terça-feira, 3 de novembro de 2009

Líderes e lideranças

"Líderes e lideranças em escolas portuguesas. Percursos individuais e impactos organizacionais", tese de doutoramento, está agora disponível em versão integral e anexos em http://www.iconline.ipleiria.pt/handle/10400.8/163

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

De novo, a avaliação

Só a gripe A disputa espaço noticioso à questão recorrente da avaliação dos professores. Aí estão, de novo, todas as baterias sindicais assestadas para a nova equipa do ME. Paulo Portas descobre a sua vocação para delegado sindical dos profs. e, substituindo-se aos especialistas, tira da cartola um novo modelo. Bom...sempre é um contributo.
O novo Secretário de Estado, Alexandre Ventura, era o presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores. Que pensar, que tens as mãos manchadas pelo processo como resultado das funções que desempenhava ou que é a pessoa que está em melhores condições para ajudar a pacificar o sector?
Sinceramente, tudo isto me parece estranho. A gestão da educação, no contexto actual, pós Maria de Lurdes Rodrigues, nada tem de técnica, é uma tarefa eminentemente política. Pois quem assume funções? Uma ministra e dois secretários de Estado que de políticos nada têm, que se saiba publicamente.
Entretanto as escolas estão em suspenso e os professores em desespero. Pobre educação...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Avaliação Externa das Escolas

Hoje participei num seminário, organizado pela IGE, com inspectores e professores de instituições de ensino superior que integram as equipas de avaliação externa.
Muito interessante. Discussão viva, debate enriquecedor. O caminho percorrido é muito importante, mas ainda há muito para andar. É preciso aprofundar a reflexão sobre a metodologia e práticas da avaliação externa, instrumentos e referenciais, limites e consequências.
Aqui está um campo onde todos os profissionais da área têm interesse directo e a investigação um papel insubstituível.

domingo, 25 de outubro de 2009

Isabel Alçada

Tenho a melhor impressão pessoal sobre Isabel Alçada. Conheci-a, de perto, quando fizemos o mestrado em Boston. Aliás, este curso já deu, que me lembre, dois Secretários de Estado, Domingos Fernandes e Valter Lemos, para além de vários outros dirigentes do Ministério da Educação.
A nova ministra chega ao círculo mais restrito do poder com um prestígio inatacável, não tanto por ser professora, mas pela suas deambulações pelas aventuras da escrita. Ao contrário da antecessora, socióloga pura e dura, Isabel Alçada era, até agora a responsável pelo Plano Nacional de Leitura e é mais como escritora que o país a conhece.
Muitos jovens portugueses cresceram embalados nos sonhos aventurosos que Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães lhes foram propondo em inúmeras publicações, onde o despertar o gosto pela leitura se associava à descoberta de temas importantes para o seu crescimento como cidadãos.
Como qualquer novo governante, a nova ministra tem direito ao benefício da dúvida, mas devem assinalar-se dois aspectos que podem dificultar o seu mandato. Por um lado não se lhe conhece experiência de gestão, por outro não tem experiência nem peso político.
Se o primeiro aspecto não parece grave, para isso lá estarão directores gerais e assessores, já a questão política pode ser mais sensível. A gestão de um ministério como o da Educação, para mais na fase pós Lurdes Rodrigues, é tudo menos técnica. O cerne dos problemas é desatar os nós que os antecessores arranjaram, tarefa que exige um enorme jogo de cintura da ministra, o apoio sem reservas do Primeiro Ministro e do Governo, e uma ilimitada capacidade negocial para, na Assembleia da República, ganhar espaço de manobra para fazer vingar propostas, nas mesas de negociação com os sindicatos obter consensos e na "rua" conquistar as pessoas para as suas causas.
Como Helena André, a sindicalista, que vai para o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, também Isabel Alçada, a professora, não garante só por si a bondade das políticas que vai protagonizar, como bem observou Carvalho da Silva, a propósito da primeira.
A acção da ministra vai ser fortemente condicionada pela forma como conseguir romper o cerco dos sindicatos, falando directamente para os professores. Que ninguém tenha dúvidas, a política educativa concretiza-se através das escolas e dos professores e, sem estes, como já se viu, o destino é o desastre.
Ora, se os sindicatos são imprescindíveis e os parceiros negociais de eleição, os professores, como classe, estão muito para além dos sindicatos e o peso destes será tanto maior quanto o ME se afirmar por estar contra os professores e não por os estimar como colaboradores indispensáveis.
Consideração expressa em medidas concretas é o que os docentes esperam da ministra. Se passar no teste, o resto vem por acréscimo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Finalmente...

Demorou três décadas, mas acabou por acontecer. O Partido Socialista ganhou as eleições autárquicas no concelho de Leiria. Agora até parece que foi fácil, mas tratou-se de um processo lento, progressivo e que culminou num momento em que se reuniram um conjunto de circunstâncias favoráveis a uma viragem histórica.
Em termos de real politik o que importava era ganhar. Agora, dia a dia, passo a passo, é necessário trabalhar para não defraudar as expectativas. Empenho e humildade, capacidade de estabelecer pontes e criar sinergias entre a Câmara, as juntas e a população, uma nova forma de abordar a organização dos serviços camarários, é o que se espera e se exige.
Independentemente de outras considerações, era desejável esta mudança, o poder, longamente exercido, corrói e corrompe a dinâmica da acção política e, salvo raríssimas excepções, gera mais descontentamento do que adesões. Foi o que aconteceu à maioria PSD.
No futuro, há uma questão iniludível que tem a ver com a governabilidade da Câmara, uma vez que o PS não tem maioria absoluta.
Este quadro é agravado pelo facto de os vereadores do PSD não disporem da confiança política dos órgãos locais do partido. Sinceramente não vejo como podem, num quadro de derrota, os vereadores do PSD ter uma intervenção autónoma na Câmara, durante 4 anos, sem o apoio da respectiva Comissão Política.
É facto que o PS pode prescindir do seu contributo, matematicamente falando, mas do ponto de vista político é mau para todos que quase metade da vereação esteja ab initio partidariamente deslegitimada.
Mas tudo isto é menos importante do que celebrar a vitória histórica do PS e a esperança que se abre para a maioria dos eleitores que lhe deram o voto.
Parecendo um assunto interno, não é, porque está em causa a governabili

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Assegurar a governabilidade do país

O PS ganhou, sem surpresa, as eleições, embora tenha perdido a maioria absoluta, como também se esperava. Agora trata-se de assegurar governabilidade do país. As hipóteses são várias - governar em minoria, fazendo acordos circunstanciais no Parlamento, consoante as matérias em jogo. Coligar-se com quem lhe assegure uma maioria estável.
Teoricamente, tratando-se de um partido que se posiciona à esquerda no espectro político, poderia fazê-lo com o BE e a CDU. Só que entre as três forças politicas há divergências irreconciliáveis e muito dificilmente seria possível assegurar qualquer base sólida de cooperação.
A aliança com o PSD daria lugar ao Boco Central, que muitos vêem como a suprema contradição do nosso sistema político. O "Centrão" sugere uma amálgama de interesses difusos e suspeitos e susceptível de criar uma opacidade nefasta na vida democrática.
Resta o CDS, que necessita de um palco credível para continuar a afirmar-se e deseja capitalizar o voto da direita e do centro-direita que habitualmente pende para o PSD.
Governar sozinho parece ser a solução natural, mas torna o mandato uma caixinha de surpresas e obriga a uma actividade permanente e desgastante de negociação. A viabilização de uma coligação pode permitir uma solução governativa estável e credível na base de um acordo realista de acção política para os próximos quatro anos, incluindo, como bónus, o apoio a um candidato presidencial do PS moderado e bem preparado como, por exemplo, António Guterres.
Entretanto há a batalha das autárquicas e é como se fosse necessário recolocar o contador a zeros para recomeçar o combate eleitoral. Até ao dia 11 de setembro a gobernabilidade futura do país vai ter de esperar, até porque destes resultados depende a consolidação de uma qualquer solução de gorverno.

domingo, 27 de setembro de 2009

A festa da democracia

Apesar dos anos que levamos de democracia, é sempre uma festa renovada ir a votos. Na escola onde votei a agitação era enorme e a avaliar pelo semblante dos eleitores e eleitoras, nem sinais da crise.
Festa. é o que se sente, porque se despede um governo, porque se sonha com outro, porque se acredita que o país vai, finalmente, mudar para onde queremos, é tudo isso e muito mais, uma esperança sempre renovada, um sonho, quase sempre adiado.
Amanhã se verá como vamos resolver os problemas, hoje é para celebrar.
Façamos , então, um brinde à democracia, por pior que ela seja, que eu ainda me lembro muito bem de como era o meu país antes da Revolução de Abril de 1974.

Vamos a votos

Daqui a poucas horas se saberá que novos desafios se nos colocam. Até lá votem com convicção e esperemos que os portugueses, nós todos, saibamos encontrar a solução que o país precisa. Felizmente que em democracia há sempre uma alternativa, e como nós somos parte interessada, a altura é de participação, empenho e avaliação construtiva.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Campanha

Hoje fui dar uma mãozinha à campanha do PS (legislativas). Nem bandeiras, nem bombos, só uns quantos militantes e candidatos. O cabeça de lista, Luís Amado, faltou.
Cumpriu-se o calendário mas... o que vale uma acção de campanha destas? Uma dúzia de pessoas a distribuir propaganda, sem animação e quase na clandestinidade. As campanhas já não são o que eram. Tenho saudades dos tempos em que campanha era sinónimo de festa, animação, um gozo danado.
Hoje tudo se concentra nos líderes e nas televisões e o resto é quase para cumprir rotinas.

A propósito, os Gato Fedorento tornaram-se, a par dos cabeças de lista dos vários partidos, nos grandes animadores desta campanha. É uma lufada de ar fresco na cinzentice politiqueira. Espero que para além de gargalhadas consigam também mobilizar eleitores. A democracia faz-se de participação embora, lamentavelmente, em Portugal o alheamento abstencionista ganhe um terreno cada vez maior.

A fechar, o Presidente da República anda a ouvir vozes do além. Suspeita-se das secretas a mando do Governo. Um jornal publica a caxa, um assessor é demitido, Cavaco é apanhado em falso. Avizinham-se tempos difíceis. A paranoia política está ao rubro.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ensino Profissional

Hoje estive no Fundão num encontro inserido nas comemorações dos vinte anos do Ensino Profissional. Esteve também o Prof. Joaqum de Azevedo, um dos responsáveis pelo seu lançamento, quando era Ministro Roberto Carneiro.
A mobilização das comunidades locais e a autonomia das escolas são duas ideias base deste modelo que conseguiu afirmar-se apesar de nem sempre apoiado como se justificava.
Ao completar duas décadas de existência, atingiu a maioridade, é uma formação credível e tão relevante que foi estendida às secundárias estatais.
O grande desafio para estas é serem capazes de fazer tão bem ou melhor que as suas precursoras.
Uma palavra de solidariedade para o João Santos Costa, uma das referências da escola Profissional do Fundão, actualmente a lutar com uma doença grave.

domingo, 6 de setembro de 2009

Um país insano

Felizmente que o cabo nos traz as têvês de todo o mundo. É a forma de percebermos melhor a nossa dimensão e a singularidade dos debates nacionais.
O grande drama em Portugal não são os desempregados, é a Manuela Moura Guedes. O que ela fazia era bom jornalismo? Então deixem-se de hipocrisias! O Marinho Pinto é que lhe pôs os pontos nos iis. O Sócrates fez o que qualquer outro faria, protestou. E fez bem.
A Prisa e o Cebrian sabem o que andam a fazer.
Siga a campanha eleitoral que a Moura Guedes já teve a sua glória.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Finalmente o mea culpa de Sócrates

ItálicoEra previsível, Sócrates veio, finalmente, dizer o que já devia ter assumido há muito, que a gestão da relação com os professores foi errada e que tudo fará para restabelecer um clima de confiança se...for reeleito.
Talvez seja um pouco tarde, mas mais vale tarde do que nunca.
O problema é que nestas matérias não há muito espaço para erros grosseiros como o que se cometeu ao longo deste súltimos quatro anos e não deixa de ser surpreendente o manto de silêncio pesado que dentro do PS este assunto delicado suscitou.
Foram muito poucos os que assumiram a divergência com a gestão que o Governo fez do relacionamento com a classe docente e o esforço dos responsáveis foi sempre o de tentar desacreditar as razões dos professores. Infelizmente as sementes da obediência cega, resquício de experiências de repressão antigas, ainda continuam por aí a germinar.
Está, pois, levantado o lábéu oficial sobre os professores e enterrado o machado de guerra. Ficam por fazer as contas por perdas e danos para a classe, para o sistema educativo e para o País, que esta atitude insensata provocou.
Sendo certo que este pedido oficial de desculpas à classe, por parte do Primeiro Ministro, pode ser interpretado como "uma manobra eleitoral", não é menos verdade que ele é também uma reparação moral justíssima e, nesta medida, merece ser tomado em devida consideração.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Chamem a polícia

A praça Rodrigues Lobo, em Leiria, tornou-se um must desde que lá se instalou o Chico Lobo, o bar mais cool das noites da cidade. Depois vieram outros, alguns cafés antigos reconverteram-se e, a pouco e pouco, o antigo centro cívico foi ganhando vida e animação e mostrando uma nova faceta de Leiria, cidade bem tradicionalista e conservadora até há bem poucos anos.
Quem não conhece, é urgente que lá dê uma saltada, e tomar um copo no Chico é obrigatório.
Mas onde é que entra a polícia nesta história? Bem, podia entrar de várias formas, mas hoje vamos ao estacionamento.
A zona é servida por estacionamento à superfície e por dois parques subterrâneos. Mesmo junto à praça existe um parque para cargas e descargas, interdito a estacionamento privado. Claro está que à boa moda do Portugal incorrigível muita gente prefere ignorar a proibição e dar uma gorgeta aos arrumadores de serviço do que cumprir a obrigação cívica de respeitar a lei.
Todos os dias o local está repleto de carros, para meu grande espanto e de todas as pessoas que cumprem o código da estrada. Eis senão hoje que chega a polícia e multa todos os automóveis que lá estavam. Apanhados na rede, cada um dos infractores teve a surpresa de uma multazita para pagar depois do copo da praxe.
Isto aconteceu por volta das dez da noite. Como habitualmente, "depois de casa arrombada, trancas na porta", quem foi multado zarpou rapidamente, talvez para tentar cantar a canção do bandido aos polícias e poupar a multa. Mas uma hora depois, já o dito parque estava repleto e um arrumador ordenava o tráfego.
Como diaria o Scolári, de boa memória. "O burro sou eu?" O parque é interdito? É! Então não se pode estacionar, certo? Errado. Pode! Mas então a polícia não multa? Às vezes, quando se lembra.
Esta história parece comprida para coisa de somenos. Não é verdade. O que aqui se relata ilustra um comportamento típico de desrespeito pela lei e a forma aleatória como a polícia actua. É suposto que a polícia todos os dias vigia as ruas, mas apenas de vez em quando multa os infractores, embora saiba que todos os dias lá existem. Qando está de serviço uma equipa mais zelosa? Um agente que tem objectivos para cumprir? Um polícia mal disposto? Eu sei lá, pode haver milhentas explicações.
Se calhar sou eu que estou a ver mal a questão, mas então deixem estacionar e pronto. Já agora até podem assumir que se trata de serviço social. Em vez de pagarem multas, que vão para o Estado, que depois tem de sustentar os arrumadores, pagam directamente a estes e ainda sai mais barato.
É por estas e por outras que Portugal é um país castiço. "Não às multas, sim aos arrumadores".

O Verão da avaliação de professores

O Presidente promulgou o diploma do Governo. O que havia de fazer? A versão simplificada da avaliação é a tábua de salvação da equipa do ME. É o que resta depois de tudo o que já foi deitado para o caixote do lixo de um processo que nasceu torto.
Infelizmente a política educativa deste Governo, que até tem aspectos muito positivos, vai ficar para a história como um mar de antagonismos com os professores. Daqui a uns anos ninguém se vai lembrar de mais nada, à excepção do conflito com a classe que, apesar da politização sindical e do aproveitamento partidário da oposição, não deixou de ser um genuino protesto da esmagadora maioria dos professores, que se sentiram ofendidos e humilhados com medidas, algumas necessárias, aplicadas de forma tecnicamente incorrecta e politicamente inábil.
Tal como os amores de Verão, a versão simplificada da avaliação, agora promulgada, não resistirá à chegada do Outono.

domingo, 16 de agosto de 2009

O Portugal incorrigível

Em Portugal, há comportamentos atávicos que, nem a evolução dos tempos nem a formação escolar e profissional, são capazes de erradicar. É sabida a importãncia do turismo na economia do país e, nas suas múltiplas ofertas, os serviços de restauração desempenham um papel fundamental na dinamização do sector.
Seria, pois, de esperar que, com tanta sensibilização e múltiplas ofertas de formação, os serviços prestados fossem, generalizadamente, de qualidade aceitável e os profissionais do sector verdadeiramente dignos deste qualificativo. Mas não é assim. Dois exemplos ocorridos recentemente no Algarve.

Num restaurante que pratica preços bastante elevados e que passa por ser uma das melhores escolhas para quem quer degustar um bom peixe grelhado, um comentário de um cliente motivado pelo atraso no serviço, mereceu do empregado encarregado da mesa o seguinte e instrutivo desabafo:
- "Pois, é muita gente".
Moral da história. O empregado não lhe ocorre que é o restaurante que se tem de adaptar aos clientes e ao seu fluxo, inclusive a não aceitar mais clientes se a sua capacidade não chega para tanto, já que devia estar obrigado a manter padrões de atendimento compatíveis com os preços que pratica. O mais óbvio que lhe ocorreu foi responsabilizar os clientes "Que vêm todos ao mesmo tempo".

Noutro restaurante, este popular, aconteceu um autêntico descalabro, com os clientes a esperarem horas (em sentido real) para serem (mal)servidos, os funcionários sem qualquer formação específica para o serviço de mesas e sem qualquer conhecimento do peixe que serviam, um nem sequer sabia distinguir um carapau de uma dourada e foi à mesa pedir aos clientes que o ajudassem a destrinçar e o que se supunha ser o gerente, e tentava dar alguma ordem àquela completa bagunça, acabou por confessar que estava ali a fazer um biscate e que trabalhava na secção de peças de uma empresa do ramo automóvel.
Não fora a descontracção própria das férias o homem não teria acabado a noite a conversar alegremente com os clientes sobre as virtudes e defeitos das máquinas topo de gama comercializadas pela empresa para a qual trabalhava e sim a explicar à autoridade competente a sua presença como (i)rresponsável de um restaurante sem rei nem roque.

Em ambos os casos, o nacional-porreirismo, a falta de profissionalismo, o desrrespeito pelos clientes (que pagam como se fossem bem servidos) são o reflexo de uma cultura empresarial de vão de escada que não dignifica nem a região, nem o país, e que exibe a marca deprimente de um sector vital mas carente de quadros e de qualidade.

Protesto contra a neocensura!

Talvez ainda não se tenha apercebido que existe em Portugal um Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, cuja função é regular matérias desta área.
A partir de agora não o poderá ignorar, pois o dito conselho entende que quem participa em listas candidatas a eleições não pode escrever nos jornais nem participar em programas de rádio ou televisão, com textos de opinião ou como comentador.
Para que conste, aqui fica o meu veemente protesto contra uma forma de neocensura que, sob a capa do igualitarismo das candidaturas, amordaça e silencia vozes livres.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Bolas sem creme

Nos meus tempos de menino, ir dos confins do Alentejo até à beira-mar, fazer praia, era sempre uma aventura e um tempo de experiências mágicas.
Para além dos prazeres marinhos, as batatas fritas, redondas e estaladiças, e as bolas de Berlim, bem recheadas de creme, faziam as delícias da criançada no intervalo das banhocas.
Hoje, comer batatas fritas é quase um crime de lesa coração e já ninguém as vende nas praias, quanto às bolas, só mesmo sem creme, ASAE dixit. As gerações do soft e do light não sabem o que perdem. A praia lá continua, mas não é a mesma coisa.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

E o terceiro mundo aqui tão perto

O hospital de Santo André é uma boa unidade de saúde. Alguns dos seus serviços são referências de excelência. Por razões familiares já conhecia as urgências obstétrica e pediátrica. Ambas de grande qualidade.
Numa destas noites vi-me obrigado a uma visita inesperada à urgência geral. Nem queria acreditar. Aquele não é o Santo André a que me habituei. A degradação das instalações é evidente e as condições de atendimento péssimas.
Sobrevive-se, é um facto, mas o ambiente lembra os hospitais do terceiro mundo. Algo está errado e a culpa não é, certamente, dos doentes.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Consumir o futuro

Agora que as bolsas estão a recuperar, a gripe A se dissemina, e a corrida eleitoral acelera, as preocupações com a crise estão a passar para segundo plano.
E é pena. Para além dos factores resultantes da globalização, há problemas estruturais que nem estão, nem serão resolvidos, se tudo continuar na mesma.
Um país que compra mais do que vende, paga mais do que recebe, gasta mais do que tem, é inviável. Portugal tem uma economia terciarizada, mas sem estrutura que a suporte. Se continuarmos como até aqui estaremos a consumir o futuro.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Dicas para uma campanha eleitoral (3)

A equipa

A escolha de uma equipa para concorrer a quaisquer eleições é da maior importância porquanto não é só o primeiro nome que é importante. A equipa pode acrescentar, mas também pode diminuir.
Infelizmente é comum que as equipas sejam escolhidas com base em critérios que pouco ou nada têm que ver com a competência das pessoas. Ou se vai pelo compadrio político, ou pela necessidade (actual) de preencher quotas, ou porque uns fazem menos sombra do que outros.
O critério da competência e da adequação do perfil de cada um ao lugar que lhe pode vir a caber, que devia ser norma, é excepção e, por isso mesmo, a classe política tem sofrido a erosão que se sabe, a ponto de se ser mal-visto só por se manter actividade política, seja ela qual for.
A aposta na competência é um valor seguro.