segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Uma Nação em risco

Quando, em 1984, cheguei aos Estados Unidos para fazer estudos de mestrado, havia um texto de leitura obrigatória, A Nation at Risk: The Imperative For Educational Reform, lançado no ano anterior sob a forma de uma Carta Aberta ao Povo Americano, pela Comissão Nacional para a Excelência na Educação, onde se analisavam longamente as razões pelas quais a Nação Americana poderia soçobrar, caso não se adotassem medidas rápidas e consequentes em matéria de reforma educativa.
Lembrei-me do título e resolvi tomá-lo de empréstimo para este texto por me parecer que Portugal também está mergulhado numa crise tão profunda que, se não constitui uma ameaça à sobrevivência da Nação Portuguesa, configura um momento grave para o modelo de sociedade que temos sido nas últimas décadas e coloca em causa a nossa soberania.
A primeira questão que importa ver clarificada, sem sofismas nem partidarismos, é a da responsabilidade pelo ponto onde chegámos. Não que a culpa resolva problemas, apenas para que cada um assuma as suas responsabilidades.
A crise internacional pode muito, mas não explica tudo e alguém nos devia esclarecer as razões de o otimismo irrealista do passado recente ter dado lugar ao perigo eminente da intervenção externa para segurar uma dívida ameaçadora da nossa independência financeira.
Também valerá a pena tentar perceber as razões que justificam que estando o país à beira de um verdadeiro abismo, as forças mais relevantes da sociedade portuguesa, partidos políticos, associações patronais, sindicatos, entre outras, se continuem a digladiar num combate aparentemente sem tréguas ao invés de procurarem uma plataforma de entendimento, uma moratória na luta política, até o país recuperar a saúde económica e os portugueses a confiança no futuro.
Somos um barco no meio da tempestade, batido pelo mar impiedoso, com os motores seriamente danificados, o combustível a terminar, a água já a invadir o convés interior, os passageiros em pânico e, espanto dos espantos, a tripulação envolvida numa disputa sem quartel, sem perceber que o naufrágio está iminente e que, com ele, todos se afundarão.
Pouco me importa se a ou b aprova ou se abstém na votação do Orçamento do Estado, o que me preocupa é o que está para lá do formalismo do ato, é o sacrifício das gerações que na idade da reforma se confrontam com a perspetiva de uma Nação madrasta, dos jovens que olham para uma Pátria com um futuro sombrio, dos cidadãos carentes a quem o País parece incapaz de oferecer mais do que magros subsídios.
Não é pessimismo, apenas o realismo de quem olha desapaixonadamente para o mundo e vê o seu país desgovernado e o futuro ameaçado.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

LÍderes e lideranças em escolas portuguesas

Dêem uma olhadela e, se interessar, comprem pela internet ou nas livrarias.


http://www.fmleao.pt/publicacoes.php?id=0

Rei morto, rei posto

Este é o Telegrama 115 e com ele se fecha este ciclo (cerca de dois anos e meio) de textos curtos de 600 carateres em que o difícil é conseguir dizer em meia dúzia de palavras algo que interpele quem as lê.
Aproveito para agradecer a todos os que fizeram do Telegrama um espaço de encontro semanal e o estímulo que ao longo do tempo constituíram as reações de pessoas, muitas delas que eu nem sequer conhecia, que me abordaram para comentarem o que tinham lido.
Os responsáveis do Região desafiaram-me para acompanhar a nova fase do jornal. Exigência e ambição são, talvez, as duas marcas mais importantes do projeto. Se há coisa de que eu gosto, são desafios, arriscados, de preferência.
Voltaremos a encontrar-nos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O orçamento da discórdia

A guerra do Orçamento do Estado não passa de um braço de ferro partidário para satisfazer clientelas e preparar outras batalhas.
Sócrates finge não perceber que está em minoria e que lhe compete, muito mais do que à oposição, assegurar a viabilidade parlamentar das medidas que propõe. Dar a entender o contrário não é sério, não é mobilizador, não permite combater a crise com eficácia.
Ao eleger Passos Coelho como único parceiro de um tango improvável, o PM desvalorizou os restantes partidos e entregou-se nos braços de quem o quer derrubar. Agora bem pode gritar que vem aí a crise política, pois se vier, vai ser ele o principal responsável. Finalmente, o PR intervém, tarde.
José Manuel Silva

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O mito do Estado Social

Nos últimos dias o país mergulhou na vertigem da discussão sobre o Estado Social. A coisa coloca-se mais ou menos como ser do Benfica. Quem não é pelo Estado Social não é bom chefe de família.
Ora o Estado nunca é social e em Portugal a questão candente é saber como se financiam as despesas do Estado, não a qualidade social, liberal ou outro qualificativo qualquer do dito.
Em termos simples o que está em causa é saber como se paga a conta, quem a paga e que se recebe em troca. Educação, saúde e outras coisas providenciadas pelo Estado ao preço da chuva, porreiro. Há apenas um pequeno problema, alguém vai ter de pagar. E se não houver quem pague ou se o dinheiro não chegar? Viva o Estado Social.

domingo, 19 de setembro de 2010

Mais Europa, menos Portugal

A evolução da União Europeia far-se-á, inevitavelmente, à custa das soberanias nacionais. É um preço alto, mas não se vê alternativa.
Agora são os orçamentos nacionais que passam pelo crivo de Bruxelas antes de irem a votos aos respetivos parlamentos. Parece inaceitável, mas é razoável. Os desmandos orçamentais de uns são pagos pelos orçamentos dos outros. Logo, quem paga quer ter o direito de vetar irrealidades.
Por aqui o défice não para, os juros da dívida já estão quase nos 6%, Sócrates e Passos não se entendem, Cavaco tem a recandidatura, os sindicatos esticam a corda, os desempregados desesperam e o FMI espreita. Entretanto o país parece viver no melhor dos mundos. Um milagre, é o que é.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A casa dos horrores

Com a leitura das sentenças do caso Casa Pia, confirma-se que esta se transformou numa verdadeira Casa dos Horrores para alguns dos menores que acolhia e agora para os arguidos condenados.
No circo mediático em que o processo se transformou, é impossível perceber de que lado está a razão, tão díspares são as posições da acusação e da maioria dos arguidos, e a leitura das sentenças só veio agravar o sentimento de que algo não bate certo em todo este processo.
Mais uma vez a condenação primeira é para a Justiça, incapaz de em tempo útil e de forma transparente e insofismável separar o trigo do joio e dar-nos a todos o conforto de uma justiça célere e justa.

sábado, 4 de setembro de 2010

Os ciganos de Sarkozy

A manobra é clássica, a repressão sobre minorias, sobretudo ciganos e outros não aculturados, gera simpatias e rende votos. Os medos ancestrais vêm sempre ao de cima e um bode expiatório é o melhor catalisador dos descontentamentos sem solução.
Dito isto, é necessário ultrapassar o politicamente correto e questionar se alguma sociedade se pode dar ao luxo de assistir passivamente ao assalto dos seus fundamentos e modo de vida por grupos de “bárbaros”, sem o perigo de se deixar implodir.
Os ciganos expulsos de França são apenas a ponta de um iceberg, de um confronto permanente entre liberdade de circulação, coesão social, inclusão cultural, direitos das minorias que, ocasionalmente, degenera em explosão.

Claro-escuro

A política é muitas vezes um jogo de sombras e quase sempre aquilo que parece, não é. Para os que estão fora da atividade política corrente a dificuldade em compreender o que dizem e fazem os políticos, chega a ser quase total.
Todos os dias os políticos falam da crise em que o país vive mas, na prática, não parecem comportar-se de forma a minorar o problema. O quotidiano é feito de golpes e contragolpes mediáticos, quando o que era necessário era entendimento e cooperação.
Como vendedores de sonhos, o que lhes parece interessar é convencer o eleitorado da mais-valia do seu produto, não encontrar um rumo que sirva à maioria. O país não é um quadro a preto e branco, o país são as pessoas, que têm direito a um futuro decente.

domingo, 22 de agosto de 2010

Mudança de layout

Como tudo é feito de mudança...adoptamos um novo layout para refrescar a imagem do blogue.

As histórias exemplares de Josefa e Laura

Josefa era portuguesa, estudante universitária, empregada de supermercado e bombeira. Laura é holandesa, tem 14 anos e vai dar a volta ao mundo, sozinha, num veleiro.
Não se conheciam e apenas o facto de a primeira ter morrido carbonizada, quando combatia um fogo, no momento em que a segunda chegava a Portugal para iniciar a sua aventura, justifica que se encontrem neste texto.
Os seus mundos são muito diferentes, mas as suas histórias de vida, cada uma à sua maneira, são exemplos de tenacidade e determinação. Josefa, estudava, trabalhava e servia os outros. Laura aventura-se a desafiar o destino e, quase menina ainda, arrisca-se num empreendimento que exige conhecimento e experiência. A glória fácil não passa de uma ilusão.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Natureza enfurecida

A explosão da plataforma petrolífera da BP, os incêndios na Rússia e as cheias no Paquistão são catástrofes cuja dimensão impressiona pelas suas consequências imediatas e pelos prováveis impactos negativos a médio e longo prazo.
Embora diferentes nas suas causas, a primeira decorrente de falhas do sistema de controlo, as outras duas de circunstâncias naturais, as suas consequências são similares no sentido de se transformarem em agressões profundas ao equilíbrio ambiental e afetarem gravemente as condições de vida de milhões de pessoas.
Resta a esperança que sirvam como oportunidades para sublinhar a necessidade de maior respeito pela natureza e para reforçar as medidas que se impõem na sua defesa.

Este país que nós temos

Eu sei que é tempo de férias, mas o país não para. O Governo não conseguiu ainda aplicar portagens nas SCUT, porque o PSD não permitiu, mas o agravamento das condições dos apoios sociais, que vão tornar ainda mais difícil a vida aos cidadãos mais desfavorecidos, entraram pontualmente em vigor no dia 1.
O processo Freeport parecia ter terminado. Eis senão quando se soube que ficaram por fazer 27 perguntas ao PM, por falta de tempo. A sentença do processo Casa Pia foi mais uma vez adiada e um dos arguidos defende-se num blogue dos crimes que lhe imputam no tribunal.
A Ministra da Educação veio defender o fim dos chumbos e um clamor de protestos saudou a medida, sem que se cuidasse de averiguar os fundamentos da proposta. É este o país que temos. Nem as férias…para esquecer.

Escolas de nova geração

As escolas secundárias requalificadas começam a mostrar-se em toda a sua nova dimensão. As opções e o montante dos investimentos são objeto de controvérsia, mas é indiscutível que se está perante escolas de nova geração, onde ensinar e aprender requer outros espaços, outra qualidade estética, outros equipamentos, novas formas de interagir com os espaços e até de relacionamento entre os atores que os usufruem.
As velhas/novas escolas ficam ao nível do que de melhor existe no mundo, e se os espaços não são tudo, são um grande contributo para a melhoria do trabalho pedagógico que ali se pode/deve realizar e que os investigadores devem tomar como objeto de estudo.

As areias movediças

Guterres foi-se embora por causa do “pântano”, mas agora parece estarmos atolados em areias movediças. Quanto mais se esbraceja mais nos afundamos. É o Estado da Nação, exangue às mãos do desnorte político e da crise económica.
É certo que a legitimidade democrática não está em causa e que o Governo vai governando, mas a rédea curta da minoria não o deixa ir longe. O bloqueio é evidente e o cheiro da carniça aguça o apetite dos abutres.
A crise política paira sobre o país e a dúvida reside apenas em saber quem se decide a lançar o sprint final. Entretanto, o país continua a empobrecer e a maioria dos portugueses a desesperarem.

Ainda e sempre o Centro Histórico de Leiria

Castro fez uma incursão noturna ao centro histórico guiado por alguns moradores. Nada de novo, queixas antigas. Os executivos passam e o cancro continua.
A preservação dos centros históricos é um assunto clássico, as experiências são múltiplas, boas e más, mas o essencial está adquirido, os problemas equacionados, as soluções diversas. Então o que tem faltado? Vontade política, liderança e capacidade de realização.
Quando uma área da cidade está a desagregar-se há que tomar medidas urgentes e drásticas. A recuperação do CH exige uma ação concertada e multidisciplinar, um modelo de financiamento arrojado e mão firme na concretização das medidas que a viabilizem. Será desta?

Nota: A grafia deste texto está em conformidade com o novo acordo ortográfico.

Perguntem ao Queirós!

Foi com esta frase assassina que o CR respondeu quando o interrogaram sobre a derrota da Selecção Portuguesa. E fez bem. O mister que explique, que é para isso que lhe pagam um vencimento que não justifica.
Faltaram-nos argumentos para ganharmos à Espanha. E por que é que havia de ser diferente? É verdade que a sorte protege os audazes, quando há audácia. De resto, a nossa pequenez não é só de mercado, é de escala e a todos os níveis.
Queirós não se demite, e faz bem, espera que o demitam, é muito mais lucrativo. De certeza que a frase do sargentão não lhe sai da cabeça, “E o burro sou eu?”.

A demagogia ao serviço da bancarrota

Copio do dicionário; “A demagogia traduz-se num discurso ou acção que visa manipular as paixões e os sentimentos do eleitorado para a conquista fácil do poder político”.
Todos os dias a política se enfeita de demagogia. O país está de rastos, quase à beira de uma catástrofe financeira, mas alguns dos nossos líderes políticos preferem os jogos florentinos de política pura, em vez de se preocuparem com os verdadeiros interesses do país.
O que se tem passado com as portagens nas SCUT e com o já famoso chip, que as permite cobrar de forma simples e barata, é o último exemplo de como a demagogia não conhece limites e se está nas tintas para as dificuldades do país.

A capela das Chãs

Para quem descrê em milagres, aqui está mais um, bem presente, vivo e mobilizador. Enquanto o camartelo ameaça a capela, eis que vozes se levantam e um movimento se constitui para a salvar. É povo contra povo; o povo que fez a igreja e o povo que quer a capela, o povo que pagou e o povo que quer ter uma palavra a dizer.
Todos têm razão e ninguém se entende. A destruição de património é sempre lamentável, mas a capela não está classificada e quando se licenciou a construção da igreja já se sabia o destino previsível daquela.
A causa é nobre, mobilizadora, mediática e politicamente danosa, mas a decisão é simples – cumpra-se a lei.

A galáxia do futebol

Por estes dias, entre os Santos Populares e o Campeonato do Mundo de Futebol, o país tenta esquecer a crise, o desemprego, o aumento de impostos, as ameaças de recurso ao FMI, enfim, tudo aquilo que transformou em pesadelo o que já não era um sonho cor-de-rosa.
A vuvuzela é o melhor símbolo de um tempo em que importa mais o ruído do que o silêncio, as emoções mais do que a razão, o prazer do efémero mais do que a conquista do futuro.
Os craques da bola e a indústria do futebol abrem o parêntesis possível nestes dias de chumbo, Ronaldo subiu ao Olimpo ao contracenar com Mr. Simpson e os portugueses sonham em Inglês com uma vitória que resgate a bandeira esquecida e o tesouro arruinado.

Às vezes os erros pagam-se

Os gestores de topo da Toyota devolveram uma percentagem das remunerações recebidas em 2009 por a empresa não ter atingido os objectivos previstos.
A ideia parece simples e justa mas, infelizmente, muito pouco praticada. A regra é despedir os trabalhadores quando os gestores incompetentes deixam afundar as empresas e, incapazes de se auto responsabilizarem, descarregam o peso da sua ineficiência sobre o elo mais fraco.
A prática da Toyota pode não passar de um gesto simbólico, mas não deixa de ser uma séria chamada de atenção para quantos se esquecem que a ética da responsabilidade deve estar na primeira linha de preocupações de qualquer gestor ou dirigente. Pode ser que o exemplo vingue.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

As primárias de Alegre

Manuel Alegre não merecia isto. O PS escolhe-o, aparentemente, porque não encontrou melhor. Estes momentos costumam ser de exaltação, mas neste caso a escolha parece ser uma espécie de óleo de fígado de bacalhau, sabe mal mas faz bem.
Não compreendo a estratégia seguida, como aliás não consigo perceber muitas outras coisas que se passam no PS e no Governo, mas com estes em derrapagem ou Alegre seduz o centro ou vai ser mau de se ver.
Alegre é uma referência, uma voz da liberdade, um poeta maior da língua portuguesa, um político experimentado, um cidadão que não se deixa encabrestar. Pode não se gostar dele, mas é candidato por direito próprio e as primárias já ninguém lhas ganha.

domingo, 30 de maio de 2010

Emagrecer o Estado

Já aqui escrevi sobre o “Estado Mínimo” e o perigo de reduzir os serviços públicos a níveis de insuficiência inaceitáveis. Mas é um facto que existe um défice de eficiência e de eficácia em muitos deles, sobretudo por razões organizacionais.
O problema é, sobretudo, estrutural e decorre da forma como se legisla ou se regulamenta, muitas vezes sem sentido das realidades e sem qualquer avaliação dos impactos financeiros das decisões.
Apesar dos “simplexes”, a verdade é que a Administração Pública é excessivamente burocrática, a gestão cada vez mais complexa, o funcionamento sujeito a mais entropia. Emagrecer o Estado é, sobretudo, um combate sem tréguas à irracionalidade organizacional.

domingo, 23 de maio de 2010

Um país a fingir

Portugal finge que é um país independente, mas é Bruxelas quem manda aqui. Ainda bem, não fosse assim e em vez do cinto agora, ainda nos apertavam o pescoço mais tarde.
O Governo fingia que tinha um rumo para o país, mas afinal ficámos a saber que ou se enganou ou nos enganou a todos. A nova liderança do PSD fingia que era alternativa ao Governo, mas já acabou a pedir desculpa por ter que dar o dito por não dito.
Os portugueses fingem que acreditam nos governantes, nas oposições, nos políticos em geral, na redução do défice, no crescimento da economia, num futuro risonho para o país. Fernando Pessoa diria que somos uns fingidores, tal como o poeta “que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente”.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A serpente e o pirilampo

Era uma vez uma serpente e um pirilampo que viviam numa floresta longínqua. Um dia a serpente começou a perseguir o pirilampo. Este percebeu que a serpente o queria devorar e fugiu enquanto pôde.
Ao fim de três dias, cansado e já sem esperança de se salvar, parou e pediu à serpente que lhe concedesse a graça de lhe deixar fazer três perguntas. Magnânima, esta acedeu.
Então o pirilampo perguntou-lhe: “Faço parte da tua cadeia alimentar?”. “Não”, respondeu a serpente. “Mas vais comer-me?” “Claro!”. “Porquê?”, insistiu o pirilampo. “Porque o teu brilho me incomoda!”, respondeu-lhe a serpente. Moral da história, cuidado com as serpentes, mesmo que não seja um pirilampo.

União Nacional

Eu sei que esta expressão evoca outros tempos, mas há momentos na vida dos povos em que velhas palavras devem ganhar novos sentidos. A crise com que o país se debate, meio importada, meio provocada por delírios internos, teria uma resposta muito mais consistente se o país político se unisse ao resto do país numa verdadeira união nacional de vontades, de expectativas, de práticas e de resultados.
Entendamo-nos! Dirão muitos, num mínimo denominador comum, capaz de fazer o país tomar fôlego para se lançar na recuperação e evitar o sufoco do permanente “credo na boca” em que vivemos.
Se não formos nós a fazer o que tem de ser feito, alguém o fará por nós, e será sempre pior.

Reinventar o futuro

As agências internacionais insistem em dar má classificação à economia portuguesa, alguns não desistem de nos acenar com o fantasma da bancarrota, a bolsa dá trambolhões históricos, as condições de vida dos portugueses agravam-se, os conflitos sociais crescem em flecha e o sector dos transportes ameaça paralisar o país.
Vivemos sobre um barril de pólvora pronto a explodir, só falta saber quem acende o rastilho ou se o bom senso e a capacidade de colocar os interesses colectivos do país acima dos interesses particulares e de classe se conseguem sobrepor à inconsciência do quanto pior melhor.
“As portas que Abril abriu” parecem fechar-se cada vez mais. É tempo de reinventar o futuro.

Poeira vulcânica

A erupção de um vulcão na Islândia lançou o caos na navegação aérea europeia e nas contas de inúmeras empresas e cidadãos, acentuando a fragilidade da modernidade face ao poder ancestral da natureza.
Fechado o espaço aéreo, em nome da segurança, questiona-se a necessidade e a responsabilidade pelos prejuízos decorrentes. É que uma companhia aérea testou, com aviões vazios, e concluiu não ter encontrado quaisquer danos para os motores nem perigo para os passageiros.
É mais uma medida drástica, cuja necessidade é posta em causa, sem que ninguém seja responsabilizado e sem que os prejudicados sejam ressarcidos. Mas, e se o espaço aéreo se mantivesse aberto e um avião caísse?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Professores em risco

Um centro de investigação inglês acaba de publicar um relatório preocupante sobre a saúde dos professores; sofrem de depressão, taquicardia e distúrbios alimentares e apresentam forte tendência para o suicídio.
As causas são, sobretudo, o excesso de trabalho e o mau comportamento dos alunos. A situação é agravada pelo facto de os professores em risco “não terem apoio das direcções das escolas, dos seus coordenadores e do sistema como um todo.”
Um líder sindical defende que “se os professores necessitarem de usar a força para salvaguardar a segurança, devem fazê-lo”. É certo que falamos de Inglaterra. E por cá, é muito diferente?

A falácia do Estado Mínimo

Cavaco Silva chamou-lhe o “monstro”, alguns querem-no mínimo, mas os portugueses apreciam o seu manto protector.
É que a imagem tradicional do Estado – uma miríade de funcionários públicos incompetentes e improdutivos – não passa de um embuste. O Estado é o conjunto dos serviços sem os quais os portugueses não poderiam viver, da saúde à educação, da justiça à segurança, do ambiente à economia, das obras públicas ao desporto.
O Estado Mínimo corresponde à degradação dos serviços públicos, não a maior racionalidade. Que é preciso ganhar eficiência e melhor capacidade de gestão, é um facto. Mas a qualidade não se compagina com a demagogia minimalista.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O beco português

Sou de uma geração que cresceu a acreditar na mudança política e social, na construção de um mundo melhor. Então as escolhas eram claras - Estado Novo versus democracia. E como nos embebedámos de liberdade.
Hoje não há escolha, ou o PEC ou a bancarrota. Pela enésima vez, os portugueses vivem à beira do abismo financeiro mas, tal como na história do lobo, ninguém acredita que seja verdade. O consumismo, para os que ainda podem, é a sublimação da frustração. Hoje posso gastar, amanhã logo se vê!
A deriva gestionária alastra como uma mancha de óleo. O primado da política deu lugar à contabilidade, necessária, mas insuficiente. O futuro é previsível, tanto quanto para um fugitivo que se mete por um beco.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Primeiro-ministro mentiu

A afirmação não é minha, é apenas o eco do que corre pelo país político e transborda crescentemente para o país real. Não sei se mentiu, mas sei que a acusação é gravíssima e a prudência e a decência aconselham um pouco mais de moderação na linguagem.
O mesmo Primeiro-ministro fez esta semana um périplo relâmpago pelos países do Magreb, procurando reforçar os nossos interesses económicos na região. O líder líbio, Muammar Khadafi, fê-lo esperar um par de horas antes de o receber; indignei-me. Quem estava à porta não era José Sócrates, era Portugal.
É aqui que está o busílis da questão, criticar o PM é legítimo, desrespeitá-lo é como perdermos o respeito por nós próprios.

domingo, 21 de março de 2010

Escolas assassinas

Em Mirandela um aluno lança-se ao rio, alegadamente farto dos maus tratos que alguns colegas lhe infligiam. Em Sintra um professor faz o mesmo, justificando o seu acto desesperado por não aguentar mais as humilhações a que os alunos o sujeitavam.
É certo que as situações não são generalizáveis, que o suicídio é um fenómeno complexo, que cada aluno e cada professor é uma personalidade singular e que cada escola é um microcosmo único.
Mas as escolas têm de ser sopros de vida, não antecâmaras de mortes evitáveis. Em ambos os casos nada nem ninguém foi capaz de antecipar o desfecho trágico, muito menos fazer algo para o evitar, e isto é que é incompreensível e inaceitável.

Como um barco sem rumo

Imagine um navio numa tormenta, com um rombo no casco, o leme danificado e a água a entrar na casa das máquinas. Em pânico, os passageiros esperam do comandante decisões firmes e sábias.
Eis senão quando este informa esperar-se que alguém possa vir em socorro do barco, comprá-lo, afundá-lo, ou mesmo transformá-lo; mas nada é certo. Os passageiros esperavam acção, não que caísse do Céu uma solução.
Não sei o que aconteceu ao barco, mas lembra-me o estádio de Leiria. Entre vendas, implosões e transformismos, a conta continua a aumentar e verdadeiras soluções…nenhuma. Num barco, para chegar a bom porto, é preciso ter um rumo definido e um piloto capaz de cumprir a rota.

A culpa não resolve problemas

Atribuir responsabilidades é um acto de gestão indispensável; exigir responsabilidades é um direito de cidadania de todos nós.
No entanto, muitas vezes perde-se de vista o essencial, avaliar os erros para os corrigir, optando-se por transformar alguém em bode expiatório de algo que correu menos bem, como se encontrar o culpado fosse mais importante do que resolver os problemas.
A propósito da tragédia na Madeira, algumas vozes se levantaram contra o Governo Regional, culpando-o por algum desordenamento urbanístico. Mas será possível calcular as culpas dos homens face às da natureza enfurecida? O importante é reconstruir, não utilizar o drama para ajustes de contas.

terça-feira, 9 de março de 2010

Querido Magalhães

Devo começar por fazer uma declaração de interesse. Ninguém me pagou para dizer o que vem a seguir. É verdade que não fui fotografado a tomar o pequeno almoço com o Primeiro Ministro e, que me lembre, só jantei com ele uma vez numa tasca da Boavista, leitão claro, quando ele fazia a travessia do deserto entre o guterrismo e o socratismo.

Dito isto, quero elogiar o Magalhães, o computador mais vilipendiado em Portugal desde que eles existem. Estava eu a preparar-me para viajar para o exterior, se dissesse estrangeiro pensavam logo que ia de férias, quando me lembrei de experimentar o do meu filho mais novo. É maneirinho, pesa pouco e a acreditar no que dizem em Portugal ninguém o quer roubar.
Pois a verdade é que serve na perfeição para gerir o correio e escrever o que é preciso. Mantém-nos em contacto e dá para trabalhar. Que mais poderia querer? É certo que é num bocadinho lento, mas há coisas que até convém que não sejam muito rápidas para podermos pensar melhor.
Aqui fica a minha homenagem ao pequeno Magalhães.
Depois de tanta maledicência é tempo de começarmos a dar valor a um dos programas que, no estrangeiro, gera a admiração de quem sabe das coisas da educação.

Entretanto, minder jót!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Revitalizar o centro da cidade

Dar nova vida ao centro da cidade (Leiria) é um desejo antigo, que agora se torna ainda mais premente com a ameaça de maior desertificação decorrente da abertura do Shopping Leiria.
No âmbito de uma intervenção global, a Câmara acaba de dar parecer prévio favorável ao projecto de uma superfície comercial a construir no edifício do terminal rodoviário.
Regista-se a abertura ao investimento, a celeridade da decisão, a defesa do centro da cidade como zona comercial de primeira importância e o condicionamento do projecto a estudos complementares da mais diversa natureza, que acautelem o interesse público e a qualidade da solução urbanística. Há dúvidas? Vamos ao debate público.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A ética do Serviço Público

Os acontecimentos das últimas semanas, independentemente dos juízos que cada um possa fazer sobre os mesmos, deixaram claro a teia de interesses que rodeiam todos os que se movimentam na órbita do Poder.
As revelações vindas a público mais não fazem do que confirmar a existência de grupos, institucionalmente dominantes, que se servem do Estado e que o usam em seu proveito, servindo-se do voto e da boa-fé dos cidadãos para legitimar um poder iníquo e imoral.
É, pois, urgente e indispensável, observar a ética do Serviço Público como primeira condição para se exercerem cargos de Estado, com sentido de serviço à comunidade e não em benefício próprio.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Gestión y Liderazgo Escolar

Uno de los temas más sensibles en la discusión sobre la calidad de la educación ha sido en los últimos años, el relacionado con las políticas y estrategias orientadas a la formación de los directivos de los centros educativos, como aspecto fundamental para favorecer la innovación en la gestión escolar. Las reformas educativas de las últimas décadas promovieron el cambio de la centralización a la autonomía, lo cual implicó para los directivos nuevas responsabilidades y complejas demandas en el manejo administrativo-financiero de los recursos asignados, la gestión con las comunidades, los resultados en el aprendizaje de los estudiantes y la toma de decisiones colegiada. Implicaba responder, tanto a las exigencias externas relacionadas con la normatividad educativa, como a los requerimientos internos de los docentes, los estudiantes y los padres de familia, y ello requería de los directivos conocimientos y preparación.
A la vista de lo anterior, diferentes programas de formación se desarrollan en los países con diversas orientaciones y uso de estrategias, con mayor o menor cobertura, unos muy locales, otros más amplios, algunos promovidos desde las autoridades educativas nacionales, tendientes a ampliar los conocimientos de los directivos en el campo de la gestión escolar, pero con dificultades para manejar una tensión que se genera entre las teorías administrativas, que pueden orientar la gestión y que llevan a veces a considerar la institución como una empresa, y lo pedagógico que debe mirar la complejidad de los procesos educativos.
Pero también en la región, el COLAM y otras organizaciones como la OEI y el CAB, promueven la realización de experiencias compartidas, orientadas al liderazgo pedagógico y el perfeccionamiento en la gestión educativa, que pretenden integrar las lecciones aprendidas en los países e involucrar a las Universidades e Instituciones formadoras de docentes.
La diversidad de nuestros países y la riqueza de sus experiencias educativas, muestran la necesidad de compartir los desarrollos de las universidades en relación con la formación de directivos docentes, lo cual favorece la creación de redes, que propician la integración entre las instituciones y conforman un ámbito de discusión e intercambio, en lo relacionado con la formulación de políticas y estrategias orientadas a favorecer la innovación en la gestión escolar.
Analizar los problemas propios de la gestión escolar, con el objeto de generar un debate continuado entre las comunidades universitarias interesadas en fortalecer la relación Universidad-Escuela y construir de manera conjunta una propuesta de formación de directivos de centros educativos, fue uno de los propósitos de un proyecto desarrollado con los países del Convenio Andrés Bello – CAB- durante 2 años. Se trataba de conocer y valorar las propuestas que se desarrollan en los diferentes países y favorecer la comprensión del valor que tiene la integración para la construcción colectiva desde el reconocimiento de la diferencia y la singularidad de nuestros contextos sociales y educativos.[1]
En esta perspectiva, la gestión educativa se concibe como un proceso que se orienta al fortalecimiento de los Proyectos Educativos de las Instituciones, que sostiene la autonomía institucional en el marco de las políticas públicas y enriquece los procesos pedagógicos con el fin de responder a las necesidades educativas locales, regionales y mundiales. Desde lo pedagógico, promueve el aprendizaje de los estudiantes, los docentes y la comunidad educativa en su conjunto. Reconoce la complejidad del contexto interno y externo, la diversidad, la interculturalidad y la incertidumbre. Por ello, se preocupa por mantener un liderazgo con visión educativa dentro de la institución y con las comunidades externas a ella; explora el trabajo en equipo y procura la construcción permanente del proyecto educativo de manera conjunta y compartida con la comunidad.
Algo más hay que añadir con respecto a las competencias del directivo docente. Estas le permitirán actuar y responder a los retos, en ellas integra pensamiento y acción, actitudes y valores: el liderazgo pedagógico transformador; el desarrollo y evaluación permanente del currículo; la interacción con el medio externo y la generación de un clima de convivencia interno, la gestión de recursos, el uso de TIC, la reflexión y la investigación.
Un aspecto que vale la pena mencionar es el enfoque pedagógico de los programas de formación, con el fin de mejorar la calidad y pertinencia de los aprendizajes de los estudiantes, favorecer la integración teoría-práctica, propiciar la reflexión crítica, reconocer al directivo docente como productor de saber pedagógico y estudiar la gestión desde tres ejes que son fundamentales: lo académico, lo administrativo y la comunidad.
Tal vez el dominio de la gestión escolar corresponda a un saber, a una práctica compleja y diferente para cada institución. Pero es a nosotros, organizaciones y universidades de los países, que nos corresponde fortalecer la construcción de comunidades de saber desde la gestión escolar, estimular procesos de reflexión crítica sobre las prácticas de gestión y dirección, favorecer su problematización y contraste con elementos teóricos y propiciar la construcción de alternativas innovadoras para el mejoramiento continuo de la calidad de la educación.
“Ser Directivo hoy día de una escuela y hacer Gestión, es hacer escuela en función de un horizonte de mejoramiento continuo, integrando teoría y el conocimiento que proviene de la propia practica, es unir ética con eficacia y mantener vivo el propósito moral de generar aprendizajes para todos”[2]


[1] Convenio Andrés Bello. “Documento Visión Compartida”. Programa de Formación de Educadores y Otros Actores Sociales. Foro Formación de Directivos de Centros Educativos, Bogotá, 2008
[2] Pozner, P. “El Directivo docente: Líder de la gestión educativa”. Conferencia Foro Nacional de Gestión Educativa, Bogotá, Octubre 2007.

Fonte: http://www.oui-iohe.org/webcolam/index.php?option=com_content&view=article&id=150%3Agestion-y-liderazgo-escolar&catid=5%3Atemas-de-interes&lang=es

domingo, 14 de fevereiro de 2010

El liderazgo docente en la construcción de la cultura escolar de calidad. Un desafío de orden superior

Mario Uribe
Chileno. Académico, miembro programa educaciónárea Gestión Escolar de Calidad, Fundación Chile.
Contexto
La Reforma Educacional emprendida en la mayoría de los países de América Latina desde principio de los años noventa se constituyó como una de las prioridades de la agenda política de los países que se comprometieron con ella. Mejorar la equidad y proveer una educación sensible a las diferencias que discrimine en favor de los más pobres y vulnerables; mejorar la calidad de la enseñanza, aumentar las exigencias yfocalizar la atención en los resultados del aprendizaje; profesionalizar el trabajo docente; descentralizar y reorganizar la gestión educativa y ofrecer más autonomía a las escuelas; fortalecer la institución escolar para ofrecer mejor capacidad de operación y mayor responsabilidad por sus resultados, fueron las líneas fundamentales que con distinto énfasis pusieron en marcha los gobiernos de la región.Dos ejes de esta reforma interesa destacar: aquel relacionado a los temas de dirección de instituciones educacionales y los que abordan cuestiones de perfeccionamiento docente.El primero ha implicado desarrollar líneas de trabajo relacionadas al fortalecimiento de las capacidades de gestión y evaluación de resultados. El segundo fomenta el desarrollo profesional de los docentes y las políticas de incentivos. También en estos años se han incorporado al vocabulario habitual de los directivos conceptos como el de rendición de cuentas (accountability) y liderazgo directivo.Estando a más de una década del inicio de la reforma, sabemos que su implementación no fue homogénea y sus resultados han sido muy distintos en cada país. Entre los factores relevantes a considerar en un primer análisis comparado está el nivel de compromiso de los gobiernos, las situaciones de estabilidad políticoinstitucional o bien el nivel de involucramiento de los actores (stakeholders) 2; entre ellos, uno de estratégica importancia para el éxito de cualquier reforma: los maestros. Su participación en las definiciones fundamentales de la reforma en general ha sido marginal, de bajo impacto y reactiva en muchos casos, esto porque, en la mayoría de las experiencias, la reforma de los noventa se abordó desde una perspectiva más bien institucional, donde se modificaron aspectos relativos a la legislación, los contenidos y metodologías, el modelo de financiamiento, la gestión y administración de los sistemas educativos. La consecuencia de ello es que muchosde estos cambios no lograron modificar las prácticas tradicionales como se planificó y “siguieron obedeciendo a viejos modelos incorporados en la cultura y subjetividad de los docentes”.En este marco y reconociendo la disparidad de entornos que rodean a la escuela latinoamericana, el artículo presenta una selección de referencias bibliográficas fundamentales, que pretenden orientar en los conceptos claves a través de los cuales sea posible reconocer los aspectos o ámbitos que posibilitan el desarrollo del liderazgo de los docentes. Esto es, generar las condiciones para lograr un ambiente de trabajo que promueva una cultura de participación efectiva de los profesores para el logro y mejora de su propio quehacer y de los objetivos declarados en el proyecto educativo de la institución escolar.

Fonte:http://www.educared.pe/directivos/articulo/1110/el-liderazgo-docente-en-la-construccion-de-la-cultura-escolar-de-calidad-un-desafio-de-orden-superior/

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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Um país à escuta

Novas revelações, obtidas em escutas telefónicas, voltaram a pôr em causa a seriedade de algumas personalidades dos círculos do poder.
As escutas foram declaradas ilegais, mas quem se importa? A Justiça deixa-se violar e a comunicação social substitui-a no julgamento popular. Os visados podem não ser incriminados, mas nada anula o que supostamente disseram e a imagem, negativa, que fica.
As escutas divulgadas puseram a descoberto coisas que nada consegue apagar. Para a Justiça, os cidadãos em causa podem ser impolutos, para a Opinião Pública já foram condenados. Para o PM é mais uma estação da Via Sacra.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Educational Leadership Qualities

Leadership is about character, integrity and courage more than being the smartest, strongest or the best at something. The foundation of a leader is integrity and must be displayed. The dictionary states integrity as; soundness of moral character; honesty. Simply put integrity means true to your word, owning up to your mistakes, not making excuses and taking responsibility for your actions. Courage is doing the right thing, for the right reasons even when no one is around. The ability to act is truly courage, action is how you are courageous to go against all the odds when you know something is right.
Do what you say. The saying, lead by example, are the actions of a leader. Think of someone you have personally known who you thought was a good leader, but it turned out they were not. They were saying all the right things and you probably believed them, but their actions did not reflect what they were saying. These are the actions of a leader who have their own agendas and do not possess the courage to do what is right for their people.
Leaders never give up on something, once they have chosen their dream. Many leaders have failed countless times, that is how they have learned. If you try to avoid failure, you will also be avoiding action. The ability to persevere and never give up is how you become a leader.
Integrity, lead by example and perseverance these are the qualities of a great leader. The greatest leaders are also compassionate towards others, but are not easily influenced. I will now leave you with a quote that shows the power that a single leader can produce. "I am not afraid of an army of lions led by a sheep; I am afraid of an army of sheep led by a lion"... Alexander the great.

Fonte: http://www.articlesbase.com/self-improvement-articles/educational-leadership-qualities-3-simple-steps-for-achievement-1831933.html

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Cómo se aprende a ser un buen director de escuela

El sistema educativo mexicano se ha transformado en sistema complejo y muchas veces complicado. La complejidad tiene relación con los dramáticos cambios de la sociedad mexicana en los últimos 100 años. Sin embargo, las escuelas parecen seguir atrapadas en las primeras décadas del siglo XX. Todavía persiste la idea de que la simple experiencia es suficiente para organizar y hacer funcionar a las escuelas que poseen un gran número de docentes y de alumnos. La OCDE considera que es necesario revisar el lento procedimiento para nombrar a los directores escolares y demandan un proceso que evalue sus competencias profesionales y no solamente su antiguedad:Los más de 200 mil directores de preescolar, primaria y secundaria de México no tienen la capacidad para desempeñar ese cargo debido a que no cuentan con la formación para liderar una escuela. Por lo general, quienes han llegado al puesto de director de un plantel, dejaron de dar clases y no recibieron ninguna capacitación para el nuevo cargo, por lo que muchos desconocen el reto que implica dirigir un plantel educativo. Así lo señala Beatriz Pont, directora del proyecto Mejorando el Liderazgo Escolar, de la Dirección de Educación de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico (OCDE). Pont explica que en las escuelas de México el director no ha logrado ser un líder, porque la formación que recibe para ese cargo es insuficiente y porque no llega ahí mediante un examen de asignación. En México, como en otros países de la OCDE, los directores escolares aprenden en la práctica muchas tareas que no saben cómo resolver; esto ocasiona que se conviertan en administradores en vez de un líder escolar que busca mejorar el desempeño de sus maestros y el aprovechamiento de los estudiantes. “Al director se le transfieren problemas con los maestros, los papás, los alumnos y es una tarea compleja para la que no fue preparado”, expone la especialista en políticas educativa del organismo internacional.

Fonte: http://educacioncafe.blogspot.com/

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

À mesa do orçamento

Em tempo de discussão do orçamento do Estado, tudo parece ficar mais negro.
Com um défice excessivo, o desemprego a aumentar e a economia a patinar, pouco mais resta do que a fé para acreditar num Portugal melhor.
E se o orçamento é importante. Mais de seis milhões de portugueses sobrevivem à sua custa, todos quantos asseguram o funcionamento do Estado, os pensionistas e reformados, os beneficiários do RSI e outros, que também vão petiscando.
Este talvez seja o maior problema estrutural do país, um Estado demasiado forte e uma sociedade civil tão débil que não vive sem o apoio daquele. Um verdadeiro ciclo vicioso a que a mesa do orçamento já não consegue matar a fome.

Ganhar prà bucha

Sábado passado, Mercado de Levante. Entusiasmado com os galináceos e deslumbrado com a hipótese de comprar tanta coisa barata, o meu filhote mais novo arrastou-me para a tenda dos CD e DVD. Pelo aspecto e pelo preço, devem ser contrafeitos, cópias piratas em saldo. ”Dois por cinco euros. É comprar, é comprar, minha gente!”.
O vendedor fita-me com ar cúmplice e eu esboço um sorriso de compreensão. “Então e se vem a polícia?, questiono. “Leva a mercadoria e ainda temos de pagar a multa”. “E arrisca?”, reponto. “Que se há-de fazer, é melhor do que andar a roubar e é preciso ganhar prà bucha!”.
Triste sina a destas pessoas, que têm família para cuidar, e encaram como um custo profissional viver fora da lei.

O Guido é bué fixe

Guido Westerwelle é vice-chanceler e Ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha e homossexual assumido. Numa recente deslocação oficial à China fez-se acompanhar do homem com quem partilha a vida, sem que o protocolo de Beijing tenha ficado com os olhos em bico.
Guido é um homem que se assume, é um tipo bué fixe, dirão os nossos adolescentes. Não são só os costumes e a moral que estão a mudar, a língua também, e muito; "Oi xtora!!! ta td ben knsg?”, grafia sms, é outro exemplo desta evolução.
Aos que se horrorizam com os sinais dos tempos não restam muitas alternativas. Haverá alguns excessos, mas o caminho não tem retorno.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A irresponsabilidade governativa

Os gestores são responsabilizados pelos seus actos e a responsabilização tem vários graus; no limite, chega ao património próprio. Com quem governa não pode ser diferente.
Depois de quatro anos de turbulência inaceitável, que deixaram as escolas às avessas e os professores na fossa, o Governo mete na gaveta tudo o que antes tinha considerado inegociável.
Quem se responsabiliza pelos prejuízos, entretanto, causados, às crianças, às famílias, aos professores, ao País? Quanto custou a irresponsabilidade anterior? Quanto vai custar o acordo obtido agora? Quem paga os impostos que financiam o desvario tem o direito de saber.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Portugal 3D

Com a revolução do 25 de Abril de 1974, Portugal confrontou-se com três desafios – democratização, descolonização e desenvolvimento. Volvidas 3 décadas, a política portuguesa contínua sob o signo do 3D, agora – desemprego, défice (contas públicas) e dívida (externa).
O desafio é claro, responder com soluções aos 3D, sob pena de o país continuar a patinar num ciclo de empobrecimento, que ninguém sabe onde poderá chegar, nem quais as consequências.
Para ultrapassar as dificuldades são necessárias soluções políticas, mas a dimensão do problema, não hipotecar o futuro do país, não pode ser deixado apenas aos políticos, é tarefa de todos.

domingo, 3 de janeiro de 2010

O bufo e o papagaio

Ahmed era um príncipe mouro de Granada (*), que foi educado longe do mundo, numa alta torre, para que nada aprendesse sobre o amor, pois daí podiam advir-lhe, segundo uma profecia, terríveis provações.
Acabou loucamente apaixonado por uma princesa que nunca vira e de quem nada sabia, em resultado de uma mensagem trazida por uma pomba. Fugiu da torre e ajudado por um bufo (ave) e por um papagaio acabou por encontrá-la.
A profecia não se concretizou, Ahmed herdou o reino de Granada e, reconhecido, nomeou o bufo primeiro-ministro e o papagaio mestre-de-cerimónias, constando que “nunca houve reino tão sabiamente administrado”.
Em 2010 o bufo e o papagaio de Ahmed vão fazer-nos muita falta.

* Referência a um dos “Contos do Alhambra” de Washington Irving (primeira publicação 1832)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

3 anos

Dia 22 de Dezembro de 2006, colocámos o primeiro post. Passaram três anos e muitas coisas aconteceram desde então. Com muitos ou poucos posts, consoante a disponibilidade e a inspiração de cada momento, tenho procurado cumprir o que me propuz, participar no debate global que as novas ferramentas permitem.
Este espaço tem sido, e continuará a ser, um ponto de vista livre numa conversa em que participa quem quer. E apenas isto.

Professores, os suspeitos do costume

Há um hábito, relativamente recente na educação portuguesa, a fazer escola - culpar os professores por tudo quanto de menos positivo acontece nas escolas.
Os alunos são desmotivados, a culpa é dos professores; têm maus resultados, a culpa é dos professores; comportam-se de forma incorrecta, a culpa é dos professores. E por aí fora...
Os professores têm as costas largas e todos aproveitam, até os "especialistas", que falam de cátedra, alguns dos quais sem nunca terem posto os pés numa sala de aula do básico ou do secundário.
Agora, alguns, descobriram que são os professores os culpados por não conseguirem "negociar" com os alunos a forma destes se comportarem nas aulas. Falta de formação, dizem.
Mas esperem lá, é aos alunos que compete acatar e cumprir as regras ou aos professores, quais negociadores policiais, convencerem-nos a não os insultar ou agredir?
Evidentemente que a conflitualidade está latente nas relações interpessoais, que não deixa de ser verdade que se pode aprender sempre mais a lidar com isso e a limitar, em vez de acirrar, episódios de mau comportamento, mas é fundamental que não se "tome a nuvem por Juno".
A mensagem indispensável que deve ser passada pela família, pela sociedade e pela escola, aos alunos, é a de que há regras para cumprir e penalidades para quem as infringir. Assumido este princípio, tudo o mais pode ser equacionado, mas colocar o ónus do mau comportamento dos alunos sobre os ombros dos professores é ignorância, demagogia ou má fé.

Renascer com o Natal

Comemorar o Natal tem múltiplos significados, tantos quantos cada um lhe quer dar. Da tradição religiosa à loucura consumista, há para todos os gostos, embora o sentido de festa de família permaneça como marca indelével.
Indiscutível é o facto de a celebração estar associada ao nascimento, ao mistério da vida, que a ciência descodifica, mas não explica.
A essência do Natal, que procede de muito antes do nascimento de Cristo, é isso mesmo, um hino à vida, uma expressão de louvor pelo nascimento de um novo ser, um momento de celebração colectiva pela renovação das gerações, sem a qual as comunidades estiolam e definham. Em cada Natal, é o futuro que renasce.

Participar é decidir

Desde há cerca de vinte anos que uma inovadora figura de gestão municipal se vem impondo como símbolo de uma nova relação entre eleitores e eleitos, refiro-me aos chamados orçamentos participativos.
No essencial, trata-se de chamar os munícipes à participação na elaboração dos orçamentos municipais, dando-lhe a possibilidade de sugerirem as formas de afectação de algumas verbas que mais estejam de acordo com os seus desejos.
Embora limitada a uma parte do orçamento, esta prática não deixa de constituir um acto de cidadania responsável e de abertura a formas de gestão mais participadas e que a internet potencia. Em Portugal cerca de 20 autarquias já aderiram à ideia, Lisboa incluída. Leiria bem pode seguir-lhes o exemplo.

Planeta em perigo

Pela primeira vez na história da Humanidade, como consequência da industrialização, está ameaçado o equilíbrio do próprio planeta Terra e as alterações climáticas afectam, crescentemente, o equilíbrio ecológico, com consequências imprevisíveis.
O que está em causa é o modelo de desenvolvimento pós-industrial e as suas nefastas sequelas, e a necessidade, imperiosa, de agir no sentido de encontrar novos formas de organização das sociedades, utilizando energias limpas e adoptando formas de produção não poluentes.
Portugal é, nesta matéria, um bom exemplo, e chega à cimeira de Copenhaga na linha da frente, graças à prioridade concedida à utilização das energias renováveis e ao compromisso com a utilização de uma nova geração de automóveis menos poluentes.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Grito de alerta

Ontem estive em Torres Novas a participar num debate organizado pela Associação CIVILIS e pela Escola Secundária Maria Lamas, a primeira escola onde leccionei. O tema era Escola/Estratégia e modelos educativos, e participaram também o ex-Ministro da Educação, David Justino e a ex-deputada do PCP, Luísa Mesquita.
Foi interessante, e durante o debate, um colega que estava na assistência, fez uma intervenção muito tocante sobre questões que se colocam quotidianamente nas escolas, nomeadamente as decorrentes de algum mau comportamento de certos alunos, tendo sintetizado muito bem a situação, ao afirmar: “Há indisciplina na escola porque não há condições para impor regras”.
Naturalmente, que nem todos estarão de acordo em colocar a questão assim, pois a indisciplina nas escolas é um fenómeno com raízes múltiplas e profundas, mas esta é uma forma acutilante e, a meu ver, legítima de olhar para o problema.
É um facto que se instalou uma surpreendente tolerância relativamente a situações de indisciplina e de incumprimento por parte de alunos, como se tudo fosse aceitável e não houvesse regras a cumprir, algumas delas universais, como seja o respeito pelo próximo.
Os professores acabam por ser o elo mais fraco e são eles que têm de lidar todos os dias com alunos que não os respeitam e, muitas vezes, os insultam, sem que sofram quaisquer consequências de vulto.
Na sequência da minha intervenção final, o colega, cujo nome não divulgo por razões óbvias, escreveu-me um e-mail que reproduzo, parcialmente, por me parecer útil partilhá-lo.

Caro Dr. José Manuel Silva,

… o que disse no final do debate da primeira conferência desta tarde corresponde ao que eu diria se tivesse tido necessidade de dizer. Apreciei a sua frontalidade e agradeço-lhe a solidariedade.

Os políticos «correctos» não suportam o discurso da manifestação da realidade das escolas. E, o que é mais grave, como tenho testemunhado e voltei a fazê-lo hoje, é que a grande maioria dos professores tem medo de contar o que vive e de dizer o que sente. Porque, se o faz, os políticos «correctos» reagem corporativamente e acusam-nos das coisas mais abjectas. Muitas vezes, incapazes de esconder o incómodo com as questões levantadas, nem sequer são delicados.

Entretanto, a Escola pública continua a degradar-se. Cada vez mais rapaziada, que não conhece regras nem quer fazer coisa nenhuma, vai tomando conta da Escola: domina o território, estabelece as suas próprias «normas», assume de facto o poder. Os alunos interessados não têm condições para aprender. Os professores mais novos, lamentando não ter mão nas turmas, saem das aulas a chorar. Os mais velhos, pelo seu lado, fazem contas aos euros e ao tempo que ainda lhes falta para a reforma antecipada e libertadora.

Um feriado sem significado

Escrevo no dia 1.º de Dezembro e apercebo-me de que o seu significado é largamente desconhecido pelos mais jovens. Para além da ignorância que fica patente, é inevitável pensar que parar um país quando muitos dos seus habitantes desconhecem a razão, dá que pensar.
É claro que a restauração da independência, pode aparecer hoje como um facto anacrónico a muitos que se habituaram a um relacionamento próximo com Espanha, a uma integração crescente das duas economias e a um sentido de pertença à Ibéria, impensável em tempos anteriores.
Mas os feriados não podem ser simples dias de descanso, devem ser momentos de reflexão sobre acontecimentos transcendentes que contribuem para a coesão dos povos.

Uma aventura no Ministério da Educação

Depois de uma ministra socióloga, que sonhou construir uma escola à medida dos seus desígnios, temos uma ministra escritora que bem pode dar à estampa mais uma aventura, desta vez no Ministério da Educação.
O enredo já está delineado e a avaliação dos professores vai ser o centro da acção. O suspense está no ar. Suspende? Não suspende. Mas mesmo sem suspender, suspende. Confuso? Não, é apenas a poeira atirada aos olhos dos que teimam em mantê-los abertos.
A saga da carreira e da avaliação ainda está para durar, e até parece que estes são os temas centrais da política educativa. Entretanto, os professores vão ardendo em lume brando.

Famílias e Casamentos

O tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo é o primeiro grande embate, na actual legislatura, entre duas concepções diferentes de organização da vida social.
De um lado, a esmagadora maioria dos deputados do PS, o Bloco, o PCP e os Verdes. Do outro, quase todos os deputados do PSD e o CDS. Subjacente está a questão, ainda mais fracturante, da adopção de crianças por parte de casais unisexo.
Independentemente dos argumentos, o que está em causa é o facto de a família, tal como o casamento, se terem pluralizado, deixado de ter formato único. Hoje há famílias, há casamentos, pelo que o singular não expressa a realidade social. As sociedades estão em profunda mudança; é a marcha da História, e nada a deterá.

A face oculta da justiça

No Império Romano apaziguava-se a tensão social com “pão e circo”. Agora, os processos judiciais envolvendo gente dos negócios e da política, transformados em reality shows, fazem papel idêntico.
A cereja no topo do bolo é haver a possibilidade de envolver o Primeiro-ministro, pelo que nunca falta um primo, um amigo ou um correligionário político indiciado e chamado a depor.
A descredibilização das instituições vai corroendo a vida social e o sistema político e a corrupção, que parece imperar na sociedade, aninha-se também na polícia e nos tribunais, onde não há processo em segredo de justiça que não se torne alimento das fogueiras das vaidades mediáticas.

Novo capítulo

Como nada acontece por acaso, o PS ganhou as eleições em Leiria em resultado de uma conjugação virtuosa de factores nunca antes ocorrida. A dissidência no CDS não compensou e a autoflagelação do PSD ditou a sua derrota. Raul Castro tornou-se um homem providencial.
O futuro será o que for, mas o novo poder tem o dever de conseguir fazer mais e melhor do que no passado se fez, envolver os cidadãos nas grandes decisões, disciplinar contas e procedimentos, refazer a esperança e afirmar a liderança de Leiria como pólo de desenvolvimento regional.
Quebrado o tabu, nada será como dantes.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Amor à causa

Hoje estive a fazer um exame escrito e oral a uma formanda de uma pós-graduação. A certa altura falámos dos PIEFs e percebi a verdadeira devoção da rapariga à causa dos alunos em fim de linha escolar. É bom encontrar profissionais que acreditam na causa, que apesar de todas as mudanças na carreira, no estatuto, nas condições de trabalho, são capazes de perceber que estão a contribuir para a construção de uma catedral, embora estejam apenas a aparelhar um elemento.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Líderes e lideranças

"Líderes e lideranças em escolas portuguesas. Percursos individuais e impactos organizacionais", tese de doutoramento, está agora disponível em versão integral e anexos em http://www.iconline.ipleiria.pt/handle/10400.8/163

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

De novo, a avaliação

Só a gripe A disputa espaço noticioso à questão recorrente da avaliação dos professores. Aí estão, de novo, todas as baterias sindicais assestadas para a nova equipa do ME. Paulo Portas descobre a sua vocação para delegado sindical dos profs. e, substituindo-se aos especialistas, tira da cartola um novo modelo. Bom...sempre é um contributo.
O novo Secretário de Estado, Alexandre Ventura, era o presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores. Que pensar, que tens as mãos manchadas pelo processo como resultado das funções que desempenhava ou que é a pessoa que está em melhores condições para ajudar a pacificar o sector?
Sinceramente, tudo isto me parece estranho. A gestão da educação, no contexto actual, pós Maria de Lurdes Rodrigues, nada tem de técnica, é uma tarefa eminentemente política. Pois quem assume funções? Uma ministra e dois secretários de Estado que de políticos nada têm, que se saiba publicamente.
Entretanto as escolas estão em suspenso e os professores em desespero. Pobre educação...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Avaliação Externa das Escolas

Hoje participei num seminário, organizado pela IGE, com inspectores e professores de instituições de ensino superior que integram as equipas de avaliação externa.
Muito interessante. Discussão viva, debate enriquecedor. O caminho percorrido é muito importante, mas ainda há muito para andar. É preciso aprofundar a reflexão sobre a metodologia e práticas da avaliação externa, instrumentos e referenciais, limites e consequências.
Aqui está um campo onde todos os profissionais da área têm interesse directo e a investigação um papel insubstituível.

domingo, 25 de outubro de 2009

Isabel Alçada

Tenho a melhor impressão pessoal sobre Isabel Alçada. Conheci-a, de perto, quando fizemos o mestrado em Boston. Aliás, este curso já deu, que me lembre, dois Secretários de Estado, Domingos Fernandes e Valter Lemos, para além de vários outros dirigentes do Ministério da Educação.
A nova ministra chega ao círculo mais restrito do poder com um prestígio inatacável, não tanto por ser professora, mas pela suas deambulações pelas aventuras da escrita. Ao contrário da antecessora, socióloga pura e dura, Isabel Alçada era, até agora a responsável pelo Plano Nacional de Leitura e é mais como escritora que o país a conhece.
Muitos jovens portugueses cresceram embalados nos sonhos aventurosos que Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães lhes foram propondo em inúmeras publicações, onde o despertar o gosto pela leitura se associava à descoberta de temas importantes para o seu crescimento como cidadãos.
Como qualquer novo governante, a nova ministra tem direito ao benefício da dúvida, mas devem assinalar-se dois aspectos que podem dificultar o seu mandato. Por um lado não se lhe conhece experiência de gestão, por outro não tem experiência nem peso político.
Se o primeiro aspecto não parece grave, para isso lá estarão directores gerais e assessores, já a questão política pode ser mais sensível. A gestão de um ministério como o da Educação, para mais na fase pós Lurdes Rodrigues, é tudo menos técnica. O cerne dos problemas é desatar os nós que os antecessores arranjaram, tarefa que exige um enorme jogo de cintura da ministra, o apoio sem reservas do Primeiro Ministro e do Governo, e uma ilimitada capacidade negocial para, na Assembleia da República, ganhar espaço de manobra para fazer vingar propostas, nas mesas de negociação com os sindicatos obter consensos e na "rua" conquistar as pessoas para as suas causas.
Como Helena André, a sindicalista, que vai para o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, também Isabel Alçada, a professora, não garante só por si a bondade das políticas que vai protagonizar, como bem observou Carvalho da Silva, a propósito da primeira.
A acção da ministra vai ser fortemente condicionada pela forma como conseguir romper o cerco dos sindicatos, falando directamente para os professores. Que ninguém tenha dúvidas, a política educativa concretiza-se através das escolas e dos professores e, sem estes, como já se viu, o destino é o desastre.
Ora, se os sindicatos são imprescindíveis e os parceiros negociais de eleição, os professores, como classe, estão muito para além dos sindicatos e o peso destes será tanto maior quanto o ME se afirmar por estar contra os professores e não por os estimar como colaboradores indispensáveis.
Consideração expressa em medidas concretas é o que os docentes esperam da ministra. Se passar no teste, o resto vem por acréscimo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Finalmente...

Demorou três décadas, mas acabou por acontecer. O Partido Socialista ganhou as eleições autárquicas no concelho de Leiria. Agora até parece que foi fácil, mas tratou-se de um processo lento, progressivo e que culminou num momento em que se reuniram um conjunto de circunstâncias favoráveis a uma viragem histórica.
Em termos de real politik o que importava era ganhar. Agora, dia a dia, passo a passo, é necessário trabalhar para não defraudar as expectativas. Empenho e humildade, capacidade de estabelecer pontes e criar sinergias entre a Câmara, as juntas e a população, uma nova forma de abordar a organização dos serviços camarários, é o que se espera e se exige.
Independentemente de outras considerações, era desejável esta mudança, o poder, longamente exercido, corrói e corrompe a dinâmica da acção política e, salvo raríssimas excepções, gera mais descontentamento do que adesões. Foi o que aconteceu à maioria PSD.
No futuro, há uma questão iniludível que tem a ver com a governabilidade da Câmara, uma vez que o PS não tem maioria absoluta.
Este quadro é agravado pelo facto de os vereadores do PSD não disporem da confiança política dos órgãos locais do partido. Sinceramente não vejo como podem, num quadro de derrota, os vereadores do PSD ter uma intervenção autónoma na Câmara, durante 4 anos, sem o apoio da respectiva Comissão Política.
É facto que o PS pode prescindir do seu contributo, matematicamente falando, mas do ponto de vista político é mau para todos que quase metade da vereação esteja ab initio partidariamente deslegitimada.
Mas tudo isto é menos importante do que celebrar a vitória histórica do PS e a esperança que se abre para a maioria dos eleitores que lhe deram o voto.
Parecendo um assunto interno, não é, porque está em causa a governabili

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Assegurar a governabilidade do país

O PS ganhou, sem surpresa, as eleições, embora tenha perdido a maioria absoluta, como também se esperava. Agora trata-se de assegurar governabilidade do país. As hipóteses são várias - governar em minoria, fazendo acordos circunstanciais no Parlamento, consoante as matérias em jogo. Coligar-se com quem lhe assegure uma maioria estável.
Teoricamente, tratando-se de um partido que se posiciona à esquerda no espectro político, poderia fazê-lo com o BE e a CDU. Só que entre as três forças politicas há divergências irreconciliáveis e muito dificilmente seria possível assegurar qualquer base sólida de cooperação.
A aliança com o PSD daria lugar ao Boco Central, que muitos vêem como a suprema contradição do nosso sistema político. O "Centrão" sugere uma amálgama de interesses difusos e suspeitos e susceptível de criar uma opacidade nefasta na vida democrática.
Resta o CDS, que necessita de um palco credível para continuar a afirmar-se e deseja capitalizar o voto da direita e do centro-direita que habitualmente pende para o PSD.
Governar sozinho parece ser a solução natural, mas torna o mandato uma caixinha de surpresas e obriga a uma actividade permanente e desgastante de negociação. A viabilização de uma coligação pode permitir uma solução governativa estável e credível na base de um acordo realista de acção política para os próximos quatro anos, incluindo, como bónus, o apoio a um candidato presidencial do PS moderado e bem preparado como, por exemplo, António Guterres.
Entretanto há a batalha das autárquicas e é como se fosse necessário recolocar o contador a zeros para recomeçar o combate eleitoral. Até ao dia 11 de setembro a gobernabilidade futura do país vai ter de esperar, até porque destes resultados depende a consolidação de uma qualquer solução de gorverno.

domingo, 27 de setembro de 2009

A festa da democracia

Apesar dos anos que levamos de democracia, é sempre uma festa renovada ir a votos. Na escola onde votei a agitação era enorme e a avaliar pelo semblante dos eleitores e eleitoras, nem sinais da crise.
Festa. é o que se sente, porque se despede um governo, porque se sonha com outro, porque se acredita que o país vai, finalmente, mudar para onde queremos, é tudo isso e muito mais, uma esperança sempre renovada, um sonho, quase sempre adiado.
Amanhã se verá como vamos resolver os problemas, hoje é para celebrar.
Façamos , então, um brinde à democracia, por pior que ela seja, que eu ainda me lembro muito bem de como era o meu país antes da Revolução de Abril de 1974.

Vamos a votos

Daqui a poucas horas se saberá que novos desafios se nos colocam. Até lá votem com convicção e esperemos que os portugueses, nós todos, saibamos encontrar a solução que o país precisa. Felizmente que em democracia há sempre uma alternativa, e como nós somos parte interessada, a altura é de participação, empenho e avaliação construtiva.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Campanha

Hoje fui dar uma mãozinha à campanha do PS (legislativas). Nem bandeiras, nem bombos, só uns quantos militantes e candidatos. O cabeça de lista, Luís Amado, faltou.
Cumpriu-se o calendário mas... o que vale uma acção de campanha destas? Uma dúzia de pessoas a distribuir propaganda, sem animação e quase na clandestinidade. As campanhas já não são o que eram. Tenho saudades dos tempos em que campanha era sinónimo de festa, animação, um gozo danado.
Hoje tudo se concentra nos líderes e nas televisões e o resto é quase para cumprir rotinas.

A propósito, os Gato Fedorento tornaram-se, a par dos cabeças de lista dos vários partidos, nos grandes animadores desta campanha. É uma lufada de ar fresco na cinzentice politiqueira. Espero que para além de gargalhadas consigam também mobilizar eleitores. A democracia faz-se de participação embora, lamentavelmente, em Portugal o alheamento abstencionista ganhe um terreno cada vez maior.

A fechar, o Presidente da República anda a ouvir vozes do além. Suspeita-se das secretas a mando do Governo. Um jornal publica a caxa, um assessor é demitido, Cavaco é apanhado em falso. Avizinham-se tempos difíceis. A paranoia política está ao rubro.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ensino Profissional

Hoje estive no Fundão num encontro inserido nas comemorações dos vinte anos do Ensino Profissional. Esteve também o Prof. Joaqum de Azevedo, um dos responsáveis pelo seu lançamento, quando era Ministro Roberto Carneiro.
A mobilização das comunidades locais e a autonomia das escolas são duas ideias base deste modelo que conseguiu afirmar-se apesar de nem sempre apoiado como se justificava.
Ao completar duas décadas de existência, atingiu a maioridade, é uma formação credível e tão relevante que foi estendida às secundárias estatais.
O grande desafio para estas é serem capazes de fazer tão bem ou melhor que as suas precursoras.
Uma palavra de solidariedade para o João Santos Costa, uma das referências da escola Profissional do Fundão, actualmente a lutar com uma doença grave.

domingo, 6 de setembro de 2009

Um país insano

Felizmente que o cabo nos traz as têvês de todo o mundo. É a forma de percebermos melhor a nossa dimensão e a singularidade dos debates nacionais.
O grande drama em Portugal não são os desempregados, é a Manuela Moura Guedes. O que ela fazia era bom jornalismo? Então deixem-se de hipocrisias! O Marinho Pinto é que lhe pôs os pontos nos iis. O Sócrates fez o que qualquer outro faria, protestou. E fez bem.
A Prisa e o Cebrian sabem o que andam a fazer.
Siga a campanha eleitoral que a Moura Guedes já teve a sua glória.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Finalmente o mea culpa de Sócrates

ItálicoEra previsível, Sócrates veio, finalmente, dizer o que já devia ter assumido há muito, que a gestão da relação com os professores foi errada e que tudo fará para restabelecer um clima de confiança se...for reeleito.
Talvez seja um pouco tarde, mas mais vale tarde do que nunca.
O problema é que nestas matérias não há muito espaço para erros grosseiros como o que se cometeu ao longo deste súltimos quatro anos e não deixa de ser surpreendente o manto de silêncio pesado que dentro do PS este assunto delicado suscitou.
Foram muito poucos os que assumiram a divergência com a gestão que o Governo fez do relacionamento com a classe docente e o esforço dos responsáveis foi sempre o de tentar desacreditar as razões dos professores. Infelizmente as sementes da obediência cega, resquício de experiências de repressão antigas, ainda continuam por aí a germinar.
Está, pois, levantado o lábéu oficial sobre os professores e enterrado o machado de guerra. Ficam por fazer as contas por perdas e danos para a classe, para o sistema educativo e para o País, que esta atitude insensata provocou.
Sendo certo que este pedido oficial de desculpas à classe, por parte do Primeiro Ministro, pode ser interpretado como "uma manobra eleitoral", não é menos verdade que ele é também uma reparação moral justíssima e, nesta medida, merece ser tomado em devida consideração.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Chamem a polícia

A praça Rodrigues Lobo, em Leiria, tornou-se um must desde que lá se instalou o Chico Lobo, o bar mais cool das noites da cidade. Depois vieram outros, alguns cafés antigos reconverteram-se e, a pouco e pouco, o antigo centro cívico foi ganhando vida e animação e mostrando uma nova faceta de Leiria, cidade bem tradicionalista e conservadora até há bem poucos anos.
Quem não conhece, é urgente que lá dê uma saltada, e tomar um copo no Chico é obrigatório.
Mas onde é que entra a polícia nesta história? Bem, podia entrar de várias formas, mas hoje vamos ao estacionamento.
A zona é servida por estacionamento à superfície e por dois parques subterrâneos. Mesmo junto à praça existe um parque para cargas e descargas, interdito a estacionamento privado. Claro está que à boa moda do Portugal incorrigível muita gente prefere ignorar a proibição e dar uma gorgeta aos arrumadores de serviço do que cumprir a obrigação cívica de respeitar a lei.
Todos os dias o local está repleto de carros, para meu grande espanto e de todas as pessoas que cumprem o código da estrada. Eis senão hoje que chega a polícia e multa todos os automóveis que lá estavam. Apanhados na rede, cada um dos infractores teve a surpresa de uma multazita para pagar depois do copo da praxe.
Isto aconteceu por volta das dez da noite. Como habitualmente, "depois de casa arrombada, trancas na porta", quem foi multado zarpou rapidamente, talvez para tentar cantar a canção do bandido aos polícias e poupar a multa. Mas uma hora depois, já o dito parque estava repleto e um arrumador ordenava o tráfego.
Como diaria o Scolári, de boa memória. "O burro sou eu?" O parque é interdito? É! Então não se pode estacionar, certo? Errado. Pode! Mas então a polícia não multa? Às vezes, quando se lembra.
Esta história parece comprida para coisa de somenos. Não é verdade. O que aqui se relata ilustra um comportamento típico de desrespeito pela lei e a forma aleatória como a polícia actua. É suposto que a polícia todos os dias vigia as ruas, mas apenas de vez em quando multa os infractores, embora saiba que todos os dias lá existem. Qando está de serviço uma equipa mais zelosa? Um agente que tem objectivos para cumprir? Um polícia mal disposto? Eu sei lá, pode haver milhentas explicações.
Se calhar sou eu que estou a ver mal a questão, mas então deixem estacionar e pronto. Já agora até podem assumir que se trata de serviço social. Em vez de pagarem multas, que vão para o Estado, que depois tem de sustentar os arrumadores, pagam directamente a estes e ainda sai mais barato.
É por estas e por outras que Portugal é um país castiço. "Não às multas, sim aos arrumadores".

O Verão da avaliação de professores

O Presidente promulgou o diploma do Governo. O que havia de fazer? A versão simplificada da avaliação é a tábua de salvação da equipa do ME. É o que resta depois de tudo o que já foi deitado para o caixote do lixo de um processo que nasceu torto.
Infelizmente a política educativa deste Governo, que até tem aspectos muito positivos, vai ficar para a história como um mar de antagonismos com os professores. Daqui a uns anos ninguém se vai lembrar de mais nada, à excepção do conflito com a classe que, apesar da politização sindical e do aproveitamento partidário da oposição, não deixou de ser um genuino protesto da esmagadora maioria dos professores, que se sentiram ofendidos e humilhados com medidas, algumas necessárias, aplicadas de forma tecnicamente incorrecta e politicamente inábil.
Tal como os amores de Verão, a versão simplificada da avaliação, agora promulgada, não resistirá à chegada do Outono.

domingo, 16 de agosto de 2009

O Portugal incorrigível

Em Portugal, há comportamentos atávicos que, nem a evolução dos tempos nem a formação escolar e profissional, são capazes de erradicar. É sabida a importãncia do turismo na economia do país e, nas suas múltiplas ofertas, os serviços de restauração desempenham um papel fundamental na dinamização do sector.
Seria, pois, de esperar que, com tanta sensibilização e múltiplas ofertas de formação, os serviços prestados fossem, generalizadamente, de qualidade aceitável e os profissionais do sector verdadeiramente dignos deste qualificativo. Mas não é assim. Dois exemplos ocorridos recentemente no Algarve.

Num restaurante que pratica preços bastante elevados e que passa por ser uma das melhores escolhas para quem quer degustar um bom peixe grelhado, um comentário de um cliente motivado pelo atraso no serviço, mereceu do empregado encarregado da mesa o seguinte e instrutivo desabafo:
- "Pois, é muita gente".
Moral da história. O empregado não lhe ocorre que é o restaurante que se tem de adaptar aos clientes e ao seu fluxo, inclusive a não aceitar mais clientes se a sua capacidade não chega para tanto, já que devia estar obrigado a manter padrões de atendimento compatíveis com os preços que pratica. O mais óbvio que lhe ocorreu foi responsabilizar os clientes "Que vêm todos ao mesmo tempo".

Noutro restaurante, este popular, aconteceu um autêntico descalabro, com os clientes a esperarem horas (em sentido real) para serem (mal)servidos, os funcionários sem qualquer formação específica para o serviço de mesas e sem qualquer conhecimento do peixe que serviam, um nem sequer sabia distinguir um carapau de uma dourada e foi à mesa pedir aos clientes que o ajudassem a destrinçar e o que se supunha ser o gerente, e tentava dar alguma ordem àquela completa bagunça, acabou por confessar que estava ali a fazer um biscate e que trabalhava na secção de peças de uma empresa do ramo automóvel.
Não fora a descontracção própria das férias o homem não teria acabado a noite a conversar alegremente com os clientes sobre as virtudes e defeitos das máquinas topo de gama comercializadas pela empresa para a qual trabalhava e sim a explicar à autoridade competente a sua presença como (i)rresponsável de um restaurante sem rei nem roque.

Em ambos os casos, o nacional-porreirismo, a falta de profissionalismo, o desrrespeito pelos clientes (que pagam como se fossem bem servidos) são o reflexo de uma cultura empresarial de vão de escada que não dignifica nem a região, nem o país, e que exibe a marca deprimente de um sector vital mas carente de quadros e de qualidade.

Protesto contra a neocensura!

Talvez ainda não se tenha apercebido que existe em Portugal um Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, cuja função é regular matérias desta área.
A partir de agora não o poderá ignorar, pois o dito conselho entende que quem participa em listas candidatas a eleições não pode escrever nos jornais nem participar em programas de rádio ou televisão, com textos de opinião ou como comentador.
Para que conste, aqui fica o meu veemente protesto contra uma forma de neocensura que, sob a capa do igualitarismo das candidaturas, amordaça e silencia vozes livres.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Bolas sem creme

Nos meus tempos de menino, ir dos confins do Alentejo até à beira-mar, fazer praia, era sempre uma aventura e um tempo de experiências mágicas.
Para além dos prazeres marinhos, as batatas fritas, redondas e estaladiças, e as bolas de Berlim, bem recheadas de creme, faziam as delícias da criançada no intervalo das banhocas.
Hoje, comer batatas fritas é quase um crime de lesa coração e já ninguém as vende nas praias, quanto às bolas, só mesmo sem creme, ASAE dixit. As gerações do soft e do light não sabem o que perdem. A praia lá continua, mas não é a mesma coisa.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

E o terceiro mundo aqui tão perto

O hospital de Santo André é uma boa unidade de saúde. Alguns dos seus serviços são referências de excelência. Por razões familiares já conhecia as urgências obstétrica e pediátrica. Ambas de grande qualidade.
Numa destas noites vi-me obrigado a uma visita inesperada à urgência geral. Nem queria acreditar. Aquele não é o Santo André a que me habituei. A degradação das instalações é evidente e as condições de atendimento péssimas.
Sobrevive-se, é um facto, mas o ambiente lembra os hospitais do terceiro mundo. Algo está errado e a culpa não é, certamente, dos doentes.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Consumir o futuro

Agora que as bolsas estão a recuperar, a gripe A se dissemina, e a corrida eleitoral acelera, as preocupações com a crise estão a passar para segundo plano.
E é pena. Para além dos factores resultantes da globalização, há problemas estruturais que nem estão, nem serão resolvidos, se tudo continuar na mesma.
Um país que compra mais do que vende, paga mais do que recebe, gasta mais do que tem, é inviável. Portugal tem uma economia terciarizada, mas sem estrutura que a suporte. Se continuarmos como até aqui estaremos a consumir o futuro.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Dicas para uma campanha eleitoral (3)

A equipa

A escolha de uma equipa para concorrer a quaisquer eleições é da maior importância porquanto não é só o primeiro nome que é importante. A equipa pode acrescentar, mas também pode diminuir.
Infelizmente é comum que as equipas sejam escolhidas com base em critérios que pouco ou nada têm que ver com a competência das pessoas. Ou se vai pelo compadrio político, ou pela necessidade (actual) de preencher quotas, ou porque uns fazem menos sombra do que outros.
O critério da competência e da adequação do perfil de cada um ao lugar que lhe pode vir a caber, que devia ser norma, é excepção e, por isso mesmo, a classe política tem sofrido a erosão que se sabe, a ponto de se ser mal-visto só por se manter actividade política, seja ela qual for.
A aposta na competência é um valor seguro.

A auto-avaliação dos professores

Levo trinta e cinco anos de carreira docente, dos quais vinte e quatro como formador de professores. Nunca encontrei ninguém que ao fazer a sua autoavaliação não se considere sempre num patamar de execução de nível de bom e muito bom, preferencialmente, neste último.
As autoavaliações são daquelas peças rituais que servem para enfeitar mas das quais pouco ou nada mais se aproveita.
Quem é que sabendo que tudo o que diga em seu desfavor será utilizado contra si, vai dizer algo? E é aqui que a hipocrisia institucional atinge todo o seu esplendor. Neste momento há milhares de professores a preencherem a ficha de autoavaliação e a dizerem que fazem tudo bem. O que haveriam de dizer?
Para que servem estas autoavaliações? Para pouco. Mas é assim que o sistema está montado.
Naturalmente que os processos de autoavaliação têm a maior importância e são indispensáveis em processos de avaliação do desempenho, mas exigem um referencial claro que exige, no mínimo, que o que se diz seja objectivamente comprovado, caso contrário, cada um espraia-se de acordo com a sua iniciativa.
Por outro lado, a autoavaliação é um processo estruturalmente formativo e, por isso mesmo, exige uma disponibilidade total dos avaliados e dos avaliadores para o encararem sem o ónus de daí advir qualquer prejuízo adicional para quem assume as suas insuficiências ou limitações. Sem isso, é uma farsa.

domingo, 19 de julho de 2009

CR9

Não tenho dúvidas de que identificou, de imediato, a personalidade a que se refere o título. Quem não conhece Cristiano Ronaldo e quem não sabe que passou a ser o titular da camisola número 9 do Real Madrid?
CR9 é o português contemporâneo mais conhecido em todo o planeta e um dos poucos cidadãos do mundo a conseguir juntar num estádio 80 mil pessoas, só para o ver.
CR9 já é muito mais do que um jogador de futebol, é um símbolo do poder da comunicação e um exemplo de como o talento e a sorte podem transformar um menino pobre num semi-deus. O berço é importante, não determinante.

domingo, 12 de julho de 2009

Dicas para uma campanha eleitoral (2)

O programa

Sintético e ambicioso, são talvez as duas qualidades mais importantes de um programa eleitoral. Não quer dizer que não se elabore um documento mais extenso e detalhado com as metas que se pretendem alcançar, mas uma folha A4 deve bastar para comunicar o essencial.
Numa época em que todos estão habituados à comunicação mediática e a serem motivados pelos primeiros segundos de uma notícia ou de um videoclip, ninguém tem pachorra para ler extensos programas, recheados de banalidades e promessas em que ninguém acredita.
O essencial é captar o sentir maioritário dos eleitores e falar-lhes do que lhes interessa e de como se concretizarão as suas expectativas. Simultaneamente é necessário mostrar novos caminhos e mobilizar os eleitores para os fazerem conjuntamente.
O "Choque Tecnológico" de Sócrates, por muito que alguns se riam da ideia, constituiu uma verdadeira revolução e fica como exemplo de como uma ideia consistente pode ajudar a mudar um país.
Não são precisas muitas ideias, basta uma boa para alterar o curso da história.

Barreto e a autonomia

Não é novidade que António Barreto é um dos mais lúcidos pensadores portugueses. Num texto que hoje publica no jornal Público, titulado "O eterno recomeço", faz uma síntese, na qual muitos certamente se revêm, do balanço possível do legado da actual equipa do ME. Cito apenas um pequeno passo que vem ao encontro do meu pensamento sobre a gestão do sistema escolar. "Com a maioria absoluta e a aparente contenção do poder sindical, parecia possível procurar outras vias, nomeadamente a autonomia das escolas e da sua devolução por inteiro às comunidades".
Inteiramente de acordo, mas ainda vamos ter um longo caminho a percorrer. Apesar dos contratos de autonomia, uma simples gota de água no sistema e, mesmo esta, muito ténue, quase tudo está ainda por fazer. Para complicar e dificultar ainda mais, há um receio profundamente arreigado em muita gente, professores incluídos, de que a autonomia possa significar poder dos munícipios sobre as escolas. Entre o Estado Central e o Estado Local, há muitos a preferir o primeiro.
Relativamente ao texto de Barreto, apenas uma discordância, não se pode devolver às comunidades o que nunca lhes pertenceu. A gestão escolar sempre foi prerrogativa do poder central, que depois de 1974 partilhou, por interesse estratégico, com os professores, o governo das escolas.
Formalmente, este paradigma só foi alterado, muito timidamente, com o actual decreto-lei regulamentador da gestão das escolas (75/2008) que colocou em minoria nos conselhos gerais, os professores, situação nunca antes ocorrida.

A política do bypass

Na política tudo é possível, tal como na vida. A concelhia de Leiria do PSD, escolheu um candidato à Câmara que não mereceu a aprovação das estruturas distritais nem nacionais. Nada a objectar, são os regulamentos.
A coisa complica-se quando é indicada uma (re)candidata, sem que a estrutura local reveja a sua posição ou seja destituída por se opor à escolha e militar contra ela.
Agora que a campanha se inicia, finge-se não existir estrutura local e monta-se uma paralela, fazendo-se uma espécie de bypass. Talvez seja a solução possível, mas será admissível? A ver vamos.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Dicas para uma campanha eleitoral (1)

Uma campanha pela positiva.

Dizer mal dos adversários agrada aos adeptos, mas não entusiasma os eleitores e às vezes é desonesto.
Além do mais, quanto mais se fala dos adversários mais importância se lhes está a dar. Propostas credíveis é a receita mais eficaz e, sem o dizer explicitamente, propostas que façam o contraponto com o que os adversários não fizeram ou não propõem.
A seriedade é fundamental para dar suporte às propostas e mesmo quando alguns políticos, que podem ser considerados tudo menos sérios, ganham eleições é porque conseguem a proeza de fazer com que os eleitores acreditem em duas coisas - que não são tão maus como os pintam e que a sua capacidade de realização em benefício das populações está acima dos seus pecadilhos.

Lição número um: Seja sério(a), dê-se ao respeito, apresente propostas que cativem e evite a má língua. Os adversários existem, respeite-os, mas dê-lhes a menor importância possível, não faça o trabalho deles, preocupe-se com o seu. Uma campanha pela positiva é meio caminho andado.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

As autárquicas em Leiria

Aparentemente vamos ter mais do mesmo, quase que se pode dizer que é o "derby" do costume - Isabel vs Castro - mas talvez não seja bem assim, depende da capacidade de cada uma das candidaturas para apresentarem uma agenda nova, com propostas que vão ao encontro das expectativas dos munícipes e que projectem um futuro ambicioso para o concelho.
Se persistirem nos temas recorrentes do passado, saneamento, revisão do PDM e quejandos, estamos conversados.
O mundo mudou, os cidadãos também e a forma de fazer política idem. A blogosfera é um meio excelente de cada um dizer de sua justiça. Em vez de se ficar á espera que os líderes digam o que pensam, cada um pode dizer o que sente, apresentar propostas, gritar o que lhe vai na alma. Pela minha aparte é o que vou fazer e se quiserem aproveitar o espaço, sirvam-se à vontade.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Candidaturas não acumuláveis

O PS está a digerir com alguma azia a deliberação de não serem acumuláveis candidaturas às autarquias e à Assembleia da Repúbica.
Depois da derrota traumática das europeias e dos chifres do ministro Pinho, a direcção faz um "manguito" aos esforçados candidatos e candidatas que se estavam a preparar para um difícil número de equilibrismo, com um pezinho no territótio autárquico e outro em São Bento.
A decisão só peca por tardia e Manuel Alegre faz muito bem em instar Ana Gomes e Elisa Ferreira a assumirem-se numa das suas duas qualidades -deputadas ao Parlamento Europeu ou candidatas, respectivamente, a Sintra e ao Porto.
É certo que a decisão já devia ter sido tomada há muito, mas vale mais tarde do que nunca e é tempo de se perceber que os eleitores não aceitam ser tratados como lixo e, muito menos, serem tomados por parvos.
Um candidato ou candidata é-o, por definição, a um cargo ou função, não a dois ou mais, como um apostador que quer aumentar as suas hipóteses de sucesso em caso de vitória e a precaver-se em caso de derrota.
Veja-se o caso emblemático de Elisa Ferreira. Ganhar o Porto é um desafio muito difícil, que obriga a um empenhamento total e a uma consciência muito clara de que se não ganhar tem de "comer o pó levantado pelos vencedores". Ora, se a derrota se traduzir no "exílio" europeu, é impossível que a candidata não faça a campanha com o sentimento de que o pior que lhe pode acontecer é ir tomar ares para o centro do continente. Confortável, não acham?
E o mesmo é válido, mutatis mutantis, para todos e todas que se abalançassem a duas candidaturas e que sempre pensariam numa dupla oportunidade para conseguirem um lugar.
Com toda a candura, uma candidata que sempre esteve nas primeiras linhas do PS veio dizer que se não ganhar precisa de um emprego para sobreviver pois ser vereador da oposição não enche barriga (a expressão é minha).
Pois, é verdade, mas toda a gente deve ter um emprego e não viver exclusivamente da política. É essa a essência da democracia. Uma das razões do empobrecimento da nossa vida política é, precisamente, o facto de alguns se servirem da política em vez de servirem o país. Sem qualidades para conseguirem um emprego decente, tornam-se "nossos representantes" nas autarquias, na Assembleia da República, no Governo e nos serviços públicos, enxameando a mesa do poder e sugando o erário público. E nesta matéria não há partidos inocentes, são todos iguais.
O PS fez bem em clarificar esta questão. Os dois amores que o Marco Paulo cantava pertencem ao mundo cor-de-rosa, salvo seja, não à política, quando esta respeita a ética e os eleitores.

domingo, 5 de julho de 2009

Autonomia das escolas vs governação por contrato

Dia 3, no Centro Cultural de Belém, o Ministério da Educação organizou uma jornada de análise e reflexão sobre a autonomia das escolas.
A Ministra da Educação presidiu ao evento e considerou ser esta uma área em que a sua acção pessoal e política foi determinante para que existam cerca de vinte escolas com contratos de autonomia.
A jornada foi um misto de propaganda, relato de práticas (boas ou más, depende do ponto de vista) e de reflexão académica.
Independentemente de qualquer perspectiva crítica, tratou-se de uma iniciativa interessante e oportuna, embora tenham sido patentes alguns dos equívocos que contaminam este processo.
Em primeiro lugar há uma questão, bem levantada por Jorge Adelino Costa (Universidade de Aveiro), sobre a impossibilidade de as escolas não superiores terem autonomia, por lhes estar vedada nos termos da Lei de Bases do Sistema Educativo (1986).
João Formosinho (Universidade do Minho) utiliza preferencialmente a expressão "governação das escolas por contrato", conceito muito mais rigoroso e ajustado à realidade.
Uma segunda questão resulta do facto de se ter ignorado que a "autonomia das escolas" ou a "governação por contrato" não dispensam o concurso das autarquias. Lamentavelmente foram excluídas da jornada, ninguém (que eu tenha ouvido) se lhes referiu e não vi por lá nenhum representante "oficial".
Finalmente, o modelo de "autonomia" ou "governação por contrato" centra-se na descentralização de competências do ME para as escolas e a sua conceptualização coloca o escopo apenas nas escolas e/ou agrupamentos, continuando a ignorar-se a possibilidade de se criarem unidades de gestão de âmbito concelhio, nos casos em que existam mais de que uma escola e/ou agrupamento num município.
Também não se inova na possibilidade de rever a lógica centralista da administração escolar, procedendo à sua territorialização (municipalização), acabando de vez com o modelo único e com a gestão do ME, substituindo-a por uma gestão local fortemente ancorada em cada comunidade.
Os chamados "contratos de autonomia" são um passo tímido, é certo, mas positivo num caminho que é necessário fazer, mas que não pode ser ingenuamente concebido como se as escolas pudessem ser autónomas, isentas de um controlo social sobre o seu funcionamento e produtos, e a funcionar umbilicalmente ligadas ao ME, em vez de às comunidades que servem.
A revolução que está por fazer implica que o ME deixe de ser responsável pela gestão das escolas e que se conforme às importantes funções de planeamento macro do sistema e supervisão e controlo do seu funcionamento. A função de avaliação deve ser deixada à competência de uma agência independente, como já acontece para o Ensino Superior.

Bota-abaixo

MFL já decidiu, se ganhar as eleições só se salva a política social. Tudo o resto que o PS andou a fazer vai para o caixote do lixo. Depois não digam que a Sr.ª não avisou.
Uma forma de abordar a política é o confronto, a outra é o consenso, a busca do máximo denominador comum, talvez a melhor forma de superar as fragilidades nacionais e a concorrência internacional.
Já agora, reavivem as memórias e vejam como foi MFL enquanto Ministra da Educação e, depois, das Finanças. O país não pode ser governado à custa dos humores mal resolvidos de quem tem o poder.

O PS, Castro e os provérbios

A candidatura do PS à Câmara, protagonizada por Raul Castro, parece inspirar-se na ideia de que “Não há duas sem três”. A expectativa é alta, Castro sempre obteve bons resultados, tem uma boa rede alargada de contactos e motivação q.b.
Para o PS, ganhar a câmara de Leiria é como conquistar o Everest, o que exige liderança, coesão, trabalho e sacrifício, pelo que “Os fins justificam os meios”.
E se “Não há bem que sempre dure, nem mal que não se acabe”, e como “Quem porfia sempre alcança”, pode ser que o vaticínio se concretize. “À terceira é de vez”.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Regresso

Um blogue é como um animal de estimação, necessita de atenção e carinhos. Confesso que nos últimos tempos descurei um e outros e me tenho limitado a postar os textos que publico no Região de Leiria.
A culpa é minha, naturalmente, mas em minha defesa posso invocar o "estado a que isto chegou", expressão que releva dos tempos do Estado Novo em que aquela expressão procurava qualificar, com ironia, a situação política do país.
A educação em Portugal é hoje, pouco mais do que isto, um silêncio sofrido na esperança de que a provação termine depressa. E de tal modo a situação é grave, que mesmo os especialistas não encontram motivos mais marcantes para caracterizar o que se passa no país do que assinalar a crispação que se sente por todo o lado, a quebra do laço afectivo entre os professores e quem os tutela.
Sindicatos e politiquices à parte, é disto que se trata, falta de liderança de quem, por completa ausência de expertise na gestão dos recursos humanos, delapidou o património mais valioso para realizar uma reforma de fundo de qualquer sistema educativo - os professores.
Também eu sucumbi à vontade de fingir que a realidade não é tão má como a pintamos, e deixei de escrever no blogue. No fundo, é uma forma de protesto como outra qualquer. Há momentos em que ignorar alguém ou alguma coisa é uma forma suprema de vingança. Talvez agora regresse.

Voto de silêncio

Seis portugueses em cada dez votaram em silêncio, abstendo-se. É certo que as maiorias silenciosas não formam governos, mas podem fazê-los cair. Não foi o caso, mas não deixou de ser um forte abanão.
Até o Primeiro-ministro já veio dizer que é preciso explicar melhor as políticas do Governo. Explicar? Os portugueses não são parvos, percebem as medidas, mas muitos não as aceitam.
A derrapagem do PS foi o resultado conjugado do descontentamento com algumas políticas e da falta de uma razão válida para ir votar. O silêncio transformou-se em alarido e a democracia ficou empobrecida.

Voto de silêncio

Seis portugueses em cada dez votaram em silêncio, abstendo-se. É certo que as maiorias silenciosas não formam governos, mas podem fazê-los cair. Não foi o caso, mas não deixou de ser um forte abanão.
Até o Primeiro-ministro já veio dizer que é preciso explicar melhor as políticas do Governo. Explicar? Os portugueses não são parvos, percebem as medidas, mas muitos não as aceitam.
A derrapagem do PS foi o resultado conjugado do descontentamento com algumas políticas e da falta de uma razão válida para ir votar. O silêncio transformou-se em alarido e a democracia ficou empobrecida.

terça-feira, 16 de junho de 2009

O sonho e o pesadelo

O projecto do centro comercial e da grande renovação da cidade, que lhe estava associada, morreram. Agora é tempo de procurar alternativas.
A prioridade deve ser rentabilizar o topo norte do estádio, que custou em 2005 cerca de onze milhões de euros, mais dois milhões e trezentos mil de juros até 2009 (dados da CML).
Por outro lado repensar o modelo de cidade comercial de Leiria, ancorando um projecto de renovação altamente qualificada a partir do centro histórico. As cidades enobrecem-se revitalizando o seu coração.