Com a revolução do 25 de Abril de 1974, Portugal confrontou-se com três desafios – democratização, descolonização e desenvolvimento. Volvidas 3 décadas, a política portuguesa contínua sob o signo do 3D, agora – desemprego, défice (contas públicas) e dívida (externa).
O desafio é claro, responder com soluções aos 3D, sob pena de o país continuar a patinar num ciclo de empobrecimento, que ninguém sabe onde poderá chegar, nem quais as consequências.
Para ultrapassar as dificuldades são necessárias soluções políticas, mas a dimensão do problema, não hipotecar o futuro do país, não pode ser deixado apenas aos políticos, é tarefa de todos.
domingo, 10 de janeiro de 2010
domingo, 3 de janeiro de 2010
O bufo e o papagaio
Ahmed era um príncipe mouro de Granada (*), que foi educado longe do mundo, numa alta torre, para que nada aprendesse sobre o amor, pois daí podiam advir-lhe, segundo uma profecia, terríveis provações.
Acabou loucamente apaixonado por uma princesa que nunca vira e de quem nada sabia, em resultado de uma mensagem trazida por uma pomba. Fugiu da torre e ajudado por um bufo (ave) e por um papagaio acabou por encontrá-la.
A profecia não se concretizou, Ahmed herdou o reino de Granada e, reconhecido, nomeou o bufo primeiro-ministro e o papagaio mestre-de-cerimónias, constando que “nunca houve reino tão sabiamente administrado”.
Em 2010 o bufo e o papagaio de Ahmed vão fazer-nos muita falta.
* Referência a um dos “Contos do Alhambra” de Washington Irving (primeira publicação 1832)
Acabou loucamente apaixonado por uma princesa que nunca vira e de quem nada sabia, em resultado de uma mensagem trazida por uma pomba. Fugiu da torre e ajudado por um bufo (ave) e por um papagaio acabou por encontrá-la.
A profecia não se concretizou, Ahmed herdou o reino de Granada e, reconhecido, nomeou o bufo primeiro-ministro e o papagaio mestre-de-cerimónias, constando que “nunca houve reino tão sabiamente administrado”.
Em 2010 o bufo e o papagaio de Ahmed vão fazer-nos muita falta.
* Referência a um dos “Contos do Alhambra” de Washington Irving (primeira publicação 1832)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
3 anos
Dia 22 de Dezembro de 2006, colocámos o primeiro post. Passaram três anos e muitas coisas aconteceram desde então. Com muitos ou poucos posts, consoante a disponibilidade e a inspiração de cada momento, tenho procurado cumprir o que me propuz, participar no debate global que as novas ferramentas permitem.
Este espaço tem sido, e continuará a ser, um ponto de vista livre numa conversa em que participa quem quer. E apenas isto.
Este espaço tem sido, e continuará a ser, um ponto de vista livre numa conversa em que participa quem quer. E apenas isto.
Professores, os suspeitos do costume
Há um hábito, relativamente recente na educação portuguesa, a fazer escola - culpar os professores por tudo quanto de menos positivo acontece nas escolas.
Os alunos são desmotivados, a culpa é dos professores; têm maus resultados, a culpa é dos professores; comportam-se de forma incorrecta, a culpa é dos professores. E por aí fora...
Os professores têm as costas largas e todos aproveitam, até os "especialistas", que falam de cátedra, alguns dos quais sem nunca terem posto os pés numa sala de aula do básico ou do secundário.
Agora, alguns, descobriram que são os professores os culpados por não conseguirem "negociar" com os alunos a forma destes se comportarem nas aulas. Falta de formação, dizem.
Mas esperem lá, é aos alunos que compete acatar e cumprir as regras ou aos professores, quais negociadores policiais, convencerem-nos a não os insultar ou agredir?
Evidentemente que a conflitualidade está latente nas relações interpessoais, que não deixa de ser verdade que se pode aprender sempre mais a lidar com isso e a limitar, em vez de acirrar, episódios de mau comportamento, mas é fundamental que não se "tome a nuvem por Juno".
A mensagem indispensável que deve ser passada pela família, pela sociedade e pela escola, aos alunos, é a de que há regras para cumprir e penalidades para quem as infringir. Assumido este princípio, tudo o mais pode ser equacionado, mas colocar o ónus do mau comportamento dos alunos sobre os ombros dos professores é ignorância, demagogia ou má fé.
Os alunos são desmotivados, a culpa é dos professores; têm maus resultados, a culpa é dos professores; comportam-se de forma incorrecta, a culpa é dos professores. E por aí fora...
Os professores têm as costas largas e todos aproveitam, até os "especialistas", que falam de cátedra, alguns dos quais sem nunca terem posto os pés numa sala de aula do básico ou do secundário.
Agora, alguns, descobriram que são os professores os culpados por não conseguirem "negociar" com os alunos a forma destes se comportarem nas aulas. Falta de formação, dizem.
Mas esperem lá, é aos alunos que compete acatar e cumprir as regras ou aos professores, quais negociadores policiais, convencerem-nos a não os insultar ou agredir?
Evidentemente que a conflitualidade está latente nas relações interpessoais, que não deixa de ser verdade que se pode aprender sempre mais a lidar com isso e a limitar, em vez de acirrar, episódios de mau comportamento, mas é fundamental que não se "tome a nuvem por Juno".
A mensagem indispensável que deve ser passada pela família, pela sociedade e pela escola, aos alunos, é a de que há regras para cumprir e penalidades para quem as infringir. Assumido este princípio, tudo o mais pode ser equacionado, mas colocar o ónus do mau comportamento dos alunos sobre os ombros dos professores é ignorância, demagogia ou má fé.
Renascer com o Natal
Comemorar o Natal tem múltiplos significados, tantos quantos cada um lhe quer dar. Da tradição religiosa à loucura consumista, há para todos os gostos, embora o sentido de festa de família permaneça como marca indelével.
Indiscutível é o facto de a celebração estar associada ao nascimento, ao mistério da vida, que a ciência descodifica, mas não explica.
A essência do Natal, que procede de muito antes do nascimento de Cristo, é isso mesmo, um hino à vida, uma expressão de louvor pelo nascimento de um novo ser, um momento de celebração colectiva pela renovação das gerações, sem a qual as comunidades estiolam e definham. Em cada Natal, é o futuro que renasce.
Indiscutível é o facto de a celebração estar associada ao nascimento, ao mistério da vida, que a ciência descodifica, mas não explica.
A essência do Natal, que procede de muito antes do nascimento de Cristo, é isso mesmo, um hino à vida, uma expressão de louvor pelo nascimento de um novo ser, um momento de celebração colectiva pela renovação das gerações, sem a qual as comunidades estiolam e definham. Em cada Natal, é o futuro que renasce.
Participar é decidir
Desde há cerca de vinte anos que uma inovadora figura de gestão municipal se vem impondo como símbolo de uma nova relação entre eleitores e eleitos, refiro-me aos chamados orçamentos participativos.
No essencial, trata-se de chamar os munícipes à participação na elaboração dos orçamentos municipais, dando-lhe a possibilidade de sugerirem as formas de afectação de algumas verbas que mais estejam de acordo com os seus desejos.
Embora limitada a uma parte do orçamento, esta prática não deixa de constituir um acto de cidadania responsável e de abertura a formas de gestão mais participadas e que a internet potencia. Em Portugal cerca de 20 autarquias já aderiram à ideia, Lisboa incluída. Leiria bem pode seguir-lhes o exemplo.
No essencial, trata-se de chamar os munícipes à participação na elaboração dos orçamentos municipais, dando-lhe a possibilidade de sugerirem as formas de afectação de algumas verbas que mais estejam de acordo com os seus desejos.
Embora limitada a uma parte do orçamento, esta prática não deixa de constituir um acto de cidadania responsável e de abertura a formas de gestão mais participadas e que a internet potencia. Em Portugal cerca de 20 autarquias já aderiram à ideia, Lisboa incluída. Leiria bem pode seguir-lhes o exemplo.
Planeta em perigo
Pela primeira vez na história da Humanidade, como consequência da industrialização, está ameaçado o equilíbrio do próprio planeta Terra e as alterações climáticas afectam, crescentemente, o equilíbrio ecológico, com consequências imprevisíveis.
O que está em causa é o modelo de desenvolvimento pós-industrial e as suas nefastas sequelas, e a necessidade, imperiosa, de agir no sentido de encontrar novos formas de organização das sociedades, utilizando energias limpas e adoptando formas de produção não poluentes.
Portugal é, nesta matéria, um bom exemplo, e chega à cimeira de Copenhaga na linha da frente, graças à prioridade concedida à utilização das energias renováveis e ao compromisso com a utilização de uma nova geração de automóveis menos poluentes.
O que está em causa é o modelo de desenvolvimento pós-industrial e as suas nefastas sequelas, e a necessidade, imperiosa, de agir no sentido de encontrar novos formas de organização das sociedades, utilizando energias limpas e adoptando formas de produção não poluentes.
Portugal é, nesta matéria, um bom exemplo, e chega à cimeira de Copenhaga na linha da frente, graças à prioridade concedida à utilização das energias renováveis e ao compromisso com a utilização de uma nova geração de automóveis menos poluentes.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Grito de alerta
Ontem estive em Torres Novas a participar num debate organizado pela Associação CIVILIS e pela Escola Secundária Maria Lamas, a primeira escola onde leccionei. O tema era Escola/Estratégia e modelos educativos, e participaram também o ex-Ministro da Educação, David Justino e a ex-deputada do PCP, Luísa Mesquita.
Foi interessante, e durante o debate, um colega que estava na assistência, fez uma intervenção muito tocante sobre questões que se colocam quotidianamente nas escolas, nomeadamente as decorrentes de algum mau comportamento de certos alunos, tendo sintetizado muito bem a situação, ao afirmar: “Há indisciplina na escola porque não há condições para impor regras”.
Naturalmente, que nem todos estarão de acordo em colocar a questão assim, pois a indisciplina nas escolas é um fenómeno com raízes múltiplas e profundas, mas esta é uma forma acutilante e, a meu ver, legítima de olhar para o problema.
É um facto que se instalou uma surpreendente tolerância relativamente a situações de indisciplina e de incumprimento por parte de alunos, como se tudo fosse aceitável e não houvesse regras a cumprir, algumas delas universais, como seja o respeito pelo próximo.
Os professores acabam por ser o elo mais fraco e são eles que têm de lidar todos os dias com alunos que não os respeitam e, muitas vezes, os insultam, sem que sofram quaisquer consequências de vulto.
Na sequência da minha intervenção final, o colega, cujo nome não divulgo por razões óbvias, escreveu-me um e-mail que reproduzo, parcialmente, por me parecer útil partilhá-lo.
Caro Dr. José Manuel Silva,
… o que disse no final do debate da primeira conferência desta tarde corresponde ao que eu diria se tivesse tido necessidade de dizer. Apreciei a sua frontalidade e agradeço-lhe a solidariedade.
Os políticos «correctos» não suportam o discurso da manifestação da realidade das escolas. E, o que é mais grave, como tenho testemunhado e voltei a fazê-lo hoje, é que a grande maioria dos professores tem medo de contar o que vive e de dizer o que sente. Porque, se o faz, os políticos «correctos» reagem corporativamente e acusam-nos das coisas mais abjectas. Muitas vezes, incapazes de esconder o incómodo com as questões levantadas, nem sequer são delicados.
Entretanto, a Escola pública continua a degradar-se. Cada vez mais rapaziada, que não conhece regras nem quer fazer coisa nenhuma, vai tomando conta da Escola: domina o território, estabelece as suas próprias «normas», assume de facto o poder. Os alunos interessados não têm condições para aprender. Os professores mais novos, lamentando não ter mão nas turmas, saem das aulas a chorar. Os mais velhos, pelo seu lado, fazem contas aos euros e ao tempo que ainda lhes falta para a reforma antecipada e libertadora.
Foi interessante, e durante o debate, um colega que estava na assistência, fez uma intervenção muito tocante sobre questões que se colocam quotidianamente nas escolas, nomeadamente as decorrentes de algum mau comportamento de certos alunos, tendo sintetizado muito bem a situação, ao afirmar: “Há indisciplina na escola porque não há condições para impor regras”.
Naturalmente, que nem todos estarão de acordo em colocar a questão assim, pois a indisciplina nas escolas é um fenómeno com raízes múltiplas e profundas, mas esta é uma forma acutilante e, a meu ver, legítima de olhar para o problema.
É um facto que se instalou uma surpreendente tolerância relativamente a situações de indisciplina e de incumprimento por parte de alunos, como se tudo fosse aceitável e não houvesse regras a cumprir, algumas delas universais, como seja o respeito pelo próximo.
Os professores acabam por ser o elo mais fraco e são eles que têm de lidar todos os dias com alunos que não os respeitam e, muitas vezes, os insultam, sem que sofram quaisquer consequências de vulto.
Na sequência da minha intervenção final, o colega, cujo nome não divulgo por razões óbvias, escreveu-me um e-mail que reproduzo, parcialmente, por me parecer útil partilhá-lo.
Caro Dr. José Manuel Silva,
… o que disse no final do debate da primeira conferência desta tarde corresponde ao que eu diria se tivesse tido necessidade de dizer. Apreciei a sua frontalidade e agradeço-lhe a solidariedade.
Os políticos «correctos» não suportam o discurso da manifestação da realidade das escolas. E, o que é mais grave, como tenho testemunhado e voltei a fazê-lo hoje, é que a grande maioria dos professores tem medo de contar o que vive e de dizer o que sente. Porque, se o faz, os políticos «correctos» reagem corporativamente e acusam-nos das coisas mais abjectas. Muitas vezes, incapazes de esconder o incómodo com as questões levantadas, nem sequer são delicados.
Entretanto, a Escola pública continua a degradar-se. Cada vez mais rapaziada, que não conhece regras nem quer fazer coisa nenhuma, vai tomando conta da Escola: domina o território, estabelece as suas próprias «normas», assume de facto o poder. Os alunos interessados não têm condições para aprender. Os professores mais novos, lamentando não ter mão nas turmas, saem das aulas a chorar. Os mais velhos, pelo seu lado, fazem contas aos euros e ao tempo que ainda lhes falta para a reforma antecipada e libertadora.
Um feriado sem significado
Escrevo no dia 1.º de Dezembro e apercebo-me de que o seu significado é largamente desconhecido pelos mais jovens. Para além da ignorância que fica patente, é inevitável pensar que parar um país quando muitos dos seus habitantes desconhecem a razão, dá que pensar.
É claro que a restauração da independência, pode aparecer hoje como um facto anacrónico a muitos que se habituaram a um relacionamento próximo com Espanha, a uma integração crescente das duas economias e a um sentido de pertença à Ibéria, impensável em tempos anteriores.
Mas os feriados não podem ser simples dias de descanso, devem ser momentos de reflexão sobre acontecimentos transcendentes que contribuem para a coesão dos povos.
É claro que a restauração da independência, pode aparecer hoje como um facto anacrónico a muitos que se habituaram a um relacionamento próximo com Espanha, a uma integração crescente das duas economias e a um sentido de pertença à Ibéria, impensável em tempos anteriores.
Mas os feriados não podem ser simples dias de descanso, devem ser momentos de reflexão sobre acontecimentos transcendentes que contribuem para a coesão dos povos.
Uma aventura no Ministério da Educação
Depois de uma ministra socióloga, que sonhou construir uma escola à medida dos seus desígnios, temos uma ministra escritora que bem pode dar à estampa mais uma aventura, desta vez no Ministério da Educação.
O enredo já está delineado e a avaliação dos professores vai ser o centro da acção. O suspense está no ar. Suspende? Não suspende. Mas mesmo sem suspender, suspende. Confuso? Não, é apenas a poeira atirada aos olhos dos que teimam em mantê-los abertos.
A saga da carreira e da avaliação ainda está para durar, e até parece que estes são os temas centrais da política educativa. Entretanto, os professores vão ardendo em lume brando.
O enredo já está delineado e a avaliação dos professores vai ser o centro da acção. O suspense está no ar. Suspende? Não suspende. Mas mesmo sem suspender, suspende. Confuso? Não, é apenas a poeira atirada aos olhos dos que teimam em mantê-los abertos.
A saga da carreira e da avaliação ainda está para durar, e até parece que estes são os temas centrais da política educativa. Entretanto, os professores vão ardendo em lume brando.
Famílias e Casamentos
O tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo é o primeiro grande embate, na actual legislatura, entre duas concepções diferentes de organização da vida social.
De um lado, a esmagadora maioria dos deputados do PS, o Bloco, o PCP e os Verdes. Do outro, quase todos os deputados do PSD e o CDS. Subjacente está a questão, ainda mais fracturante, da adopção de crianças por parte de casais unisexo.
Independentemente dos argumentos, o que está em causa é o facto de a família, tal como o casamento, se terem pluralizado, deixado de ter formato único. Hoje há famílias, há casamentos, pelo que o singular não expressa a realidade social. As sociedades estão em profunda mudança; é a marcha da História, e nada a deterá.
De um lado, a esmagadora maioria dos deputados do PS, o Bloco, o PCP e os Verdes. Do outro, quase todos os deputados do PSD e o CDS. Subjacente está a questão, ainda mais fracturante, da adopção de crianças por parte de casais unisexo.
Independentemente dos argumentos, o que está em causa é o facto de a família, tal como o casamento, se terem pluralizado, deixado de ter formato único. Hoje há famílias, há casamentos, pelo que o singular não expressa a realidade social. As sociedades estão em profunda mudança; é a marcha da História, e nada a deterá.
A face oculta da justiça
No Império Romano apaziguava-se a tensão social com “pão e circo”. Agora, os processos judiciais envolvendo gente dos negócios e da política, transformados em reality shows, fazem papel idêntico.
A cereja no topo do bolo é haver a possibilidade de envolver o Primeiro-ministro, pelo que nunca falta um primo, um amigo ou um correligionário político indiciado e chamado a depor.
A descredibilização das instituições vai corroendo a vida social e o sistema político e a corrupção, que parece imperar na sociedade, aninha-se também na polícia e nos tribunais, onde não há processo em segredo de justiça que não se torne alimento das fogueiras das vaidades mediáticas.
A cereja no topo do bolo é haver a possibilidade de envolver o Primeiro-ministro, pelo que nunca falta um primo, um amigo ou um correligionário político indiciado e chamado a depor.
A descredibilização das instituições vai corroendo a vida social e o sistema político e a corrupção, que parece imperar na sociedade, aninha-se também na polícia e nos tribunais, onde não há processo em segredo de justiça que não se torne alimento das fogueiras das vaidades mediáticas.
Novo capítulo
Como nada acontece por acaso, o PS ganhou as eleições em Leiria em resultado de uma conjugação virtuosa de factores nunca antes ocorrida. A dissidência no CDS não compensou e a autoflagelação do PSD ditou a sua derrota. Raul Castro tornou-se um homem providencial.
O futuro será o que for, mas o novo poder tem o dever de conseguir fazer mais e melhor do que no passado se fez, envolver os cidadãos nas grandes decisões, disciplinar contas e procedimentos, refazer a esperança e afirmar a liderança de Leiria como pólo de desenvolvimento regional.
Quebrado o tabu, nada será como dantes.
O futuro será o que for, mas o novo poder tem o dever de conseguir fazer mais e melhor do que no passado se fez, envolver os cidadãos nas grandes decisões, disciplinar contas e procedimentos, refazer a esperança e afirmar a liderança de Leiria como pólo de desenvolvimento regional.
Quebrado o tabu, nada será como dantes.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Amor à causa
Hoje estive a fazer um exame escrito e oral a uma formanda de uma pós-graduação. A certa altura falámos dos PIEFs e percebi a verdadeira devoção da rapariga à causa dos alunos em fim de linha escolar. É bom encontrar profissionais que acreditam na causa, que apesar de todas as mudanças na carreira, no estatuto, nas condições de trabalho, são capazes de perceber que estão a contribuir para a construção de uma catedral, embora estejam apenas a aparelhar um elemento.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Líderes e lideranças
"Líderes e lideranças em escolas portuguesas. Percursos individuais e impactos organizacionais", tese de doutoramento, está agora disponível em versão integral e anexos em http://www.iconline.ipleiria.pt/handle/10400.8/163
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
De novo, a avaliação
Só a gripe A disputa espaço noticioso à questão recorrente da avaliação dos professores. Aí estão, de novo, todas as baterias sindicais assestadas para a nova equipa do ME. Paulo Portas descobre a sua vocação para delegado sindical dos profs. e, substituindo-se aos especialistas, tira da cartola um novo modelo. Bom...sempre é um contributo.
O novo Secretário de Estado, Alexandre Ventura, era o presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores. Que pensar, que tens as mãos manchadas pelo processo como resultado das funções que desempenhava ou que é a pessoa que está em melhores condições para ajudar a pacificar o sector?
Sinceramente, tudo isto me parece estranho. A gestão da educação, no contexto actual, pós Maria de Lurdes Rodrigues, nada tem de técnica, é uma tarefa eminentemente política. Pois quem assume funções? Uma ministra e dois secretários de Estado que de políticos nada têm, que se saiba publicamente.
Entretanto as escolas estão em suspenso e os professores em desespero. Pobre educação...
O novo Secretário de Estado, Alexandre Ventura, era o presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores. Que pensar, que tens as mãos manchadas pelo processo como resultado das funções que desempenhava ou que é a pessoa que está em melhores condições para ajudar a pacificar o sector?
Sinceramente, tudo isto me parece estranho. A gestão da educação, no contexto actual, pós Maria de Lurdes Rodrigues, nada tem de técnica, é uma tarefa eminentemente política. Pois quem assume funções? Uma ministra e dois secretários de Estado que de políticos nada têm, que se saiba publicamente.
Entretanto as escolas estão em suspenso e os professores em desespero. Pobre educação...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Avaliação Externa das Escolas
Hoje participei num seminário, organizado pela IGE, com inspectores e professores de instituições de ensino superior que integram as equipas de avaliação externa.
Muito interessante. Discussão viva, debate enriquecedor. O caminho percorrido é muito importante, mas ainda há muito para andar. É preciso aprofundar a reflexão sobre a metodologia e práticas da avaliação externa, instrumentos e referenciais, limites e consequências.
Aqui está um campo onde todos os profissionais da área têm interesse directo e a investigação um papel insubstituível.
Muito interessante. Discussão viva, debate enriquecedor. O caminho percorrido é muito importante, mas ainda há muito para andar. É preciso aprofundar a reflexão sobre a metodologia e práticas da avaliação externa, instrumentos e referenciais, limites e consequências.
Aqui está um campo onde todos os profissionais da área têm interesse directo e a investigação um papel insubstituível.
domingo, 25 de outubro de 2009
Isabel Alçada
Tenho a melhor impressão pessoal sobre Isabel Alçada. Conheci-a, de perto, quando fizemos o mestrado em Boston. Aliás, este curso já deu, que me lembre, dois Secretários de Estado, Domingos Fernandes e Valter Lemos, para além de vários outros dirigentes do Ministério da Educação.
A nova ministra chega ao círculo mais restrito do poder com um prestígio inatacável, não tanto por ser professora, mas pela suas deambulações pelas aventuras da escrita. Ao contrário da antecessora, socióloga pura e dura, Isabel Alçada era, até agora a responsável pelo Plano Nacional de Leitura e é mais como escritora que o país a conhece.
Muitos jovens portugueses cresceram embalados nos sonhos aventurosos que Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães lhes foram propondo em inúmeras publicações, onde o despertar o gosto pela leitura se associava à descoberta de temas importantes para o seu crescimento como cidadãos.
Como qualquer novo governante, a nova ministra tem direito ao benefício da dúvida, mas devem assinalar-se dois aspectos que podem dificultar o seu mandato. Por um lado não se lhe conhece experiência de gestão, por outro não tem experiência nem peso político.
Se o primeiro aspecto não parece grave, para isso lá estarão directores gerais e assessores, já a questão política pode ser mais sensível. A gestão de um ministério como o da Educação, para mais na fase pós Lurdes Rodrigues, é tudo menos técnica. O cerne dos problemas é desatar os nós que os antecessores arranjaram, tarefa que exige um enorme jogo de cintura da ministra, o apoio sem reservas do Primeiro Ministro e do Governo, e uma ilimitada capacidade negocial para, na Assembleia da República, ganhar espaço de manobra para fazer vingar propostas, nas mesas de negociação com os sindicatos obter consensos e na "rua" conquistar as pessoas para as suas causas.
Como Helena André, a sindicalista, que vai para o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, também Isabel Alçada, a professora, não garante só por si a bondade das políticas que vai protagonizar, como bem observou Carvalho da Silva, a propósito da primeira.
A acção da ministra vai ser fortemente condicionada pela forma como conseguir romper o cerco dos sindicatos, falando directamente para os professores. Que ninguém tenha dúvidas, a política educativa concretiza-se através das escolas e dos professores e, sem estes, como já se viu, o destino é o desastre.
Ora, se os sindicatos são imprescindíveis e os parceiros negociais de eleição, os professores, como classe, estão muito para além dos sindicatos e o peso destes será tanto maior quanto o ME se afirmar por estar contra os professores e não por os estimar como colaboradores indispensáveis.
Consideração expressa em medidas concretas é o que os docentes esperam da ministra. Se passar no teste, o resto vem por acréscimo.
A nova ministra chega ao círculo mais restrito do poder com um prestígio inatacável, não tanto por ser professora, mas pela suas deambulações pelas aventuras da escrita. Ao contrário da antecessora, socióloga pura e dura, Isabel Alçada era, até agora a responsável pelo Plano Nacional de Leitura e é mais como escritora que o país a conhece.
Muitos jovens portugueses cresceram embalados nos sonhos aventurosos que Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães lhes foram propondo em inúmeras publicações, onde o despertar o gosto pela leitura se associava à descoberta de temas importantes para o seu crescimento como cidadãos.
Como qualquer novo governante, a nova ministra tem direito ao benefício da dúvida, mas devem assinalar-se dois aspectos que podem dificultar o seu mandato. Por um lado não se lhe conhece experiência de gestão, por outro não tem experiência nem peso político.
Se o primeiro aspecto não parece grave, para isso lá estarão directores gerais e assessores, já a questão política pode ser mais sensível. A gestão de um ministério como o da Educação, para mais na fase pós Lurdes Rodrigues, é tudo menos técnica. O cerne dos problemas é desatar os nós que os antecessores arranjaram, tarefa que exige um enorme jogo de cintura da ministra, o apoio sem reservas do Primeiro Ministro e do Governo, e uma ilimitada capacidade negocial para, na Assembleia da República, ganhar espaço de manobra para fazer vingar propostas, nas mesas de negociação com os sindicatos obter consensos e na "rua" conquistar as pessoas para as suas causas.
Como Helena André, a sindicalista, que vai para o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, também Isabel Alçada, a professora, não garante só por si a bondade das políticas que vai protagonizar, como bem observou Carvalho da Silva, a propósito da primeira.
A acção da ministra vai ser fortemente condicionada pela forma como conseguir romper o cerco dos sindicatos, falando directamente para os professores. Que ninguém tenha dúvidas, a política educativa concretiza-se através das escolas e dos professores e, sem estes, como já se viu, o destino é o desastre.
Ora, se os sindicatos são imprescindíveis e os parceiros negociais de eleição, os professores, como classe, estão muito para além dos sindicatos e o peso destes será tanto maior quanto o ME se afirmar por estar contra os professores e não por os estimar como colaboradores indispensáveis.
Consideração expressa em medidas concretas é o que os docentes esperam da ministra. Se passar no teste, o resto vem por acréscimo.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Finalmente...
Demorou três décadas, mas acabou por acontecer. O Partido Socialista ganhou as eleições autárquicas no concelho de Leiria. Agora até parece que foi fácil, mas tratou-se de um processo lento, progressivo e que culminou num momento em que se reuniram um conjunto de circunstâncias favoráveis a uma viragem histórica.
Em termos de real politik o que importava era ganhar. Agora, dia a dia, passo a passo, é necessário trabalhar para não defraudar as expectativas. Empenho e humildade, capacidade de estabelecer pontes e criar sinergias entre a Câmara, as juntas e a população, uma nova forma de abordar a organização dos serviços camarários, é o que se espera e se exige.
Independentemente de outras considerações, era desejável esta mudança, o poder, longamente exercido, corrói e corrompe a dinâmica da acção política e, salvo raríssimas excepções, gera mais descontentamento do que adesões. Foi o que aconteceu à maioria PSD.
No futuro, há uma questão iniludível que tem a ver com a governabilidade da Câmara, uma vez que o PS não tem maioria absoluta.
Este quadro é agravado pelo facto de os vereadores do PSD não disporem da confiança política dos órgãos locais do partido. Sinceramente não vejo como podem, num quadro de derrota, os vereadores do PSD ter uma intervenção autónoma na Câmara, durante 4 anos, sem o apoio da respectiva Comissão Política.
É facto que o PS pode prescindir do seu contributo, matematicamente falando, mas do ponto de vista político é mau para todos que quase metade da vereação esteja ab initio partidariamente deslegitimada.
Mas tudo isto é menos importante do que celebrar a vitória histórica do PS e a esperança que se abre para a maioria dos eleitores que lhe deram o voto.
Parecendo um assunto interno, não é, porque está em causa a governabili
Em termos de real politik o que importava era ganhar. Agora, dia a dia, passo a passo, é necessário trabalhar para não defraudar as expectativas. Empenho e humildade, capacidade de estabelecer pontes e criar sinergias entre a Câmara, as juntas e a população, uma nova forma de abordar a organização dos serviços camarários, é o que se espera e se exige.
Independentemente de outras considerações, era desejável esta mudança, o poder, longamente exercido, corrói e corrompe a dinâmica da acção política e, salvo raríssimas excepções, gera mais descontentamento do que adesões. Foi o que aconteceu à maioria PSD.
No futuro, há uma questão iniludível que tem a ver com a governabilidade da Câmara, uma vez que o PS não tem maioria absoluta.
Este quadro é agravado pelo facto de os vereadores do PSD não disporem da confiança política dos órgãos locais do partido. Sinceramente não vejo como podem, num quadro de derrota, os vereadores do PSD ter uma intervenção autónoma na Câmara, durante 4 anos, sem o apoio da respectiva Comissão Política.
É facto que o PS pode prescindir do seu contributo, matematicamente falando, mas do ponto de vista político é mau para todos que quase metade da vereação esteja ab initio partidariamente deslegitimada.
Mas tudo isto é menos importante do que celebrar a vitória histórica do PS e a esperança que se abre para a maioria dos eleitores que lhe deram o voto.
Parecendo um assunto interno, não é, porque está em causa a governabili
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Assegurar a governabilidade do país
O PS ganhou, sem surpresa, as eleições, embora tenha perdido a maioria absoluta, como também se esperava. Agora trata-se de assegurar governabilidade do país. As hipóteses são várias - governar em minoria, fazendo acordos circunstanciais no Parlamento, consoante as matérias em jogo. Coligar-se com quem lhe assegure uma maioria estável.
Teoricamente, tratando-se de um partido que se posiciona à esquerda no espectro político, poderia fazê-lo com o BE e a CDU. Só que entre as três forças politicas há divergências irreconciliáveis e muito dificilmente seria possível assegurar qualquer base sólida de cooperação.
A aliança com o PSD daria lugar ao Boco Central, que muitos vêem como a suprema contradição do nosso sistema político. O "Centrão" sugere uma amálgama de interesses difusos e suspeitos e susceptível de criar uma opacidade nefasta na vida democrática.
Resta o CDS, que necessita de um palco credível para continuar a afirmar-se e deseja capitalizar o voto da direita e do centro-direita que habitualmente pende para o PSD.
Governar sozinho parece ser a solução natural, mas torna o mandato uma caixinha de surpresas e obriga a uma actividade permanente e desgastante de negociação. A viabilização de uma coligação pode permitir uma solução governativa estável e credível na base de um acordo realista de acção política para os próximos quatro anos, incluindo, como bónus, o apoio a um candidato presidencial do PS moderado e bem preparado como, por exemplo, António Guterres.
Entretanto há a batalha das autárquicas e é como se fosse necessário recolocar o contador a zeros para recomeçar o combate eleitoral. Até ao dia 11 de setembro a gobernabilidade futura do país vai ter de esperar, até porque destes resultados depende a consolidação de uma qualquer solução de gorverno.
Teoricamente, tratando-se de um partido que se posiciona à esquerda no espectro político, poderia fazê-lo com o BE e a CDU. Só que entre as três forças politicas há divergências irreconciliáveis e muito dificilmente seria possível assegurar qualquer base sólida de cooperação.
A aliança com o PSD daria lugar ao Boco Central, que muitos vêem como a suprema contradição do nosso sistema político. O "Centrão" sugere uma amálgama de interesses difusos e suspeitos e susceptível de criar uma opacidade nefasta na vida democrática.
Resta o CDS, que necessita de um palco credível para continuar a afirmar-se e deseja capitalizar o voto da direita e do centro-direita que habitualmente pende para o PSD.
Governar sozinho parece ser a solução natural, mas torna o mandato uma caixinha de surpresas e obriga a uma actividade permanente e desgastante de negociação. A viabilização de uma coligação pode permitir uma solução governativa estável e credível na base de um acordo realista de acção política para os próximos quatro anos, incluindo, como bónus, o apoio a um candidato presidencial do PS moderado e bem preparado como, por exemplo, António Guterres.
Entretanto há a batalha das autárquicas e é como se fosse necessário recolocar o contador a zeros para recomeçar o combate eleitoral. Até ao dia 11 de setembro a gobernabilidade futura do país vai ter de esperar, até porque destes resultados depende a consolidação de uma qualquer solução de gorverno.
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