquinas topo de gama comercializadas pela empresa para a qual trabalhava e sim a explicar à autoridade competente a sua presença como (i)rresponsável de um restaurante sem rei nem roque.
Em ambos os casos, o nacional-porreirismo, a falta de profissionalismo, o desrrespeito pelos clientes (que pagam como se fossem bem servidos) são o reflexo de uma cultura empresarial de vão de escada que não dignifica nem a região, nem o país, e que exibe a marca deprimente de um sector vital mas carente de quadros e de qualidade.
Protesto contra a neocensura!
Talvez ainda não se tenha apercebido que existe em Portugal um Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, cuja função é regular matérias desta área.
A partir de agora não o poderá ignorar, pois o dito conselho entende que quem participa em listas candidatas a eleições não pode escrever nos jornais nem participar em programas de rádio ou televisão, com textos de opinião ou como comentador.
Para que conste, aqui fica o meu veemente protesto contra uma forma de neocensura que, sob a capa do igualitarismo das candidaturas, amordaça e silencia vozes livres.
A partir de agora não o poderá ignorar, pois o dito conselho entende que quem participa em listas candidatas a eleições não pode escrever nos jornais nem participar em programas de rádio ou televisão, com textos de opinião ou como comentador.
Para que conste, aqui fica o meu veemente protesto contra uma forma de neocensura que, sob a capa do igualitarismo das candidaturas, amordaça e silencia vozes livres.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Bolas sem creme
Nos meus tempos de menino, ir dos confins do Alentejo até à beira-mar, fazer praia, era sempre uma aventura e um tempo de experiências mágicas.
Para além dos prazeres marinhos, as batatas fritas, redondas e estaladiças, e as bolas de Berlim, bem recheadas de creme, faziam as delícias da criançada no intervalo das banhocas.
Hoje, comer batatas fritas é quase um crime de lesa coração e já ninguém as vende nas praias, quanto às bolas, só mesmo sem creme, ASAE dixit. As gerações do soft e do light não sabem o que perdem. A praia lá continua, mas não é a mesma coisa.
Para além dos prazeres marinhos, as batatas fritas, redondas e estaladiças, e as bolas de Berlim, bem recheadas de creme, faziam as delícias da criançada no intervalo das banhocas.
Hoje, comer batatas fritas é quase um crime de lesa coração e já ninguém as vende nas praias, quanto às bolas, só mesmo sem creme, ASAE dixit. As gerações do soft e do light não sabem o que perdem. A praia lá continua, mas não é a mesma coisa.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
E o terceiro mundo aqui tão perto
O hospital de Santo André é uma boa unidade de saúde. Alguns dos seus serviços são referências de excelência. Por razões familiares já conhecia as urgências obstétrica e pediátrica. Ambas de grande qualidade.
Numa destas noites vi-me obrigado a uma visita inesperada à urgência geral. Nem queria acreditar. Aquele não é o Santo André a que me habituei. A degradação das instalações é evidente e as condições de atendimento péssimas.
Sobrevive-se, é um facto, mas o ambiente lembra os hospitais do terceiro mundo. Algo está errado e a culpa não é, certamente, dos doentes.
Numa destas noites vi-me obrigado a uma visita inesperada à urgência geral. Nem queria acreditar. Aquele não é o Santo André a que me habituei. A degradação das instalações é evidente e as condições de atendimento péssimas.
Sobrevive-se, é um facto, mas o ambiente lembra os hospitais do terceiro mundo. Algo está errado e a culpa não é, certamente, dos doentes.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Consumir o futuro
Agora que as bolsas estão a recuperar, a gripe A se dissemina, e a corrida eleitoral acelera, as preocupações com a crise estão a passar para segundo plano.
E é pena. Para além dos factores resultantes da globalização, há problemas estruturais que nem estão, nem serão resolvidos, se tudo continuar na mesma.
Um país que compra mais do que vende, paga mais do que recebe, gasta mais do que tem, é inviável. Portugal tem uma economia terciarizada, mas sem estrutura que a suporte. Se continuarmos como até aqui estaremos a consumir o futuro.
E é pena. Para além dos factores resultantes da globalização, há problemas estruturais que nem estão, nem serão resolvidos, se tudo continuar na mesma.
Um país que compra mais do que vende, paga mais do que recebe, gasta mais do que tem, é inviável. Portugal tem uma economia terciarizada, mas sem estrutura que a suporte. Se continuarmos como até aqui estaremos a consumir o futuro.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Dicas para uma campanha eleitoral (3)
A equipa
A escolha de uma equipa para concorrer a quaisquer eleições é da maior importância porquanto não é só o primeiro nome que é importante. A equipa pode acrescentar, mas também pode diminuir.
Infelizmente é comum que as equipas sejam escolhidas com base em critérios que pouco ou nada têm que ver com a competência das pessoas. Ou se vai pelo compadrio político, ou pela necessidade (actual) de preencher quotas, ou porque uns fazem menos sombra do que outros.
O critério da competência e da adequação do perfil de cada um ao lugar que lhe pode vir a caber, que devia ser norma, é excepção e, por isso mesmo, a classe política tem sofrido a erosão que se sabe, a ponto de se ser mal-visto só por se manter actividade política, seja ela qual for.
A aposta na competência é um valor seguro.
A escolha de uma equipa para concorrer a quaisquer eleições é da maior importância porquanto não é só o primeiro nome que é importante. A equipa pode acrescentar, mas também pode diminuir.
Infelizmente é comum que as equipas sejam escolhidas com base em critérios que pouco ou nada têm que ver com a competência das pessoas. Ou se vai pelo compadrio político, ou pela necessidade (actual) de preencher quotas, ou porque uns fazem menos sombra do que outros.
O critério da competência e da adequação do perfil de cada um ao lugar que lhe pode vir a caber, que devia ser norma, é excepção e, por isso mesmo, a classe política tem sofrido a erosão que se sabe, a ponto de se ser mal-visto só por se manter actividade política, seja ela qual for.
A aposta na competência é um valor seguro.
A auto-avaliação dos professores
Levo trinta e cinco anos de carreira docente, dos quais vinte e quatro como formador de professores. Nunca encontrei ninguém que ao fazer a sua autoavaliação não se considere sempre num patamar de execução de nível de bom e muito bom, preferencialmente, neste último.
As autoavaliações são daquelas peças rituais que servem para enfeitar mas das quais pouco ou nada mais se aproveita.
Quem é que sabendo que tudo o que diga em seu desfavor será utilizado contra si, vai dizer algo? E é aqui que a hipocrisia institucional atinge todo o seu esplendor. Neste momento há milhares de professores a preencherem a ficha de autoavaliação e a dizerem que fazem tudo bem. O que haveriam de dizer?
Para que servem estas autoavaliações? Para pouco. Mas é assim que o sistema está montado.
Naturalmente que os processos de autoavaliação têm a maior importância e são indispensáveis em processos de avaliação do desempenho, mas exigem um referencial claro que exige, no mínimo, que o que se diz seja objectivamente comprovado, caso contrário, cada um espraia-se de acordo com a sua iniciativa.
Por outro lado, a autoavaliação é um processo estruturalmente formativo e, por isso mesmo, exige uma disponibilidade total dos avaliados e dos avaliadores para o encararem sem o ónus de daí advir qualquer prejuízo adicional para quem assume as suas insuficiências ou limitações. Sem isso, é uma farsa.
As autoavaliações são daquelas peças rituais que servem para enfeitar mas das quais pouco ou nada mais se aproveita.
Quem é que sabendo que tudo o que diga em seu desfavor será utilizado contra si, vai dizer algo? E é aqui que a hipocrisia institucional atinge todo o seu esplendor. Neste momento há milhares de professores a preencherem a ficha de autoavaliação e a dizerem que fazem tudo bem. O que haveriam de dizer?
Para que servem estas autoavaliações? Para pouco. Mas é assim que o sistema está montado.
Naturalmente que os processos de autoavaliação têm a maior importância e são indispensáveis em processos de avaliação do desempenho, mas exigem um referencial claro que exige, no mínimo, que o que se diz seja objectivamente comprovado, caso contrário, cada um espraia-se de acordo com a sua iniciativa.
Por outro lado, a autoavaliação é um processo estruturalmente formativo e, por isso mesmo, exige uma disponibilidade total dos avaliados e dos avaliadores para o encararem sem o ónus de daí advir qualquer prejuízo adicional para quem assume as suas insuficiências ou limitações. Sem isso, é uma farsa.
domingo, 19 de julho de 2009
CR9
Não tenho dúvidas de que identificou, de imediato, a personalidade a que se refere o título. Quem não conhece Cristiano Ronaldo e quem não sabe que passou a ser o titular da camisola número 9 do Real Madrid?
CR9 é o português contemporâneo mais conhecido em todo o planeta e um dos poucos cidadãos do mundo a conseguir juntar num estádio 80 mil pessoas, só para o ver.
CR9 já é muito mais do que um jogador de futebol, é um símbolo do poder da comunicação e um exemplo de como o talento e a sorte podem transformar um menino pobre num semi-deus. O berço é importante, não determinante.
CR9 é o português contemporâneo mais conhecido em todo o planeta e um dos poucos cidadãos do mundo a conseguir juntar num estádio 80 mil pessoas, só para o ver.
CR9 já é muito mais do que um jogador de futebol, é um símbolo do poder da comunicação e um exemplo de como o talento e a sorte podem transformar um menino pobre num semi-deus. O berço é importante, não determinante.
domingo, 12 de julho de 2009
Dicas para uma campanha eleitoral (2)
O programa
Sintético e ambicioso, são talvez as duas qualidades mais importantes de um programa eleitoral. Não quer dizer que não se elabore um documento mais extenso e detalhado com as metas que se pretendem alcançar, mas uma folha A4 deve bastar para comunicar o essencial.
Numa época em que todos estão habituados à comunicação mediática e a serem motivados pelos primeiros segundos de uma notícia ou de um videoclip, ninguém tem pachorra para ler extensos programas, recheados de banalidades e promessas em que ninguém acredita.
O essencial é captar o sentir maioritário dos eleitores e falar-lhes do que lhes interessa e de como se concretizarão as suas expectativas. Simultaneamente é necessário mostrar novos caminhos e mobilizar os eleitores para os fazerem conjuntamente.
O "Choque Tecnológico" de Sócrates, por muito que alguns se riam da ideia, constituiu uma verdadeira revolução e fica como exemplo de como uma ideia consistente pode ajudar a mudar um país.
Não são precisas muitas ideias, basta uma boa para alterar o curso da história.
Sintético e ambicioso, são talvez as duas qualidades mais importantes de um programa eleitoral. Não quer dizer que não se elabore um documento mais extenso e detalhado com as metas que se pretendem alcançar, mas uma folha A4 deve bastar para comunicar o essencial.
Numa época em que todos estão habituados à comunicação mediática e a serem motivados pelos primeiros segundos de uma notícia ou de um videoclip, ninguém tem pachorra para ler extensos programas, recheados de banalidades e promessas em que ninguém acredita.
O essencial é captar o sentir maioritário dos eleitores e falar-lhes do que lhes interessa e de como se concretizarão as suas expectativas. Simultaneamente é necessário mostrar novos caminhos e mobilizar os eleitores para os fazerem conjuntamente.
O "Choque Tecnológico" de Sócrates, por muito que alguns se riam da ideia, constituiu uma verdadeira revolução e fica como exemplo de como uma ideia consistente pode ajudar a mudar um país.
Não são precisas muitas ideias, basta uma boa para alterar o curso da história.
Barreto e a autonomia
Não é novidade que António Barreto é um dos mais lúcidos pensadores portugueses. Num texto que hoje publica no jornal Público, titulado "O eterno recomeço", faz uma síntese, na qual muitos certamente se revêm, do balanço possível do legado da actual equipa do ME. Cito apenas um pequeno passo que vem ao encontro do meu pensamento sobre a gestão do sistema escolar. "Com a maioria absoluta e a aparente contenção do poder sindical, parecia possível procurar outras vias, nomeadamente a autonomia das escolas e da sua devolução por inteiro às comunidades".
Inteiramente de acordo, mas ainda vamos ter um longo caminho a percorrer. Apesar dos contratos de autonomia, uma simples gota de água no sistema e, mesmo esta, muito ténue, quase tudo está ainda por fazer. Para complicar e dificultar ainda mais, há um receio profundamente arreigado em muita gente, professores incluídos, de que a autonomia possa significar poder dos munícipios sobre as escolas. Entre o Estado Central e o Estado Local, há muitos a preferir o primeiro.
Relativamente ao texto de Barreto, apenas uma discordância, não se pode devolver às comunidades o que nunca lhes pertenceu. A gestão escolar sempre foi prerrogativa do poder central, que depois de 1974 partilhou, por interesse estratégico, com os professores, o governo das escolas.
Formalmente, este paradigma só foi alterado, muito timidamente, com o actual decreto-lei regulamentador da gestão das escolas (75/2008) que colocou em minoria nos conselhos gerais, os professores, situação nunca antes ocorrida.
Inteiramente de acordo, mas ainda vamos ter um longo caminho a percorrer. Apesar dos contratos de autonomia, uma simples gota de água no sistema e, mesmo esta, muito ténue, quase tudo está ainda por fazer. Para complicar e dificultar ainda mais, há um receio profundamente arreigado em muita gente, professores incluídos, de que a autonomia possa significar poder dos munícipios sobre as escolas. Entre o Estado Central e o Estado Local, há muitos a preferir o primeiro.
Relativamente ao texto de Barreto, apenas uma discordância, não se pode devolver às comunidades o que nunca lhes pertenceu. A gestão escolar sempre foi prerrogativa do poder central, que depois de 1974 partilhou, por interesse estratégico, com os professores, o governo das escolas.
Formalmente, este paradigma só foi alterado, muito timidamente, com o actual decreto-lei regulamentador da gestão das escolas (75/2008) que colocou em minoria nos conselhos gerais, os professores, situação nunca antes ocorrida.
A política do bypass
Na política tudo é possível, tal como na vida. A concelhia de Leiria do PSD, escolheu um candidato à Câmara que não mereceu a aprovação das estruturas distritais nem nacionais. Nada a objectar, são os regulamentos.
A coisa complica-se quando é indicada uma (re)candidata, sem que a estrutura local reveja a sua posição ou seja destituída por se opor à escolha e militar contra ela.
Agora que a campanha se inicia, finge-se não existir estrutura local e monta-se uma paralela, fazendo-se uma espécie de bypass. Talvez seja a solução possível, mas será admissível? A ver vamos.
A coisa complica-se quando é indicada uma (re)candidata, sem que a estrutura local reveja a sua posição ou seja destituída por se opor à escolha e militar contra ela.
Agora que a campanha se inicia, finge-se não existir estrutura local e monta-se uma paralela, fazendo-se uma espécie de bypass. Talvez seja a solução possível, mas será admissível? A ver vamos.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Dicas para uma campanha eleitoral (1)
Uma campanha pela positiva.
Dizer mal dos adversários agrada aos adeptos, mas não entusiasma os eleitores e às vezes é desonesto.
Além do mais, quanto mais se fala dos adversários mais importância se lhes está a dar. Propostas credíveis é a receita mais eficaz e, sem o dizer explicitamente, propostas que façam o contraponto com o que os adversários não fizeram ou não propõem.
A seriedade é fundamental para dar suporte às propostas e mesmo quando alguns políticos, que podem ser considerados tudo menos sérios, ganham eleições é porque conseguem a proeza de fazer com que os eleitores acreditem em duas coisas - que não são tão maus como os pintam e que a sua capacidade de realização em benefício das populações está acima dos seus pecadilhos.
Lição número um: Seja sério(a), dê-se ao respeito, apresente propostas que cativem e evite a má língua. Os adversários existem, respeite-os, mas dê-lhes a menor importância possível, não faça o trabalho deles, preocupe-se com o seu. Uma campanha pela positiva é meio caminho andado.
Dizer mal dos adversários agrada aos adeptos, mas não entusiasma os eleitores e às vezes é desonesto.
Além do mais, quanto mais se fala dos adversários mais importância se lhes está a dar. Propostas credíveis é a receita mais eficaz e, sem o dizer explicitamente, propostas que façam o contraponto com o que os adversários não fizeram ou não propõem.
A seriedade é fundamental para dar suporte às propostas e mesmo quando alguns políticos, que podem ser considerados tudo menos sérios, ganham eleições é porque conseguem a proeza de fazer com que os eleitores acreditem em duas coisas - que não são tão maus como os pintam e que a sua capacidade de realização em benefício das populações está acima dos seus pecadilhos.
Lição número um: Seja sério(a), dê-se ao respeito, apresente propostas que cativem e evite a má língua. Os adversários existem, respeite-os, mas dê-lhes a menor importância possível, não faça o trabalho deles, preocupe-se com o seu. Uma campanha pela positiva é meio caminho andado.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
As autárquicas em Leiria
Aparentemente vamos ter mais do mesmo, quase que se pode dizer que é o "derby" do costume - Isabel vs Castro - mas talvez não seja bem assim, depende da capacidade de cada uma das candidaturas para apresentarem uma agenda nova, com propostas que vão ao encontro das expectativas dos munícipes e que projectem um futuro ambicioso para o concelho.
Se persistirem nos temas recorrentes do passado, saneamento, revisão do PDM e quejandos, estamos conversados.
O mundo mudou, os cidadãos também e a forma de fazer política idem. A blogosfera é um meio excelente de cada um dizer de sua justiça. Em vez de se ficar á espera que os líderes digam o que pensam, cada um pode dizer o que sente, apresentar propostas, gritar o que lhe vai na alma. Pela minha aparte é o que vou fazer e se quiserem aproveitar o espaço, sirvam-se à vontade.
Se persistirem nos temas recorrentes do passado, saneamento, revisão do PDM e quejandos, estamos conversados.
O mundo mudou, os cidadãos também e a forma de fazer política idem. A blogosfera é um meio excelente de cada um dizer de sua justiça. Em vez de se ficar á espera que os líderes digam o que pensam, cada um pode dizer o que sente, apresentar propostas, gritar o que lhe vai na alma. Pela minha aparte é o que vou fazer e se quiserem aproveitar o espaço, sirvam-se à vontade.
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